Não Arrisque
20 A Guerra das Almas Perdidas
Notas iniciais
Mil perdões pela demora amores.
Passei o feriado da Páscoa longe, reclusa de internet e rodeada de parentes. Não havia a menor chance de escrever na frente deles...¬¬
Fiz um grande sacrifício pra escrever esse cap, viu?? kero reviews como recompensa..u-u
Boa leitura!
Uma mão tocou meu rosto.
- Aaahh!! — acordei, assustada.
- Ei, calma. — Leon me tranquilizou, cauteloso. — Tá tudo bem.
Olhei pelo quarto. Todos estavam ali: minha mãe, Jane, Anne, Alex, Jennifer, Harry e Airon, que fumava um charuto. Além dele, havia uma garota desconhecida, que me olhava de braços cruzados.
Era ela! A tal Marion!
- O que você quer aqui! — vociferei, pulando da cama, mas fui detida por Leon. Ela apenas sorriu. — O que houve?!
- Zattara abriu a porta do mundo dos mortos. — Leon me contou. — Você...ficou desacordada por algumas horas.
- Horas?! — indaguei.
- Nós quase perdemos pra Zattara — foi a vez de Airon falar. — Agora, com o mundo dos mortos acessível, ela vai poder ir até Josh e encontrá-lo para trazê-lo de volta.
Suspirei. Mais problema.
- Você. — eu apontei para Marion. — Você fez isso comigo. Ficou fazendo aquele monte de joguinhos só pra me enrolar!
- Está brincando? — Jane falou. — Ela salvou a sua vida! Foi ela quem te trouxe pra cá!
Leon olhou pra ela meio torto.
- Tudo bem — Marion falou. A sua voz soou mais autoritária. — Eu sei como é isso. Luna não gosta de ser surpreendida.
Engraçadinha.
Ela sentou próxima a Leon. Próxima demais.
- Vejo que ainda sabe pouco sobre mim — ela olhou para Leon.
- Aquilo tudo que você me disse não adiantou de nada. — falei.
- Que pena. Seriam informações cruciais agora.
Ela queria me desestabilizar...
Engoli em seco. Nunca gostei de dar o braço a torcer.
Então ela enfiou a faca mais fundo.
- Esqueci de contar à você sobre Leon e eu. — disse ela.
Leon pareceu desconfortável, e eu o olhei com as sobrancelhas arqueadas, dizendo: "Eu sabia."
- Pensei que tinha dito que só era filha da Morte. — disse-lhe, tentando ser sarcástica. Mas ela era mais perspicaz.
- Isso é só um detalhe. — falou, se virando para os outros. — Podem nos deixar à sós?
Airon levantou os braços e foi o primeiro a sair.
- O que você tem pra falar só pra mim? — falei.
Ela suspirou.
. — Estou fazendo isso por Leon. É por minha causa que Airon desconfia dele.
O quê? Mesmo longe ela atrapalhava a minha vida...
- E qual seria o motivo? — eu cruzei os braços.
- Eu sou filha da Morte — ela se levantou, caminhando pelo quarto. — Tivemos um relacionamento.
- Nós namoramos, Luna — Leon confessou, me olhando nos olhos como se pedisse desculpas. — Uma Mestiça e um Resgatador.
- Até que ela apareceu — Marion completou.
- Quem? — fingi interesse.
- Lissa — Leon me deu um olhar sugestivo.
- Ela queria me matar — Marion contou. — Nós, Mestiços, corremos muitos perigos. Somos uma raça rejeitada; não devíamos existir.
- "Nós"? — indaguei. — Quer dizer que existem outros como você? E por que Lissa quis te matar?
- Muitos outros. — confirmou ela. — Principalmente agora que a Morte perdeu o controle. E Lissa fingiu ser minha amiga; dizendo que me levaria até o meu pai.
Lissa também havia usado isso comigo. Mas a pergunta era: foi verdadeiro ou não? Se foi mentira, por que ela teria me ajudado depois?
- Eu sei que você a conheceu também. — Marion continuou.
- Por isso seu pai não queria que namorássemos — Leon disse, sorrindo um pouco. — Não se pode brincar com a Morte.
- Eu nunca esperei qualquer tipo de afeto vindo do meu pai — Marion relembrou, e fez uma pausa. — Eles não querem saber de nós; nos usam como uma espécie de rebeldia. Você tem sorte. A coisa que eu mais odeio...é ter herdado esses poderes dele. São viciantes, e dão uma vantagem superior e medíocre.
- Você não tem culpa. — eu senti um pouco de misericórdia.
- É, mas agora a cidade virou um cemitério invisível — lembrou Leon. — Vai ser difícil. Os espíritos dos mortos estão por aí.
- E vamos ter que procurar um por um. — adivinhei.
- Há uma maneira de deter todos eles. — Marion falou.
- O limbo — Leon disse.
- É aí que eu entro — Marion sorriu. — Enquanto caçamos as almas, teremos que prestar atenção onde está o ponto que converge com o mundo paralelo. Pode estar em qualquer lugar com o sacrifício.
- E se Zattara já estiver à nossa frente? — eu perguntei com cuidado.
Ela me olhou.
- Então, estamos muito ferrados.
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Não é que eu não quisesse trabalhar com a ex do meu namorado.
Ela não parecia totalmente de confiança pra mim — afinal, metade dela era pura maldade.
Não foi fácil seguir pela Grande Avenida à procura de almas destruindo tudo.
A movimentação no shopping estava tranquila para o fim de semana. Passando em frente à uma loja de eletrônicos, chamei a atenção dos dois para o noticiário.
- Ei, olhem.
- Falando ao vivo do cemitério — dizia a repórter. — Uma senhora afirma ter vindo visitar o túmulo da filha e diz ter visto a mesma pessoalmente. Testemunhas afirmam convictamente que um estranho ar tomou conta do lugar mais cedo. "É como se os mortos estivessem voltando!", diz uma mulher, assustada...
Marion suspirou.
- Não se pode trazer alguém de volta dos mortos sem afetar nada.
- O shopping — apontei. — Sinto algo rondando por aqui.
- Ok, vamos fazer o combinado. — Marion determinou. — Assim que sentirem o véu ofuscar e convergir com o mundo paralelo, eu uso meus poderes.
Assentimos.
Caminhei de mãos dadas com Leon.
Observei uma senhora vir pela multidão, perdida. Ela parecia abalada.
- Ei, ei, calma — eu me soltei de Leon e fui ajudá-la, acomodando-a em um assento. Ela soluçou, chorando. — O que houve?
Ela me segurou firme com suas mãos geladas.
- Querida, escute-me bem está bem? — ela engoliu com força. — Aconteceu algo estranho. — ela respirou com dificuldade. — Não quero que se assuste com o que vou lhe contar, mas...eu morri hoje de manhã. — ela me segurou mais forte. — Mas, enquanto atravessava para o outro lado, algo mudou e eu voltei. — ela voltou a chorar. — Onde está a morte? Eu não quero mais sofrer!
Marion e Leon assentiram, entendendo.
- Zattara está brincando com a sorte. — Marion disse. — Agora, a Morte se recusa a executar as pessoas...como uma forma de greve... — ela balançou a cabeça. — Inacreditável.
- Isso não pode continuar — Leon murmurou, sério. — Quando as almas do sacrifício se juntarem com essas...
- ...vai acontecer uma pane total! — eu completei, surpresa.
Saímos correndo pelo meio do shopping.
- Vamos nos separar! — Marion propôs.
Segui sozinha rumo à praça de alimentação quando uma mão fria segurou meu braço num aperto firme.
Me virei, surpresa, me deparando com Carol, a namorada de Jason.
Ela estava horrível: estava com um tom pálido cinzento na pele, cheia de veias obstruídas. Sob suas olheiras havia um roxo.
- Agora sei porquê você fugiu. — ela disse. — Esse seu mundinho de fantasia me trouxe de volta à vida — e sorriu. — Com isso, vou voltar para o Jay.
- Não, Carol — eu disse, olhando ao redor com cuidado. — Você está morta. Isso é só temporário.
Ela riu com escárnio.
- Não, não é. Eu conheci uma das tais Mortes, sabia? Ela me disse que se eu a ajudasse a encontrar uma alma em especial, ela traria de volta à vida todos que a ajudaram também. Então, se não se importa — ela me encarou. — Tenho um trabalho a fazer.
- Isso é mentira! — sibilei.
Ela me deu um empurrão e foi embora.
Comecei a andar desesperada. Não havia saída para o que estava por vir.
- Confabulando uma maneira de salvar o mundo, Esquisita?
Parei.
Só havia uma pessoa que me chamava assim.
Rachel.
Ela ainda estava da mesma maneira de quando Lissa a matou, e pálida-cinzenta como Carol.
- Você. — murmurei.
- Se está tentando nos deter, desista. — avisou ela. — Não pode lidar com centenas de mortos.
- Não estou sozinha — rebati. — Vou colocar cada um nos seus túmulos.
- E vai lutar contra a Morte ao mesmo tempo? — zombou. — Olha...eu acho que não.
Rachel se aproximou e agarrou meu pescoço com uma força descomunal.
- Que...tipo de poderes ela deu à vocês? — eu me engasguei. — Com que promessas?
- Algo que você nunca vai ter. — ela me lançou à metros, e caí incrédula.
Mortos não tinham aqueles poderes...!
Uma outra mão gelada me tocou.
- Luna, que bom.
Donnie — a mesma Donnie que era dona da loja onde eu trabalhava — estava me ajudando a levantar. Ela parecia mais amedrontada do que envolvida com a possibilidade de voltar à vida.
- Donnie — eu disse. — O que quer que Zattara tenha dito à você...
- Eu sei. — ela fechou os olhos. — Essa tal Zattara...vai fazer algo horrível.
- Como assim? — quis saber.
- Estamos em um cemitério — contou ela. — As almas são mais fortes aqui.
Isso explica a força de Rachel.
- Quer dizer que o shopping "cobre" o cemitério! — eu percebi. — O véu! É aqui! — arquejei.
- E não é só isso — continuou ela. — Ela nos enganou. Ela só quer encontrar uma alma.
- A alma do amado. — contei.
- Quando ela o encontrar, vai se livrar de todos nós — ela me girou pelos ombros. — E você precisa fechar o limbo que foi aberto, antes que a fera acorde.
- Fera? — franzi o cenho. — Que fera?
- Há um guardião das almas — contou ela, aflita. — Ele vai despertar em breve quando perceber essa bagunça. Se ele acordar, vai reclamar as almas perdidas e vai destoar uma verdadeira guerra entre os Ceifadores e Resgatadores.
Notas finais
reviews, please!
espero q ñ tenham me abandonado..snif ;(
o prox cap será beeeeem melhor, eu garanto!
Xero
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