Não Olhe Para Trás
2 O que aconteceu com Meghan?
Notas iniciais
Acampamento Lake Island
Todos estavam ao redor da fogueira. Era tradição do acampamento. Estava sentada ao lado das minhas amigas. Estávamos ansiosas para ouvir histórias de terror. Todo ano era assim. Zoey sempre contava histórias horripilantes. Não sei de onde ela tira essas ideias. Realmente tem uma imaginação fértil.
—Olhem só meninas. Acabei de torrar o meu marshmallow. Fala sério! -Disse Zoey irritada.
—Só você consegue fazer essa proeza. -Dany riu do acontecido.
— Hoje a noite da fogueira promete. Vou contar uma história também. – Informei as meninas.
— Uau. Sarah tem uma história a contar. Mas, tenho certeza que nenhuma história vai ser melhor do que a que contei no ano passado.
— Ah, com certeza. Nenhuma história é tão assustadora quanto a do homem que te perseguiu querendo te matar e que depois desapareceu do nada feito um fantasma. Baseada em fatos reais. -Dany caiu na gargalhada.
— Pode duvidar. Mas quando acontecer com você, logo vai se lembrar de mim.
— Que horror. Vamos parar com isso. Estou até arrepiada. – Sempre fui medrosa para esse tipo de coisa.
O pessoal estava chegando aos poucos. A floresta já estava completamente escura. Só aguardávamos Beck, a líder do acampamento. Sempre gostei de frequentar e participar de acampamentos. O Lake Island em especial. Tinha muitas atividades para se fazer que envolvia a natureza.
Olhei ao meu redor e percebi a impaciência do pessoal. Olhei o relógio que já marcava 21:51. Já era para ter começado. Beck sempre foi rígida com horário. Todas as atividades tinham horário. Dany levantou-se e andou de uma lado para outro.
— Pare com isso. Não aguento ver você andando feito barata tonta.- Reclamou Zoey.
— É que eu estou com sono. Você sabe que durmo bastante. Acordei muito cedo e quando chega esse horário. Meu corpo pede cama.
— Você é muito mole. E essa é a forma de espantar o sono?
— Sim e fique sabendo que.. -Dany interrompeu a fala e olhou fixamente para um lado da floresta.
Eu e Zoey a chamamos diversas vezes. Mas ela ficou parada feito estátua.
— Ouviram isso? – Fez um gesto com a mão para permanecermos em silêncio.
— Não. – Dissemos. O que você ouviu?
— Eu ouvi um grito de socorro. Parecia a Beck.
—Acho que o sono está afetando a noção mental. É melhor você se cuidar. -Brincou Zoey.
—Ou vai ver Beck está tentando nos assustar. Talvez ela queira fazer algo diferente. -Opinei. -Venha, sente-se aqui.
Dany sentou-se e ainda permaneceu assustada. Passou- se das 22:15 e nada de Beck. Ela estava bem atrasada.
— Que horas vai começar? Estamos aqui há um bom tempo? Daqui a pouco vou ficar como a Dany.- Zoey já estava impaciente também.
— Meninas vou ao banheiro. Já volto. – Dany se retirou.
Enquanto isso, um dos jovens informou ter visto um vulto entre as árvores. Era Josh. O capitão do time de basquete da escola.
— Pessoal, atenção! Eu acho que a Beck está querendo nos assustar. Mas, eu vou assusta-la primeiro. Vai ser divertido.
Ele sumiu entre as árvores. Todos aguardavam ver Beck se assustando. Pensávamos que era uma pegadinha dela. De repente ouvimos um grito. Era Dany.
—Socorro! Ajudem ela. Beck está aqui. Alguém a feriu.
Os gritos de Dany cada vez se tornaram mais fortes. Se Beck estava lá. Então quem Josh foi assustar? Algumas meninas foram até ao banheiro e informaram que Beck estava morta. No meio desse rebuliço, os amigos de Josh gritavam para ele voltar.
“Josh! Volte. Não é a Beck. Josh!”
Não sabia o que fazer. Tudo virou um grande rebuliço. Até que de repente o corpo de Josh é arremessado em nossa direção. Estava sem vida. Até que da sombra da noite surgiu um homem mascarado com um machado em mãos totalmente ensanguentado.
— É hora de brincar. Quem vai ser o próximo?
Sua voz era forte e impactante. Todos correram. No meio da confusão perdemos Dany. Eu e Zoey corremos com os outros. Nunca corri tanto quanto naquela noite.
— Vocês podem se esconder. Mas, saibam que é por pouco tempo. Vou encontrá-los! -Desde então essa voz não sai de minha mente.
Dias Atuais
Um novo dia. Hoje é o meu primeiro dia de aula na Denver High School. Como meu pai disse, é uma nova fase que se inicia. Novos começos são sempre difíceis. Arrumei-me e o café já estava pronto. Meu pai me aguardava na cozinha.
— Você não quer se atrasar no primeiro dia de aula, não é? -Disse beijando a minha testa.
— Claro que não pai. Na verdade, estou bem ansiosa. Falaram muito bem dessa escola.
— Fico feliz em vê-la assim. Hoje oficialmente começo o meu trabalho. Talvez chegarei um pouco tarde. Se quiser pode pedir uma pizza.
— Já que está liberando, vou pedir várias pizzas. -Brinquei.
O dia está lindo. O céu azul e bem ensolarado. Meu pai me levou até a escola. Desci do carro e vi muitos jovens entrando. Líderes de torcida, atletas, patricinhas. A escola pode ser diferente, mas os grupos não. Antes eu tinha muitos amigos. Já estava inserida em um grupo. Agora tenho que começar do zero.
Entrei pelo corredor e vi uma multidão. Estou totalmente perdida. Tenho que passar na diretoria e pegar o horário das aulas. Parei por um instante e lembrei-me da minha escola antiga, dos meus amigos e professores.
Sem querer esbarrei-me em um garoto com aparência um pouco desleixada e cabelo todo bagunçado. Sua jaqueta é de couro e usa um all-star.
— Me desculpe. – O primeiro mico do dia.
— Fique tranquila. Não foi nada não.
— Você sabe onde é a diretoria? Estou meio perdida como pode perceber.
— Eu te levo até lá. Me chamo Nick! – Disse estendendo a mão.
— Meu nome é Sarah. Muito prazer Nick.
Nick foi bem atencioso comigo. Hoje em dia é difícil encontrar pessoas gentis. Peguei o horário das aulas e o número do armário. Primeira aula é história.
— Bem-vinda Sarah! Eu te levo até a sala. Também é a minha primeira aula.
Entrei na sala e sentei-me na última carteira perto da janela. O professor entrou e ligo me chamou para me apresentar aos alunos.
— É com muito prazer que lhes apresento a nova aluna da Denver High School. Sarah Rannomer, bem vinda! Sou o professor Henry. Qualquer coisa é só falar comigo.
Assisti as outras aulas e foi tudo igual. Os professores me apresentaram aos alunos. Fiquei um pouco envergonhada. Na hora do almoço foi difícil encontrar um lugar no refeitório. Praticamente todos os lugares estavam ocupados. Consegui achar um lugar para sentar. Sentei-me ao lado de uma garota ruiva que me lembrou a Zoey
— Olá garota nova. Gostando da escola?- Perguntou puxando assunto.
— Sim, o pessoal aqui é bem amigável.
— Sério? Acho que com o passar do tempo, você vai mudar sua percepção.
Acho que fiz uma nova amiga. O nome dela é Susan. Ela parece ser legal, assim como o Nick. Ela também é companheira de sala. No caminho para a aula com como se fosse um memorial. Diversas fotos de uma menina desaparecida. Era ela: Meghan. Ela estudava aqui. Sempre fui muito curiosa. Então decidi perguntar para Susan a respeito.
—O que aconteceu com Meghan?
—Ah, ela está desaparecida há algum tempo. Ela foi fazer um trabalho na casa das amiga e depois não voltou para casa. Desde então ninguém sabe o que realmente aconteceu. Falaram que nos últimos dias antes do desaparecimento, ela estava muito esquisita. Dizendo que alguém a perseguia. Ela ficou paranóica. Os pais dela comparecem todos os dias na escola.
— Por que?
— Porque acham que a escola tem culpa. A polícia ainda não descobriu nada.
— Será que ela está viva?
—Todo esse tempo desaparecida e sem pista alguma, eu acho difícil. Os pais não querem acreditar que nunca mais verão Meghan. Ela sempre foi uma aluna exemplar. Todos gostavam dela. Por isso, a escola fez esse memorial. Duvido que se fosse algum aluno rebelde fariam isso.
—Nossa! É triste ver que uma jovem como ela tenha tido um fim. O que será que ela passou? O que fizeram com ela?
—Não sabemos, mas a polícia com certeza vai descobrir.
A homenagem que a escola fez à Meghan me deixou um pouco abalada. Ela não podia ver o que fizeram em sua memória. Se ela tivesse a mesma chance que eu tive... Quando se ganha uma segunda chance é um privilégio. É como nascer de novo.
—Sarah, você está bem? — Perguntou Susan colocando a mão em meu ombro.
—Sim. É que me lembrei de algo.
—Não se preocupe. A escola é segura. A escola não tem nenhum envolvimento com o desaparecimento dela.
No restante do dia, Susan fez um tour me mostrando cada parte da escola. Não me sinto mais perdida. Fomos embora juntas. Até que a escola não é tão longe de casa.
—Até amanhã novata! -Despediu-se virando a rua e eu segui em frente.
Prometi a mim mesma fazer tudo diferente e ser melhor a cada dia. Passei em uma lanchonete e fiquei ali por um bom tempo. Comi um lanche e tomei um suco de laranja, o meu preferido. Fiquei pensando no dia que tive. Meu celular tocou, era meu pai mandando mensagem.
"O trabalho vai longe hoje." -Talvez ele vai chegar quando eu já estiver dormindo. -Pensei.
Já estava anoitecendo e decidi ir embora, pois já estava tarde. Cheguei acendendo todas as luzes, pois não gosto do escuro. Liguei a tv para a casa não ficar silenciosa e fui até o meu quarto. Fui até a janela e a rua estava deserta, não tinha ninguém. E a cidade é tão bonita à noite.
De repente o telefone toca. Desço correndo as escadas, Via ver é o meu pai ligando. Prontamente atendo o telefone. Mas ninguém responde. A ligação está muda. Alguns segundos sem sucesso e quando penso em desligar o telefone, surge uma voz. Para mim é conhecida.
—Sarah, me ajude! -É a voz de Zoey. E então a ligação é encerrada. Sentei-me no sofá com as mãos trêmulas. Acho que algo de errado está acontecendo comigo. Estou imaginando coisas. Naquela noite de pesadelo eu não pude ajudar minha amiga. Eu a vi morrendo brutalmente. Não pode ser ela. É a minha imaginação. Preciso me controlar e manter a calma. Respire fundo e pense em coisas boas.
Fecho os meus olhos e minha mãe vem à mente. A melhor lembrança que tenho dela é a de quando me contava histórias antes de dormir. Seria tão bom se o tempo congelasse. Fui interrompida pela tv. Estava passando uma reportagem sobre Meghan.
" A polícia encontrou uma pista que pode desvendar o desaparecimento da jovem. Ainda não revelaram o que é, mas confirmaram que o caso está prestes a ser resolvido. Lembramos que a família ainda tem esperanças de encontrar a jovem com vida."
O caso Meghan está mexendo muito comigo. Tenho que parar de pensar nisso. Vou só viver coisas boas de agora em diante. Tomei um banho quente e fui dormir. Nem pedi a pizza que pai deixou. Aproximadamente às 23:10, ouvi o carro de meu pai. Agora posso ficar tranquila, ele já chegou. Posso dormir mais calma, só não quero ter pesadelo.
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