Não me deixe acordar
2 Segunda noite
Que dia foi esse?! Me perguntei depois de muito estresse daquele dia surreal na Universidade.
Como ele estava em todas as minhas aulas? Como isso era possível!? Alef Uhr era o seu nome. Deitei em minha cama, após o banho. Havia trabalhado na loja de ferramentas depois da faculdade.
O Shane só chegava mais tarde. Ele era policial local.
Adormeci.
Estava de novo na clareira. De novo aquela voz.
Salve-me Sofia!
O som da voz foi seguido de um barulho de folhas se movendo. Segui o barulho, correndo o mais rápido que pude.
Havia um buraco no chão. O buraco crescia engolindo a floresta. Um vento corria para dentro dele.
Vem!
A voz saiu de dentro do buraco. Pulei sem hesitar.
Caí em um deserto rochoso.
Olhei para cima vendo nada além de nuvens ralas sobre o céu azul.
Segui em minha corrida instinvamente tendo certeza de que estava no caminho certo.
Sofia. Você está chegando em mim.
A voz angelical parecia angustiada.
Mas eu estava longe de alcança-lo. Corri até sentir um cansaço incomum.
Acordei.
Que sonho foi esse!
Levantei ao som de Red Hot Chillie Peppers no rádio relógio que hoje funcionou.
Fiz minha higiene matinal. Vesti uma calça do exercício blusinha preta sem manga e bota estilo policial. Maquiagem básica. Olhos pretos boca vermelha.
Tomei café com o Shane.
— Como você tá na faculdade?
— Muito bem.
— Sério. Por quê eu nunca conheci os seus amigos?
— Estou indo bem na faculdade, porque não tenho amigos.
Fez uma cara.
— Você está na faculdade. Por favor, faça amigos e vive um pouco.
— Você é um policial, Shane. Está mesmo me aconselhando à ir para a farra?
— Só tô te pedindo pra sair do ostracismo, Sofia.
— Tenho que ir.
Fugi da velha conversa.
Segui de carro tranquila e serena. Ouvia o Cd que eu mesma gravei no meu PC. Eram apenas as minhas músicas favoritas de cada banda que eu curtia. Rock romântico dos anos oitenta até os dos dias atuais. Estava tudo perfeito. Até um corpo rolar pelo meu parabrisa.
— Meu Deus! _ foi o que eu disse com a respiração em suspense.
Nunca pensei que fosse isso o que sairia da minha boca em tal situação, mas foi.
Freei aonde eu estava.
Eu fazia uma noção de quem eu havia atropelado. O cabelo, a cor da pele branca, aquele tamanho. Ninguém era tão alto quanto ele por aqui. Alef Uhr.
Saí do carro para o acostamento, procurava o ferido. O baque foi muito violento. Minhas mãos trêmulas, o meu coração há mil.
Não tinha um corpo atrás do carro!!!
Dei a volta no carro, incrédula... Atônita. Em pânico e choque.
Na frente do carro, não tinha nenhum amassado. Nem mesmo a poeira de ontem, sobre o carro, havia sido tocada.
Eu estava alucinando?!
Depois de me acalmar. Com as mãos menos trêmulas e as pernas menos bambas, consigo pegar o volante e seguir para a escola.
No caminho vejo um acidente sem feridos. O caminhão madeireiro tinha derrubado toda a madeira na pista. Troncos de árvores imensos no meio da pista.
Eu teria batido nele, minutos atrás. Na velocidade em que eu estava. Ouvindo música alta... Meu Deus!
Eu morreria neste acidente.
Estaciono ao chegar na escola.
Respiro fundo, antes de sair do carro.
Caminhei para o meu armário encontro
o meu novo colega no armário perto do meu.
— Tudo bem com você?
Tinha uma expressão de vazio ao perguntar.
Por que eu tinha essa raiva dele? Alef foi legal. Perguntou se eu estava bem. Mas tudo que eu pensava era que ele era o culpado da minha alucinação. E nem me importava que ela tivesse salvado a minha vida. Por que tudo o que eu via, era que ele estava escondendo algo.
— Você sabe melhor do que eu _ respondi meio zangada e fui para a sala de aula.
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