Não Olhe Para Trás

3 A Última Borboleta


Notas iniciais
Oi gente, tudo bem com vocês? Mais um capítulo pronto. Divirtam-se!

Acampamento Lake Island

Correr. Era só o que pensava. Correr sem nenhum destino e sem olhar para trás. Zoey estava na minha frente segurando em minha mão. Minha respiração estava ofegante e meu coração batia rapidamente. Cansaço. Essa palavra resume bem o que sentia. Os jovens se despistaram. Agora só éramos nós duas. O desespero tomou conta de meu ser.

—Para onde vamos Zoey? -Perguntei aflita. Ela não respondeu de imediato.

—Vamos para a cabana dos garotos. É a mais próxima daqui. Temos que pegar alguma arma para nos defender desse monstro.

—Eu estou apavorada. Você viu o que aconteceu com a Beck e o Josh? Eles morreram sem nenhum motivo. Agora ele está caçando um por um.

—Vamos ficar juntas ok? A união faz a força.

—Onde será que Dany se meteu? Temos que encontrá-la. Estou preocupada com ela.

—Sarah, primeiro temos que nos defender. Eu também estou preocupada com ela. Só espero que ela esteja com alguém. Depois tentamos procurá-la.

Corremos o mais rápido que pudemos. Até que chegamos até a cabana dos garotos que ficava próxima ao lago. Tudo estava completamente escuro. A minha lanterna nos auxiliou na maior parte do tempo.

—Esse idiota cortou a energia. Não acredito! -Zoey era a coragem em pessoa. Mas o medo tomara conta dela também. -Você averigua desse lado, enquanto eu verifico essas gavetas.

—Tudo bem. -Concordei.

Não tinha muito o que procurar. Ali só tinha roupas e mais nada. Até que encontrei um bastão de baseball no canto. Mostrei a Zoey que ficou aliviada com o achado.

—E agora o que faremos? Não podemos nos defender só com esse bastão!

—Temos que pegar tudo o que acharmos melhor para a nossa defesa. -Ela olhava de um lado para o outro. Seus olhos não paravam sequer um minuto.

Dentro ainda da escura cabana, ouvimos passos se aproximando. Fiquei paralisada sem saber o que fazer.

—Vamos nos esconder debaixo da cama. -Cochichou Zoey. E assim o fizemos.

A maçaneta girou e a porta se abriu. Nesse momento o coração disparou de vez. Minhas mãos tremiam feito gelatina. Zoey olhava para mim do outro lado, fazendo sinal de silêncio. Só consegui enxergar o tênis que estava totalmente sujo. A respiração dele também estava ofegante.

Para nosso alívio era Michael, o melhor amigo de Josh que morrera brutalmente. Zoey se apressou em sair do esconderijo não tão seguro. Em seguida eu também saí.

—Você conseguiu encontrar alguma coisa? -Zoey queria respostas.

—Tem um carro perto da cabana da Beck. Só que ele não tem combustível. Consegui encontrar a chave. Tem um grupo tentando encontrar gasolina. Se encontrarmos saímos daqui vivos. -O moreno estava convicto em suas informações. Senti confiança em Michael. Parecia ser uma boa saída.

—E o barco? Se conseguirmos passar para o outro lado do lago, acho que também é uma boa saída. -Opinou Zoey.

—Não é uma boa ideia. Hoje de manhã, tentamos dar uma volta nele. O motor está com problemas e não sei arrumar.

—E se tentarmos comunicar a polícia?

—A energia foi cortada. -Michael suspirou. Não foi uma boa ideia.

—E o gerador? Se chegarmos até ele, podemos ligar para a polícia. -Desesperada Zoey dava sugestões.

—Se chegarmos até a torre, vamos morrer. Está totalmente fora de cogitação. É do outro lado. A nossa única saída é o carro. Só falta a gasolina. Nós temos que ir até o depósito e encontrar o galão. Vocês estão dispostas a me acompanhar? Eu não tenho nenhuma arma. Pelo menos vocês tem um bastão.

—E isso ajuda? -Perguntei.

—É melhor do que nada. -Michael sorriu.

—Vamos, quero sair daqui logo! -Zoey olhou para mim e Michael. Ambos concordamos em comum acordo. Tínhamos que sair dali.

Dias Atuais

A aula de história me deixou entediada. Tudo o que o professor falava me deixava com sono. Sua voz era tão calma que todos da sala estavam quase dormindo, assim como eu. O menino da carteira ao lado já dormiu. Está até babando na mesa. Que nojo!

Finalmente o sinal tocou para alegria de todos. Livres da aula da soneca. Não fui eu que dei esse nome. Colocaram antes de eu chegar aqui. Fui até a biblioteca ler um pouco. Era o único lugar da escola que tinha silêncio.

Sentei-me em frente à janela. E comecei a ler. A biblioteca estava tão vazia que percebi que os alunos não gostavam de ler. O ambiente é agradável. Nada de cores escuras, pelo contrário tudo bem claro. Decidi dar uma volta pela biblioteca. As prateleiras são todas bem organizadas de acordo com a categoria dos livros.

Até que dentre tantos livros um me chamou a atenção. O nome é "A Última Borboleta". Na capa há uma borboleta azul. Peguei o livro para ler. A sinopse dizia assim:

A felicidade é um pequeno e curto momento, assim como a vida da borboleta. Fora esse significado, a borboleta pode representar o caos. Só no bater de suas asas pode influenciar o curso natural das coisas. Pode acarretar consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Estava tão entretida com o livro que esqueci da aula.

Saí correndo pelo corredor. Já estava bem atrasada para a aula de matemática. Acabei tropeçando novamente em Nick que estava parado no meio do corredor.

—Não acredito que esbarrei em você de novo. Me desculpe pela segunda vez! -Fiquei sem graça.

—Você gosta de se esbarrar em mim, não é mesmo? -Sorriu. Tudo bem. Você só anda apressada. Deixa eu adivinhar, está atrasada para a aula?

—Quem? Eu? — Me fiz de boba. — Imagina... só um pouquinho.

—Entendo. Vai lá então.

—E você? Não tem aula?

—Sim. Mas, eu decidi que hoje não quero ter aula de matemática. Eu não me dou muito bem com ela. -Zombou. -Nick é um daqueles jovens que não ligam para nada. Ele está vestindo a mesma jaqueta de couro. Hoje seu cabelo castanho está mais arrumado.

—Ah, você decidiu? Quer dizer que você não participa da aula que não gosta... que autonomia. Então eu terei que falar para a professora que você não quer assistir a aula dela. — Soltei uma leve gargalhada.

—Como pode fazer isso comigo Sarah. Achei que fôssemos amigos. Não pode dedurar os amigos, não acha?

—É o que veremos... Tudo bem. Não vou falar. Dessa vez vai passar.

Caminhei adiante e olhei para trás. Ali estava Nick sorrindo e acenando para mim. Ele também seguiu o seu caminho. Parei em frente a porta da sala e a abri. Que vergonha. Todos olhando para mim.

—Espero que esse atraso seja o primeiro e último senhorita Rannomer. -A professora Margareth falou séria, arrastando os óculos mais para perto dos olhos. Eu prometi a mim mesma não repetir o atraso. Seu olhar é intimidador.

Cálculo de ângulos não entram em minha cabeça. Já sei porque Nick não gosta dessa aula. Até que o tempo passou rápido, vai ver é porque cheguei atrasada. Na saída, lá estava ele. Mexendo em seus cabelos. Saí para fora e ele me chamou.

—Apressadinha! — Disse acenando para mim. E aí, como foi a aula? Perdi alguma coisa?

—Sim, você perdeu bastante. Perdeu a oportunidade de calcular ângulos. A matéria é bem interessante.

—Que pena. Estou arrependido. -Brincou. -Como eu disse, não me dou bem com a matemática.

—Entendo. Bom, agora tenho que ir.

—Eu posso te levar. Quer carona? -Nick me oferecendo carona? Uau essa é nova. Ele apontou para uma moto de cor amarela.

—Ela é linda, não é? É uma Harley-Davidson. É minha cara metade.

—Acho que vou andando mesmo. Mas eu agradeço o convite. — Tive que recusar. Nick parece meio doido para dirigir uma moto.

—Por incrível que pareça tenho um capacete extra. Está com medo? Você vai gostar.

—Ok, tudo bem. -Ele insistiu tanto que tive que aceitar. -Já vou avisando que nunca andei de moto antes.

—Para tudo tem uma primeira vez.

Nick me ajudou a colocar o capacete. -Pronto, agora está segura. Esse capacete ficou bem em você.

—Eu considero isso como um elogio?

—Eu também fico bem de capacete. Agora somos a dupla dinâmica.

Nick me fez rir e muito. Há muito tempo não me divertia assim. Demos uma volta na cidade e ele me mostrou alguns pontos turísticos. Prometeu levar-me para alguns lugares para passear. Conforme ele dirigia a moto, senti a brisa balançar os fios de cabelo. Que sensação boa. Isso se chama liberdade. É assim que quero viver.

No caminho Nick me mostrou a casa de Meghan. Bem naquele exato momento havia duas viaturas de polícia na casa dela. Talvez meu pai saiba de alguma novidade.

—Será que a encontraram? -perguntei.

—Eu não sei. O sumiço de Meghan pegou todo mundo de surpresa. Pobre garota. -Lamentou.

—Você a conhecia?

—Só de vista. Falei com ela poucas vezes. Ela parecia normal. Todos falam que ela era estranha, mas nunca reparei.

Prosseguimos o caminho. Até que Nick dirige bem. Ele contou que seu pai também gosta de motos. Isso é de família. Inicialmente fiquei com medo, mas agora estou aliviada. Posso andar de moto tranquilamente.

—Acho que chegamos. -Disse Nick retirando o capacete de mim.

—Obrigada!

—Gostou de andar de moto?

—Sim, foi bem legal.

—Se você quiser, qualquer dia desses podemos dar uma volta de moto de novo.

—Uh, legal. Seria ótimo.

—Se cuida! -Nick despediu-se fazendo uma manobra na moto. Realmente me diverti bastante. Ele é um cara legal.

Na entrada de casa, encontrei um envelope caído no chão. Não tinha remetente. Abri o envelope e tinha uma foto de borboleta azul com uma mensagem.

"O tempo da última borboleta está acabando."

O que isso significa? É a mesma borboleta do livro. As letras da carta foram recortadas e coladas. Por que alguém mandaria uma carta dessa para casa? Evito fazer perguntas para não ficar paranoica. Só quero viver uma vida normal. Não é pedir demais. Olhei ao redor da rua que estava vazia como sempre.

Guardei a carta na gaveta do quarto. Tive um dia tão bom e agora vem essa carta para acabar com o meu dia. Quem pode ter feito isso? E por qual motivo?

Notas finais
Parece que Sarah ainda não se livrou do pesadelo. Todo o cuidado é pouco! Até o próximo capítulo! Comente o que achou... É importante para que eu possa saber o que pode ser melhorado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.