Não Posso Te Amar
1 Capítulo 1
Recolhido em seu escritório, Antônio de Las Nieves,dono de uma das maiores redes de restaurantes do México, refletia sobre sua trajetória, sobre a vida. Era nítido em sua frente, o pequeno vilarejo onde nascera, se fizesse um pouco de esforço quase poderia ouvir o ruído da correnteza, o rio que brotava perto de sua casa, o rosto da mãe e sua voz a cantarolar uma canção desafinadamente. Viera de uma família muito simples e humilde, mas de princípios, o pai artesão,a mãe cozinheira,porém nunca lhe faltou esperança. Cresceu rodeado de força e otimismo, se tornou um rapaz determinado e persistente. Ajudava a mãe a cozinhar e com isso auxiliar na renda da casa. Havia trabalhado duro, aceitando qualquer tipo de emprego para investir em seu sonho, em um negócio que aos poucos às custas de seu esforço e batalha se tornou gigantesco, algo com que ele sequer conseguiria sonhar.Imaginava seu passado e seus olhos começavam a marejar. Sem jeito, tirou um lenço do bolso e enxugou seus olhos. As pessoas o admiravam por sua perseverança e força e no alto dos seus 56 anos e de sua simples visão de mundo, ele concluíra que não podia ser de outro modo, ele era assim, seu caráter era como era, não conseguira ser apenas um espectador, mas sim um protagonista da própria vida, que correra atrás dos seus sonhos, sem medo do fracasso. Jamais conseguira fechar os olhos para as injustiças ao seu redor e talvez fosse por isso que se tornara ao longo de sua vida, um incômodo para muitas pessoas, mas não dera importância a elas e superara os atritos e dificuldades.
No meio do caminho, se apaixonou por Elisa, o amor de sua vida, com quem teve uma filha.
''Ah, Elisa, quanto falta você me faz, porque me deixou, porque se foi tão cedo!''- pensava ele
Mas ela deixara para ele um presente, a sua cópia, sua filha Patrícia, uma garotinha de longos cabelos castanhos e olhos amendoados, seus olhinhos o encaravam cheios de curiosidade, parecia, pelo menos por um segundo, ela não havia crescido e se tornado uma mulher! Era sua razão de viver!
Imerso em suas lembranças, não havia se dado conta das batidas insistentes em sua porta. De súbito se levantou e se dirigiu para atender, era sua menininha dos olhos, que tão depressa havia crescido.
''- Papai, quero que conheça uma pessoa!''
Aquelas palavras o atingiram como um soco, sua garganta estava seca e seu sangue parecia ter congelado. Ele sabia que esse momento iria chegar, mas nunca estaria pronto para aquilo que aconteceria em poucos instantes. E então entrou pela porta, um rapaz de terno escuro, de cabelos bem penteados, magro, mas com postura altiva, com a cabeça erguida. Quando se aproximou, sentiu que ele havia exagerado na colônia, numa tentativa inútil de impressioná-lo. Antônio, receoso, também se se aproximou do rapaz, que após um tempo o encarando, apertou sua mão e lhe disse:
''- Muito Prazer Senhor Antônio!''
''- Esse é Alex Ontiveros, meu namorado!'' — disse a filha.
Qualquer pessoa que o observasse agora diria que se tratava apenas de uma cisma boba de um pai protetor, mas havia algo no tom de voz do rapaz que o alertava que sua filha seria muito infeliz e ele a levaria de encontro à sua ruína.
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