Notas iniciais
Sem dúvida, o capítulo mais difícil de escrever. Boa leitura a todos.

– Mestre? – era Daros vindo para onde estávamos.

Olhei para Camus e rimos juntos. Corremos para o quarto na velocidade da luz feito duas crianças que estavam fazendo arte escondido. Tranquei a porta quando chegamos e o empurrei para o chuveiro. Ficamos nos beijando e nos curtindo enquanto a água quente caía sobre nossos corpos. Tão bom tomar aquele banho gostoso com ele depois daquele amor...

Paramos subitamente ao sentir um cosmo poderoso desaparecer violentamente do Santuário. Nos olhamos com a mesma expressão: espantados e incrédulos.

– Você sentiu isso? – perguntei, sem necessidade de confirmar.

– O cosmo de Máscara da Morte... – disse ele, com a voz firme, apesar de nervoso -... Desapareceu...

– Ele foi derrotado? – falei, indignado – Um Cavaleiro de Ouro morreu pelas mãos de um Bronze?

Ele desviou o olhar e suspirou.

– Não subestimemos os garotos. – disse ele, com razão – Afinal, eles já passaram por quatro Casas.

Eu não aceitava aquilo. Não... Nossas diferenças de habilidades e cosmo eram gigantescas. Éramos Cavaleiros de Ouro, os mais poderosos protetores da Deusa. Não entrava na minha cabeça um de nós ser derrotado e MORTO por um Santo da classe mais inferior. Perdemos um companheiro nessa batalha que julgamos tão fácil e indigna de executarmos como Cavaleiros de Ouro.

– Mas isso é... po#$&! – acabei me alterando – Como assim, Camus? UM CAVALEIRO DE BRONZE MATOU O MÁSCARA DA MORTE?!

Ele fez um gesto de “fazer o que?”.

– Mascara da Morte, assim como a maioria de nós, era muito prepotente e convencido de seu poder. Com certeza subestimou seu adversário, não usando seu verdadeiro espírito de batalha e cosmo. — me deu um beijo na testa, saiu do banho e fechou a porta de vidro fosco do boxe – Está confirmada a razão do mestre se preocupar tanto com esses Cavaleiros de Bronze.

– Aonde você vai? – perguntei, sem querer de jeito nenhum que ele fosse embora.

– Me secar. – disse ele. Um vapor embaçou o vidro.

– Ahhh... Volta pra cá... – chamei dengoso.

A porta se abriu e ele me puxou pra fora. Pegou uma toalha e começou a me enxugar e me fazer cócegas.

– KKKKK! – ri – Perai! KKKK!

Ele me encheu de beijos e me deu um abraço apertado. Cada momento com ele é totalmente único e inesquecível. Sempre foi assim desde que o conheço.

Mas o calor que tomou o meu corpo naquele momento não foi normal, e tudo escureceu...

– EXECUÇÃO AURORA!

– AGULHA ESCARLATE!

–???!!! (previsão de ataque e desvio na velocidade da luz)

Perdi as forças para me manter de pé e meu corpo desfaleceu.

– Não! NÃO! – gritei desesperado e caí, me contorcendo no chão.

Camus me pegou no colo e se sentou na cama. Eu tremia descontroladamente, arfava e suava frio... Meus olhos arregalados, fixos num ponto... Ele se deitou e me abraçou forte, acariciando meus cabelos.

– Calma... – disse ele baixinho – Calma... Shhhhh...

Olhei para ele, sem conseguir ver direito seu rosto. Minha visão estava turva e minha boca, seca. O que era isso? Eu tinha desmaiado... Aquela voz de novo... Mais alta do que nunca. Minha respiração falhava...

– O... O que aconteceu?...

– Não fale agora. – disse ele, sem deixar de me fazer cafuné.

Fechei os olhos, tentei controlar minha respiração e relaxar. O que estava havendo comigo? Estava enlouquecendo? Que diabo de voz era aquela que me causava tanto mal e angústia? Ainda sem me recompor totalmente, perguntei de novo:

– O que... Aconteceu comigo?

– Você desmaiou... – disse ele, reticente. Sabia que não queria me contar tudo, talvez querendo me proteger da verdade.

– Sei que não... Foi só isso... – tentei me levantar sem sucesso.

– Você teve um tipo de convulsão depois que caiu. – disse ele, me segurando para que eu não caísse no chão – Ainda está enfraquecido... Não tente se levantar ainda.

O sexto sentido dizia que algo havia acontecido no banheiro, e que eu não tinha tempo para esperar me recuperar. Me levantei com dificuldade e fui cambaleando na direção que minha intuição mandava.

– Milo, espera... – por que ele não queria que eu fosse? O conheço muito bem para saber que tinha algo ali que não queria que eu visse. Estava quase estampado em seu rosto. Mas ele não poderia evitar que eu fosse ao banheiro do meu quarto por muito tempo...

Entrei lá e senti os vestígios de nossos cosmos. Havia um cheiro muito familiar a mim: o de pedra queimada. O sentia muito quando praticava minhas AGULHAS ESCARLATES em obstáculos durante treinamentos. Mas por que...

Meu coração acelerou novamente... Assim como o teto do meu quarto, a parede do banheiro também havia recebido em cheio quatorze AGULHAS. Lá estavam os buracos, somente faltando o da ANTARES para completar a Constelação de Escorpião. Eu havia atacado sem controle de novo. Pior... As lancei diretamente em Camus...

Sua mão tocou meu ombro. Eu o encarei desnorteado e sem aceitar o que havia acontecido.

– V-você está bem? – o olhei dos pés à cabeça, preocupado se eu o havia acertado. Mas estava sem nenhum sinal em seu corpo. Por Atena...

– Não. – disse ele, me olhando perdido – Estou preocupado com você...

– Eu... Não sei o que está havendo comigo. – fiquei cabisbaixo, cheio de culpa e me sentindo um fraco.

Ele pegou minha mão.

– Ei... – disse carinhoso. Olhei para ele, muito triste – Seja o que for, já passou, não? – deu um leve sorriso encorajador, que não pude deixar de corresponder.

Suspirei e beijei sua mão. Tudo que estávamos vivendo juntos e aquele sorriso em seu rosto já foram a razão para eu me recompor totalmente, esquecer tudo de ruim que tinha acontecido e não deixar de acreditar em mim.

– Sim. – disse eu, sem deixar de encará-lo com um sorriso.

Badaladas do Relógio de Fogo ecoaram pelo Santuário. O fogo de Leão havia se extinguido. Os traidores deviam estar chegando à Casa de Virgem.

Ele me lançou um olhar que dispensou palavras, como sempre. Já estava tempo demais fora de seu posto em meio a uma Batalha das Doze Casas. Vestimos as armaduras ele e me deu um beijo de despedida.

– Mestre... Mestre... Fale comigo... Por favor... MESTRE!! — a voz... Sofria e chorava desesperada.

Um arrepio percorreu dolorosamente a minha espinha. Segurei seu braço com força... Minha mão tremia...

– Não! – gritei.

Ele me olhou, sem compreender minha reação inesperada. Olhei para baixo...

– Não vai... – falei com a voz muito trêmula – P-por favor...

Ele me deu um abraço. O melhor de todos, sem sombra de dúvida... Retribui. Senti nossos cosmos se unirem de uma forma inexplicável. Era como se fossemos um... Tudo estava em sintonia... Nossas respirações, corações, corpos e almas.

“Eu tenho que ir...”

“Não...”

“Por quê?”

“Tenho medo que não volte pra mim...”

“Milo...”

“...”

“Eu sempre voltarei pra você.”

O beijei como nunca... Minha alma, meu corpo, meu cosmo... Gritavam por ele... Sorriu lindamente pra mim.

“Te amo por toda a eternidade.”

E se virou para seguir seu caminho... Segurei seu dedo, relutando por mais um segundo... Soltei, sem aceitar sua partida, e acompanhei cada um de seus passos até que desaparecesse pela Casa de Sagitário.

E a batalha se seguiu...

O imenso e poderoso cosmo de Shaka desapareceu tão bruscamente quanto o de Mascara da Morte. O fogo de Virgem se apagou... Droga! Malditos traidores... Vão queimar no Inferno pelas minhas mãos! O Shaka não... Isso era inaceitável.

Caminhei até as escadas que levam até Libra. Observei alguns clarões vindos do interior da Sétima Casa. “Devem estar tentando libertar o Hyoga do ESQUIFE DE GELO... Que idiotas. Nem os Cavaleiros de Ouro são capazes de rachá-lo...”. Como era possível que eles tivessem chegado tão longe?! Balancei a cabeça negativamente e voltei para o saguão de entrada. O próximo era eu? Estão fu$#@&% lindamente...

Não demorou muito até que eu ouvisse passos pela Casa de Escorpião e as vozes irritantes de dois dos Cavaleiros de Bronze. Eram tão inocentes que seus cosmos estavam expostos e eu podia detectar todos os seus sentimentos e fraquezas. Disseram algo sobre voltar para a Casa de Libra? Não mesmo...

– “Por que estão fugindo do Escorpião?”

Queria muito lutar contra esses moleques e saber que tanto poder era aquele que os tinha feito chegar até a Oitava Casa... Falaram sobre a Ilha de Andrômeda quando me viram. “Quer dizer que sou famoso?” Foi moleza acabar com ela, assim como farei com vocês. Mostrei a eles o que um Cavaleiro de Ouro era capaz. Confesso que minha convicção de que era superior a eles foi inicialmente ferida quando o Pégaso arranhou meu rosto. Fora isso, fácil demais. Coloquei Shiryu e Seiya no chão com apenas uma picada da AGULHA ESCARLATE.

Eu ia continuar a me divertir e tortura-los, mas fui impedido ao sentir um cosmo inesperado acompanhado de mais passos na minha Casa. Quando Pégaso e Dragão disseram seu nome, de novo um calafrio percorreu meu corpo. Como ele podia estar vivo? “Como ele pode ter saído do ESQUIFE DE GELO?” Ele começou a falar como havia sido revivido pelo Andrômeda... Por Atena! A voz de Hyoga era...

– Mestre...

A do sonho que me assombrava... Não... Eu é que ia aterrorizá-lo agora...

Esse desgraçado! Falando que ia chegar à Sala do Mestre... Meu ódio por ele crescia anormalmente. Ainda mais quando evitou meu golpe RESTRIÇÃO e me prendeu com o CÍRCULO DE GELO. COMO ELE SE ATREVE? CONHEÇO ESSE GOLPE DESDE ANTES DE VOCÊ NASCER, SEU FILHO DA PU#@!!!

Deixei os outros três passarem propositalmente. Eu iria acabar com ele com todas as minhas forças. Evitou novamente ser paralisado com o ar congelante... É, reconheci que ele foi muito bem ensinado. Resolvi ataca-lo com minhas AGULHAS ESCARLATES... Ele usou (Hahahahaha!) o PÓ DE DIAMANTE?! Já disse, imbecil! Conheço muito bem todos esses golpes... E que frio fraco... Mal podia congelar a minha pele! Desculpe... Sofra bastante com o veneno do Escorpião... Sofra como fez seu mestre sofrer, maldito!

Ele era bem resistente. Foi recebendo mais e mais AGULHAS sem se render ou morrer... Até que eu já o tinha acertado com quatorze delas. Ele seria o primeiro humano a receber a ANTARES. Mas... Ele havia conseguido congelar as minhas pernas e me acertou com o TROVÃO AURORA. Fraco demais... Sangre até a morte!

Mas ele ainda se levantava e tentava lutar inutilmente. “Ahhh Camus... Foi como você previu. Esse garoto não tem condições de nos enfrentar. O estava derrotando com uma facilidade enorme... E te entristecendo ainda mais.” Decidi fazê-lo parar explicando pacientemente as intenções de seu mestre quando o encontrou na Casa de Libra...

Decidi poupar sua vida em respeito a seu mestre, mas ele não aceitou sua derrota. Disse para eu e Camus não nos metermos em seus assuntos e que devia lutar ao lado de seus amigos até que alcançassem seu objetivo...

– “Você ouviu, Camus?... Camus de Aquário, ouviu o que ele disse? Estaremos insultando ele se nós formos misericordiosos! Quero enfrenta-lo com todas as minhas forças! Tirar a vida dele é o meu reconhecimento de que é um homem e um verdadeiro Cavaleiro. Vou acabar com ele com todas as minhas forças... E isso porque eu sou capaz de admitir que o Hyoga é um homem e um Cavaleiro de verdade... Você entendeu, Camus?”

Não houve uma resposta verbal da parte de Camus, mas também não foi necessária. Nossos cosmos são tão interligados que eu já sabia que ele tinha entendido...

–“Levanta daí, Hyoga!”

Realmente o senti elevar seu cosmo ao máximo, mas não foi suficiente para me derrotar e impedir que eu o atingisse com a ANTARES. Mesmo assim, ele conseguiu me acertar em todos os meus pontos vitais da Constelação de Escorpião com o TROVÃO AURORA. Havia alcançado o Sétimo Sentido... Congelou a minha armadura de ouro... Teria me matado se eu não a estivesse usando... “Elevou seu cosmo muito mais do que eu, um Cavaleiro de Ouro!”

Não morreu com a ANTARES e começou a se arrastar, sem desistir da vida. Essa motivação toda... Essa força imensa em simples Cavaleiros de Bronze... Um cosmo imenso, muito poderoso e cheiro de amor tocou o meu. Essa menina que eles tanto queriam salvar era realmente a nossa Deusa Atena?!

Corri até ele e detive sua hemorragia. O deixei ir sabendo que recuperaria seus sentidos novamente e poderia continuar a lutar. Queria ver até onde chegariam com aquilo tudo... Perdão, minha Deusa.

Mas o que eu mais queria é que Camus pudesse lutar contra seu discípulo, que agora era digno de orgulho. Sabia que ele também desejava isso, assim como o Hyoga queria agradecer pessoalmente por tudo que seu mestre havia feito por ele.

“Mas lembre-se só de uma coisa, Hyoga: o que eu fiz agora não foi salvar você. Na verdade, eu estou te enviando para uma prova muito mais difícil. E brevemente você vai ver o que eu estou querendo dizer. Seu valor e coragem são dignos de um Cavaleiro de Atena.”

Depois dessa luta, acredito que me tornei menos arrogante, prepotente e presunçoso. Aprendi a respeitar os Cavaleiros de outros níveis. A diferença não está em nossas armaduras, mas em quanto elevamos nossos cosmos e temos determinação inabalável para vencer a batalha.

Fui até a saída da minha Casa. Hyoga já tinha desaparecido escadas acima. Seu cosmo queimava fortemente com seu Sétimo Sentido desperto, fazendo com que ele recobrasse seus sentidos muito rapidamente. Ouvi as badaladas e olhei para o Relógio de Fogo: os fogos de Escorpião e Sagitário já haviam desaparecido. Foi então que eu percebi o quanto estava cansado. Fui até um sofá e me deitei. Fiquei ali, olhando pro teto e pensando um bom tempo... Queria que toda aquela luta acabasse de uma vez.

Dei um pulo no sofá ao sentir a abrupta ausência do cosmo de Shura, assim como o de Shiryu. Ambos haviam morrido?! Que batalha terrível era aquela, que trazia tantas perdas e derramava sangue no solo sagrado do Santuário. Badalada... O fogo de Capricórnio se apagou. Será que o Hyoga tinha conseguido chegar até a Casa de Aquário para lutar contra Camus?

A resposta veio de imediato. Senti o cosmo de Camus cheio de tristeza. Apesar de ter atacado seu discípulo na Casa de Libra, ele se apresentava hesitante em fazê-lo novamente. Os golpes lançados agora não seriam somente para testar a força de Hyoga e ajuda-lo a alcançar o Sétimo Sentido, mas sim para feri-lo mortalmente. Por mais que Camus fosse um exímio controlador de seus próprios sentimentos, quando se tratava de seu discípulo isso era bem difícil pra ele...

Hahahahahaha! O pato tá usando aquele PÓ DE DIAMANTE fraco de novo? Ah não, Hyoga! Se não funcionou comigo, imagina com o Camus... Vamos, imbecil. Use sua força direito! Droga... Foi atingido, claro!

– Tisc... — me irritei com os erros que ele cometia.

Senti o cosmo de Camus se elevar, porém não ao seu máximo. Ele ia... Usar a EXECUÇÃO AURORA?! Essa eu quero ver. Resista se for um verdadeiro Cavaleiro, Hyoga. Ahhh... Muito bem. Levantou-se. Faça seu mestre se orgulhar de você! Foi pra isso que eu te deixei prosseguir?! Ande, alcance seu Sétimo Sentido! Ahhh me%$#... Esse TROVÃO AURORA de bosta...

– Isso, toomaaaaa! – bem feito... Deixa de ser fraco!

De novo no chão e sem se levantar. O Camus usava seu método de acabar com as esperanças do oponente de vencê-lo... Sim. Tá certo... Está pondo à prova a determinação e coragem de seu discípulo, assim como sua autoconfiança. Prendeu novamente o Hyoga no EQUIFE DE GELO. Eu sentia que Camus não queria mais lutar... O que?! Não é que o moleque saiu...

Esse garoto... Não é possível. Ele conseguiu atingir... O Zero Absoluto?! Hã?! Ca$#@%&! É incrível! Senti Camus muito orgulhoso de seu discípulo. Fiquei muito feliz por isso. Mas ele estava usando a armadura de ouro e o Hyoga não conseguiria congela-la, a não ser que conseguisse ter total controle do Zero Absoluto... Isso somente com a EXECUÇÃO AURORA, que usa o ar frio ao máximo.

Hyoga perdeu a consciência, mas ainda se manteve de pé. Mesmo que estivesse sustentando uma corrente de ar frio potencialmente perigosa, Camus ainda não elevara seu cosmo ao máximo. Droga... Ele não queria de jeito nenhum matar seu discípulo. Ainda acreditava que ele poderia revidar. Sabia que o moleque tem um potencial imenso e que é um Cavaleiro de verdade. Senti aquele mesmo cosmo imenso e poderosíssimo interferir na batalha e se direcionar a Hyoga, que acordou e reteve o ar frio.

Atingiu Camus e congelou em parte a armadura de ouro, como fez comigo. Está usando seu Sétimo Sentido ao máximo. O QUE?! Camus irá utilizar a EXECUÇÃO AURORA, dessa vez com seu cosmo máximo e... Hyoga também?!

Ofeguei e caí no chão...

– Mestre Camus, eu irei utilizar sua técnica mais poderosa para destruí-lo, mesmo que eu perca a minha vida com isso. Eu te prometi que iria dominar um ar tão frio quanto o seu. Tenho meus amigos e a Deusa Atena ao meu lado. Jurei que iria salvá-la. Contemple o tamanho poder que sustento tendo o cosmo Dela em meu ser...

Aquele sonho... Aquelas vozes... Eram uma premonição.

“Muito bem, Hyoga. Você enfrentou momentos difíceis sendo atingido pela EXECUÇÃO AURORA, mas conseguiu aprender a técnica... Você aprendeu tudo. Ahh, Hyoga, mesmo estando entre a vida e a morte, perdendo todos os sentidos e prestes a morrer congelado, alcançou o Zero Absoluto e superou a mim, o seu mestre. Você finalmente despertou o Sétimo Sentido... Você cresceu tanto porque aquilo em que acreditava realmente estava certo... Eu gostaria de poder deixa-lo viver para usar esse poder que adquiriu, mas eu não tenho mais forças para ajuda-lo. Perdoe-me...”

– ... Não...

.........Tum-tum...Tum-tum... Tum.................................................................


– NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! NÃÃÃOOO! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! NÃOOO!... ATENA! POR FAVOR... NÃO...


Corri desesperado até a Décima Primeira Casa...

– Camus... Não... Por favor...

Uma dor imensa e insuportável tomou minha alma e cosmo, que se tornava negro... Mais da metade do meu ser havia sido arrancada com a pior das violências...

– V-você disse que voltaria pra mim...

Eu tropeçava e caia diversas vezes, já sem nenhuma concentração... Meu corpo se enfraquecia sem parte da minha essência... O frio em que a Casa de Aquário se encontrava não se comparava ao que se passava dentro de mim.

Caí de joelhos quando o vi caído. Tremi, desesperado... Somente seu corpo restava nesse mundo... Mas eu ainda sentia um vestígio de seu cosmo em mim.

– Ahhh... – eu estava sem voz e as lágrimas caiam no chão, congelando como tudo ali dentro. Fui devagar até ele... – Atena... Não...

Abaixei e toquei seu rosto congelado...

– Camus... Fala comigo...

Fiquei olhando-o, já sem esperanças que me ouvisse... Mas não deixei de chama-lo.

– Meu amor... Por favor... Não me deixe...

Meu coração doía demais... Uma dor terrivelmente pior do que quando ele me deixava para ir a Sibéria... Falhava continuamente, como se se partisse ou rasgasse... Apertei meu peito com uma das mãos e gemi de dor. Abracei seu corpo e gritei mais, enquanto chorava desesperado...

– Por que... POR QUE, MINHA DEUSA?! POR QUE... AAAAHHHHHHHHH!... O QUE EU FIZ?! POR QUE MEREÇO PERDE-LO PRA SEMPRE?! POR... QUE... – foi assim até que eu ficasse rouco, mas não parei – Eu te amo tanto... VOCÊ DISSE QUE VOLTARIA PRA MIM... SEMPRE! POR QUE FEZ ISSO COMIGO?!

Meu coração doía mais e mais... O corpo dele já havia descongelado... Eu estava muito quente... Um calor doentio, que eu jamais tinha sentido. O abracei o mais forte que pude e afundei meu rosto em seu pescoço.

– V-você me deixou de novo... Pra sempre...

O saguão de entrada da Casa estava se descongelando... A água voltava ao seu estado líquido... O teto pingava e o chão se alagava... Esse era o efeito do calor que eu gerava descontroladamente...

– Eu não posso mais viver sem você...

Gemi de dor, e meu corpo ficou todo dormente.

- Não posso...