Não Existem Coisas Más - 1 Temporada
2 Capítulo II - Despedida
Notas iniciais
Espero que gostem :)
David pegou na camisola e levou-a à sua irmã, no caminho do quarto à casa de banho, continuava a pensar que aquela relação de irmãos tinha que mudar radicalmente, a partir daquele momento ele sentia-se responsável pelairmã mais nova e queria passar o maior tempo possível com ela, ele estava disposto a tornar-se o irmão mais velho que ela nunca teve. Quando chegou à porta do quarto de banho, bateu à porta.
– Vanessa, está aqui a tua camisola, desculpa lá a demora. – disse ele em tom carinhoso
– Obrigada, David. Porque que demoraste tanto tempo? – disse ela abrindo a porta com a toalha enrolada no corpo.
– Ah…eu nunca tinha entrado no teu quarto e então tive admira-lo e depois perdi-me no tempo e não sabia o gavetão que tinhas dito. – disse ele a ficar corado e atrapalhado, porque ele não lhe queria dizer a verdade
– Não faz mal, maninho. – disse ela dando-lhe um beijo na testa e entrou outra vez para o quarto de banho para se arranjar
– Não te demores, o pequeno-almoço já está na mesa. – disse ele a sorrir
David foi descendo para por o resto da mesa, e enquanto descia alguém tocou à campainha. Ele então dirigiu-se à porta e abriu-a. Era um vizinho que vinha dar as condolências a eles pela morte dos pais. Depois do vizinho ter-se ido embora ele voltou à cozinha para por o resto da mesa. Passados alguns minutos desceu Vanessa para vir tomar o pequeno- almoço, ela vinha um bocado tristonha.
– Finalmente chegou a madame! Estava a ver que tinha que ir buscar-te pelas orelhas. – disse ele a sorrir
– Eiii não exageres que eu não demorei assim tanto – disse ela a sorrir também
– Eu estava a brincar. Agora senta-te e come alguma coisa, que eu preciso de falar contigo – disse ele de maneira mais seria
– Podes dizer. Já vi que o assunto é serio. É outra má notícia? – disse ela preocupada
– Não, muito pelo contrário. Enquanto tu estavas a dormir no meu colo hoje de manha, telefonou a tia Eduarda. – disse ele serio
– O que é que ela queria, David?
– Queria nos dizer que por problemas que ela lá tem não vai poder vir ao funeral dos nossos pais. E também disse que ela quer ficar encarregue de nós até atingirmos a maior idade.
– Por um lado é bom, assim ficamos com uma pessoa que nos é muito querida, mas por outro é mau ela ter que ficar encarregue de nós. – disse ela triste
– Porque? – disse ele não percebendo
– Porque se ela vai ficar encarregue de nós é porque não temos os nossos pais perto de nós – disse ela a começar a chorar
– Pois tens razão –disse ela saindo da cadeira e abraçando a irmã – Mas, vamos pensar que tudo vai correr bem, e que mesmo não tendo os nossos pais aqui nós vamos superar isso. Porque era isso que os nossos pais queriam não era?
– Sim, eles deviam querer que nesta altura nós estivéssemos unidos. – disse ela agarrada a ele
– Exatamente e nós nunca nos vamos separar. A partir de agora seremos sempre eu e tu, juntos, acabaram-se as discussões e acabou-se tudo que fosse mau. Eu quero ser para ti o irmão que tu nunca tiveste.
– Obrigada, David. Tu és e sempre foste especial para mim. – disse ela olhando-o nos olhos
– Obrigada nada, eu estou a fazer a minha obrigação de irmão, o que já devia ter feito à muito mais tempo.
– Esquece isso, maninho – disse ela fazendo-lhe festas no rosto
– Está bem, agora vamos arrumar as coisas para depois do funeral não termos que o fazer.
– Sim, maninho. Mas podemos fazer isso juntos?
– É claro que podemos. Assim ficamos a nos conhecer melhor, e aproveitamos também mais tempo juntos. –disse ele com um sorriso
David e Vanessa depois disto arrumaram toda a louça e foram para cima arrumar as suas coisas. O primeiro quarto a arrumar era o de David, pois era o primeiro do corredor, entraram e tiraram as malas que estavam no armário para fora e abriram-nas. David abriu os gavetões da roupa e começou a tirar a roupa que lá tinha muita roupa ele nem sequer usava por isso aproveitou e pôs essa roupa para canto para depois dar. Vanessa dobrava a roupa e ponha na mala, e David escolhia a roupa. Depois de meia hora a roupa estava toda arrumada, e foi assim que passaram para o quarto de Vanessa, fizeram o mesmo mas desta vez era Vanessa a escolher a roupa e David a arrumava. Ao fim disto estavam estafados e já era quase hora do almoço, então pegaram e vieram cá em baixo e foram ver o que havia, tiraram uma pizza do congelador e puseram no forno. Os dois foram por a mesa, enquanto isso David e Vanessa sorriam, por terem feito tudo juntos, mas ainda faltava arrumar as outras coisas.
–Mana, ainda temos tanta coisa para arrumar. Mas temos que ir à garagem procurar umas caixas para por tudo.
– Fazemos isso depois do almoço.
– Ok.
Acabaram de comer e foram à garagem procurarem caixas para embalar as coisas, Vanessa viu uma caixa com um baixo lá dentro mas não sabia de quem era, então decidiu perguntar.
– Mano, de quem é este baixo?
– Esse baixo é meu, foi o pai que me deu no meu aniversário do ano passado.
– E tu nunca o usaste?
– Já, eu tive aulas de baixo e tudo, mas depois nunca mais peguei nele. Mas eu vou leva-lo connosco.
– Fazes bem, eu tenho quase a certeza que tocas muito bem – disse ela pondo-o corado com o elogio – Não fiques vermelho, David Desrosiers.
– Eu…eu… não estou vermelho – disse ele a gaguejar- Mas tu vais já ver o que é ficar vermelho. E correu na direção dela e começou-lhe a fazer cocegas
Eles ficaram ali na brincadeira durante algum tempo, mas depois subiram e arrumaram tudo, para as caixas. David depois de arrumar tudo viu uma caixa que tinha cd´s de música que eram da sua irmã e viu que ela tinha os mesmos gosto musicais que ele, como é que ele ainda não tinha percebido que eles gostavam da mesma música.
– Tu gostas destes artistas todos? – perguntou ele espantado
– Sim, é o tipo de música que mais gosto. E tu de que tipo de música gostas? – perguntou ela curiosa
– Por ironia ou não, dos mesmos artistas que tu. Bem tu és mais parecida comigo do que eu imaginava.
– Obrigada, irmão mais velho. – disse ela contente
Depois daquele dia estafante foram dormir e nem sequer jantaram. Na manha seguinte, acordaram e era o dia do funeral dos pais, eles os dois acordaram tristes e inconsoláveis, apoiavam-se um ao outro mas a falta dos pais era aquilo que mais se sobrasai-a. Tomaram banho, vestiram-se e foram diretos para o cemitério, lá viram toda a família, amigos e vizinhos. Estava lá muita gente, toda a gente os cumprimentou e deu-lhes as condolências, os dois decidiram que queriam levar o caixão até ao local, e assim o fizeram, juntaram-se a eles alguns familiares e amigos. No meio da cerimónia era visível o estado daqueles dois, eles estavam muito em baixo, mas nenhum membro da família lhes pôs a mão, o que deixava David cada vez mais revoltado com a família que tinha. Quando o padre estava a acabar a cerimónia, Vanessa fugiu dali para fora ,transtornada e cheia de lagrimas, o irmão correu logo atras dela. Ele estava a procura dela quando a encontrou sentada frente ao rio, que tinha em frente ao cemitério, ele foi ter com ela e sentou-se à beira dela e pôs-lhe o braço por cima dos ombro.
– Eu sei que tudo isto é difícil, eu sinto aquilo que sentes, mas temos que passar isto por cima, mana.
– Mas…mas é tao difícil, doí muito David, muito mesmo. – disse ela a gaguejar devido ao choro
– Eu sei o que sentes, sei mesmo. Mas eu agora vou-te prometer aqui uma coisa. – ao dizer isso pegou nas mãos dela e olhou-a – Eu prometo que nunca, jamais, te deixarei sozinha, seja em que circunstancia for, eu vou estar onde tu estiveres até ao fim da minha vida. – ao ouvir isto Vanessa parou o choro e abraçou-se a ele – E se não queiseres, não voltamos lá para dentro e ficamos aqui.
– Podemos fazer isso? – disse ela
– É claro que podemos, já fizemos a nossa obrigação e os nossos pais estejam onde estiverem, sabem que nós os amamos muito, logo não precisamos de ir para ali provar isso. E nem temos nada a provar a quem quer que seja.
– Amo-te muito, Irmão.
– Eu também pequenina, eu também. – disse ele emocionado
Ficaram ali abraçados até ao fim da cerimónia.
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