Nunca Fui Beijada
11 O tal do dia seguinte
R O S E G R A N G E R – W E A S L E Y
Sabe quando você acorda inspirada? Quando tem certeza de que o dia vai ser bom no momento em que abre os olhos pela manhã? É uma sensação incrível e era exatamente o que eu não estava sentindo quando despertei no dia seguinte ao meu desastre noturno.
Minha cabeça ainda doía, porém muito menos do que na noite anterior, o que me alegrou. Scorpius já não estava no quarto, constatei assim que me sentei na cama, por isso senti liberdade para me trocar com tranquilidade. O fiz sem complicações, embora ainda me sentisse tonta ao abaixar. Vesti uma roupa leve, já que iria ficar em casa. Meu estômago roncou avisando que estava na hora de engolir alguma coisa antes que ele devorasse os outros órgãos. Fui até a cozinha e nem sinal do loiro, entretanto a mesa estava posta com torradas, biscoitos e água quente o bastante para um chá. Sentei-me para comer e estava quase acabando quando o Malfoy finalmente apareceu, trazendo em sua mão uma xícara de chá.
— Onde estava? – foi a primeira coisa que disse.
— Na varanda. Estava observando o movimento da rua, sequer percebi que você já tinha se levantado. – esclareceu – Se sente melhor? – aproximou-se puxando uma cadeira e sentando-se junto a mim.
— Sim, a cabeça ainda dói, mas no geral tudo certo.
— O corte não vai demorar a sumir. – garantiu tomando um gole de sua bebida.
— Mexeu nos meus armários? – indaguei, apenas para implicar.
— Bem, você não acordava e eu estava com fome. – justificou.
— Tudo bem, pode ficar à vontade aqui.
— Eu sei. – sorriu.
Conversamos enquanto comíamos e então a campainha tocou. Era quinta-feira, dia da semana em que minha vizinha deixava as frutas que comercializava e eu pagava mensalmente.
— Ei, atenda para mim, é a sra. Arellano – pedi ao meu amigo, que resmungou algo, mas acatou.
Continuei comendo calmamente até ouvir gritos vindos da sala. Certo, a sra. Arellano não falava muito baixo, mas aquilo já era demais. Fui averiguar e não poderia ter ficado mais surpresa (e ferrada, diga-se de passagem). Scorpius estava se atracando violentamente com um velho conhecido meu.
— HUGO?? – gritei meu irmão mais alto do que os sons que os dois soltavam. Eles pararam e o ruivo me encarou bufando.
— Você ficou maluca? O que deu na sua cabeça em trazer esse cara para cá? Na sua casa? O que pensa que está fazendo?
— Minha casa, minha vida, então eu decido quem entra e sai e você não tem nada que se meter nisso. Você é que não foi convidado. – rebati.
— É por isso que resolveu brigar comigo, não é? Por causa dele! – acusou apontando o dedo para o medibruxo.
— Não, resolvi me afastar de você porque estava e ainda está agindo como um idiota, não só comigo, mas com várias pessoas que sentem um enorme carinho por você. – tentava me manter calma, porém aquele assunto me esgotava.
— Não posso acreditar nisso. – levou as mãos à cabeça e sentou-se transtornado no sofá. Scorpius observava tudo sem sequer piscar – Você, a minha irmã, está agindo como uma... – ele não completou a frase, mas eu sabia o que sairia depois.
— Uma...? Diga, Hugo! Anda, vamos ver se é mesmo capaz. – fiquei na sua frente esperando.
Ele me encarou com raiva nos olhos. Levantou-se para me olhar de cima.
— Vim aqui porque Molly disse que você tinha se machucado, estava preocupado, e me deparo com este cenário. Até outro dia nem mesmo havia beijado ninguém e agora está aí com esse cara dormindo na sua casa. – seu tom era acusador – Não existe adjetivo que mais se encaixa às suas ações que não seja vadia, ESTÁ AGINDO COMO UMA COMPLETA VADIA, ROSE WEASLEY.
Só fui capaz de perceber o que fiz quando senti a ardência em minha mão. Hugo estava com uma mão sobre a bochecha sensível devido à força do meu tapa.
— Nunca mais me chame assim. – avisei determinada – E muito menos tire conclusões precipitadas sobre o que não sabe. Scorpius é bem mais do que o cara que traçou sua ex-namoradinha ridícula. Ele é um medibruxo muito bom e é meu amigo, que veio me ajudar.
— Rose... – ouvi a voz do loiro chamando, mas fiz sinal para que não prosseguisse.
— Ele veio atrás de mim porque queria o seu perdão, porque queria se desculpar pelo que havia acontecido e então resolvi ajudá-lo, pois sabia da veracidade de suas intenções, porque ele queria se redimir. Só que você não facilita, irmãozinho. Você tinha que se manter impassível, grosso e imaturo como nunca havia sido antes. Deixou de ser um rapaz amável e gentil para se tornar um... nem sei mais o que é, Hugo. Nem sei mais quem você é. O que eu sei é que é doloroso conviver com você assim.
— O papai vai saber disso. – disse com amargura – E ele não vai gostar nada de saber que você está metida com um Malfoy.
— Conte, pode contar. Aproveite e conte sobre como a sua namorada traiu você e mesmo assim anda como um cachorrinho atrás dela. Agora, se já terminou, pode ir embora.
— Você está fora de si, Rose, precisa enxergar quem esse cara é, precisa...
— Vai embora, Hugo.
— Não vou para esse cara ficar e...
— SAI. – ordenei apontando a porta.
Ele saiu e só soube disso porque ouvi o som da porta batendo. E então veio o choro compulsivo. Senti os braços de Scorpius me envolvendo e afagando meus cabelos. Sentamo-nos no sofá ainda abraçados e ele não falava nada, mas sabia que estava ali para mim. E era o que eu precisava: alguém por mim.
O choro cessou e me senti aliviada a ponto de me desgrudar do meu amigo. Pensei que havia falado o necessário para Hugo no dia anterior, mas aparentemente, ainda tinham coisas a serem esclarecidas. Agora havia acabado não só minha relação maravilhosa com meu irmão, mas também o plano com Scorpius.
— Você não tem mais razões para ficar ao meu lado. – minha voz saiu baixa e rouca devido ao pranto recente. – Não existe mais nosso acordo, eu acabei de falar tudo para o Hugo.
— Não pense nisso, Rose. E eu nunca vou sair do seu lado, certo? – assegurou.
Assenti mesmo sentindo uma pontinha de dúvida.
— Eu nunca havia gritado com ninguém antes. – confidenciei.
— Se saiu muito bem para uma iniciante. – respondeu rindo – Estou orgulhoso.
— Obrigada.
Scorpius me encarou por um tempo com um jeito estranho.
— Tenho que confessar uma coisa. – ele estava apreensivo, então tentei incentivá-lo – Quando procurei você, é claro que queria ajuda com o seu irmão, mas não era minha única intenção.
— Não? – inquiri surpresa.
— Não. Na verdade, tinha visto você há alguns dias no Ministério, foi rápido, mas eu sabia que era você. Eu reconheceria Rose Weasley há quilômetros porque é você, entende? E só existe você assim no mundo. Você é única.
— Todas as pessoas são únicas, Scorpius. – revirei os olhos. Ele não estava batendo muito bem da cabeça.
— Sim, mas, para mim, as pessoas são tão iguais umas às outras e você é diferente, você se destaca. E então percebi que queria você de volta na minha vida, que precisava disso. Aí vim atrás de ajuda.
— E eu resolvi ajudar você.
— É! E eu não pensei que veria você diferente de anos atrás, no entanto, algo mudou. – ele respirou fundo – Você uma vez me perguntou a razão de eu não conseguir enxergá-la como mulher e, caramba Rose, você é uma baita mulher maravilhosa. E às vezes eu não consigo ver nada além disso, esse é o problema.
— Não estou entendendo. – aquele papo todo estava me deixando tensa e confusa.
— O que quero dizer é que, diferente da época da escola, eu sinto algo além por você. É algum tipo de desejo que não consigo controlar.
— Desejo? Tipo...
— Tipo uma vontade incessante de beijar você.
Aquela frase me pegou de surpresa. Mais do que todas as outras que ele havia dito. Meu coração estava acelerado e por algum motivo sentia que não conseguia pensar racionalmente. Eu queria beijar alguém, não é? E estava disposta a fazer isso com qualquer desconhecido, então por que não com Scorpius, uma pessoa que confiava? Num impulso irracional, uma decisão tomada em segundos, com o raciocínio mais pífio que tive em toda vida, as palavras saíram da minha boca:
— Então beija.
E ele o fez. Colocou as mãos no meu rosto e em um segundo senti os lábios dele sobre os meus e foi meio estranho. Não sabia o que fazer, mas já tinha assistido alguns beijos então talvez devesse abrir um pouco a boca. Não estava legal e eu olhava Scorpius ali, com os olhos fechados e parecendo tão certo do que estava fazendo. A sensação era muito diferente do que eu imaginava, fala sério, beijar era muito estranho.
Abruptamente ele se separou de mim e me encarou com curiosidade.
— Não deu muito certo. – expressou o que eu já havia constatado.
— Acho que é porque eu meio que nunca fiz isso.
— Uau! – seus olhos arregalados me fizeram sentir um pouco constrangida – Eu vi a bandeira que sua prima deu ontem e junto com o que seu irmão disse hoje, mas não pensei que fosse real. Rose, é sério?
— Sim. – meu rosto estava muito quente.
— Nem um selinho? – neguei – E eu aqui avançando sobre você, todo turrão. Me desculpe.
Eu ri.
— Não é culpa sua. Está tudo bem, eu é que peço desculpas. Deve ter sido o pior beijo da sua vida.
— Garanto que não foi. Podemos tentar de novo se quiser. Você quer? – quis saber esperançoso. Eu assenti – Certo. Tente esvaziar sua mente e não pensar em nada. Não existe roteiro, é intuitivo. Só não pense demais.
Ele se aproximou novamente, desta vez se demorando nas carícias em meu rosto. Olhava diretamente em meus olhos de uma maneira tão intensa que eu não me permitia desviar o olhar. Desceu os dedos até meu pescoço arrepiando meu corpo inteiro e envolvendo-o com uma das mãos, então foi se aproximando lentamente e quando dei por mim, percebi que fazia o mesmo. Senti seus lábios sobre os meus novamente e fechei os olhos porque não queria pensar em mais nada. E realmente não pensei. Eu sabia que estava beijando Scorpius Malfoy e isso era bom demais.
〰✍
Havia se passado um mês desde que Scorpius e eu demos nosso primeiro beijo juntos e que eu, finalmente, depois de 24 anos de espera, havia deixado de ser “boca virgem”. Este termo nem é adequado, pelo menos não para alguém da minha idade, porém não existia em qualquer dicionário palavra certa para definir o que era.
Desde aquele dia, Scorpius e eu usávamos todo o tempo disponível para passarmos juntos, não que isso significasse um longo período, já que ambos andávamos atipicamente ocupados. O Malfoy cumpria plantões cada dia mais demorados, visto que lhe era exigido muito por ser o sucessor de seu pai na presidência. Eu estava atolada de compromissos resolvendo os últimos detalhes do Baile Ministerial que aconteceria no fim de semana. Nele eu teria a chance de apresentar mais detalhadamente meu projeto a toda sociedade bruxa a fim de arrecadar fundos para sua execução. Por sorte, Molly era muito boa em gestão de eventos e pude me dedicar quase que inteiramente ao projeto, o que por si só já era difícil.
Foram semanas difíceis, na quais realizei diversas reuniões com historiadores, medibruxos, economistas e entrevistei alguns abortos. Lucy estava me ajudando bastante, muitas vezes virando madrugadas e me ensinando como tratar pessoas na mesma condição dela com o devido respeito. Aprendi até mesmo que o termo aborto não era ofensivo para eles, usado inclusive como resistência da classe. Ela me ajudou a elaborar formas de ressocializar gradualmente todos sem que houvesse impactos negativos na sociedade. Com o apoio de Lucy, me sentia mais confiante.
Na quinta-feira à noite, quase madrugada, estava jogada no sofá da sala de Scorpius revisando mais uma vez meu discurso. Ele estava sentado no tapete, descalço, me encarando. Sem tirar os olhos dos papéis em minha frente, indaguei.
— O que foi?
— Nada. – ele respondeu – Gosto de te ver assim concentrada.
Olhei para o loiro que me direcionou um sorrisinho que eu passei a conhecer bem nos últimos dias.
— Nem vem, sabe que preciso terminar isso aqui. – adverti antes mesmo dele expressar seus pensamentos.
— Qual é, Rose – reclamou – Está nisso desde que chegou, está na hora de uma pausa. Até eu decorei esse discurso.
Suspirei, deixando meu discurso sobre o braço do sofá. Ele tinha razão. Desaparatei do trabalho direito para sua casa e desde que havia chegado, não parei sequer para tirar os sapatos ou desamarrar o cabelo. Recostei no sofá, num claro sinal de cansaço e fechei os olhos por um instante. Scorpius se aproximou e, parecendo ter lido meus pensamentos, desabotoou as tiras de cada uma das sandálias de salto baixo que eu usava e as retirou dos meus pés. Gemi em alívio, ainda de olhos fechados, mas ele não parou por aí e começou a distribuir beijos em minhas pernas, subindo aos poucos.
— Scorpius... – falei em tom repreendedor, mas com um pouco de diversão em minha voz. Ele ignorou completamente e continuou beijando até chegar em minhas coxas. Abri os olhos e encarei o homem que interrompeu seus movimentos e me olhava com uma expressão de falsa inocência.
— O que foi? Não estou fazendo nada – ergueu as mãos em sinal de redenção.
— Nada, não é? – ri com a cara de pau – Tudo bem, o que vamos comer? – disse indo em direção à cozinha.
— Resolveu ficar com fome logo agora? – observou desconfiado.
Scorpius seguiu meus passos e me alcançou na cozinha, enlaçando minha cintura com seus braços fortes. A sensação de tê-lo tão perto, apesar de conhecida há pouco tempo, já se tornara familiar. Me virei para encará-lo. Seus olhos focaram nos meus e ele me beijou, calmo e delicado, carinhosamente, se separando de mim após alguns segundos apenas. Estranhei. Não era ele que estava todo serelepe apenas dois minutos atrás?
— Vou preparar algo para o jantar, acho melhor tomar um banho para relaxar um pouco – anunciou – Já sabe onde está tudo.
Digamos que nosso relacionamento vinha avançando mais rápido do que o habitual. Não é tínhamos pressa, as coisas simplesmente aconteciam, nos conectamos rapidamente e de maneira surreal, nos entendíamos como ninguém mais poderia e nos divertíamos muito também. Éramos adultos, com carreiras promissoras, apartamentos próprios e que não deviam explicações a ninguém. Sequer rotulamos nossa relação, apenas “deixamos rolar”, como o loiro sugeriu. Era tudo muito novo para mim, mas estar com Scorpius fazia com que me sentisse confortável e perdesse o medo que antes sentia. Medo de julgamentos, medo de ser mal interpretada pelos meus pais, por Hugo.
Falando nele, desde a nossa briga não nos falamos mais. Nunca havia ficado tanto tempo sem ter notícias do meu irmão. Mesmo quando ele estudava em Beauxbatons não passávamos mais do que duas semanas sem comunicação. Era doloroso, mas necessário. Depois de seu discurso infundado, percebi que independente do que fizesse ou como agisse, sempre seria julgada errada. Então resolvi que, se fosse para escutar abobrinhas, que eu pelo menos me entregasse à felicidade, faria valer a pena.
Nestas duas últimas semanas, Scorpius e eu criamos o hábito de dormir um na casa do outro. Era apenas por comodidade e por gostar da companhia um do outro. Normalmente ele se jogava na cama após algum plantão e apagava e eu passava boa parte da noite me dedicando às obrigações do trabalho. Não fazíamos nada demais. Até então, não havíamos avançado mais do que a segunda base.
Me dirigi ao quarto de Scorpius para pegar uma das mudas de roupas que havia deixado em sua casa há alguns dias. Eram basicamente roupas confortáveis, boas para dormir, nada do que Molly me direcionara a comprar.
Demorei um pouco mais do que o habitual no banho, aproveitando todo o conforto da banheira do meu companheiro. Cada centímetro do meu corpo doía e era evidente que precisava regular meu sono. Ainda havia tanto o que se fazer até o baile que eu poderia explodir com tantas demandas. Saí do banho sentindo o corpo um pouco mais relaxado, o que causou ainda mais sono. Talvez devesse dormir de fato esta noite.
Quando cheguei à cozinha, o cheiro da comida de Scorpius dominava o ar, fazendo minha barriga roncar. Descobri que ele sabia se virar muito bem na cozinha e que seus dotes culinários eram notáveis em sobremesas.
Comemos vorazmente em silêncio os legumes no vapor e o filé feitos por ele. A fome estava mesmo nos dominando. Me ofereci para limpar a cozinha após o jantar para que Scorpius pudesse se banhar. Fiz tudo manualmente pois, além de não possuir habilidade para feitiços domésticos, trabalho manual, mecânico, me relaxava.
Quando terminei de arrumar tudo, dei uma olhada em meu discurso, ainda sobre o braço do sofá. Recolhi-o e guardei-o numa pasta do trabalho. Uma noite de descanso não faria tudo desabar. Me dirigi novamente ao quarto do loiro e, recostando no batente da porta, deparo com ele já de pijama ajeitando os travesseiros na cama, preparando para se deitar. Encarou-me curioso.
— Não vai trabalhar hoje?
— Não – suspirei – Estou realmente cansada. Se continuar neste ritmo não chego viva ao baile.
— Tem razão – concordou se sentando na cama – Não ia falar nada, mas suas olheiras estão assustadoras. – comentou fazendo graça, mas eu sabia que tinha um fundo de verdade.
Fiquei encarando o homem à minha frente, aquele com quem há pouco mais de um mês me fizera descobrir um novo mundo, novas sensações. Com calma, caminho até onde ele está ao passo que sorri para mim. Sentei-me na cama, à sua frente. Ele estava curioso, mas não ia dizer nada. Então o beijo fervorosamente, surpreendendo-o. É claro que já havíamos experimentado beijos como aquele ao longo de nosso tempo juntos, mas nunca por iniciativa minha.
Scorpius não perde tempo e, ao ver minha vontade, se aproxima, colando seu corpo no meu e agarrando minha cintura com sua mão forte. Era mais do que bom. Sem parar o beijo, passo minhas mãos por seus cabelos e agarro sua nuca, trazendo-o para ainda mais perto. Nos separamos em busca de fôlego, mas não dou tempo para que ele pense demais. Me ajoelhei na cama, logo em seguida colocando uma perna em cada lado do corpo de Scorpius e voltando a beijá-lo como antes. Poderia ser o estresse que me fazia descontar tudo nessas novas sensações ou poderia ser a minha paixão pelo Malfoy crescendo cada dia mais, não importava. A vontade estava cada vez mais intensa e tomando conta do meu corpo, me levando a não pensar no que estava fazendo. E não pensar era ótimo, eu estava leve.
Nos separamos novamente por um breve ínterim e nos encaramos. Olho no olho, como sempre. E o que eu via nos olhos dele, tinha certeza que ele também encontrou nos meus: desejo. Continuando minha falta de linha de raciocínio, agarrei a barra de sua blusa preta de algodão e puxei para cima, tirando-a do seu corpo e jogando longe. Nos beijamos novamente, mas a necessidade de contato se acentuava. Novamente interrompi nosso beijo, desta vez para retirar a minha própria blusa.
E parece que a racionalidade voltou a um de nós. Depois deste movimento, ele me encarou um pouco admirado, um pouco confuso. E quando avancei para voltar a beijá-lo, ele deixou o toque mais leve, muito diferente de antes. Aos poucos, foi cessando os toques, até me retirar de cima de suas pernas, me fazendo retornar à cama.
— Rose, acho melhor ir para sua cama – a voz de Scorpius saiu baixa e rouca. Ele me observava com cautela – Deveríamos ir com calma.
Calma? Ele estava a ponto de me engolir segundos atrás e agora pede calma?
— Tudo bem – anuí a contragosto, me levantando e buscando minha blusa pelo colchão sentindo o olhar de Malfoy sobre mim.
— Se quiser... – ele começou receoso – Pode dormir aqui.
— E você dorme onde? – perguntei enquanto me vestia.
— Bem, eu tinha pensado aqui também. Nós dois. Só dormir.
Ele era cauteloso em cada palavra, parecia que se deslizasse um pouquinho que fosse, eu sairia correndo. Esse era o problema de Scorpius, saber que era meu primeiro em tudo. Era cuidadoso até demais e às vezes agia como se eu tivesse 15 anos.
Não respondi, apenas me encaminhei até o outro lado de sua espaçosa cama, me deitando sob os pesados cobertores. De onde estava, Scorpius fez o mesmo e ficamos cada um de um lado, encarando o outro. Ele se aproximou um pouco, acariciando minhas bochechas, até que meus olhos começaram a pesar. A última coisa que senti foram seus lábios em minha testa, e então apaguei.
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