Nuvens
2 O Tempo, As Nuvens
Notas iniciais
Estou parada em frente ao computador, com as mãos sobre o teclado. Faz duas horas que estou assim. Vez ou outra, escrevo, apago e escrevo novamente, sem um objetivo claro. O prazo está se esgotando. Desvio a atenção da tela e olho para fora, para a araucária balançando ao vento e as nuvens se movendo lentamente. Bem, lentamente para mim... Eu sei que é por causa da distância, mas gosto de pensar que o tempo passa diferente para elas. Talvez, se fossem vivas, olhassem para o chão e pensassem que o tempo passa diferente para nós também.
Logo volto ao computador. Vários parágrafos aleatórios aparecem na página do Word. Olho para o horário na tela e ouço os ponteiros do relógio sobre a escrivaninha se moverem. Tic-tac, tic-tac. Menos de uma hora. Tic-tac. Nada. Somente pensamentos esparsos, fadados ao esquecimento por serem pessoais demais para serem postados, mas insignificantes demais para ganharem um espaço no pen-drive. Então de que adianta escrevê-los? O que eu vou fazer além de perder meu precioso tempo? Exatamente: Nada. Nada, nada, nada! Tic-tac.
“Escreva o tempo em mim”, sinto como se dissesse o Word. “Tic-tac, meia hora, tic-tac”, o relógio parece gritar. Dividida entre os dois, novamente recorro ao mundo exterior, bem longe da tela do meu computador e dos curtos minutos que tenho para escrever. Se as nuvens fossem vivas e o tempo também, será que eles andariam lado a lado no céu? O que eles diriam um para o outro? “Olá, Tempo, como o senhor passa lá embaixo?”, diriam as nuvens; “Assim como passo aqui em cima.”, responderia o Tempo.
As palavras na tela se misturam aos meus pensamentos, se embaralhando com as letras das músicas tocando no Spotify. Tic-tac, tic-tac. 10 minutos. “Tempo, tempo, tempo, tempo”.
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