Nunca Mais Sem Você

19 Amor, ódio e desespero


Notas iniciais
Oi, pessoas!
Ai vai mais um capítulo. Ressalto que as mãos da autora estão tremendo (tô com dificuldade de digitar) depois de escrevê-lo.
Boa leitura a todos. u.u

Aquela foi a primeira vez que pudemos ficar juntos sem nos preocuparmos com algo que estivesse por vir. Podíamos dedicar nossa total atenção um ao outro. Ele me fez carinho e eu logo adormeci com um sorriso no rosto, um suspiro de felicidade e o abracei mais forte. Dormimos juntos pela primeira vez, depois de treze anos... Por Atena, tanto tempo eu sonhei com essa noite... Estava tão feliz...

Acordei algumas vezes com medo que ele não estivesse mais ali e tudo não passasse de mais um dos meus muitos sonhos... Mas não... Lá estava ele, ressonando e profundamente adormecido em meus braços. Ahh, tão lindo... Não resisti... Acariciei seu rosto com o meu e o cheirei... O perfume de sua pele era o mesmo de sempre, mais forte e mais marcante agora, depois de adulto. Beijei de leve seu pescoço...

Ele suspirou e sorriu... Até hoje não sei se o acordei o se eu o estava fazendo sonhar. Fiquei acordado, meio hipnotizado por aquela visão divina... Depois, voltei a abraça-lo, impedindo que pensamentos e o medo do que estava por vir nessa nova vida tomassem a minha mente pensando nele... E adormeci de vez.

Acordei com um susto. Ele não estava mais comigo na cama... Ergui meu tronco rapidamente e o procurei com meu cosmo, sorrindo aliviado em senti-lo por perto...

A porta do quarto se abriu e meu sorriso se completou.

– Bom dia! – disse ele com um sorriso lindo. Carregava uma bandeja com um monte de coisas gostosas.

– Bom dia, meu anjo... – respondi e me levantei. Fui até ele de braços abertos. Ele deixou a bandeja em cima da cama e fez o mesmo. Nos abraçamos demoradamente e nos beijamos.

Ahh, só ele mesmo para me mimar desse jeito e me trazer café na cama... Comi a beça, tava com uma fome enorme. Depois, eu o agarrei do nada, o joguei no chão e caí por cima dele. Ele me fez cócegas (KKKKK! Sinto muitas!)! Comecei a gargalhar e me descuidei. Ele saiu, rindo e me olhando divertido e desafiador, mas era tudo brincadeira. Era mais uma maneira que temos de extravasar nossa infinita alegria de estarmos juntos...

Eu me sentia leve e... Livre. Sorria o tempo todo, suspirava feliz... Meu coração batia acelerado, e cada uma das batidas aumentava minha sensação de plenitude e satisfação sem fim... Pra mim, cada momento com ele era como o Paraíso... Elíseos? Não... Só me basta o Camus...

Levantei devagar e o olhei profundamente... Fui até ele e levei a mão ao seu rosto. Ele fechou os olhos e eu o acariciei. Desci a mão e segurei as dele...

“Fica comigo...”

Ele abriu os olhos e me encarou com aquele olhar que tanto me afeta.

“... Pra sempre.”

O abracei... Ficamos assim por uns minutos.

“Cavaleiros de Ouro, eu os convoco para nossa primeira União Dourada dessa nova Era. Por favor, compareçam ao Salão Dourado.”

“União Dourada? Pra que?”

Ele me beijou e se afastou carinhosamente. Me olhou e disse:

– Também não faço ideia. – beijou minha mão – Vem comigo... – e me levou até o banheiro.

– Só se você me mimar mais... – falei, já pedindo carinho.

Me pegou no colo e nos levou ao chuveiro. A água morna caiu sobre nossos corpos...

– Assim?... – disse ele no meu ouvido, enquanto massageava o meu corpo com aquele sabonete líquido amadeirado...

Lembranças daquela noite em que o vi chorar intensamente pela primeira e única vez se passaram na minha mente. Fechei os olhos para sentir seu carinho ao máximo... Minha alma estava em êxtase... Nos beijávamos e nos sentámos deliciosamente...

Quando saímos do chuveiro, ele foi até o armário e me deu uma toalha. Quando a peguei, estremeci... Mais lembranças terríveis... De eu pegando uma toalha semelhante e indo desesperado até o quarto para enxugar seu corpo... Olhei para ela, ofeguei e comecei a chorar... Essas doíam demais...

Ele se aproximou e pegou minha mão que segurava a toalha. O encarei com os olhos cheios de lágrimas... Ele levou minha mão até seu peito nu... Senti as batidas aceleradas de seu coração...

“Por que não me mima também?”

Fechou os olhos e sorriu, se entregando... Ofeguei sem conter um sorriso e chorar mais... Comecei a acariciar e enxugar seu peito, braços, costas, rosto, cabelos... E chorava de alívio, enquanto as lembranças tão doloridas iam se esvaindo... Me ajoelhei e desci para a cintura, coxas, pernas... O abracei forte e descansei minha cabeça em sua barriga. As lágrimas já não mais caiam e eu sorria.

Ele me curava e aliviava toda a dor que restava do passado... Pegou a toalha e secou meus cabelos com um cafuné... Tristeza, já disse que você não possui a menor chance... Camus está comigo... Afasta tudo de ruim que possa me acontecer...

Ele me secou também, me enchendo de carinho e beijos. Eu suspirava a cada toque seu... O agarrei e fomos andando juntos de volta para o quarto. Nos penteamos, vestimos e colocamos nossas armaduras.

– Vamos? – perguntou ele, me olhando com aqueles olhos lindos...

– Sim, vamos... – falei, cada vez mais apaixonado...

E fomos subindo juntos pela escada que levava à Casa de Peixes. Só não andávamos de mãos dadas por respeito à Atena e ao Santuário. Por mais que Ela seja uma Deusa que defenda o amor, achamos que não seria certo. Sabíamos muito bem separar as coisas.

Ao chegarmos à Décima Segunda Casa...

– Dite! – chamei.

Um Afrodite meio sonolento saiu dos aposentos da Casa, penteando os cabelos com a mão.

– Oi... – disse ele, bocejando.

– Iiihhh... Acabamos com o sono de beleza. – zoou Camus. Ri. Era muito engraçado quando ele deixava seu tom sério e frio de lado pra zoar. Hehehehehe.

– Hahahaha! Pô, nem me fala... Fazer o que? Tem que ir lá em cima mesmo... – disse Dite – Perai... Vamos subir com vocês. – e se virou para a porta que levava aos cômodos – Amoooooooooorrr! O Camus e o Milo tão aqui! Vamos logo!

Uma voz e um cosmo resmunguentos saíram de lá.

– Já vou! – disse Máscara da Morte, como sempre, pu#@.

Ele saiu de lá e deu um sorriso sarcástico ao nos ver.

– Olha só! O picolé de cianeto*! – zoou ele.

Todos rimos.

– Olha só! O Sebastião e o Linguado**! – disse Camus, imitando MdM.

Pfffffffff...!! KKKKKKKKK! Rimos mais, menos Dite.

– Ahhh, Linguado? – fez uma cara de decepção.

Camus sorriu.

– Tá, então... – já comecei a rir, prevendo o que ele ia dizer – O Sebastião e a Ariel**.

Dite deu um sorrisão.

– Agora eu gostei. – disse ele – Ela é muito bonita u.u.

Rimos mais enquanto subíamos até a Sala do Mestre. Quando chegamos, nos contivemos e entramos em silêncio, caminhando até o Salão Dourado. Ao entrarmos, vimos Mu, Shaka, Aiolia, Aiolos, Kanon, Aldebaran, Dohko. Shura entrou logo depois de nós.

Assumimos nossas posições nas duas fileiras. A da esquerda continha os Guardiões das Casas pares, dos Signos de Terra e Água, do fundo para a porta: Aldebaran, Máscara da Morte, Shaka, eu, Shura e Afrodite. A da direita continha os das Casas Ímpares, dos Signos de Ar e Fogo: Mu, Kanon, Aiolia, Dohko, Aiolos e Camus. Todos nos olhamos, admirados e contentes de termos as duas completas. Sempre estiveram tão desiguais... Hehehe.

Saga estava sentado no Trono do Mestre. Mas parecia... Triste? Shion apareceu, nos reverenciou e se sentou ao lado de Saga. Olhei para Camus...

“Olha a cara do Saga...”

“Parece perturbado.”

“Será que está nervoso por causa de Shion?”

“Hum... Pode ser. Deve estar se sentindo pressionado.”

Ouvimos passos. Todos olharam para a porta que acabava de se abrir. Os cinco Cavaleiros de Bronze entraram, se ajoelharam perante o Mestre e se puseram num canto perto do Trono. Todos sorriram ao vê-los, mas achei estranho. Não era uma União Dourada? Reconheço que esses moleques estão no mesmo nível, ou até maior que no nosso, mas era muito... Sei lá. As Uniões Douradas eram reservadas somente aos Cavaleiros de Ouro e ao Mestre. Por que eles estavam lá?

Saga se levantou e disse:

– Cavaleiros, eu agradeço a vossa presença em nome de Atena. – disse ele, com a voz um pouco trêmula – Nossa Deusa partiu hoje pela manhã para o Japão por motivos urgentes e não pode presenciar essa União como gostaria. – fez uma pausa – Bem, meus companheiros e amigos, estamos de volta ao Santuário, que se reergue de mais uma Guerra Santa. Mesmo depois de nossa morte, o destino nos trouxe de volta a nossa vida como Cavaleiros de Atena.

Tristeza... Meu coração pulou com uma pontada de dor. Olhei para Camus. Ele evitava o meu olhar. Senti seu cosmo se escurecer de... Medo?

“Camus...”

“Hum?...”

“O que foi? O que está sentindo?”

“N-não é nada... Eu estou bem.”

“Não mente... Olha pra mim.”

Ele não conseguia... Me mexi, querendo ir até ele. Mas os olhares de Shaka e Shura me advertiram. Senti que ele se recompôs, mas não... Ele já não pode me esconder mais nada. Não funciona mais comigo essa muralha de gelo que usa para suprimir seus sentimentos...

– O motivo dessa União: Cavaleiros, o destino nos mostra claramente que nosso dever para com a Deusa e o Santuário continua nessa nova vida. – disse Saga – Logo, devemos voltar a cumpri-lo. – ele pegou um pergaminho e o abriu – Eis seus destinos e deveres, por hora... – começou a ler – Mu de Áries irá voltar para Jamiel. Há muitas armaduras de Bronze e Prata que necessitam de sua atenção, além de seu discípulo, Kiki. Mu, você partirá essa noite.

Mu olhou tristemente para Shaka (é, eu sempre suspeitei do amor tão discreto desses dois) e assentiu com a cabeça.

– Aldebaran de Touro, há uma missão a ser cumprida no México. Shun de Andrômeda o acompanhará. Por favor, ambos permaneçam no Salão após o término da União.

Deba assentiu, sempre divertido, e fez um sinal para Shun, que retribuiu meio sem jeito.

– Kanon de Gêmeos permanecerá no Santuário para manter a segurança do solo sagrado de nossa Deusa. Kanon?

Kanon olhou para o irmão.

– Seiya de Pégaso – olhou para Seiya, que sorriu animado – tem um pedido a lhe fazer. Passo a palavra a ele.

Seiya deu um passo à frente e disse:

– Kanon, eu posso treinar com você por um tempo?

O Cavaleiro de Gêmeos parecia surpreso. Olhou e sorriu para Seiya.

– Claro que pode. – disse ele, perecendo contente.

– Muito obrigado, Kanon. – disse Seiya, e voltou para seu lugar.

– Continuando, – disse Saga – Máscara da Morte de Câncer, há uma missão a ser cumprida na China. Shiryu de Dragão o acompanhará. Peço que os dois também permaneçam no Salão após o término da União.

MdM olhou para Shiryu, que lhe deu um meio sorriso forçado. Os dois ainda deviam ter muitas contas a acertar depois da Batalha das Doze Casas.

– Aiolia de Leão também permanecerá no Santuário para manter a segurança do solo sagrado de Atena.

Aiolia assentiu, parecendo satisfeito.

– Shaka de Virgem regressará a Índia para uma missão muito urgente. Ikki de Fênix será seu aliado. Por favor, ambos permaneçam no Salão após o término da União.

Shaka olhou para Mu, que franziu a testa enciumado, e depois para Ikki, que assentiu friamente.

Aquilo tudo me fazia suar frio... Eu temia aquela União desde o meu primeiro suspiro dessa nova vida...

– Dohko de Libra e Milo de Escorpião também permanecerão no Santuário para manter a segurança do solo sagrado de Atena.

Tremi... O que?... Não... Vão me manter preso aqui no Santuário?! Suspirei, sem assentir. Mais do que a revolta, o medo aumentou desproporcionalmente em minha alma e escureceu o meu cosmo.

No livro sagrado dos Mandamentos do Santuário, na sessão dos Atos dos Dourados, que nos eram ensinados desde crianças, diziam que as missões dos Cavaleiros de Ouro contra o mal pelo mundo e a formação de novos Cavaleiros por aqueles que ostentavam o título de mestre seriam sempre prioridade, com a exceção de algum ataque ao solo sagrado de Atena, que exige a presença e o posicionamento de todos os Cavaleiros de Ouro em suas Casas. Apesar disso, o Santuário necessitava da presença de quatro Cavaleiros de Ouro para manter sua segurança até que a volta de todos os outros oito fosse necessária. Esses quatro somente poderiam realizar missões de, no máximo, algumas horas de duração.

Foi esse o caso da Batalha das Doze Casas. Naquela época, estavam presentes no Santuário eu, Aiolia, Saga (por mais que disfarçasse, era um Cavaleiro de Ouro e não enganava os Mandamentos, só a nós mesmo ¬¬) e Aldebaran. Mu, Máscara da Morte, Shaka, Shura, Camus e Afrodite regressaram de suas missões devido ao estado de emergência.

Minha mente se encheu de pensamentos desesperados e desordenados... Já... Éramos quatro a ficar no Santuário... Então...

Meu coração explodiu de dor... Levei a mão ao meu peito, tentando disfarçar...

“Maldita seja... Essa vida nova... Que ficássemos... Mortos!...”

Ergui minha cabeça devagar e olhei para ele, que me encarou... Seus olhos mesclavam uma tristeza profunda e preocupação, já sentindo o que eu passava...

– Aiolos de Sagitário e Shura de Capricórnio tem uma missão a cumprir nos arredores do Egito. Por favor, os dois permaneçam no Salão após o termino da União.

Eu já não prestava mais atenção em ninguém. Só nele... Minha última esperança é que fosse só uma missão rápida...

– Camus de Aquário regressará à Sibéria para se dedicar ao treinamento de seu discípulo, Jacob***. Hyoga de Cisne o acompanhará. Camus, vocês partirão em duas horas. Era o último vôo de hoje para Vladvostok. Por favor, apressem-se.

“Não... Ahhh, nããããooo... NÃO!”

Q-quem era... Esse moleque?... N-não era só... Uma missão... Meu cosmo enegreceu totalmente e meus olhos arderam e devem ter ficado avermelhados...

“QUANTOS ANOS MAIS VOCÊ VAI FICAR AFASTADO NAQUELE MALDITO LUGAR??!!”

Eu estava terrivelmente desesperado... Com muita dor no peito e no espírito... Morto de ciúmes e me sentindo traído...

“Milo...”

“QUEM É ESSE GAROTO? POR QUE NÃO ME FALOU QUE TINHA MAIS UM?!!!”

Por que?... Por que ele não me contou que teria que partir de novo?... Para treinar mais um moleque... Por mais sei lá quantos ANOS...

“Eu...”

Eu nem o deixava terminar. Parecia possuído... Não raciocinava...

“VAI TREINAR MAIS UM PRA TE MATAR?!!! AINDA VAI LEVAR SEU ASSASSINO JUNTO??!!!”

“...”

– Afrodite de Peixes (palavras restantes inaudíveis...)

Todos aqueles sentimentos juntos me tornaram agressivo e irracional... Eu sentia meu cosmo queimar a minha pele de tão quente como o inferno...

“MUITO BEM! TOMARA QUE VOCÊ E SEUS QUERIDOS DISCÍPULOS SEJAM MUUUITO FELIZES!!”

Fui sarcástico, tratando-o mais do que mal... Como nunca imaginei.

“P-Por que está...”

“CALE-SE! NÃO QUERO MAIS ESCUTAR A SUA VOZ!”

Ele abaixou os olhos e suspirou de tristeza. Eu sentia seu cosmo e alma em pedaços... Se ele tinha se desesperado e se entristecido profundamente com nossa nova futura e inevitável despedida, eu tinha acabado de feri-lo de morte... Mas não parei.

“EU NÃO AGUENTO MAIS!! MALDIÇÃO! É SEMPRE POR SUA CAUSA QUE EU SOFRO!! MALDITO SEJA!! FORAM TREZE ANOS TE ESPERANDO! MAS NUNCA... NUNCA PODEMOS FICAR JUNTOS NESSA VIDA DESGRAÇADA! É MELHOR QUE VOCÊ SUMA DELA DE VEZ E ME DEIXE EM PAZ!”

– (palavras inaudíveis de novo...). Permissão concedida para que se retirem os que irão ficar no Santuário e os que irão partir hoje.

Eu não conseguia me mover. Meu corpo estava rígido e imóvel... Minha respiração acelerada e meu coração com dificuldades sérias em continuar a bater... Muita dor... Muita...

– Milo?

Olhei rapidamente para onde fui chamado.

– Você está bem? – disse Shion, vindo na minha direção.

Não respondi. Estava com extremo ódio de Shion e Saga. De tudo... De todos... Meu coração desfalecia...

O encarei, meus olhos ainda vidrados e vermelhos.

– Milo, por Atena... O que há com você? – disse o antigo Mestre, nervoso e preocupado.

Tum-tum... Tum.................

– Argh! – arfei de dor, meus olhos, boca e nariz expeliram sangue vivo e muito quente.

– Por Atena!!

“Milo, por favor, não... Milo!”

Tum...

“MILOOOOOOOOOO!!!!”

Tum... Tum... Tum... Tum-tum... Tum-tum... Tum-tum... Tum-tum...

Engoli seco. Um gosto forte de sangue... Passei a mão brutalmente pelo meu rosto para limpa-lo e respinguei o chão de pedra de vermelho. Minha visão estava turva, mas percebi que todos os presentes no Salão me olhavam. A dor no peito estava mais forte que nunca... Shion se aproximou mais e esticou a mão para coloca-la em meu ombro, mas me virei bruscamente e fui em direção à porta, batendo-a com força quando saí.

Quando tomei consciência, estava na entrada da Décima Primeira Casa. Entrei e ouvi somente meus passos ecoarem pelo saguão de entrada. Ele já devia ter partido... Sem me dizer uma palavra. Também, depois de como eu o havia tratado...

Fechei os olhos e cerrei os punhos. De novo eu o havia magoado... Dessa vez, da maneira mais cruel possível... Fiz de novo. Como pude? Ele não teve a menor culpa de ter sido enviado pra longe mais uma vez... Mas... Por que não me contou sobre aquele Jacob?! Por que o Hyoga foi com ele?

“POR QUE?! POR QUE NÃO EU?!”

Eu sabia que ele podia escutar. Não pode mais bloquear nada que venha de mim... Nossa ligação ficou ainda mais forte depois que nossas almas se uniram e se tornaram quase uma antes de revivermos.

O desespero aumentou demais... Ele... Realmente tinha ido embora... Sem previsão de volta... De novo. Não... Por que tinha que se repetir?... Devia me odiar agora... E estar pensando em como se livrar de mim de uma vez por todas... Eu sempre devo ter sido um peso imenso em sua vida. O arrependimento já me rasgava por dentro desde que eu lhe gritei a última palavra... Nada...

“NADA DAQUILO ERA VERDADE! Você sabe disso...”

Sem resposta. Sim, eu tinha dito que não queria mais ouvi-lo...

“Por favor... Fala... Comigo...”

Meu coração ia parar novamente... Caí de joelhos e apoiei as mãos no chão.

– Ei!

Olhei para frente e arregalei os olhos de espanto quando vi quem me chamava. Mas... O que era aquilo???! Ele se apoiava na parede, pondo um pé nela, e mantinha os braços cruzados. Me encarava com um sorriso estranhamente familiar. Tinha a minha altura e aparentava ter... A minha idade. Parecia muito... Comigo?! Vestia... A MINHA ARMADURA? Mas o que?!!...

Ele pôs a mão sobre o peito.

– Dói muito, não é?

Franzi a testa e o encarei. Como ele sabia?

– Q-quem é você?

– Você.

– Como?!

– Ou melhor. – disse ele, abaixando a mão – Quem você foi.

Me levantei com dificuldade, sem deixar de encará-lo. Como assim?! Quem eu fui?! Aquilo só podia ser algum truque ou uma ilusão. Poderia ser um inimigo! Armei minha unha escarlate.

– Pfffff! Hahahaha! – riu ele, meio debochado – Você acha mesmo que pode me atingir com ela?

– E por que eu não poderia?! – disse eu, irritado e com muita dor.

– Ahhh... Não lhe devo explicações, Milo de Escorpião. – disse ele, se desencostando da parede e apontando... QUE?! Sua unha escarlate para mim – Seu... Imbecil!

– Mas como você?!...

Passos em nossa direção.

– Kardia...

Ambos nos viramos para olhar quem se aproximava. Dei um passo pra trás e ofeguei... Não. Não podia ser! O homem que caminhava lentamente em nossa direção... Trajava a Armadura de Aquário... Minha visão ficou turva e eu caí... Não era, por muito pouco, igual ao...

- Camus...

Notas finais
*Cianeto: veneno fortíssimo.
**Sebastião, Linguado e Ariel: personagens do longa da Disney A Pequena Sereia.
***Jacob: pra quem não se lembra dele, ver anime CDZ ep.3: Cisne, o guerreiro do gelo/ Ou ler o mangá solo do Hyoga dos Guerreiros Azuis.

u.u Bye.