Nyckop Life

5 Melhorando o Visual


Notas iniciais
Oi galera, pra quem acompanha eu agradeço pelo saco de esperar e por leram, prometo que vou escrever todo dia...

Naquela quinta-feira, todo o assunto que existia antes na praça de alimentação foi reduzido à viagem dos formandos. O professor Lavestin trouxe seu irmão mais novo, Connor Lavestin, de 19 anos e sua prima, Nicolle Highlast, de 18. Ambos vivem na fazenda e como conhecem melhor o local, ele os trouxe para falar sobre o lugar nas salas que completavam o último ano de curso.

–... Com quatro hotéis para 50 pessoas cada, quatro piscinas; uma coberta, uma aquecida, uma com tobogã e uma com ondas artificiais e um salão de festas para 100 pessoas. Já as festas estão divididas assim: — introduziu Nicolle.

–Quando vocês chegarem, terão uma hora para se acomodar e ir para a primeira festa, nós a chamamos de festa de iniciação –continuou Connor, com um sorriso maldoso no rosto, como se fosse pregar uma peça em alguém- ninguém fala sobre ela, não adianta perguntarem.

–A segunda festa acontece sábado, a partir das 20h00min, é na área das piscinas somente, então levem roupas de banho. –o professor aconselhou.

–A terceira festa é uma guerra, na verdade, os garotos principalmente vão adorar, as meninas se quiserem ficam no salão de festas, mas aconselho que todos participem. –disse Nicolle, fuzilando uma garota sentada no fundo da sala com o olhar.

–E na segunda-feira, às 14h00min, nós voltaremos para a faculdade, onde um festival com cantores e bandas surpresa vai acontecer até a meia-noite.

Todos vibravam de alegria, depois desse final de semana só teriam mais um mês de aula e depois estariam livres de tudo, alguns fariam pós-graduação, mas Meglinay particularmente não via a hora de se livrar dos estudos.

Os familiares do professor de dirigiam para outra sala, deixando o lembrete de que se houvesse algum problema, ou dúvida, eles estariam na praça de alimentação com alguns amigos. Meg olhou para o lado e seus olhos encontraram os de Legrand, que os desviou rapidamente para um colega ao lado.

Ele não entendia o porquê d’ele pedir distância, mesmo que tivesse desfeito o pedido depois, mas esse não era o problema no momento. A professora Agatha Fletcher. A mulher que tentou mata-la não fazia isso intencionalmente, não fazia por si própria, ela estava sendo comandada. Pela maldita da cicatriz aberta. Seja lá o que for que a comanda, ficou furioso por não obter sucesso. Não desistiria assim tão fácil, ela, assim como Legrand, corriam perigo. E a senhorita Fletcher? Se ela estava sendo controlada, precisavam ajuda-la. A garota estava tão confusa que se irritou consigo mesma. Como podia pensar como uma heroína, e morrer de medo de aranhas, baratas e companheiros? Melhor ainda, como podia pensar em salvar alguém de algo que nem conhecia e com o braço enfaixado pelo mês inteiro? De que modo àquela surra a afetou nem ela mesma sabia, só sabia de uma coisa. Como surras fazem a pessoa pensar como um psicopata?

A garota não podia pensar muito nisso, fazia mal a ela. Bia, Alex e mais duas garotas se sentaram ao seu lado na praça de alimentação conversando muito animados sobre a viagem, deixando Meglinay quieta, lendo seu livro.

Quando acabou o intervalo Meglinay começou a se apavorar. A professora que daria a aula tentou mata-la não fazia nem três dias completos. Mesmo que ela não quisesse fazer isso.

Ela entrou na sala da professora, mas Agatha ainda não estava lá. Foram entrando mais e mais alunos que só conversavam sobre a viagem no dia seguinte.

A professora entrou na sala e não precisou pronunciar uma palavra para que todos prestassem atenção nela. Ela estava sorridente, mas o sorriso era bem diferente do de três dias atrás. Não era um sorriso macabro estava sim com um sorriso amigável. Usava um vestido longo e florido, totalmente ao contrário da saia executiva e da blusa preta com jaleco branco por cima de sempre. Seu rosto tinha um tom muito mais suave, usava uma maquiagem sob os olhos que escondiam a pouca olheira que tinha, mas o que realmente impressionava era o que antes era o machucado, estava tão pequeno e fechado que parecia um arranhão provocado por um gato raivoso. A professora estava, pela primeira vez, tão atraente para os rapazes, quanto estava o professor Noah para as garotas.

–Bom dia galera! –cumprimentou Agatha, fazendo metade dos rapazes da classe responder.

A professora nunca falou dessa maneira. Quando entrava na sala, somente pigarreava. Mesmo sendo brincalhona de vez em quando, nunca era muito gentil, fazia os alunos rirem, mas agora estava tão doce, tão amável e tão linda, que Meglinay chegou a conclusão de que os tais Ballocardis a tinham deixado em paz e procurado outro jeito de matar “aberrações”.

Alex elogiou a professora, o que a fez corar e a Meglinay, fez sorrir. Meg olhou pra ele, ainda sorrindo e percebeu que ele se divertia em ver a professora envergonhada. Quando dirigiu o olhar para a amiga, ficou desconcertado, ou só fingiu ficar. Então sussurrou, inclinando-se para que ela ouvisse.

–É da minha natureza.

–Natureza estranha essa sua. Falei que você gostava dela.

–Eu discordaria se ela não estivesse tão bonita, mas digamos que eu prefiro pessoas com menos de trinta.

–Pra mim, antes ela teria trinta mesmo, mas agora me parece que ela tem vinte e cinco. Então ela está dentro dos critérios.

–Certo, se você quer apostar que eu a faço ficar louquinha por mim em três dias, então eu aposto. Ela vai para a viagem como uma professora normal, e volta como uma das mulheres que me amam.

Meglinay ainda não havia pronunciado uma palavra sobre aposta nenhuma, mas ele a conhecia desde os cinco anos, sabia que ela faria a aposta mais cedo ou mais tarde. Então ela respondeu ainda em sussurro:

–Apostado. Se você perder, vai ter que parar de fazer coisas “da sua natureza” por um mês. –respondeu Meglinay, estendendo a mão para Alex.

–E se você perder vai ter que ficar sem ler seus livros pelo mesmo tempo. –replicou Alex, apertando a mão estendida de Meg.

Os dois voltaram a prestar atenção na aula, embora a professora estivesse recebendo mais elogios do que ensinando.

Acabada a aula, professora e alunos saíam da sala e já iam em direção a outra. Já Meglinay e Legrand, como não teriam mais aulas, se dirigiam para a saída acompanhados de mais alguns alunos. Leg ia em direção a estação de trem quando Meg lhe ofereceu uma carona.

–Você pode dirigir se quiser. –ofertou Meglinay, percebendo que o namorado começava a recusar a oferta.

–Sendo assim, eu acho que você não se incomodaria de me ver dirigindo seu carro.

–O carro é da minha mãe, mas tudo bem. O meu está concertando.

Legrand não gostava de vê-la dirigir, nem ele mesmo sabia o porquê. Agora que ela estava com um braço imobilizado, ele nunca aceitaria que ela dirigisse e o levasse para casa. E Meg sabia disso. Os dois entraram no carro e Leg deu partida. Quase o caminho todo foi sem conversa, só o barulho do carro e do trânsito para quebrar o silêncio.

–O que você achou da professora Fletcher hoje? –perguntou finalmente Meglinay.

–Ela estava bonita e com uma cicatriz tão fina que poderia ser um risco de caneta, tão pequena que seria facilmente escondida com maquiagem. Mas ainda não tenho certeza de que ela não está mais sendo controlada.

–É, eu também não.

–O que você e o Alex ficaram conversando na aula dela?

–Eu fiz uma aposta com ele. -respondeu, abrindo um sorriso.

–Que aposta?

–Eu apostei que ele não conseguiria conquistar a professora até domingo.

–E é claro que ele aceitou, não é?

–Aham. Se ele ganhar eu tenho que ficar um mês sem livro nenhum.

–Duvido que você consiga. E se você ganhar?

–Ele tem que para de tentar ser o conquistador por um mês.

–Eu duvido que você consiga.

–Você acha que eu vou perder?

–Deixe-me ver... Acho!

–Então se prepare para se surpreender.

–Tudo bem então vencedora. –debochou Legrand, entre risos.

Chagando a casa de Legrand, ele saiu do carro e se despediu. Não foi como no outro dia, com beijos de tirar o fôlego, mas somente com um aceno de mão. Meglinay assumiu o controle do carro, foi pra casa e pesquisou sobre o hotel-fazenda que ela, junto com todos os outros formandos, vão visitar no dia seguinte à noite. Mal sabia ela o que a esperava.

Depois de ver todos os detalhes do local, Meg se animou um pouco mais. Ela se lembrou de um trabalho que a professora mandou fazer e achou melhor fazer naquele momento do que na sexta-feira, até porque com certeza sua casa terá visitantes como Alex e uma garota que ele sempre trás, Beatriz e o tal do garçom e Legrand.

É como uma cerimônia. Sempre que todos eles iam viajar juntos, faziam uma reunião na casa de um deles, poucas horas antes para relaxar. Como da última vez foi na casa de Bia, agora estava na vez dela, então resolveu liquidar o trabalho.

Aquilo era longo e chato. Ela começou às 14h15min, pouco depois de ter chagado e terminou às 20h30min, meia hora antes de seus pais chegarem. Estava exausta por causa do trabalho. Não esperou pelos pais, tomou banho e se deitou. Acordou às 03h10min assustada com algo que ela mesma não sabia o que era. Levantou-se, desceu as escadas para ir à cozinha, pegou um copo d’água e bebeu. Quando se virou a professora estava atrás dela com o pedaço de ferro, não era mais a professora que estava na faculdade mais cedo, estava exatamente ao dia que a atacou, Meg estava paralisada pelo medo. Sabia que iria morrer e tentava gritar, mas sua voz não saía, não sabia como a professora entrou em sua casa, mas lá estava ela, levantando o pedaço de ferro pronto pra bater na garota quando o despertador tocou a acordou do pesadelo, dessa vez mais real que todos os outros. A garota sentiu tudo como se estivesse acordada e nunca ficou tão agradecida por ser interrompida de seu sono.

Tomou um longo banho para relaxar e foi para a faculdade. Chegando lá, Alex a esperava na porta.

–Oi perdedora, pronta pra hoje? –perguntou dando um tapinha na testa da amiga.

–Ei. Você é que vai perder! Em casa já está tudo preparado para mais tarde... –respondeu, retribuindo o tapinha com um leve soco no ombro do garoto.

–Tudo bem então, mas não se iluda. Eu vou consegui-la mais rápido do que você pensa.

–Está bem. E quem você vai levar pra minha casa hoje? –perguntou Meglinay, enquanto comprava uma garrafinha de Coca-Cola diet e abria para tomar.

–Eu não sei, acho que não vou levar ninguém...

Meg foi pega de surpresa e cuspiu o refrigerante que tinha na boca.

–Como não vai? Todo ano você leva uma! –exclamou, começando a andar novamente.

–Mas se eu quiser ter algum sucesso com a professora, não posso dar pinta de pegador perto dela. –explicou, acompanhando-a.

–Não senhor, você tem que levar alguém. Não adianta você não vai ficar sozinho...

–Mas a Bia também vai e...

–Ela vai levar uma pessoa.

–Quem?

–Você tem que estar com alguém se quiser saber quem...

–Tudo bem, mas não estranhe se eu levar a professora ao invés de uma garota qualquer.

–Eu não vou. Mas não garanto nada sobre a Bia, ou o Leg.

–Tchau, vou arranjar um par, nos vemos na praça de alimentação. –respondeu Alex com a atenção voltada à professora, linda e radiante como ontem, acrescentando provocante e sensual à sua lista de novas qualidades de beleza, passando ao seu lado e o cumprimentando.

–Tchau, nos vemos lá. –Meglinay diz entre risos.

Quando seu olhar é desviado, ela simplesmente entra em pânico. El não está sorridente, mas também não está tenso. Vidrado no vazio é isso que ele está. Suas mãos se movem freneticamente, mas é quase imperceptível. Meg corre para perto do professor Lavestin e não sai de lá até ter de entra na sala. Todo seu medo e anseio por saber o que vinha a seguir estava acabado, ela sabia o que vinha a seguir, só não sabia que seria da parte dele, a garota corre para seu assento e se encolhe a cada passo que ele dá para perto dela. O garoto era questionado várias vezes, mas não respondia, ainda estava com o olhar vidrado, Meg começou a achar que era outro sonho muito real, mas não era não podia ser. A menina estava cada vez mais apavorada e começou a choramingar, seu coração dava saltou acrobáticos dentro do peito, todos o observavam até que o professor interveio.

–Legrand, onde você conseguiu esse machucado no queixo? Parece com o que a professora Agatha tinha.


Notas finais
Legrand:...
Bia: Você tá bem?
Legrand:...
Bia: Não vai responder?
Legrand:...
Bia: Ah, vai ser foder cara...
Legrand:... as mina pira no silêncio.