Notas iniciais
Olá meninas como vão? Primeiramente gostaria de agradecer pelos comentários deixados, e tbm pedir que os fantasminhas deixem o que estão achando da fic. Estamos chegando a quase 100 comentários por favor me ajudem a chegar lá e quem sabe passar desta marca? Att mais

[RECAPITULANDO]

Jane fechou os olhos para resistir à onda de culpa que a invadia. Quando começava a acreditar que o conhecia, quando terminava de preparar todas as defesas, ele fazia ou dizia alguma coisa que realçava sua falta de caráter, sua natureza pequena e mesquinha.

Era a única culpada por aquela situação. Desper­diçara tempo e energia culpando o pai, e a lembrança de George fora como uma tábua de salvação a que se agarrara por muitos meses, mas a verdade era que só ela causara o próprio sofrimento.

Resignada, abriu os olhos.

Charles havia saído.

Deprimida, encolheu-se na cama, tocou a filha em busca de conforto e ignorou o ardor no pé e a dor que tomava conta de seu coração.

Não havia escolha. Jamais haveria.

Teria de ir embora em breve.

****

Na manhã seguinte Charles foi ao quarto de Jane. Ela usava um avental branco sobre um vestido verde, e era a primeira vez que a via em outra cor além do negro.

— Bom dia — ele cumprimentou. — Cheguei a tempo para o banho de Helena?

— Estamos terminando de prepará-la.

— Esqueceu que havia me convidado?

— Não, eu...

— Não pensou que eu viesse.

— Sei que é um homem ocupado.

— Não quero atrapalhar. — De repente ques­tionava se havia sido uma boa ideia ir até lá.

— Não vai atrapalhar. — Levou-o ao quarto de vestir, onde despejou água quente em uma bacia e temperou-a com água fria, verificando a tempe­ratura. — Tudo pronto, sra. Gardiner.

A mulher segurou o bebê com firmeza e Anne começou a lavar seus cabelos.

Aquela era uma rotina com a qual as mulheres e a criança pareciam estar familiarizadas, mas Charles assistia a tudo fascinado. Assim que Anne começou a passar a esponja pela barriga de Helena, ela moveu braços e pernas espalhando água em todas as direções.

Anne riu.

Charles riu.

— Vamos ter de ficar atentos a essa garota du­rante o piquenique de amanhã — ele comentou. — Helena vai roubar o coração de todos os garotos.

Ela prometera que poderia vê-la sorrir se fosse assistir ao banho do bebê. Por isso aceitara o con­vite. E não estava arrependido.

A visão era tão bela que se sentia sem ar.

A alegria radiante da maternidade a tornava especial, iluminada, como a excitação exultante da paixão. E tivera oportunidade de vê-la nas duas ocasiões.

Helena chutou com força e jogou água longe, respingando as roupas de Charles. Ele gargalhou alto.

A surpresa nos olhos de Anne o empurrou de volta à realidade. Ela nunca ouvira o som de seu riso.

Anne colocou o bebê sobre a cama e enxugou-a. Em poucos minutos a criança estava vestida e a rotina chegava ao fim. Agora teria de sair e dei­xá-la vestir roupas secas.

— Sairemos amanhã por volta das dez — ele avisou.

— Estaremos prontos.

— E sua mãe?

— Não se preocupe com ela. A sra. Gardiner vai permanecer vigilante enquanto estivermos fora.

— Não estava preocupado com ela. Pensei que pudesse desejar levá-la para um passeio.

— Oh, eu... vou convidá-la.

No dia anterior levara Caroline para um passeio de carruagem e tivera de passar todo o tempo ouvindo reclamações. Jane não permitira que ela levasse a garrafa de bebida, e por causa disso Caroline resmungara, queixara-se e finalmente se tornara beligerante, obrigando-a a levá-la de volta para casa.

O comportamento instável e hostil a preocupava.

No entanto, a preocupação de Charles a comovia, aumentando o peso da culpa que a atormentava. Todos os dias aprendia um pouco mais sobre ele, o suficiente para elevá-lo em sua estima e diminuí-la ainda mais em sua escala de valores. Não queria nem imaginar como seria o dia seguinte.

Jane ajudou Caroline a vestir-se e certificou-se de que ela não carregava nenhuma garrafa escondida no corpo. Passara horas tentando convencê-la a exi­bir um bom comportamento à mesa do jantar, e rezava para que tudo corresse bem. Charles e Mary esperavam por elas na sala de jantar.

— Não trouxe Helena? — Mary perguntou.

— Não. Ela está dormindo, e não quis pertur­bá-la. — Na verdade, o que queria era evitar com­plicações extras.

— Boa noite, Caroline — Charles cumprimentou-a.

— Boa noite — ela respondeu, sentando-se ao lado de Jane.

— Soube que é muito habilidosa com as agulhas — Mary apontou, tentando amenizar a tensão.

— Fiz alguns trabalhos de costura.

— E ensinou o ofício a Anne.

Caroline pegou o copo de vinho. Jane e Charles trocaram um olhar preocupado.

— Na verdade, Anne sempre quis fazer algo diferente — ela contou.

— Viu todas as peças para as quais sua filha costurou? — Charles perguntou.

— Algumas.

A tensão enrijecia os ombros de Jane. Sobre o que conversariam sem correr o risco de entrarem em assuntos perigosos? Lembrou todos os jornais que Caroline costumava ler e tentou pensar em algo digno de comentários.

Monty Gallamore e Charles haviam falado so­bre uma emenda que tramitava no senado e, com um mínimo de estímulo e inteligência surpreen­dente, Caroline debateu o assunto com Charles até que a sobremesa fosse servida.

— Iremos a um piquenique amanhã. Charles me disse que gostaria de contar com sua presença.

Caroline esvaziou o segundo copo de vinho e recu­sou o café.

— Prefiro ficar aqui.

— Seria uma boa oportunidade para respirar ar puro — Jane insistiu.

— Sabe como reajo a ambientes abertos.

— Se não quer ir... — Charles encolheu os om­bros. — Só queria que soubesse que é bem-vinda entre nós.

— Obrigada, mas não sei lidar muito bem com as pessoas. Creia-me, não ia gostar de me ter por perto.

— A decisão é sua. E agora, se as senhoras me dão licença...

— Tem alguma opinião sobre os modelos que estão sendo usados ultimamente? — Mary perguntou.

Caroline ergueu uma sobrancelha.

— Preciso escolher um vestido para uma de­terminada ocasião, e não consigo encontrar nada que me agrade. Talvez possa olhar os modelos e me ajudar.

— É claro — Caroline concordou com indiferença. Jane acompanhou-as ao quarto de Mary e mais tarde levou Caroline aos seus aposentos.

— Ela me trata como se eu fosse alguém — a mulher comentou, aceitando ajuda para mudar de roupa.

— Mary é uma pessoa especial. Também tra­balhou duro na vida, e por isso não se considera melhor que os outros.

— E os filhos também são muito agradáveis.

Os filhos? Sim, Fitzwilliam era bastante parecido com a mãe. Mas Charles? Tratava os empregados com respeito, tinha de admitir, mas não conside­rava Anne boa o bastante para fazer parte da família. Mas não podia dizer isso a Caroline.

— Sim, os filhos também.

— Pode me servir uma bebida?

— Não acha que já bebeu bastante durante o jantar?

— Eu mesma avisarei quando estiver satisfeita.

Jane providenciou uma garrafa e deixou-a sozinha.