Não Arrisque
21 Enquanto a Fera Dorme
Notas iniciais
a fic já está chegando ao fim..#snif ;(..+ a CONTINUAÇÃO já está sendo feita! oobaa =]
cap cheeeio de surpresas! preparem-se!
Boa leitura.
Ok, aquilo não podia estar acontecendo. Minha cabeça girava, e eu já não conseguia mais processar as coisas com cautela.
Donnie gemeu.
- Está começando — murmurou ela.
- O quê?
- Se eu não seguir em frente, Luna — ela fungou. — Minha alma vai sumir pra sempre. Não haverá nada pra mim além do vazio eterno. E será assim para os outros também.
Eu suspirei.
- Não irei deixar isso acontecer.
- Luna!
A voz de Marion ecoou atrás de mim. Donnie parecia cada vez mais fraca.
- O que está fazendo?
- Zattara vai mais além do que só resgatar a alma de Josh. — contei. — Ela vai arruinar todas essas almas.
- Eu sei — ela concordou. Ah, ela sempre sabia de tudo...
- Existe um tal guardião — continuei.
- A fera — Marion disse com amargura. — O guardião das almas perdidas. Ele fica no plano espiritual; mais precisamente no limbo. É o que os humanos chamam de "paz de espírito" ou "descanso final".
- E onde está Leon?
- Se juntando aos outros. Está na hora. Vai começar.
Ela fechou os olhos, e o cenário mudou. O limbo se tornou mais claro agora; como uma massa cinzenta no meio do nada. Além disso, havia o cemitério, onde a suposta fera estaria adormecida sob nossos pés. As diversas almas perambulavam por ali, perdidas.
- Não se esqueça que aqui é um campo de ilusão — Marion avisou. — Seremos testados inúmeras vezes.
A névoa fantasmagórica se dissipou, e Leon, Airon, Harry e Jane surgiram dela.
- Então, esse é o lugar que os humanos chamam de "mundo dos mortos" — falei.
- A passagem para o outro lado — Leon explicou, me dando um selinho.
- Essas almas não vão ficar aqui por muito tempo — Airon alertou. — As Mortes estão por aí, e Zattara só vai descansar quando conseguir o que quer.
- Vamos nos separar — propus.
Leon apertou minha mão.
- Não, Luna. Esse lugar é cheio de ilusões. Sozinhos, seremos mais vulneráveis.
- Essa tal fera pode acordar — eu lembrei. — E aí vamos ter que encará-la pra valer.
- Luna tem razão — Airon concordou. — Será mais rápido assim.
Leon tocou sua testa na minha.
- Tenha cuidado. — sussurrou.
- Você também.
Assim que eles se foram, a névoa pareceu criar vida e me envolveu de uma forma assustadora.
É tudo ilusão, coloquei na minha cabeça.
O cemitério estava silencioso. Eu temia que essa tal fera acordasse. Se é que era mesmo uma "fera". Pelo que eu entendia, podia ser qualquer coisa — até mesmo uma armadilha.
- Enfim eu conheci você — disse alguém atrás de mim.
Me virei, bruscamente, vendo a silhueta de um homem. Ele era alto e tinha uma palidez excessiva. Seu cabelo era de um loiro grisalho, e tinha olhos azuis claros. Ele lembrava Leon.
- Hã...me desculpe? — gaguejei.
Ele sorriu calorosamente.
- Sou George Maddison. Pai de Leon.
Meus olhos marejaram instintivamente. O pai de Leon havia morrido em uma emboscada, e ele ficara com muita raiva e remorso disso — e sentia falta dele também.
Ele riu quando o abracei.
- Você não imagina como me deixa feliz.
Naquele momento, parei. Não sabia se era ilusão ou não.
Ele percebeu.
- Está se perguntando se é uma ilusão, não é? — George tinha o mesmo sorriso torto de Leon. — Não se preocupe.
- Eu não queria desconfiar de você — falei um tanto constrangida. — Não imagina o quanto Leon ficaria feliz em revê-lo.
- Eu sei, minha querida — ele me segurou pelos ombros. — Mas os mortos não podem voltar à vida.
- Então você sabe do plano da Zattara.
- E sei que ela vai fracassar — falou ele. — O guardião pode acordar, a guerra pode acontecer...mas ela não vai ter o que quer.
- O que me entristece é saber que ela vai destruir todos vocês — eu disse. — Vão se perder pra sempre.
Ele deu um sorriso triste.
- Não, querida. Cada um de nós vai ficar pra sempre na memória dos vivos. Uns vão e os outros ficam. Não existe brecha para a Morte.
- Vocês vão simplesmente desaparecer! — murmurei.
Mais uma risada.
- Não, não vamos. Acredite em mim.
De repente, o véu oscilou e George caiu de joelhos, gemendo.
- George! — eu o amparei, ajoelhando ao seu lado.
Ele ofegou.
- A nossa energia...está sendo...sugada...!
- Não, não suma! — implorei, querendo chorar. — Por favor...
Ele tirou algo do bolso com as mãos trêmulas e me entregou num aperto firme. Eu notei, surpresa, que elas não eram frias como as dos outros mortos. Eram quentes e mortas; emitindo o puro calor da vida.
Aquilo me fez sorrir.
- Você...
- Dê isso a Leon — disse ele com um brilho nos olhos. — Ele vai saber o que fazer. — e segurou meu rosto, e fechei os olhos. — Eu quero que vocês dois sejam felizes. Nada vai arruinar o amor de vocês. Nem mesmo a morte.
Quando abri os olhos, me vi novamente sozinha.
Não pude conter as lágrimas.
Ele estava tão perto de mim...tão perto de voltar à vida...contudo, ele não se importou com isso.
Eu entendi o que ele quis dizer. Seu espírito não iria para um lugar longe; tampouco sumiria. Ele permaneceria vivo, porque a própria vida era invisível. Ela emanava do calor que cada um retribuía pela esperança de que tudo ficaria bem. Porque era assim que os humanos viam a vida e a morte — como um eterno campo de batalha, onde não há outra saída se não aceitar a condição de que, mais cedo ou mais tarde, um sacrifício terá que ser feito para que uma nova vida possa surgir.
Eu senti um força me invadir como nunca.
- Muito interessante. Você não é mesmo sugestionável como dizem.
A voz veio de uma silhueta sombria que se formou logo depois do sumiço de George.
O recém-chegado pareceu sorrir. Pela altura, era um homem.
- Não faz ideia de quem sou eu?
- Como vou saber se só posso ver a sua sombra?
Ele riu.
- As pessoas sempre relacionam a Morte como uma coisa horrível, não é?
- Claro que sim. — falei, me aproximando dele. — Ninguém quer perder os amigos e parentes que vai deixar pra trás.
- Iss foi implantado na mente das pessoas - continuou. — A vida é um ciclo constante. O que fica para trás não importa para um novo começo.
- Espera aí — eu disse. — Por que está me dizendo isso? Quem é você?
A sombra tremeluziu misteriosamente.
- Eu sou o motivo de todo esse caos estar acontecendo.
Eu dei alguns passos para trás, surpresa.
- Você é Josh?!
O seu silêncio confirmou.
- Zattara quer você! Ela causou tudo isso só pra ter você de volta! Tem ideia do que é isso?! — eu vomitei as palavras com raiva. Raiva por George, Donnie, Carol e até Rachel. Por todas as almas.
- Zattara fez isso porque quis — ele se defendeu. — Eu não vou voltar. Meu lugar agora é aqui. Ninguém pode me tirar.
- Então peça pra ela parar — intercedi.
- Sinto muito. — lamentou ele. — Mas ela vai perceber isso sozinha.
- Não pode ao menos tentar?
- Zattara não é má. — alegou ele.
- Onde eu já ouvi isso antes? — ironizei.
- Ela vai perceber o erro.
- Por que não deixa que eu o veja?
- Ainda não é hora. Você ainda não sabe sobre mim. Lembre-se: a memória viva de alguém é mais forte que apenas a sua lembrança.
Então, como tinta se desmanchando na água, ele virou um borrão.
Mãos agarraram meus ombros.
Leon me olhava preocupado. Foi quando eu voltei à mim. Estavam todos lá — inclusive os Ceifadores, que encaravam o exército de Resgatadores. Era como se uma linha tivesse sido traçada.
- Vocês chamaram ajuda. — adivinhei.
- Tudo piorou — ele apontou à minha frente e me virei. — O guardião acordou.
Só tive tempo de ofegar e ver uma nuvem de névoa se formar e crescer, emitindo um ruído grotesco de fúria.
Notas finais
curtiram?? reviews!!
Xero ;*
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