Nyckop Life

6 Conhecendo seu Inimigo, sem falar com ele


Notas iniciais
Oii gente, me desculpe pelas duas semanas de demora, é que eu tenho uma outra fic, que é sobre Jogos Vorazes e tive que atualizar ela, eu vou pedir pra vocês leram as notas finais porque são importantes viu? Boa leitura espero que gostem...

Todos comentavam sobre como o machucado do rapaz se parecia com o que a professora tinha. Já Meglinay observava que o machucado não estava tão grande nem tão profundo, mas era o suficiente para ataca-la, então não saiu do lado de Alex e Bia, que discutiam sobre os pares dos dois.

–É claro que eu posso, ela é uma mulher que convive comigo na faculdade.

–Mas ela é professora. Não tem como essa regra se aplicar.

–Tem sim. Você vai levar um cara que ninguém conhece, ele é quem não pode ir.

–Pode sim, se a dona da casa da vez conhecer, eu posso, e ela conhece, não é Meg?

Meglinay não respondeu. Estava concentrada demais em Legrand, nas perguntas como: O que aconteceu com ele? Será que ele também vai tentar me matar? Será que eu conto para alguém? Será que a professora sabe de alguma coisa? Ela estava com medo do antes inofensivo namorado, agora potencial assassino.

–Meg, nós estamos falando com você! –Alex balançou o braço da amiga, fazendo-a voltar sua atenção a eles.

–Se você quer saber o que aconteceu com ele, vai até lá e pergunta, mas primeiro responda minha pergunta. –boa sugestão a de Bia, mas será que era seguro ir até ele?

–Que pergunta? –Alex suspira com a resposta da garota.

–Você conhece o cara que a Bia vai levar?

–Sim, conheço. Estava com ela quando se conheceram. –Alex fez um som de desaprovação- Vou até lá falar com ele. Fiquem aqui.

A garota se levantou e foi falar com o namorado, deixando os amigos ora brigando por causa dos pares, ora conversando sobre algum outro assunto, ora rindo. Sentou-se perto do que garoto que estava, por mais estranho que isso possa ser, sozinho.

–O que a senhorita quer aqui? –Legrand começava a sorrir, os olhos ainda vidrados.

–Quero falar com ele, pode ser?

–Você tem dois minutos senhorita, ande rápido. –Meg ficou intrigada, não foi nesse sentido que ela queria falar com ele, mas estava satisfeita com o resultado. O machucado de Legrand quase se fechou enquanto seus olhos voltaram-se para ela, não estavam mais vidrados. Meg o abraçou muito forte, mas ele não retribuiu.

–Legrand, meu Deus, o que aconteceu?

–O que você quer aqui Meg? Afasta-se de mim, sou perigoso!

Não. Você não é perigoso. Preste atenção. Você tem que me dizer o que aconteceu!

–Eu não sei direito. Você tinha acabado de me deixar em casa. Quando eu virava a chave na fechadura para abri-la, levei um choque na nuca e apaguei. Quando acordei novamente o machucado já estava aí e eu estava preso em uma maca. Alguém começou a me controlar, quando o machucado estava num tamanho pequeno, mas eu já ouvia algumas vozes na minha cabeça me mandando quebrar coisas pequenas. Mesmo que eu lutasse contra, eu obedecia. Foi ai que me mandaram vir aqui e te machucar. Não era pra eu estar aqui hoje, eu ia fugir quando isso ainda estava pequeno, mas assim que eu comecei a retomar meu cérebro eles me doparam. Tudo que você fala eu posso ouvir, sempre que você me toca eu sinto, mas as reações não são minhas.

–Eu tenho que fazer isso para. Tem como?

–Tem. Eu tenho que estar numa coisa que eles chamam de êxtase de emoção. A professora se libertou. E foi porque os idiotas mataram o pai dela quando ela fracassou, como castigo, e ai ela ficou enfurecida e além de se libertar, matou três deles.

–Como você sabe disso? E qual seu êxtase se emoção?

–Eu já disse mesmo depois de controlado eu posso ouvir tudo, e controlado eu posso ouvir tanto o que você fala aqui, quanto o que ele fala lá. É como estar em dois lugares ao mesmo tempo. Eu acho que eles não sabem desse problema.

–E qual seu êxtase de emoção?

Eu não sei, não é algo que você saiba, eu acho que deve ser algo que eu mais temo que aconteça. Talvez seja... –a sua voz foi sumindo, sua cicatriz aumentou ao tamanho de antes e seus olhos vidraram-se no vazio novamente. –Tempo esgotado senhorita.

–Espera, só mais um minuto, por favor?

–Nem pensar. Nós não temos como ouvir nada do que ele fala quando o deixamos sem controle. Não tente nenhuma besteira senão eu o mato hoje mesmo. E a senhorita não quer isso, quer?

–Não! Mas porque ele? O objetivo não é nos matar?

–Não sou eu que escolho as vítimas senhorita, se afaste antes que eu a ataque na frente de todos senhorita.

Meg voltou para os amigos, segurando o choro, não por dor física, dessa vez a dor era onde não tem remédio que cure, ela perdeu Legrand para pessoas que nem conhecia direito. Seus amigos, que agora só brincavam um com o outro não perceberam a garota devastada, o que a deixou mais a vontade com sua dor, porque assim não precisaria fingir que estava tudo bem.

Na sala novamente, Meglinay se sentou na cadeira ao lado de Leg, ela estava decidida a descobrir o qual era o seu êxtase de emoção. Olhava para seus olhos vidrados por longos minutos, na esperança de que se movessem nem que fosse milimétricamente, mas o garoto nem piscava. Segurava sua mão, pois ele mesmo disse que podia sentir e ouvir tudo. Ela só não pronunciou nada, pois quem o controla também pode ouvir. Acariciava a sua mão e a cicatriz diminuiu quase imperceptivelmente, mas ela percebeu, o que a fez sorrir e sussurrar algo para ele.

–O que a senhorita está fazendo?

–Estou do lado do meu namorado.

–Tenho que lhe pedir que se afaste dele.

–Como é que eu vou te obedecer se nem te conheço? –Meg estava brava, mas sorria discretamente, o homem que fala agora com ela tem um defeito e ela não só percebeu como o explora.

–Se eu disser quem sou senhorita, amanhã nós dois estaremos mortos.

–Você fala isso tão abertamente porque está sozinho e ninguém pode te ouvir. Se me disser quem é, não só estaremos vivos amanhã como vou passar a te obedecer.

–Eu... Eu não tenho certeza disso senhorita.

–Mas eu tenho, pode me dizer seu nome e o que você faz com os Ballocardis? Seu segredo morre comigo.

–Como você sabe quem eles são?

–Eu prometi segredo pra quem me contou. Me diz seu nome, o que faz ai e sua idade?

–Então está bem, se você sabe guardar segredo. Meu nome é Nipan Odeeps, sou um controlador e tenho 28 anos.

–O que um controlador faz Nipan?

–Controla as pessoas, cada uma é controlada por outras 2, eu sou um dos mais novatos aqui e já me colocaram como controlador de um Nyckop, eles viram meu potencial, tenho uma sala grande só pra mim senhorita, tudo por causa dele.

–Para de me chamar de senhorita e me diz quantas pessoas tem sob o controle dos Ballocardis. –A garota descobriu outras três fraquezas do homem, ele fala demais, é orgulhoso, mas não gosta do trabalho, só pela sua voz de lamentação no timbre da de Legrand a mostrava isso e ele tem medo dos superiores.

–Agora tem por volta de 450, só o ano passado perderam uns 90, foi o ano de mais perda aqui.

–Porque você trabalha com eles?

–Pela minha mulher, minha filha e meu irmão. Eles me ameaçaram, se eu não trabalho com eles, matam os três.

–Você não pode só fingir que trabalha. A última pessoa controlada por vocês quase me matou.

–É eu sei cada morte conquistada aqui é um motivo a mais pra eu me achar um lixo por fazer parte.

–Eu sinto muito por isso.

–Eu também, ai como eu gostei de saber que aquela mulher havia matado um supervisor e os dois controladores dela.

–Então você não era um deles?

–Claro que não, eu nunca machuquei ninguém. Se eu pudesse, já tinha saído daqui faz muito tempo senhor..., quero dizer, vítima 8-TX. Quem machuca sem dó é o outro controlador dele.

–Espera você nem sabe meu nome?

–Não, agora eu tenho que te pedir que se afaste porque o supervisor dele vai passar aqui a qualquer momento. Depois conversamos mais.

Meg se afastou por um tempo, por algum motivo, sabia que tudo que Nipan falou era verdade, e pela confiança que o mesmo depositou nela, sentiu não só pena pelo que ele está passando, como simpatizou com ele. Achou que ambos podiam se ajudar, ele a ajudaria salvando Legrand dos Ballocardis e ela o ajudaria salvando sua família e o tirando de lá.

O rosto vidrado de Legrand se virou para ela depois de 10 minutos.

–Pode voltar senh... Vítima 8-TX. –sussurrou.

–Qual é o outro controlador dele?

–Seu nome é Juan Carlos dos Santos. Um carrasco devo dizer. Nunca vi homem cruel como ele fora daqui, infelizmente aqui tem aos montes desse tipo, ele se alegra como criança que ganhou o presente que queria no aniversário quando mata alguém.

–Onde está sua família?

–Boa pergunta.

–Você não sabe?

–Adoraria saber, acho que me ajudaria a sair daqui.

–E porque você acha isso?

–Porque se eu soubesse, era só fugir com eles.

–Eu estava pensando que nós poderíamos nos ajudar.

–E como nós faríamos isso?

–Você liberta o Legrand q que eu liberto sua família com ele e você pode se demitir.

–Ele tem que se libertar sozinho, e mesmo que você consiga salvar minha família, eu não posso me demitir, senão eles me matam. E como você pretende tirar minha família de onde ela está?

–Eu ainda não sei, mas eu tenho certeza que o Legrand sabe. Ele também sabe como se liberta.

–E como ele faz isso? –Nipan realmente não sabia, quando ele perguntava, lhe explicavam coisas sem sentido ou lhe diziam que estava fora da sua jurisdição.

–Ele me disse algo sobre êxtase de emoção. Algo que o deixe tão ativo que queime o chip implantado dentro dele com uma descarga de emoção. Só que ele não me disse o que era antes disso você voltou o controle sobre ele.

–O que? Eu não! Eu cheguei aqui e você já estava sentada do lado dele, na sala. Eu ainda não sei como baixar ou aumentar o “controle proporcionado”.

–Então o primeiro controlador era quem estava aqui antes? E o que significa “controle proporcionado”?

–É o nível de controle exercido na pessoa. E sim, o primeiro controlador é quem sabe mexer nesses sistemas mais avançados.

–Então se você não sabe, não tem como desliga-lo, porque você também não sabe?

–Na verdade não. Só ele mesmo é quem sabe. Nós só sabemos em que área o êxtase de emoção atua e onde fica o chip.

–Mas isso você também não sabe. Correto?

–Corretíssimo. Eu já havia ouvido falar sobre o êxtase de emoção, sei muito sobre ele na verdade. Só não sabia qual sua utilidade.

–Me ajuda com outro meio então?

–Não tem outro meio, é impossível.

Tem certeza? Eu estava acariciando a mão dele e o machucado diminuiu um pouco. Não foi quase nada, mas diminuiu.

–Então é isso. Demonstração de afeto também afeta o êxtase. Interessante. Muito interessante.

–Isso, interessante. Agora me fala o que seria demonstração de afeto?

–Coisas simples, todos os dias você lhe dá um beijo e segura na mão dele sempre que puder, diz pra ele o que você sente, eu te aconselharia a sussurrar no ouvido esquerdo, pelo jeito não podemos ouvir por ele, fique o máximo de tempo que puder com ele, fala que andou pensando nele o abrace mesmo que não seja retribuída, porque não será culpa dele. Eu sei que parece ser muita coisa e que pode dar trabalho, mas depois você sente falta.

–Meu Deus, pra um controlador, ou melhor, pra qualquer um, você é muito romântico.

–Não sou romântico. Só sei como é querer fazer isso todos os dias e não poder.

–Sinto muito por eles. Porque eles te querem tanto aí a ponto de ameaçar sua família?

–Eles fazem isso com todos que se recusam a trabalhar com eles, eu só tenho algo que eles temem, eu sou muito bom no que faço.

–E o que você faz que consiga fazer com que eles tenham medo?

–Eu sou especial, digamos assim, mas todos aqui são.

–Especial como?

– Eu sou parecido com você, só sou menos importante. Se eu estivesse querendo manter as coisas como estavam, ou seja, em paz, eu seria um Wikax, mas como eu estou aqui, tentando ajudar na guerra, sou um Skiper, mesmo sendo contra a minha vontade.

–Por quê? O que é isso?

–Wikax’es e Skipers são pessoas com um poder senhorita.

–Poder? Como assim poder?

–Assim mesmo. Eu, assim como você, tenho poderes. Na verdade, eu só tenho um, você tem mais.

–Eu não tenho poder nenhum. De onde você tirou isso?

–Sim senhorita, você tem, só não apareceram ainda. Ou você acha que Nyckop é só um nome bonitinho que te deram?

–O que tudo isso tem a ver?

–Tem tudo a ver. Quando um vampiro e um bruxo “se conectam”, dão origem a uma nova linhagem de pessoas extraordinárias.

–Mas que eu saiba vampiros não se reproduzem.

–Não mesmo, mas a magia da bruxa faz com que o sistema reprodutor deles fique ativo. Continuando. O meu pai era bruxo, minha mãe era uma vampira. Eles deram origem a quatro crianças. Três meninos e uma menina que viviam brigando. Quando já estavam velhos, se dividiram dois contra dois, um tentando exterminar o outro, mas a menina se apaixonou pelo seu irmão rival, eu sei bizarro, e eles deram uma trégua.

–Quanto tempo tem isso?

–Setecentos anos.

–E o que aconteceu depois?

–Depois de quinze anos de trégua eles voltaram a brigar por algum motivo. O casal se autodenominou Wikax, pois eles queriam a paz de volta, os outros que queriam matar o casal, se chamaram Skipers. Milhares de pessoas estão nessa mesma situação que eu. Nessa briga de séculos.

–E qual dos quatro são seus pais?

–Nenhum deles, eu sou muitas vezes neto do casal Wikax.

–Então como você chama o bruxo e a vampira de pais?

–Porque eles deram origem a nossa raça. É muito raro casos de bruxos e vampiros se apaixonarem e terem filhos, afinal eles se odeiam em maioria. Havia só vinte casais assim, mas a maioria já foi exterminada, só sobraram cinco.

–E quais são?

–Os Wikax/Skiper, os Nyckops, os Ballocardis, os Salhofs e os Drofmar. Cada um diferente do outro, cada um com menos pessoas do que o outro.

–Como é cada raça? Você sabe quantas pessoas vivas cada um tem?

–Os Wikax/Skiper eu já falei como são, vivem em médias uns mil anos e tem oitenta e sete mil de cada lado. Os Nyckops são imortais e só podem morrer lutando, cada pessoa tem três poderes e existem dez pessoas conhecidas ao todo, é que sua raça apareceu há pouco tempo e não se sabe ao certo quantos são, mas o mais provável é que só sejam dez mesmo. Os Ballocardis são pessoas com habilidades de luta incríveis e vivem em média quatrocentos e cinquenta anos, tem vinte ao todo. Os Salhofs são basicamente pessoas que se transforma em outra, todas as características da pessoa ela adquirem, são imortais, não existe meio conhecido de matá-los, mas não é possível se reproduzirem, então existem só os cinquenta de sempre. Os Drofmar são os complicados de se explicar. Eles basicamente se transformam em um animal, podem viver até cinco mil anos se tiverem sorte e ninguém sabe ao certo quantos existem, o mais provável é que existam quinze mil.

–Me deixe entender, quer dizer então que 189.080 pessoas no mundo são especiais?

–Não, ainda tem os poucos bruxos e vampiros que sobraram.

–Quantos sobraram?

–Não sei direito, mas com certeza não mais que vinte mil.

–Então corrigindo, 209.080 pessoas no mundo são especiais?

–Agora você entendeu.

–E o que os Ballocardis querem?

–Eles querem matar todas as outras raças e prender os Salhofs.

–E porque isso?

–A raça que for melhor que as outras têm por direito saber a profecia. E nenhum modo mais fácil de mostrar que é melhor do que exterminando.

–Que profecia?

–Exatamente, ninguém sabe. O último profeta é quem sabe, ele é o único.

–Então porque ela é tão importante?

–Porque quem a ouve além de se tornar imortal, governa tudo. Nossa raça é muito populosa, então a nossa não pode governar, a não ser que seja escolhido um representante, mas isso daria origem à outra guerra, os Drofmar não querem e não podem governar pelo mesmo motivo que o nosso, eles não escolhem um representante por não quererem guerra, são extremamente pacíficos. Os únicos capazes de ter todos governando são os Salhofs, os Ballocardis e...

–E nós. –interrompeu Meg, finalmente entendendo o que tudo significava.

–Exatamente.

–Então os Ballocardis querem governar?

–Isso mesmo. Todos os outros concordaram em viver em paz, mas aí vocês apareceram e os Ballocardis acharam isso uma traição, então eles passaram a projetar tudo. Vão exterminar todas as raças que não se submeterem a eles, começando por vocês. E está quase na hora disso acontecer. E claro que ninguém, além dos Skipers que são uns encrenqueiros e adoram guerras, aceitou isso, então em pouco tempo uma guerra vai se iniciar.

–Mas porque controlar pessoas inocentes?

–Não é qualquer um que eles controlam. São só as pessoas especiais que tem esse azar.

–Então minha professora é...

–Especial? Sim. Ela foi uma das que menos durou aqui.

–O que ela é? Quanto tempo ela ficou?

–Ela é uma Drofmar, tem só trinta e um anos e ficou aqui por três.

–E porque controlar essas pessoas?

–Quanto mais pessoas, mais forte é o exército.

–Qual é o seu poder?

–Eu me tele transporto.

–E porque você não se tele transporta pra onde sua família está e desaparece?

–Por dois motivos. Primeiro: Eu tenho um chip, eu sei, eles são obcecados por chips, no meu braço que me impede de usar qualquer poder. Segundo: Eu não sei onde elas estão.

–Duas últimas perguntas.

–Pode perguntar.

–Você sabe quais são meus poderes?

–Não, vocês tem um rito de passagem, não sei explicar direito, mas sei que é depois da Idade Amadurecida.

–E o que é isso?

–É quando você descobre o que é. Só vocês Nyckops e os Salhofs tem isso, o resto meio que nasce sabendo o que é. Qual a segunda pergunta?

–Nós procriamos?

–Essa é uma boa pergunta já que nenhum de vocês nunca tentou, mas eu acho que não. Pra mim os imortais não procriam, embora vocês não sejam exatamente imortais.

–Mas porque não?

–Oras, eu não sei. Você acha mesmo que pode me ajudar com a minha família?

–Posso, por quê?

–É que pra “guardar” as pessoas, eles colocam dois vigilantes em cada cela.

–E porque você está me dizendo isso?

–Porque meu irmão, Michael Odeeps, é um vigilante, mas por causa da minha mulher e da minha filha também. Ele está no mesmo lugar que elas, pelo menos estava da última vez que o vi.

–Então você quer que eu o ajude também, é isso?

–Talvez vocês pudessem se ajudar a sair.

–Me dê um bom motivo.

–Ele desaparece e pode fazer qualquer um que ele quiser desaparecer também.

–Ótimo motivo.

–Eles têm três lugares em que colocam as pessoas. Elas estão em um deles. Eu não sei qual, você vai ter que descobrir e eu também não sei onde fica cada um.

–Tudo bem eu descubro, mas como você sabe de tudo isso?

–Não é muita coisa comparado com o que eles fazem aqui, tem muita coisa que eu ainda nem tenho ideia que aconteça. Deu qualquer jeito, é melhor nós irmos, todos estão saindo e para você, a aula já acabou.

–Só mais uma pergunta.

–Pode falar senhorita.

–Como vocês chamam quem está sendo controlado?

–Se você quer falar corretamente, mentis cárcere, mas se for do jeito mais prático, mentriser. Significa prisão mental de qualquer maneira.

Meglinay e o garoto controlado saíram da sala em direção à saída. Tinham mais uma aula, mas Meglinay se preocupava muito com o estado de Legrand. Desceram até a garagem e ela o levou até seu carro.

–Ele vai ficar bem. Certo?

–Espero que sim. Algumas pessoas se esquecem de tudo, já outras mesmo depois de recuperadas acabam ficando loucas.

–Como assim?

–Algumas pessoas sofrem um tipo de amnésia quando se desligam. Já outras... Bem, digamos que algumas não sofrem amnésia nenhuma.

–Digamos coisa nenhuma, me fala tudo que sabe.

–Está bem. Quando a carga emocional é forte o bastante para o dispositivo, ele para de funcionar. Não sei ainda o porquê, deve ser outra falha, enfim, o mentriser volta ao normal. Se o tal tem sorte, não se lembra de nada e volta a ter a vida de antes, normal se possível. Se não tiver sorte, não se esquece de nada e algumas vezes ainda se sente controlado, portanto acaba ficando louco.

–Isso é muito cruel. – Meglinay sussurrou, mais por reflexão que por resposta.

–Concordo. – Meg se sobressaltou, não esperava uma resposta. – Mas como já te disse, por causa da minha esposa, do meu irmão e de Zimisha eu não tenho como fazer nada.

–Sinto muito por isso. – ela respondeu e ele só acenou, como se soubesse que isso não ajuda em nada, mas não quisesse falar.

–Eu não devia estar te ajudando e nem falando com você, poderia ter te machucado, mas mesmo assim você confiou em mim. Por quê?

–Porque eu acredito que as pessoas boas existem, mesmo que a maioria delas esteja escondida. E porque eu achei que podia confiar em você.

–Obrigada.

–Me diz uma coisa, quem governa vira imortal não é? Então o que acontece com quem já é imortal, como os Nyckops e os Salhofs?

–Eu acho que os Nyckops não vão poder ser mortos de jeito nenhum. Já os Salhofs eu não sei, mas de qualquer jeito, nem eles nem os Drofmar querem lutar, mas de qualquer jeito, quando a guerra começar eles terão que lutar, dessa forma, eu acredito que eles se juntarão aos Nyckops, porque os Ballocardis são do tipo de querer guerra por qualquer motivo, e eles não gostam disso.

Notas finais
Pois é, agora eu vou começar com um curso que vai tomar mais tempo de mim então eu quero saber, vocês querem que eu poste de terça, de quinta ou de sábado? e que horas? entre 14:00 e 15:00 horas ou entre 18:00 e 19:00 ??? Mandem reviews com o que vocês acham melhor ok?