Nyckop Life
7 A viagem, bebedeira a parte.
Notas iniciais
Neste momento Meglinay tinha mais certeza do que nunca que precisava ajuda-los. Se esses tais Ballocardis virassem imortais, o que poderiam fazer com as pessoas? Se eles fossem mortos os outros poderiam refazer o acordo de paz, ou será que não? Não era justo o fato de que uma semana atrás ela e Legrand eram um casal normal e que agora, além de serem irmãos, vão ter de lutar contra muitos por sua própria sobrevivência. A garota levou o mentis cárcere para sua casa, já que, se ele não estivesse controlado, iria para lá de qualquer jeito. A troca de controladores acontecia de três em três horas e já faltavam 15 minutos para que Juan voltasse, tomando o lugar de Nipan. Tudo que ela precisava saber sobre esse mundo novo e sobrenatural foi deixado para mais tarde, o que Meg queria saber no momento era sobre o outro controlador.
–Me fale sobre Juan, o outro controlador. Como ele é? – Ela o guiava até o sofá.
–Ele gosta de fazer ameaças, mas cede fácil aos pedidos. É um tipo sarcástico e adora brincar com a sanidade das pessoas, ainda me pergunto como ele consegue isso só com palavras. Ele é bem idiota, o que é estranho, por que ele é bem mais experiente em tudo aqui do que eu. Como eu disse, cede fácil demais aos pedidos, não sei por que, mas isso pode te ajudar. Fora isso ele até pode ser considerado um ser humano normal.
–Então eu devo evitar irritá-lo, certo? – Nipan assentiu – O que o irrita?
–Não o chame pelo nome, chame de controlador, de você, de qualquer coisa, menos Juan. Não mostre interesse por quem ele é, perguntas como “Quem é você?” ou “O que você quer conosco?” são irritantes demais pra ele, já o vi quase cortar a língua de uma pessoa por isso. E eu sei que você não vai fazer isso, mas não mostre, em momento nenhum, o mínimo de simpatia por ele. O cara gosta de ser temido, não amado.
–Certo, nunca mostraria mesmo. Já está chegando sua hora de ir.
–Verdade, obrigado por querer me ajudar, por confiar em mim, parabéns pela sua coragem de falar comigo, e eu vou fazer o possível pra te ajudar.
–Obrigada. Digo o mesmo.
–Até daqui a pouco senhorita.
–Até Nipan, mas meu nome é Meglinay.
–Vou indo, ele vai ficar imóvel por um minuto. É o tempo em que eu saio e ele entra.
Assim que ele se despediu, Meglinay se levantou e foi para a cozinha, não queria ouvir o homem quando não fosse necessário e, naquele momento, não era. Na cozinha ela ficou por alguns longos minutos, depois subiu até seu quarto, tomou um banho bastante demorado, aproveitando para relaxar sob a água quente que escorria sobre sua pele. Depois de sair do chuveiro, vestiu um vestido, colocou uma sandália e penteou os cabelos sem conseguir afastar de sua cabeça o que estava acontecendo com Legrand. Porque tinha que ser com ele, por que eles não pegaram qualquer outro para controlar? O que ele tem de tão especial para eles? Tentou se livrar de tais pensamentos enquanto descia para a sala, sabendo que faltavam poucos minutos para seus amigos chegarem a sua casa. Pegou alguns filmes e colocou na mesinha da sala. Virou-se para o mentriser que fixava o olhar no nada e se sentava como um robô.
–Não sei quem você é, ou o que fez hoje mais cedo. Preciso que faça novamente. Meus amigos virão para minha casa e ele precisa estar menos estranho. – falou hesitante, tinha que mostrar um pouco de medo para convencê-lo.
–Quanto tempo senhorita? – ele virou a cabeça para o lado e a olhou curioso.
–O fim de semana todo.
–Sem chance.
–Ele vai viajar com duzentas pessoas, se ele aparecer estranho assim, muito pessoas vão estranhar, além de que, se alguém souber sobre vocês, pode descobrir o que aconteceu com ele.
–Está bem, mas se eu vir qualquer coisa suspeita, eu volto controle total e mato ele e você. Entendeu?
–Entendi.
–Desligando mentriser XT-8. – depois de alguns segundos, seus olhos finalmente de mexeram, sua cicatriz ficou menor e ele a fitou – Sou eu.
–Ainda bem. – ela o abraçou – Isso deve ser horrível. Lá no quarto dos meus pais deve ter alguma roupa do meu pai que te sirva. Tome banho e vista roupas dele.
–Eu já volto – Legrand subiu e voltou dez minutos depois usando sapatos sociais, uma calça jeans cinza e uma camisa xadrez. Não era nenhuma das roupas de seu pai.
–Lindo. Onde conseguiu essa roupa?
–Seu pai calça o mesmo número que eu e tem bom gosto também. Já a camisa e a calça eu tinha deixado na minha bolsa dias atrás.
–Ainda bem, porque eu estava pensando comigo que meu pai é maior que você, as roupas não serviriam.
–Eu percebi. Peguei uma camiseta dele e eu fiquei parecendo um rapper.
A campainha tocou.
–Estou indo! – gritou Meglinay enquanto se levantava e ia em direção à porta e a abria.
–Oi Alex.
–Oi Meg, você conhece a Agatha, não é? – ele perguntou debochado, é claro que ela a conhecia.
–Claro, entre pro... Quero dizer, Agatha. – Meg a viu, tão incrédula com sua beleza e sua presença que se perdeu nas palavras.
–Obrigada. Oi Legrand. –disse a professora sorrindo timidamente e cumprimentando silenciosamente Meglinay.
–Oi – respondeu Legrand.
–Sentem-se. Bia e Diego já devem estar chegando. –disse Meg.
–Diego? – perguntaram os três.
–Sim. O rapaz que está vindo com Bia se chama Diego. Ele estuda na mesmo faculdade que nós, só faz outro curso.
–Nunca o vi antes. –falou Agatha, tentando se livrar do olhar que Alex lhe lançava.
–Ele deve estudar num prédio diferente. –falou Legrand, tentando ajudar a professora, sem sucesso.
Mais uma vez, a campainha tocou.
–Eu atendo. –se levantou Meg, tentando não rir da situação da professora.
Os três se cumprimentaram discretamente e foram se acomodando, Bia e Alex, como sempre, logo começaram com as provocações.
–Você não me ouviu, não é mesmo palhação? –perguntou a um sorridente Alex, enquanto se sentava ao seu lado.
–Nem você me ouviu, cabrita.
–Já disse pra não me chamar assim. –ela deu-lhe um tabefe no braço.
–Já disse pra não me chamar de palhação. –Alexandro falou, dando de ombros.
–Tudo bem, tudo bem, que filme nós vamos assistir? –perguntou Meg, rindo.
–Terror! –Alex falou.
–Ação. –falou Agatha.
–-Ação. –falou Bia.
–Terror. –falou Leg, fazendo um sinal positivo com o polegar para Alex.
–Não assisto muitos outros filmes, então também vou de terror. –falou Diego e Alex estende uma mão para ele, que o mesmo bate como se fossem aliados.
–Então eu acho que vamos de filme de terror. –falou Meg, estendendo as mãos, querendo dizer que no tinha culpa para Bia que a olhava protestando.
Meglinay colocou o DVD para assistirem e se sentou ao lado de Legrand, deu-lhe um beijo na bochecha e se aninhou em seu peito.
–Meg? –sussurrou Legrand.
Oi? – sussurrou Meglinay de volta.
–Obrigado.
–Pelo que?
–Por falar com Juan.
–Não quero que você sofra mais do que eu possa evitar.
Ele levantou seu queixo e a beijou, um beijo calmo, um beijo de agradecimento. Diego e Bia iam dar um selinho, mas Alex interrompeu.
–Bia, pega água pra mim, por favor.
–Vê se não me enche Alex. – ela se virou com a cara fechada, Alexandro riu.
–Está bem, eu mesmo pego. –ele se levantou rindo– Quer alguma coisa Agatha?
–Não, estou bem. –professora já falava mais alto, não tinha mais vergonha, ela e Diego se encaravam, como se quisessem se matar, ou... Ou outra coisa.
–Está bem. –falou Alex olhando curioso de Diego para Agatha, talvez percebendo o que ainda ia acontecer.
O resto do filme foi quase todo repleto de gritos de medo de todos e provocações entre Bia e Alex. Depois do fim do filme, Beatriz falou.
–Está na hora do circuito da verdade.
–O que é isso? –quis saber Agatha.
–É um jogo. –respondeu Beatriz.
–E como funciona?
–Todos nós sentamos no chão formando um circulo, escolhemos um número de 1 a 6 e jogamos dois dados, um vermelho e um azul, o dono do número que sair no dado vermelho pergunta algo para o dono do número que sair no dado azul. –respondeu Leg.
–Normalmente, só serve para o Alexandro e a Beatriz se provocarem. –observou Meglinay.
–Bom, parece interessante, vamos jogar. –disse Diego.
–Sentem-se no tapete, vou pegar os dados.
Meg subiu e procurou em todo o quarto, só os achando debaixo de seu travesseiro branco que cheirava a chocolate, nem queira saber por quê. Voltou e sentou-se entre Bia e Leg.
–Vamos escolher os números? –perguntou.
–Vamos, já estou com os papéis, cada um pega um papel e diz o número.
–Eu sou o número 3. –falou Agatha.
–Eu sou o número 1. –falou Legrand.
–Eu sou o número 2. –falou Meglinay.
–Eu sou o número 6. –falou Diego.
–Eu sou o número 5 –falou Alexandro.
–Então, eu sou o número 4. –terminou Beatriz.
–Vou jogar os dados. –falou Meglinay- Número 1 pergunta para número 3.
–Tem quantos anos e dá aulas na faculdade desde quando?
–Tenho 31 e eu leciono desde os 28 na faculdade, mas em escolas e colégios eu leciono desde os 23. –todos se espantaram.
–Certo agora número 4 pergunta para número 5. Meu Deus salve-se quem puder...
–Credo Meg! Alex, você já vomitou em alguém de tão bêbado?
–Filha da mãe. Sim é verdade, eu tinha 16 anos e nunca tinha bebido tanto, fui beijá-la e acabei vomitando. Feliz? –falou emburrado.
–Você não sabe como! –respondeu, rindo.
–Não avisei? Número 6 pergunta para número 4.
–Qual foi seu maior mico, Bia?
–Odeio como vocês, homens, fazem uma amizade tão rápida. Eu tinha uns 13 anos, eu fui num casamento, era meio gordinha. Minha mãe pôs um vestido 2 números menores em mim. Eu era daminha, estava chegando aos noivos quando minha roupa rasgou todinha. Eu fiquei só de calcinha e sutiã na frente de toda a igreja. Nunca mais fui a nenhum casamento, mas não por opção, nunca mais alguém quis me convidar.
Todos caíram na gargalhada enquanto Bia se escondia atrás de uma almofada, que só cobria seu rosto. Até Agatha gargalhava. Meg recuperou o fôlego e jogou novamente o dado.
–Número 2 pergunta para número 1. –silêncio- Ah, sou eu. Leg, qual a primeira coisa que você faz quando acorda? Não vale dizer que abre os olhos, nem que levanta da cama, nem nada do tipo.
–Eu penso na minha vida, no que está acontecendo e no que vai acontecer no dia. Imagino quem eu vou encontrar e, dependendo de quem será, me pergunto por que eu não posso atear fogo na pessoa, com outras 7 bilhões no mundo. Eu imagino o que pode acontecer de bom ou ruim e se isso vai depender de mim. Resumindo, eu penso.
–Nossa, que complicação. Eu fico imaginando como deve estar a temperatura do chuveiro... – disse Alex.
–Temos que comparar? –perguntou Bia, rindo maliciosamente.
–Não enche!
–Nem comecem. Número 4 pergunta para número 2. Droga!
–Meg, qual é o seu trauma de infância?
–Beatriz Watchouski, eu te mato depois. Está bem, er... Meu trauma de infância foi ver meu pai com roupas... roupas íntimas da minha mãe, não qualquer roupa, lingerie. Eu não quero nem imaginar o que eles estavam fazendo, mas sei que foi o dia que eu mais odiei ter memória fotográfica.
Risadas. Todos riam da história enquanto Meg lançava um olhar amedrontador para Bia que só ria.
–Número 6 pergunta para número 3.
–Qual foi o seu pior dia como professora? –seus olhares se intensificaram mais, realmente só poderiam significar dois extremos totalmente opostos, mais provável que um quisesse matar o outro.
–Bom, eu não gosto de lembrar muito desse dia, sabe? Foi no meu primeiro dia dando aula numa faculdade. Eu era acostumada com crianças de no máximo 14 anos, fáceis de lidar ou controlar. Cheguei à sala e comecei a escrever meu nome no quadro negro. Algumas pessoas cochichavam entre si e eu fiquei uma pilha de nervos, quando vi, já tinha ameaçado contatar os pais de todos ali e eles riam disso. Mandei um garoto parara e ele me mandou voltar pro berçário e ainda me xingou, eu dei um tapa no rosto dele e fiquei afastada por 2 meses.
–Nossa não vou ser eu que vou te irritar. –falou Diego.
–Que perigosa não? Nunca nem vou chegar perto de te tirar do sério. –Alex brincou.
–Eu acho que ouvi alguém mentindo. Você ouviu Alex? –provocou Bia.
–Sabe que não? Você deve ter ouvido demais. – respondeu com sarcasmo.
–Tanto faz vocês dois. Número 1 pergunta para número 4.
–Como aconteceu seu primeiro namoro?
–Isso foi engraçado. Eu tinha 15 anos, achava que amava o menino e estava disposta a namorar ele. Meu pai tinha deixado e minha mãe também, mas o Alex não gostava do garoto. Eu briguei com ele por semanas até o fazer aceitar. Quando tínhamos essa idade nós três prometemos que só namoraríamos quando todos aceitassem, claro que Alex nunca cumpria isso, e Meg já tinha aceitado. Ele deixou e um dia nós estávamos passeando. O garoto se chamava David e ele caiu na besteira de provocar o estressado aqui. Foi tanto soco no rosto do menino que até deu dó. Depois disso fiquei uma semana sem falar com ele, mas o namoro não durou muito, e eu ainda não entendi muito bem como acabou. –olhou para Alex, lhe mandando a indireta.
–Número 4 pergunta para número 6.
–Descreva a mulher perfeita.
–Uma mulher engraçada, que acredita no amor, que me ache o cara mais chato do universo, mas que continue comigo, que goste de conversar, que me ame do mesmo jeito que eu a amo, que seja dinâmica, que seja mais baixa que eu, pra eu poder chama-la de minha pequena, que seja pé no chão, que goste de ler, que saiba falar na hora certa, que beije bem, claro, que precise do meu amor, que queria estar comigo, que tenha um sorriso só pra quando me vê, por que eu com certeza terei um só pra ela, que não diga que me ama, que me chame de idiota ao invés disso, que goste de boa música e que goste de abraço, é claro.
–Que bonitinho. –sussurrou Agatha, mas ele ouviu, mesmo fingindo que não.
–Número 5 pergunta para número 4. Pernas pra que te quero?
–Que engraçada você, Meg. Bia, qual foi a pior coisa que já te fizeram?
–Idiota. A pior coisa que já me fizeram foi quando você pegou detergente branco, jogou no meu cabelo e ficou falando que era você sabe o que. Nós tínhamos 14 anos, mas você sempre foi muito criança pra sua idade.
–Número 5 pergunta para número 3.
–Agora descreva você o homem perfeito.
–Um homem carinhoso, romântico, carismático, chato, imbecil, idiota, brincalhão, que sinta até mesmo nojo da palavra trair, que seja alto, pra quando eu sentir vergonha me esconder nos braços dele, um cara que pensa, um cara que goste de ver filmes e ler livros, que precise de mim assim como eu preciso dele, que me chame de boba quando eu ficar emburrada por alguma coisa, que me ame pelo que eu sou, não pelo que ele vê, que me ame pelos detalhes, que seja imprevisível, que diga que eu sou feia só pra me irritar e quando eu estiver irritada, rir da minha cara e diga que eu sou linda, mesmo eu não sendo, que tenha paixão, que saiba beijar, que goste de todo tipo de música e que no fim do dia se sinta feliz por olhar pro seu lado e me ver lá.
–Não sou nem de longe um cara perfeito pra você, eu não penso e não sou muito de assistir filmes. –brincou Alex.
–Tudo bem, todos estão com a mala pronta? –perguntou Diego.
–Eu ainda não. –respondeu Legrand enquanto todos assentiam com a cabeça.
–Já são 18h30min. Você só tem 3 horas para arrumar tudo cara. –falou Alex.
–Vocês poderiam ir comigo e me ajudar?
–-Claro. –responderam todos, quase em uníssono, Meglinay continuou- Vamos a pé mesmo, são somente dez minutos até a casa dele a partir daqui.
–Então, vamos lá! –falou Agatha se levantando.
Todos saíram e foram andando até a casa de Legrand. Um percurso tranquilo se ignorar as provocações entre Alex e Bia. Chegaram na casa do rapaz e foram entrando pela garagem dizendo que por lá era mais rápido.
–Seus pais estão aqui Leg? –perguntou Alex.
–Não, os dois estão trabalhando.
–Então de quem é esse carro?
–Meu.
–Eu não sabia que você tinha um carro, porque não sai com ele?
–Não sei, acho que quando quero andar com alguma coisa, prefiro a moto.
–Mas é raro nós te vermos de moto também. –observou Bia.
–Eu gosto de andar, nada demais.
Subiram as escadas e terminaram no andar dos quartos, foram direto pro quarto de Legrand e começaram a guardar as roupas.
–Você não cansa de ser insuportável Bia? – perguntou Alex.
–E você, não cansa de ser irritante Alex? –revidou Bia.
–Sem querer ofender, mas pra quando é o casamento de vocês? –perguntou Legrand.
–Casamento? Com o Alex? Eu não! –disse Beatriz.
–Com certeza eu vou casar com ela. É tanto amor que não cabe no peito. –ironizou Alexandro.
–Sabemos, sabemos. –disse Meg rindo.
–Vamos logo, senão nunca terminaremos. –falou Diego rindo junto com Meglinay.
–Alguém tem relógio? –perguntou Agatha.
–Eu tenho. São 18h50min. –respondeu Beatriz.
–Leg, vem cá, quero falar com você. –disse Meg enquanto puxava-o para o corredor.
–O Nipan já chegou?
–Já, faz alguns minutos.
–O que o Juan fez pra você continuar assim?
–Ele ensinou o Nipan a mexer no nível de controle.
–Ótimo. Mas você ainda consegue saber de tudo que acontece lá?
–Consigo.
–Então faça assim. Você descobre o máximo que pode lá e nós descobrimos juntos aqui. Tudo bem?
–Tudo bem. Mas vamos voltar. Devem estar pensando em todos os motivos do mundo para me trazer até aqui, mas nenhum deles é conversar.
Voltaram para o quarto e Meg se envergonhou, como sempre, dos olhares que Alex e Beatriz a lançavam, mas fingiu não se importar. Continuaram a pegar algumas roupas e arrumar a mala de Legrand, sempre com a conversa bem humorada e engraçada de Bia e Alexandro. Assim que terminaram ficaram na sala se divertindo e aproveitando da companhia um do outro. Perto de 21h00min todos se despediram combinando de se encontrarem na entrada do campus da faculdade. Todos muito bem vestidos(Agatha, Alex, Bia, Diego, Leg, Meg).
Depois de algum tempo procurando seus amigos, se encontraram, logo se cumprimentaram e se juntaram aos outros alunos a tempo de ouvir o professor Noah instruí-los.
-Boa noite formandos. Hoje nós vamos viajar! Vamos ter quatro ônibus para nos levar até lá, pois temos duzentos alunos e professores para essa viajem. Cada um de vocês receberá um cartão com seu nome, o número do ônibus, que também será o número do hotel, e o número do quarto. Chegaremos lá daqui mais ou menos uma hora e meia, então vocês terão uma hora para se acomodar antes da primeira festa que é a festa de Iniciação. Dirijam-se em fila até a secretaria da faculdade para pegar seus cartões. Boa viagem.
Rapidamente todas as pessoas foram até a secretaria e pegaram seus cartões. Quinze minutos mais tarde já estavam todos acomodados nos ônibus e então começaram a viagem. Exatamente no horário previsto por Noah todos chegaram no local e já estavam se instalando quando ouviram o alarme de incêndio e uma voz um tanto desesperada.
-Todos para fora dos hotéis, isso não é nem de longe um treinamento. Todos para fora imediatamente.
A correria foi tomando conta de todos os hotéis. Quando todos estavam no gramado alguns monitores os induziram a ir à direção da piscina aquecida e então acontecem. Tinta e mais tinta caindo sobre a cabeça de todos acompanhada por um líquido amarelo, gosmento e mal cheiroso. Uma voz ecoou da mesma forma que antes, dessa vez mais animada e divertida.
-Sejam muito bem vindos a festa de Iniciação. Aproveitem as surpresas da festa, perdoem o susto e se joguem na piscina para tirar o cheiro ruim.
Gritos de alegria, de nojo, de raiva e de euforia surgiram enquanto brincadeiras eram realizadas ao som e muita música alta. Um DJ se revelava no centro do terreno. Meglinay se irritou no começo com o estado de suas roupas e com o cheiro do líquido amarelo, mas logo se animou quando viu Alexandro jogando Beatriz na piscina coberta.
Até professores ali se esqueceram completamente dos alunos e foram se divertir, alguns formandos dançavam, alguns pulavam nas piscinas, alguns beijavam-se e alguns bebiam. Para Meglinay, aquela noite seria praticamente perfeita. Quando finalmente o DJ falou, Meg percebeu que até mesmo esse já estava um pouco alterado pela bebida.
-Vamos desacelerar um pouco o ritmo pessoal. Pegue alguém para dançar.
Todos se juntaram aos pares e Alex começou a tentar conquistar Agatha por causa da aposta com Meglinay, uma tentativa inútil, mas que fez Legrand e Meg rir.
-Depois desse final de semana eles vão tomar meu controle.
-Eu sei, queria que essa semana nunca acabasse.
--Eu te amo. Sabia disso? –perguntou Legrand, abraçando-a por trás de modo acolhedor.
-Eu te amo também. Sabia disso?
-Sabia, não tem como não me amar.
-Besta.
-Tonta.
-Idiota.
-Pirralha.
-Te odeio.
-Bipolar.
-Ainda te odeio.
-Não mais que eu.
-Quer apostar?
-Não, vai ser muita humilhação pra você.
-Palhaço.
-Chata.
-Imbecil.
-Não, você disse errado, sua burra.
-Então como é?
-Imbeseu.
-Viu isso na internet foi?
-Foi.
-Criatividade nível cem.
-Minha.
-Sua.
-Que melaço. Beija logo! –reclamou Diego. Eles riram e se beijaram. –Muito mais rápido e simples.
-Alguns anos 90. –falou o DJ.
-Nossa, o tal do Austin fala viu? –disse Bia.
-Austin? –perguntou Agatha.
-É assim que se chama o DJ pelo que estão dizendo. –disse Meg
-Deixa eu te fazer uma pergunta Agatha. –falou Bia sorrindo para Alex.
-Claro, pode falar.
-Ele ainda não tentou nada com você?
-Hum. Eu, eu não entendi. – a professora corou.
-Eu não sou assim, pode parar. –interveio Alex enquanto Bia ria.
-Quem quer um mix de tudo dê um grito! –disse o DJ, todos gritaram. –Então vamos lá.
-Podemos sair de perto da piscina? –perguntou Bia irritada porque Alex a jogou novamente na piscina.
-Não. –responderam todos rindo dela.
-Que horas são? –perguntou Legrand.
-2h00min. –respondeu Bia, agradecendo por ter um relógio à prova d’água.
-Já? Nem parece que já se passaram duas horas desde aquela chuva de tinta. –falou Agatha.
-Senhorita Fletcher... Quero dizer, Agatha, que-quer danç-çar comigo agora? –perguntou Alex se fazendo de tímido.
-Para de gaguejar que eu vou.
-Vem dançar comigo Agatha? –respondeu, com um sorriso zombeteiro.
-Estou indo. –respondeu entre risos.
Alex se virou para Meg e Bia e piscou.
-Porque ele tem que saber falar tão bem? –soltou Bia irritada.
-É da natureza dele. –concluiu Meg.
Diego começou a cantar e pular no ritmo da música alta.
-Não é assim. –repreendeu Legrand se divertindo.
-Então é como? –perguntou Diego debochado.
-É diferente.
-Que engraçado...
-Vocês discutindo e a música já acabou.
Os dois deram de ombros e Diego voltou a cantar.
-Agora sim, cantou bem. –falou.
-Obrigado. –respondeu cordial.
-Já dançaram? –perguntou Meg espantada com a volta de Alexandro e Agatha.
-Sim, por quê? –perguntou Alex sorrindo.
-Porque só se passaram três músicas.
-Nem percebi. –falou Alex.
-Vou beber. Vem também Diego? –perguntou Bia um pouco irritada.
-Com certeza. –respondeu Diego um pouco irritado também.
Os dois saíram e Meg logo notou o que acontecia.
-Será que está acontecendo o que eu acho que está?
-Acho que sim... –respondeu Leg.
-Porque é estranho nenhum dos quatro ter dado um beijo sequer. Isso realmente não cheira bem.
-É como se fosse uma troca, sabe?
-Exatamente.
Os seis conversavam e se animavam bastante com as músicas e as conversas. Se o resto do final de semana fosse assim, para Meglinay seria perfeito. Os amigos estavam com bastante vontade de se embebedar, pois de dez em dez minutos estavam com um copo novo de vodca na mão.
-Cara, amanhã eu não vou lembrar nada. –falou Diego. Todos concordaram, mas mesmo assim pegaram mais um copo.
-Já que ninguém vai se lembrar de nada, vamos fazer um jogo de segredos? –sugeriu a professora.
-Parece legal. Como é? –perguntou Bia.
-Eu conheço. Cada um conta seu segredo mais tenso. –disse Diego fuzilando novamente Agatha com o olhar e sendo retribuído a altura.
-Eu começo. –falou Beatriz– Eu sou um pouco masoquista. Mas não sou tão ruim, eu gosto de ver a dor dos outros, mas normalmente só de quem também gosta de me ver sofrer.
-Credo cabrita. Agora sou eu. Eu já fui numa parada gay. Eu estava bêbado e também estava pagando uma aposta com um amigo. –disse Alex dando de ombros.
-Minha vez. Eu era viciada em chocolate. Pode parecer até uma brincadeira exagerada falar assim, mas não é. Eu realmente tinha crise de abstinência quando ficava sem comer chocolate por mais de metade de um dia. –disse Agatha.
-Bom, eu gosto de desenho animado daqueles que são para bebês. –disse Diego concentrado no conteúdo do seu copo.
-Que segredos legais. Eu sou filho de pessoas que eu nunca vi na vida. –falou Legrand olhando curioso para Diego.
-E eu sou quase como a Agatha, mas sou viciada em leitura realmente. Não é um segredo muito tenso, mas o de nenhum aqui é. Eu choro mais lendo livros do que em enterros de familiares.
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