Notas iniciais
Ai galera, só pra avisar, pode até parecer, mas o Alex não gosta da Meg, ele só gosta de encher mesmo...

Na segunda-feira, Meglinay acordou de outro sonho horrível, e se lembrou de como dormira bem na tarde de sexta-feira, querendo voltar para lá.

Deslizou-se até a ponta da cama, pegou sua sandália, saiu andando até o outro lado do quarto, pegou a toalha e entrou no banheiro para tomar banho.

Tomou um banho apressado e foi para a faculdade que estudava a V.D.J.F., faculdade cobiçada por muitos estudantes na cidade. Algo a incomodava na primeira professora do dia, ela era uma professora legal, brincalhona e que ensinava bem a matéria, usava sempre uma trança embutida jogada no ombro direito e um jaleco branco com uma saia marrom. O que incomodava era seu rosto, ela era bonita sim, mas tinha um machucado aberto que vinha do lado direito da boca, até o queixo na forma de barra (/).

A professora Agatha Fletcher tinha aquele machucado desde que Meg entrou na faculdade, dois anos e meio atrás; e quando parece que vai cicatrizar completamente, ele reabre exibindo a carne por baixo da pele.

Meg estava na garagem da faculdade, que estava por incrível que pareça completamente vazio.

Ela saiu do carro sem pensar muito na falta de movimentação no local e andou até o meio da garagem quando a professora apareceu, sua cicatriz estava ainda maior e mais profunda, chegava a aparecer a ponta do osso.

A senhorita Fletcher sorria para Meglinay, como se não sentisse dor naquele machucado, agora totalmente aberto.

Meg se assustou e então perguntou o que havia acontecido com o machucado, mas a mulher não respondeu. Continuou sorrindo e indo na direção da menina. Então pegou uma barra de ferro e falou:

-Puro vandalismo o que essas crianças fazem, não?

-Eu... Eu não sei... Acho que sim.

-A senhorita está uma hora atrasada. Espero que tenha uma boa explicação.

-Uma hora atrasada? Espere que dia é hoje?

-Dia vinte e dois de outubro de 2012!

-É claro! Por isso não tem ninguém na garagem. Desculpe professora, eu não sabia que dia era hoje, portanto não adiantei o relógio.

-Sua explicação não foi boa ou convincente, você receberá sua punição.

-Sinto muit... –Meglinay estava se desculpando, mas foi interrompida pela professora que a três passos de Meg, lhe atacou com a barra de meio metro de puro ferro. A garota só teve tempo de se abaixar antes de ser atacada novamente, dessa vez, ela foi pega no braço, o que fez o mesmo quebrar. Ela saiu correndo pela garagem até chegar à porta que leva a escada do refeitório, correu para a sala, com a professora no encalço. Sabia que com tantas testemunhas ela não tentaria nada.

Chegando à sala, pediu licença pra professora, puxando o ar para dentro dos pulmões, a fim de conseguir fôlego suficiente para se desculpar pelo atraso.

Entre risinhos e cochichos abafados, tudo o que ela sentia eram os olhos de Legrand, Alexandro e Beatriz fitando-a. Sentou-se em sua mesa e enfiou-se em cadernos, não que estivesse interessada na aula do professor Noah, mas porque não queria dar nenhuma explicação a nenhum dos três.

Totalmente excluída da sala, Meg começava a sentir a dor no braço esquerdo, não conseguia mexê-lo sem sentir vontade de chorar.

O professor falava algo sobre testes antes das férias, mas Meg só conseguia se concentrar na professora ainda sorridente no corredor, só que agora sem o pedaço de ferro, seu braço doía demais, ela segurou cada lágrima de dor até aquele momento, mas seu braço não só queimava como também começou a inchar, já não conseguia deixa-lo parado, mas se o movesse freneticamente poderia piorar o machucado.

Agora ela se via em um impasse. Se ficasse na sala e esperasse quarenta minutos até a aula acabar, teria que continuar com a dor, acabaria chorando e todos saberiam que algo estava errado. Se pedisse para ir até a enfermaria, provavelmente a senhorita Fletcher a atacaria novamente e dessa vez não a deixaria sair com vida, ou pelo menos a machucaria mais.

Ela não aguentaria até o final da aula, então pediu ao professor para ir até a enfermaria. Ele falava algo sobre levar os formandos a algum lugar no fim de semana, o que fazia todos comemorarem, menos os dois amigos e o namorado, todos os três ainda pareciam estar preocupados com ela, mas não falaram nada, o que Meglinay agradeceu.

Passou pela professora, que ainda sorria e que parecia estar vidrada, o mais rápido o possível. Seu machucado parecia estar menor, porém o osso ainda era visível.

Quando Meg estava longe o suficiente da sala, ao ponto que ninguém a visse, Agatha correu, correu até chegar perto da menina e deu-lhe uma cotovelada na nuca, o que a fez cair de joelhos, mas com o desespero se pôs de pé rapidamente.

A garota não podia acreditar na besteira que fizera. Como podia pensar, nem que só por um segundo, que a mulher não viria atrás dela?

Ela girou e fez algo que nunca teve nem a intenção, nem a capacidade de fazer. Jogou seu peso no pé esquerdo e com o direito deu um chute circular que acertou em cheio o rosto da professora sorridente.

O rosto dela ficou vermelho, chegou a espirrar um pouco de sangue do tal machucado, mas só fez a professora piscar, sem desfazer o sorriso do rosto. O fato de a professora piscar fez Meglinay perceber que ela não havia piscado desde que a viu na garagem, seus olhos estavam vidrados o tempo todo.

A garota saltou para o lado esquerdo duas vezes, a fim de escapar das investidas da sempre tão gentil professora, que agora estava transformada numa voraz assassina, Meg não pensava muito, só tentava imaginar o porquê de estar acontecendo isso com ela, mas não se empenhou tanto, pois se tivesse feito, saberia o porquê. Enquanto desferia outro golpe na professora, ela a acertou com força no braço quebrado, lembrando-a, por fim, de duas coisas importantes.

Primeiro: Seu braço estava machucado e ela precisava ir para a enfermaria.

Segundo: Sua única chance concreta de escapar da professora seria correr o mais rápido que pudesse.

Meg era rápida, mas a professora a ensinou todas as técnicas que a garota conhecia sobre atletismo.

Ela estava sempre no encalço da garota, mas a recém-descoberta Nyckop conseguiu avançar três corredores sem muita luta.

Quando teve de subir as escadas que aconteceu. Ela subiu o primeiro lance sem problemas, mas no primeiro degrau do segundo lance de escadas, ela tropeçou, dando tempo suficiente da professora alcança-la e esmagar com um “pisão” o seu braço esquerdo, fazendo-a uivar de dor.

Agatha puxou-a pelos cabelos, mas ela puxou a mão da mulher e mordeu, fazendo a mesma soltar os cachos castanhos.

Meg pulou o restante das escadas e correu até a enfermaria. Não sairia dali até pelo menos o final da segunda aula, já que entre uma aula e outra os corredores ficam todos movimentados.

A enfermeira, Mary Stone, estava tendo uma animada conversa com o médico, Gaunt Lurk, sobre algo no final de semana organizado por um professor. Meg havia tido uma conversa com Bia, dias antes, sobre os dois, enfermeira e médico, terem um romance secreto, mas isso não importava nem um pouco no momento. Quando se jogou pra dentro da enfermaria, estava com o braço esquerdo inchado e roxo e o rosto todo ensanguentado pela batida no chão, nas escadas.

Mary se assustou. Perguntou o que havia acontecido e Meglinay disse que havia caído da escada. O médico começou a examinar seus olhos, mas ela logo interrompeu:

-Não, o meu braço primeiro, está doendo muito! Por favor!

-Mas seu nariz está sangrando! –replicou Gaunt.

-Depois você cuida disso, por favor, meu braço primeiro, está doendo demais! –gritou Meglinay, chorando.

-Tudo bem se é o que você quer.

Agora, quem se assustou foi o doutor Lurk.

-Como você conseguiu isso no seu braço? –perguntou a enfermeira assustadíssima com o tamanho em que se encontrava o braço da menina, e na cor violeta, verde e preta que cobria a pele em cima da fratura, por todo antebraço.

-Por favor, me ajude logo, está doendo muito!

Gaunt pegou a mão da menina, enquanto Mary segurava-a pelo braço, então ele puxou com força para recolocar o braço fraturado no lugar, Meg gritou tão alto e chorou tanto que até os médicos se angustiaram.

-Calma garota, ele tem que fazer isso para imobilizar!

-A deixe gritar, já estou acabando, e você sabe o que virá depois.

-Tudo bem.

Meglinay se apavorou. Não sabia o que viria depois e já estava tão paranoica por causa da dor, que chegou a pensar que ambos ajudariam Agatha a mata-la.

Sua visão foi ficando embaçada, na medida em que a senhorita Stone injetava uma injeção em sua veia, até que finalmente adormeceu.

Quando acordou, estava em um hospital, com gesso no braço esquerdo sustentado por uma tipoia, Bia estava sentada ao seu lado, dormindo.

-Bia! –chamou Meg, acordando a garota.

-Oi? –respondeu a atrapalhada amiga, acordando.

-Porque eu estou no hospital?

-Você quebrou o braço em três lugares diferentes e teve que passar por cirurgia.

-E o meu nariz?

-Você quebrou também.

-Precisou de cirurgia?

-Sim. –respondeu, olhando para o relógio.

-Porque você olha tanto para o relógio?

-É que me disseram que você teria alta hoje ao meio-dia.

-Quanto tempo faz que eu estou aqui?

-Dois dias.

-Hoje é dia 24, quarta-feira e são 11h40min.

-O que eu perdi?

-Você perdeu a revisão para dois testes para semana que vem e um convite do professor Lavestin a todos os formandos para um fim de semana no hotel-fazenda do seu pai.

-Quem vai?

-Todos vão inclusive eu e você, certo?

-Eu acho que sim, não é? Todos vão afinal.

-O Legrand veio aqui...

-Fazer o que?

-Fazer o que? Como assim fazer o que? Ele veio te ver, é claro, não ficou muito, só quis saber se você estava bem, ficou uns cinco minutos e foi em bora.

-Idiota.

-Ah! Agora você concorda?

-Claro. Ele é meu namorado, nós estando brigados ou não foi descaso.

-Bem, sobre isso...

-Sobre isso o que?

-Ele me pediu pra te dizer quando você acordasse que vocês precisam conversar, antes do final de semana.

-Porque antes de sexta-feira?

-Eu acho que é por causa da viagem. O professor vai nos levar na sexta feira, as 22h00min.

-Você tem ideia do que é?

-Não. Mas vocês não trocam uma palavra faz cinco dias, vocês nunca ficaram mais que um dia sem se falar depois de uma briga.

Meglinay não respondeu. Ela sabia que sua amiga tinha razão. Talvez ele terminasse com ela, mas o que a incomodava era que se ele fizesse isso uma semana atrás, ela sofreria sim, talvez até chorasse. Mas sendo hoje ela se sentia até mesmo um pouco aliviada. Não ter a obrigação de se preocupar com algumas coisas seria bom, o fato de não sentir culpa por não querer falar com ele lhe parecia ótimo, mas só parecia.

Dado o horário que Meglinay teria alta, ela e Beatriz foram para sua casa. Lá, seus pais e Alexandro a esperavam. Como ele reagiria ao saber que o Legrand talvez termine com ela nesse estado? Ela não tinha ideia do que ele faria, mas sabia que não seria nada bom.

Todos estavam apreensivos. Quando elas irromperam à porta, a tensão não diminuiu. Meg sabia que eles queriam que ela lhes dissesse algo que os acalmasse. Mas não era justo. Ela ter que confortar os pais que sempre a animavam com bonitas frases de esperança e Alex, o rei das palavras, o garoto que não tinha papas na língua e sempre sabia o que falar. Simplesmente não era justo ter que saber o que dizer justamente para as três pessoas que sempre tinham palavras perfeitas na ponta da língua. Entretanto, ela estava disposta a tentar.

-Te vejo depois Meg. –despediu-se Bia.

Meglinay se despediu acenando com a cabeça.

-Antes de qualquer coisa, vocês sabem que eu sou uma desastrada.

-Você não teve culpa, foi a estúpida escada –brincou Alex- sentimos sua falta Meg. –ele levantou e a abraçou- Sentimos mesmo.

-Mas foram só dois dias. –rebateu Meglinay, retribuindo o abraço.

-Foram, mas ficar dois dias sem te ouvir tagarelar são dois longos dias. –disse Luan, sorrindo.

-Como você me apronta isso mocinha? –falou Vanessa séria, fazendo Meg e Alex se soltarem.

-Caindo da escada sobre o braço e fraturando três partes dele, e para ajudar, quebrando o nariz na queda.

-Disso eu já sei!

-Então o que você quer saber como eu apronto?

-Como você me deixa três dias sem te ouvir falar? –disse a mãe com um sorriso no rosto e os olhos mareados pela emoção.

-Nossa mãe, como você é melosa. –falou Meglinay dando um abraço em Vanessa.

Eles conversaram ali por alguns minutos, então os pais de Meg foram trabalhar, deixando os amigos em uma conversa sobre a tal viagem. Meg comentou sobre o machucado da professora estar maior, embora não tenha falado sobre o ataque, coisa que só poderia contar para Legrand. Ele queria falar com a garota, talvez ela falasse isso para ele antes de qualquer tentativa dele de falar sobre a urgência da conversa.

Depois de algumas horas, Meglinay olhava fixamente para Alexandro entretida com as covinhas que se formavam em volta de sua boca. Nunca notara isso no amigo, na verdade, nunca havia notado em nada do amigo, cabelo rebelde, olhos azuis elétricos, um meio sorriso formado no rosto, jeito meigo e carinhoso, “Eu tenho o amigo mais bonito e galinha de todo o mundo” pensou tudo o que queria no momento era voltar ao dia que ficou horas conversando sobre nada com ele, não por ser bonito e sim para sentir novamente aquela segurança de poder desabafar sobre algo.

Alexandro disse que precisava ir embora, fazendo Meg voltar de seu transe. Ela a levou até a porta, e quando deu por si, já estava sendo abraçada pelo amigo. Ele segurou-a gentilmente envolta do braço dela com a mão direita e passou o braço esquerdo em suas costas, ele a abraçou por pouco tempo.

-O que você está fazendo? Tá carente?! –perguntou Meglinay, em zombaria.

-Desculpe-me, eu não queria te deixar me desejando, mas não consegui evitar. –respondeu Alexandro, fingindo estar magoado.

-Está bem, acho que é melhor você ir agora. –Meglinay replica, entre risos.

-Tudo bem. –Alex foi obviamente alegre consigo mesmo por ter feito Meg de boba.

A garota estava se sentindo estranha, a provocação do amigo a incomodava, mas mesmo que ela pedisse, ele nunca pararia. Ela não pensou muito nisso, pois viu na ausência de companhia, uma chance de fazer uma visita à casa de Legrand saber o que ele precisava tanto falar com ela.

Notas finais
E ai? gostaram? Me digam o que acharam nos reviews, por favor, ainda não recebi nenhum... kkk