Nyckop Life
1 A Descoberta
Notas iniciais
Naquela manhã, as crianças brincavam na rua íngreme e normalmente vazia com uma estranha tranquilidade, num dia melancólico e cinzento, nada prepararia aquele garoto alto, caucasiano, de cabelo castanho e olhos na cor azul piscina, para o que iria acontecer. Legrand Beyond, um rapaz calmo, cauteloso e quieto, andava lentamente pela calçada com a cabeça nas alturas e os olhos no carro que passava.
Nada parecia ter lhe chamado atenção, mas o garoto sabia disfarçar se algo o incomodasse. Um carro preto, esporte, com vidros filmados que estava passando ao seu lado tinha tudo para ser normal, se não fosse pela placa, que naquela região, era padrão ser composta por três letras e quatro números, e naquela estranha placa, tinham seis letras e um número; que eram respectivamente: NYCKOP – 4.
Ele já havia visto esse nome em outro lugar, num corpo na verdade, estava marcado à faca seguida do número sete, mas fora o susto, de ter visto, pela primeira vez, uma pessoa morta, vítima de esfaqueamento, o nome não tinha causado tanto impacto.
Ainda muito pensativo Legrand chega à casa de sua namorada, e desabafa:
-Não sei se estou louco ou não, mas vi novamente aquele nome.
-Onde? Quando? –respondeu Meglinay, sua namorada.
-Na rua, vindo pra cá, passou um carro preto por mim, com uma placa realmente muito estranha. –respondeu ele.
-Eu acho que também vi esse carro. Ele era esporte e o vidro era filmado, a placa era NYCKOP – 4?
-Sim, quando você viu? –perguntou forçando sua voz a parecer calma.
-Faz mais ou menos quinze minutos que passou por aqui. –a garota respondeu.
-Sabe, eu tive uma ideia que eu não sei se é boa ou não, mas que tal nós procurarmos o significado dessa palavra? –propôs Legrand.
-Ok, vamos pesquisar, mas aqui em casa não tem nada pra esse tipo de pesquisa.
-Está bem, eu vou buscar o meu cartão da biblioteca em casa. Volto já.
E Legrand, saindo da casa da garota, foi com o passo apertado pra chegar mais rápido. No caminho ele encontra um senhor, já de idade e barbudo, que o para na rua, nisso ele percebe que o velhinho também é cego, pois alguém havia lhe jogado ácido nos olhos. O homem, desesperado começa a falar baixinho:
-É hora de vocês se reunirem, é hora dos novos se reunirem, é hora dos Nyckops.
-Mas o que são Nyckops? E porque você fala isso pra mim? –ele perguntou, mas já era tarde, pois assim que o estranho terminou de falar, caiu morto na calçada, enquanto caía, dizia: “A garota também sabe”.
Ele correu tanto, e tão rápido pra chegar a sua casa e pegar afoito o cartão, que chegou de volta na casa da namorada na metade do tempo. Quando entrou na casa dela, a encontrou abaixada num pequeno vão entre o sofá e a parede, morrendo de medo. O rapaz que estava sem fôlego por causa da correria, forçou um pouco de ar nos pulmões e sentando-se perto dela, perguntou:
-Amor, o que aconteceu? Está tudo bem?
-Um homem foi até você quando você saiu?
-Como você sabe? -perguntou-se ele em pensamento, mas sua feição o entregara.
-Alguém falou com você? –Meglinay perguntou com o tom um oitavo mais alto na voz.
-Um homem veio e falou comigo, por quê? O que houve?
-Eu saí na rua pra ver se você ainda estava por perto, e uma mulher, já de idade, veio até mim, ela era cega, havia ácido nos seus olhos, ela falou: “É hora de vocês se reunirem, é hora dos novos se reunirem, é hora dos Nyckops”. E quando eu fui perguntar o que significava isso ela caiu morta na rua. Eu voltei pra casa correndo e fiquei aqui.
-Faz quanto tempo que isso aconteceu? –perguntou o rapaz assustado, mas estabilizando a voz, de um modo que a garota não percebesse, e acabasse se assustando mais.
-Exatos sete minutos e quarenta e dois segundos.
-Nossa você contou? –perguntou, impressionado.
-Claro, eu fiquei com medo. –replicou como se fosse algo comum como beber água.
-E como você sabia que eu vi um senhor? –perguntou por fim.
-Enquanto a mulher caía, morta, ela sussurrou, e disse: “O garoto foi informado”.
-Ele me disse algo parecido em relação a você, disse que você também sabia.
-Sabia o que?
-Eu também não entendi na hora, mas agora eu entendo que você também sabia que era hora dos Nyckops.
-Está certo, já que você trouxe o cartão, será que podemos ir agora?
-Podemos e vamos... –respondeu.
Eles foram à biblioteca, procuraram na seção de lendas locais, o nome Nyckop e como era de se esperar, encontraram aproximadamente três livros muito velhos e empoeirados, teriam talvez, vinte anos fáceis, ninguém nunca teve o desejo de ler essa velharia, pensou Meglinay, encontraram nesses livros, algumas lendas que diziam que Nyckops eram pessoas de uma raça diferenciada e extremamente rara, que nasceram de mãe bruxa e pai vampiro, que pra protegê-los da época que não era boa para “aberrações”, os esconderam quase mortos por muito tempo até que fossem adaptáveis e não corressem perigo, pois assim que foram reacordados, por um guardião, que os pais deixaram junto com eles para garantir seu segredo e segurança, foram levados para diferentes institutos de adoção para não serem descobertos.
Entre variações da lenda e possíveis aparições dos tais Nyckops, uma página de um livro velho — Nyckops e outras lendas, TUDO o que você precisa saber sobre - chamou a atenção de ambos: Uma lista de fotos e possíveis nomes dos tais Nyckops. Antes das fotos, havia uma frase especificando que existem dez Nyckops, cinco homens e cinco mulheres, todos hoje teriam entre vinte e vinte e cinco anos.
O casal ficou curioso, pois os dois tinham vinte e um anos. Viram possíveis fotos dos dez e se assustaram com tamanha bizarrice, pois naquelas fotos nada condizia com o natural. Os rostos eram um azul acinzentado, olhos amarelos e vazados, como e um gato, e os dentes vermelhos escuros, de modo que poderiam ter devorado alguém facilmente.
Já os possíveis nomes sim, tinham algum sentido, os 10 nomes eram: Jack Brian, Lilyan Carnilez, Legrand Beyond, Aryana Steven, Elian Martanhan, Meglinay Lerruoy, Alef Aymoré, Krisana Ogimoc, Abiany Neyer e Garic Oaxiap. O nome do guardião de confiança é: Ison Herd.
Terminaram de ler, choque, seus nomes estavam na lista, olharam um para o outro, atordoados, poderiam ficar ali parados por horas de tanto espanto que os acometeu. Foram para a casa de Meglinay novamente, mas nada pronunciaram, tamanho foi o choque, ficaram imóveis por muitos minutos, que mais pareciam horas. Eles não se recuperariam tão cedo. Se não fosse o fato de que alguém bateu na porta.
Foram atender e um homem que tinha não mais que trinta anos, com uma barba rala, média estatura, um pouco musculoso, pele morena, olhos cinzentos e cabelos negros penteados em um topete comum estava parado na frente da casa, com uns óculos desses retangulares nos olhos, e um pedido de entrada, para poder conversar com os dois.
Mas quem é você? –perguntou Meglinay.
Meu nome é Miller Themis. Espero sinceramente que não se assustem, mas devo-lhes informar, que o que vem ocorrendo com os dois nos últimos dias só acontece, para preparação de ambos...
-Preparação para que podemos saber? –perguntou Legrand.
- Vocês viram um corpo com marcas de faca, e nessas marcas estava escrito o nome Nyckop, viram um carro que seria facilmente do alto estado e viram também um homem e uma mulher, ambos cegos e com ácido nos olhos, caindo mortos somente para dizer que é hora de vocês se reunirem, viram sua história na biblioteca e estão me vendo nesse exato momento, a preparação de vocês acaba de ser concluída. Vocês até mesmo sabem quem eu sou sem mesmo eu falar.
-Não sabemos quem você é. –disse Meglinay.
-Só sabemos que não é quem diz ser. –continuou Legrand.
-Se eu dissesse meu nome logo na entrada, não me deixariam entrar, nem falar com vocês. – justificou-se.
-Então quem é você? –perguntou Meglinay.
-Sou Ison Herd, seu guardião.
O pasmo deles voltou à tona, agora mais forte, pois estavam na presença de um homem que tinha talvez mais de mil anos, segundo as lendas, parecia que o tempo tinha se congelado e os dois haviam virado estátuas, mas Ison não se importou com isso e continuou a falar:
-Podem me perguntar o que for, mas a partir do momento que sair por aquela porta, os dois só me verão novamente no momento que o último casal estiver pronto.
-Casal? Como assim casal? –perguntou Legrand, superando com a curiosidade todo o choque do momento.
-Vocês nasceram na ordem de menino e menina, e como sua mãe se preocupava se vocês teriam alguma companhia, traçou o destino de todos, por isso, na ordem de nascimento, vai um se apaixonando pelo outro, eles se atraem, o 1° e a 2ª, o 3° e a 4ª, o 5° e a 6ª, vocês que são o 7° e a 8ª, e os que eu estou em fase de preparação, o 9° e a 10ª.
Então, por decisão da “nossa” mãe, a qual eu nem sei o nome, eu supostamente sou obrigada a estar “apaixonada” por ele, é isso que você está tentando me dizer? –ironizou Meglinay.
-Seus pais assim decidiram, para ter a certeza que nunca estariam sozinhos, nunca terem dificuldades em que teriam que passar sozinhos, e coisas mais.
-Que coisas mais? – perguntou Legrand.
-Ah, você conhece os pais, não querem seus filhos corram perigo, por mais medíocre que seja, então, um na companhia do outro poderia ser menos perigoso que todos sozinhos e à esmo.
-Tá chega de conversa, quando veremos os outros? –interrompeu Meglinay já um pouco irritada e ansiosa.
-Breve, agora não tenho mais tempo aqui, finalmente o último casal descobriu, o encontro de vocês será mais rápido do que planejei. Ah, e antes de qualquer coisa, aquelas pessoas, o homem morto, o homem e a mulher com ácido nos olhos, morrendo na calçada, até mesmo o carro do alto estado, foram todos ilusões criada por Wikax’es, depois explico quem são eles e todas as outras coisas de que precisam saber. Tenho que ir, até breve. –discursou o guardião.
-O que são Wikax’es, e o que mais precis... – começou Legrand, mas não pôde terminar, pois o tal guardião sumiu num vulto negro.
-O que será que são Wikax’es? –perguntou Legrand para Meglinay.
-Também não tenho a mínima ideia. –respondeu ela.
-Vou pra casa, ficou tarde. – disse ele.
-Está bem, só toma cuidado pra não sair contando pro seus pais o que aconteceu, viu? –observou a garota.
-Está bem. Tchau.
Ele deu um beijo discreto na bochecha dela, e foi para sua casa. Chegando lá ele parecia o mesmo garoto com a cabeça nas nuvens de sempre, só um pouco mais pálido. Sua mãe, Julliane, vendo-lhe chegar, o interroga:
-Você sabe que horas são garoto?
-São oito e quarenta e sete mãe. –responde Legrand com um ar de desânimo.
-Isso é hora de chegar da casa de uma menina?
-Não mãe, eu só não vi a hora passar, ficamos conversando a tarde toda. –respondeu Legrand, sabendo que as acusações que sua mãe queria impor eram injustas, mas sem nenhuma energia ou vontade para debatê-las.
-Sei, e porque não ligou pelo menos pros seus pais avisando que ia demorar duas horas pra chegar? –perguntou Julliane, um pouco desconfiada com a falta de resistência do filho.
-Uma hora e quarenta e sete minutos.
-Tanto faz, seu pai estava te procurando...
-Fala véio! –gritou Legrand.
-Oh moleque, onde você estava, estava tentando ligar o seu videogame pra jogar e não conseguia. –disse Carlos, seu pai.
-Ai pai, quantas vezes eu tenho que te dizer pra ligar o plug no benjamim? –perguntou.
-Está certo, chega de nhê-nhê-nhê, liga logo e vamos jogar.
O garoto tentou se distrair jogando um pouco de videogame com o pai, mas não conseguia, jogou até meia-noite e quinze com seu pai, e foi dormir.
No dia seguinte acordou assustado com um sonho que teve, sonhou que andava na areia da praia com uma camiseta social branca e calça jeans preta, dobrada até o joelho, com o tênis na não e com os pés na água, andava tranquilamente, até avistar duas pilhas de corpos, em uma tinham seus amigos da escola, seu pai, seus tios e primos, e na outra, sua namorada, sua mãe, suas tias e primas, amigas, professoras preferidas o seu guardião; e na frente dessas duas pilhas de corpos, tinham dez frascos e um guarda, que lhe dizia:
-Vê essas duas pilhas?
-Vejo. –respondeu, mas parecia que sua voz não era exatamente dele, parecia mais de um urso.
-Só poderá salvar uma pilha de pessoas, e só poderá salvar se pegar esses dez frascos que estão ai na frente, quebrá-los, e o que sair deles, você usar como objeto de tortura própria.
-Mas eu não posso escolher quem salvar. Eles são todos parte de mim, não posso escolher simplesmente quem vive quem morre.
-Não me interessa você ou escolhe uma pilha, ou os vê morrer, e então é morto.
E então, ele pegou uma pequena faca de seu bolso, jogou-a na direção do homem, mas ele é mais rápido e desvia da tal, conseguindo pegá-la no ar e jogar de volta em Legrand, então, quando a faquinha afiadíssima chega a um metro de distância, ele acorda e, atordoado, se veste para ir à faculdade.
Chegando lá, encontrou Meglinay, sentada, calma, lendo um livro com a figura de um garoto com cicatriz na testa, segurando uma varinha, ao lado de um senhor de longos cabelos brancos olhando para um tipo de pedestal, seu livro favorito, parecia que nada tinha acontecido a ela.
-Oi. -ela lhe disse com muita calma.
-Oi.
-Tudo bem com você?
-O que você acha? Depois do que ouve ainda tive um pesadelo horrível.
-Que pesadelo? –perguntou Meglinay se mostrando curiosa.
-Prefiro não falar sobre isso, Meg. –respondeu.
-Tudo bem então. Não pergunto mais. –respondeu Meglinay rindo.
-A aula já começou, vamos...
-Vamos criança, deixa de preocupação. Fique alegre, afinal, olha que dia lindo é hoje. Tente se lembrar de que dia é hoje, não é bom? –respondeu Meglinay ainda rindo.
-Desce do seu mundinho garota, pelo menos uma vez, não é possível ficar feliz hoje, ou você é retardada o suficiente pra não se lembrar de ontem? Qual é? Eu quero ficar no meu canto, não quero papo, não me importa que o dia esteja bonito, e nem quero saber o motivo disso também. Só me deixa em paz, e fica longe de mim com essa alegria toda. –berrou um agora ríspido e irreconhecível Legrand.
Meglinay não podia acreditar no que acabara de ouvir, ele saiu em direção à sala de aula, pisando firme e pressionando tão firmemente os dentes, que se tivesse mais força, talvez os quebrasse. Ela foi para sua casa, realmente abatida, pois não aguentaria olhar para ele dentro daquela sala. Assim que chegou, foi para o quarto e tentou descansar mais um pouco, tentar esquecer aquele momento tão inesperado, “Desce do seu mundinho garota, pelo menos uma vez, não é possível ficar feliz hoje, ou você é retardada o suficiente pra não se lembrar de ontem?”, não parava de pensar em tal frase, portanto, não conseguiu pregar os olhos nem por um minuto.
Ficou nesse impasse durante duas horas, até que seu pai, Luan, e sua mãe, Vanessa, chegaram em casa.
Vanessa, sua mãe, entrou no quarto e, vendo Meg deitada, perguntou:
-Filha, o que aconteceu que você não foi à faculdade hoje?
-Eu estava cansada demais para ir mãe. Não tinha a menor condição. –mentiu Meglinay.
Luan, por sua vez, entrando também no quarto brincou:
-Não tem nada a ver com o fato do seu namoradinho ter ficado até mais tarde ontem né?
-PAI! –exclamou Meg, corando.
-Já entendi, não pergunto mais. –disse Luan rindo e beijando a mão, simulando beijos entre a filha e Legrand.
-Obrigada. –disse Meg, queimando de vergonha, mas tentando não mostrar certa raiva que a atingira em cheio no momento.
-Certo, certo, se ela está cansada, é melhor a deixarmos dormir mais. –disse Vanessa tentando segurar o riso, em virtude da piadinha solta pelo marido.
Quando seus pais foram embora, que ela ouviu o barulho da porta da frente, de um salto ela pulou da cama, se trocou novamente e ia saindo, quando viu que Legrand havia deixado o cartão da biblioteca em sua casa. Ele devia tê-lo deixado lá por causa do choque, devia ter se esquecido de levar. O que ela faria? Não queria falar com ele, mas também não queria que ele fosse a sua casa para busca-lo, que certamente ele faria se desse falta do mesmo, novamente.
Resolveu então que entregaria para os pais dele, antes que ele chagasse à sua casa, para evitar trocar uma frase que seja com ele. Saiu de casa apressada, pois faltavam somente trinta minutos antes do rapaz voltar para casa.
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