Nunca Fui Beijada

12 O tal do Baile Ministerial


Notas iniciais
Olá galera! Como estão nesta quarentena? Reparei que muita gente voltou a ler e escrever fanfics durante o isolamento (me incluo nessa). Acho isso ótimo! Beijos e boa leitura!

R O S E G R A N G E R — W E A S L E Y

Chegara o tão esperado baile. Meu vestido encostava um pouco no chão, nada que gerasse incômodo. Ele havia sido um presente de Hugo e era a primeira oportunidade que surgira para usá-lo. Era um vestido preto, com pequenas flores vermelhas e brancas bordadas por toda sua extensão. As mangas curtas possuíam babadinhos e seu tronco era parecido com um corselet, mas não apertava tanto. A saia era solta, o que me agradava.

Encarava o salão de festas do Ministério da Magia com admiração por todo trabalho realizado por tantos profissionais que passaram o dia se dedicando àquele local.

O teto, sempre escuro e liso como o Ministério como um todo, agora sustentava uma infinidade de lustres de cristal por toda sua extensão. No chão, o carpete vermelho bem esticado não nos deixava recordar do quão preto e liso eram os azulejos abaixo dele. As mesas estavam meticulosamente organizadas pelo salão, com os nomes dos convidados riscados no ar com um fio prateado, pairando sobre os espalhafatosos arranjos de flores que enfeitavam cada uma delas. As cadeiras estavam mais para poltronas, confortavelmente acolchoadas. Havia bandejas flutuando no ar, carregando diversos tipos de taça, cada um adequado para diferentes bebidas. Naquela noite não teríamos garçons, bastava pedir o item do menu que gostaria e tanto a comida quanto a bebida apareceriam. Ah, como eu amo magia.

— Nervosa? — minha prima e subordinada pergunta ao se aproximar de mim. Molly trajava um espetacular vestido verde militar longo, sem mangas. Seus cabelos estavam elegantemente penteados para o lado, caindo sobre o ombro. Seus lábios tomados por um vermelho fechado, que destacavam seus dentes brancos.

— Sinto que vou vomitar a qualquer momento — despejei. Ela ri, me analisando.

— Você está preparada. Só relaxe e tente aproveitar — aconselhou — Aliás, está muito bonita. Tudo isso para o Doutor Delícia? — brincou. Já virara costume de Molly fazer esse tipo de brincadeira. Não que ela soubesse do que estava rolando entre Scorpius e eu. Conseguíamos ser bem discretos durante o trabalho. Ignorei seu último comentário.

— Obrigada, Molly — sorri para ela — Você está estupenda.

Saí dali e me dirigi até o gabinete do Ministro para checar meu discurso uma última vez.

〰✍

O baile já estava em seu auge após duas horas de duração. Não que esse tipo de festa ministerial tenha um ápice realmente interessante. A música era sempre agradável, mas não animada. A bebida era da melhor qualidade, porém todos ingeriam moderadamente. Era, acima de tudo, um evento institucional e exigia decoro.

Andava por entre as mesas para garantir que tudo estivesse indo conforme o planejado. Molly fazia o mesmo. Nenhum convidado indesejado, nenhuma confusão, um verdadeiro sucesso. Estava concentrada checando a quantidade de mesas quando uma mão tocou minha cintura, fazendo com que eu desse um pulinho devido ao susto. Me virei para saber quem era, não que precisasse.

— Está atrasado, senhor Malfoy — anunciei com um sorriso nos lábios.

— Eu compenso depois, ruiva — se aproximou para me dar um beijo. Me afastei olhando para os lados, conferindo se ninguém estava olhando — Aqui não — adverti.

Ele não ficou muito contente, mas acatou.

— Me encontra no hall de entrada em cinco minutos? É importante — disse sério, o que me gerou preocupação. Assenti e ele se dirigiu para lá. Terminei de conferir tudo e estava indo para o mesmo lugar que ele, quando alguém sentado numa das mesas puxa minha mão.

Me virei, preparada para ralhar com a pessoa, mas fui atingida com um apertado abraço.

— Rosinha, que orgulho! — meu pai declarou enquanto quase me sufocava.

— Cuidado Ron, vai acabar esmagando nossa filha — mamãe alertou enquanto sorria atrás dele. O ruivo deu espaço para que ela se aproximasse e nos abraçamos. Ela com toda delicadeza que lhe é natural.

— Não sabem como é bom ter vocês aqui hoje — disse quando nos separamos. Sorria de orelha a orelha olhando para aquele casal improvável e que eu amava com todas as minhas forças. Eles eram opostos em quase tudo, mas combinavam no amor que sentiam um pelo outro.

— Nunca perderíamos isso, querida — mamãe garantiu, segurando uma de minhas mãos — Nervosa?

— Muito — fui sincera — Hugo não veio? — indaguei procurando pela mesa que meus pais ocupavam, me arrependendo quase no mesmo instante. Por alguma razão, pensei que ele viria e que poderíamos tentar nos acertar.

— Sinto muito, querida. Ele disse que tinha muito trabalho hoje — papai explicou — Mas quem sabe aparece por aqui mais tarde?

— Quem sabe? — repeti desanimada — Desculpem, preciso ir — avisei. Eles indicaram que estava tudo bem e segui cortando caminho entre as pessoas, até a entrada do salão.

Era basicamente um corredor do Ministério, um pouco enfeitado com flores. Scorpius não estava por ali. Virei o corredor procurando-o, mas ele não estava em lugar algum. Será que se cansara de esperar? Um pouco à frente, pude ver seus cabelos loiros se destacando na escuridão. Vestia um terno completo, que por sinal lhe caía muito bem. Ele se aproximou de mim sorrindo de canto.

— Pensei que não viria mais — falou.

— Encontrei meus pais no caminho, acabei atrasando um pouco — esclareci. Scorpius pareceu um tanto surpreso.

— Bem, espero que isso não interfira no que vim fazer aqui — não entendi o que ele estava dizendo — Devo dizer que está maravilhosa esta noite, Rose Weasley — sorri com o elogio — Contudo, acredito que até mesmo a obra de arte mais perfeita ainda pode ser melhorada — declara enquanto mexe em seus bolsos, tirando de lá uma caixinha, que encaro curiosa. Ele me entrega.

Abro a caixinha e me deparo com uma pulseira prateada com pequenas pedrinhas vermelhas, tão fina que poderia se quebrar. Era linda.

— Obrigada, Scor — agradeço, estendendo a mão para que ele me ajudasse a colocá-la. Ele o faz, depositando um beijo no dorso de minha mão quando termina. Suspiro.

— Não pense que é só isso. Tudo tem uma consequência.

— Ah, é?

— Sim. E ao aceitar esta pulseira você automaticamente aceita namorar comigo.

Encarei-o surpresa.

— Namorar? — onde estava o combinado de não rotular a relação? — Isso é sério?

Ele assentiu. Meu coração estava disparado e sentia minhas mãos suando. Sorri para o homem em minha frente, que começara a ficar apreensivo. Ele entendeu que aquilo era um sim e selou meus lábios com os seus apenas por um breve instante. Não podíamos nos empolgar demais, não ali.

Felizes, retornamos calmamente ao salão, nos separando lá dentro. Ele foi ao encontro de alguns amigos e eu procurava Molly. A encontrei conversando animadamente com Lily na mesa dos Potter. Cumprimentei a todos, me demorando mais no abraço que dei em Albus, meu primo favorito e que não via há um bom tempo, desde que ele decidira estudar Herbologia no Brasil.

Às onze horas em ponto, o Ministro Kingsley deu as boas-vindas aos convidados, fazendo uso do púlpito que estrategicamente colocamos no meio do salão. Molly e eu ao seu lado. Era chegada a hora que tanto temi no último mês. Era hora do meu discurso. Shacklebolt introduziu, me apresentando como Primeira Secretária Sênior.

Me posicionei no lugar onde antes ele estava e, usei a varinha para aumentar o volume de minha voz. Trêmula, coloquei o discurso em minha frente, mesmo que tivesse quase certeza de que não precisaria dele. Respirei fundo e olhei para o salão. Meus olhos varreram o ambiente e pude notar meus pais me encorajando, tio Harry sorrindo para mim e ele, aquele maldito loiro, me encarando como um bobo admirado.

— Boa noite — comecei — Se algum de vocês não me conhece, meu nome é Rose Elizabeth Granger-Weasley. Meu sobrenome, com toda certeza, é conhecido por vocês e não apenas isso, ele faz com que vocês criem expectativas, por vezes irreais. Muitos esperam que alcancemos grandes feitos como nossos pais, os Potter que o diga! — desviei o olhar para a mesa da família mencionada, que sorria em concordância — Esperam que sejamos grandes bruxos e não se atentam ao fato de que, ao fim do dia, somos apenas pessoas comuns, como muitos de vocês e muito dos seus filhos.

“Tentei me convencer a vida inteira dos meus méritos, de que nunca obtivera vantagem pelo meu nome, no entanto seria uma mentira dizer a todos vocês que meu nome não me beneficiou. Não apaga meu esforço, não estou no Ministério por influência dos meus pais, passei nas provas como todos os outros. Mas na vida, no dia a dia, na convivência, ser um Weasley influencia muito. O nome carrega respeito, impõe poder. Mas não é o suficiente para fazer com que sejamos extraordinários, sequer nos protege dos preconceitos disseminados por uma comunidade bruxa que se acha acima de qualquer julgamento.

A vida pode ser cruel, até mesmo quando se é um Weasley. E é por isso, inspirada pela minha prima, Lucy Weasley, que sequer pode estar conosco esta noite devido às leis antiquadas e discriminatórias vigentes há anos neste Ministério, que apresento meu projeto.

Os abortos não podem ser ignorados na nossa sociedade, tratados da mesma maneira que os espartanos tratavam seus descendentes ‘defeituosos’ ao nascerem. Não podemos deixar que, aos onze anos, apenas por não ter desenvolvido magia, um bruxo seja expulso de nosso convívio, tendo que se humilhar em empregos clandestinos ou degradantes ou se abrigar no mundo trouxa, que para muitos, é um universo desconhecido e difícil de entender. Eles são responsabilidade nossa, fazem parte de nossas famílias, são nossos amigos. É justo que sejam condenados a um destino cruel apenas por não corresponderem às expectativas colocadas sobre eles? Se nós, Weasleys, não nos tornarmos grandes bruxos, devemos ser expulsos do mundo em que sempre vivemos?

Ao invés de rechaçar o diferente, deveríamos aprender a conviver com ele. Obtivemos bastante sucesso ao longo dos anos com o convívio entre nascidos-trouxas e sangues-puros. Por que não acolher os abortos? Hoje, eles têm de escolher entre miséria ou solidão. Por que não damos a eles oportunidades? Nem todos os empregos no mundo bruxo necessitam de varinhas. Por qual razão um aborto não pode estudar História da Magia ou Herbologia? Por que um aborto não poderia escrever para o Profeta Diário? Faltam-lhe oportunidades e, com esta Lei que eu e diversos outros parceiros plenamente competentes para tratar deste assunto estamos desenvolvendo, podemos finalmente dar estas oportunidades. A todos que quiserem nos apoiar nesta iniciativa, os formulários estão na saída. Os estagiários lá posicionados lhes explicarão como devem prosseguir. Obrigada.”

Houve, se muito, um segundo de silêncio, e então o espaço foi tomado pelo som de estrondosos aplausos. Finalmente pude respirar aliviada. Havia dado certo.

Nem percebi, mas sorria abertamente quando Molly me abraçou de lado, parabenizando. As palmas ainda não haviam cessado e meu coração batia acelerado, no ritmo delas. Olhei para Scorpius, que não aplaudia, mas ergueu a taça que carregava na mão como uma saudação e lançou um sorriso maroto. Meus pais estavam de pé, sorrindo na minha direção e ao lado deles, pude ver um ruivo tentando esconder o riso que temia em aparecer. Ele veio. Meu coração se aqueceu.

Depois de orientar os estagiários e assistentes que ficariam na saída com os formulários, me vi livre finalmente para aproveitar um pouco da festa com meus entes queridos. Não me demorei a ir até a mesa dos meus pais. Quase corri para abraçar Hugo que, para minha sorte, retribuiu. Nossos pais estavam meio distraídos com os Scamander, que acabavam de chegar para cumprimenta-los.

— Parabéns — desejou tímido quando nos separamos — Hum... Desculpa, Rose. Eu sei que fui duro com você não só naquele dia na sua casa, mas também por todo período desde... Você sabe — assenti — Não queria ter dito aquelas coisas sobre você. Foi pesado. E eu nunca me senti tão sozinho como me senti esse mês, sinto falta da minha irmãzinha.

Abracei-o novamente. Aquele sim era o Hugo que eu conhecia.

— Conversamos com mais calma depois, está bem? — assegurei — Não é hora e nem lugar para isso.

Ele concordou e eu me dirigi a tia Gina, que também se juntava à aglomeração formada ali na mesa de meus pais.

— Rose! — exclamou — Estou tão feliz por tudo. Todos nós! Percy mandou tantas felicitações a você que não seu nem por onde começar — ela se aproximou mais para sussurrar — Ele se recusou a vir, como forma de protesto por causa da Lucy — indiquei que entendia — Querida, vamos fazer um jantar lá em casa amanhã para comemorar o retorno do Albus, esse menino cabeça de vento. Apareça por lá — convidou — Será apenas a família e alguns amigos.

Apenas família. Como se a família não fosse grande o suficiente. Ri com o pensamento e confirmei minha presença.

Pouco tempo depois, Kim me convidou para uma dança com a justificativa de que estava prestes a ir embora e eu aceitei com lisonjeio.

— Quanta honra o Ministro da Magia em pessoa me convidar para uma dança — comento enquanto ele me conduz pelo pela pista livre de aglomerações.

— Fala como se não te conhecesse desde criança, Weasley — ri com sua constatação — Só não imaginei que em poucos anos teria você sob minhas rédeas — brincou.

— Eu também não — admiti — Fico feliz por ser sua secretária e não de um imbecil qualquer. Convenhamos que as outras opções para Ministro não são muito boas — murmurei. Desta vez, ele é quem ri.

— Tenho que concordar. No entanto não sou do tipo que subestima meus adversários. Há sim, alguns candidatos bons — ele faz uma pausa — Mas é claro que eu sou melhor — brinca.

Passamos um tempo apenas dançando, quando decido falar.

— Não teria conseguido nada se não fosse a fé que depositou em mim — confidenciei — Se não fosse por você, por seu incentivo, não estaria aqui hoje, podendo ajudar as pessoas que gosto e aquelas que mais necessitam.

Ele sorri para mim.

— Sabe, Rose — começa — Eu nunca me casei, não tive filhos. Mas você me mostrou um pouco de como é isso. Sabe do grande carinho que tenho por você.

Me emocionei com sua declaração.

— Que Ronald Weasley não nos escute — olhei em volta conferindo se o ruivo ciumento não estava por perto — Mas sinto por você quase o mesmo que sinto por ele. Afinal, são cinco anos lhe aturando, se não tivesse um pouco de amor, teria desistido.

Nós rimos juntos e nos abraçamos depois da dança. Após se despedir de mim e de Molly, ele se dirigiu à saída junto de Larah e eu tive que voltar às minhas funções. Sem o Ministro presente, aí sim eu teria que tomar conta de tudo com muito mais cautela.

Estava começando a ficar cansada. Todo aquele alvoroço em cima de mim, tendo que parar para cumprimentar alguém a cada passo que dava estava me sufocando. Mesmo assim, não podia recusar ou reclamar, muitas daquelas pessoas estavam dispostas a depositar seu dinheiro no meu projeto e eu deveria agradecer com muita atenção. Devo ter ficado pelo menos duas horas nessa de atender a todos e percebi que felizmente as pessoas começaram a ir embora. Inclusive minha família, que me encontrou para se despedir. Pedi desculpas por não ter podido ficar mais tempo com eles, mas me tranquilizaram dizendo que em sua época era ainda pior.

Cheguei ao fim do baile. Cansada, mas cheguei. O coque que prendia meus cabelos começava a se desfazer e pude sentir a maquiagem pesando em meu rosto. Restavam algumas poucas pessoas lá, ninguém muito importante, então decidi ir embora. Caminhei até uma mesa ao canto e praticamente me joguei numa cadeira ao lado do loiro que bebericava algo que não fazia ideia do que era.

— Estou com fome — reclamei. Ele me olhou incrédulo.

— A comida da festa não foi suficiente para você?

— Eu mal comi, estava ocupada demais com minhas obrigações — justifiquei — O que está bebendo?

— Suco de abóbora — encarei-o curiosa — Tenho que estar no hospital amanhã cedo. Era para eu estar lá agora, mas tive que trocar de horário para apreciar a ruiva mais genial de todo mundo bruxo discursando.

Ri do seu exagero.

— E aí? Você gostou?

— Não é como se eu nunca o tivesse escutado, não é mesmo? — provocou — Contudo, ver você prendendo a atenção de todos daquele jeito foi admirável e, se me permite dizer, muitíssimo bela.

Ruborizei e não disse mais nada. Analisei o menu por um tempo, até decidir o que comer.

— Tortinhas de tomate seco — disse em direção ao prato e de repente elas apareceram em minha frente, prontas para serem devoradas.

〰✍

— Nem acredito que deu tudo certo, estou tão aliviada — comentei assim que chegamos em minha casa. Me apressei em sentar no sofá para tirar as sandálias de salto alto que estavam matando meus pés. Gemi de alívio quando senti-os tocando o tapete felpudo.

Molly foi incrível em cada detalhe da festa e me permiti comemorar o sucesso de meu projeto. Mal podia acreditar que se tornara concreto, que a partir dali e de poucas burocracias que ainda estavam por vir, finalmente poderíamos colocar em prática algo que beneficiaria esta parcela tão marginalizada da comunidade mágica.

— Que você seria um sucesso eu já sabia. Estou mais surpreso com o fato do seu irmão não ter feito nenhuma gracinha — Scorpius expôs enquanto desatava o nó de sua gravata — Podia apostar que ele ia nos dedurar para seus pais. Francamente, não tenho mais idade para este tipo de problema.

— Ele não sabe que estamos juntos de verdade. De qualquer forma, Hugo tem o rabo mais preso com meus pais do que eu, e além disso ele se desculpou pelo ocorrido — tentei tranquilizá-lo — Mas tenho que comunicar meus pais sobre nós. Sabe, agora que é oficial — não pude deixar de esboçar um sorriso — Acho até que vocês se dariam muito bem. Você torce para o Chudley Cannons, já é um começo.

— Preciso me preparar, ruiva — avisou com uma risada meio forçada. Ele estava temeroso — Não tenho tanta certeza assim sobre uma boa recepção. Não duvido da hospitalidade dos seus pais, mas não vamos nos esquecer que sou um Malfoy e que eles têm toda razão de se ressentirem com minha família — declarou um tanto triste — Mas falamos disso uma outra hora, agora só quero curtir minha namorada. — concluiu lançando um sorriso para mim, desta vez muito sincero.

Retribuí e encarei-o enquanto eu retirava os grampos que prendiam meus cabelos. Ele estava com um ar despojado com aquela gravata solta no pescoço e a camisa com alguns botões abertos. Era sexy. E ver que ele estava preocupado com meus pais descobrindo sobre nós o deixava vulnerável, porém mais sexy ainda. É Rose, para quem sempre teve fama de puritana, até que você está tendo pensamentos bastante impuros com o garoto dos Malfoy.

— O que está olhando? — indagou dobrando o blazer que acabava de tirar de seu corpo.

— Você — respondi rapidamente — Está muito bonito hoje.

Ele pareceu... Constrangido?

— Ah é? — acenei positivamente. Ele se aproximou, ficando em minha frente e se abaixando para sussurrar em meu ouvido — E você está absurdamente sensual hoje, Rose Weasley.

Fechei os olhos pude sentir meu corpo formigando por inteiro apenas com aquela frase. Gostaria de poder culpar o whisky de fogo por minhas reações, mas a verdade é que não havia bebido uma gota sequer naquela noite. Era puramente o cheiro, a imagem e a voz de Scorpius Malfoy me inebriando totalmente. Engoli em seco. Seria difícil resistir a ele. Mais difícil ainda porque eu nem estava tentando.

Ele se afastou, indo em direção ao banheiro. Quando ouvi a porta bater, soltei o ar que nem sabia que estava prendendo. Teria que me controlar mais. Respirei fundo e terminei de retirar os grampos, tendo a certeza de que estava descabelada.

Scorpius voltou, ainda com a gravata pendurada no pescoço, mas desta vez com todos os botões da camisa abertos. Este homem quer me provocar. Para seu azar, eu também pude aprender um pouco desta arte no último mês. Tentando manter a naturalidade, me levantei e fui até onde ele estava parado, curioso. Me virei de costa e juntei meu cabelo na mão, trazendo-o para frente.

— Pode abrir, por favor? — falhei na missão de não transparecer nervosismo.

Ele nada respondeu, apenas senti duas mãos em minhas costas, abrindo botão por botão do meu vestido sem pressa. A cada casa que ficava vaga, sentia o vento em minhas costas e seus dedos gelados tocando delicadamente a pele exposta, me causando arrepios. Pareceram horas naquela tortura, que só fez piorar quando ele decidiu distribuir beijos por ali, de baixo para cima, até chegar em minha nuca. Suspirei sentindo seu corpo tocando o meu, pele na pele e seus lábios encontrando o lóbulo de minha orelha.

Me virei para ele e com a respiração entrecortada, tomando cuidado para que a parte da frente do vestido não revelasse muita coisa, decretei decidida:

— Vamos para o quarto.

Scorpius me beijou com fervor, numa urgência nunca antes sentida. E fomos assim até chegar ao nosso destino, aos tropeços e risadas durante o curto caminho.

Nos jogamos na cama e curtimos mais alguns instantes de beijos intensos, até que ele se levantou. Fiquei com medo dele ter desistido como na outra noite, entretanto sua expressão deixou claro que isso nem passava pela sua cabeça. Ele retirou os sapatos e as meias que calçava com bastante pressa. Se despiu também da camisa branca e jogou a gravata longe. Enquanto isso eu estava deitada na cama, erguendo um pouco o tronco e me apoiando nos cotovelos apenas para admirá-lo. Meu coração ia sair pela boca, tinha certeza.

Scorpius voltou para a cama e se deitou sobre mim, nunca parando de beijar. Hora a boca, hora o pescoço. Mordia meu lábio inferior a cada beijo demorado. Tinha certeza que estava com a boca inchada, mas não me importava. Ele foi direcionando os beijos cada vez mais abaixo, chegando ao meu colo. Delicadamente, tocou a manga de meu vestido, puxando-a para baixo. Entendi o que ele queria e o ajudei a passá-las pelos dois braços. Estava cada vez mais exposta, mas tomada por um desejo incessante que conseguia tirar de mim toda preocupação com o que viria a seguir. Só queria aproveitar o agora.

Ele volta a me beijar, voltando a fazer o caminho de antes, desta vez empurrando meu vestido para baixo com a boca. Quando seus dedos gelados encontraram meu colo, não pude deixar de arfar, desejando cada vez mais contato. Contudo, não pude aproveitar a situação por muito tempo porque reparei numa luz vermelha no chão do quarto. Fiquei intrigada porque a luz se intensificava cada vez mais.

—Scorp... — chamo com um pouco de dificuldade, já que ele estava fazendo um trabalho muito bom beijando a parcela dos meus seios descoberta recentemente — Scorpius — chamo novamente com a voz mais firme e ele me olha — O que é aquilo? — aponto para a luz que começava a iluminar o cômodo.

Ele encara espantado e sai às pressas de cima de mim, começando a se vestir e percebo que a luz estava saindo de sua varinha, jogada em algum lugar no chão. Ele a apaga, mas está com uma expressão horrível no rosto.

— Essa luz sai da varinha quando tem alguma emergência no St. Mungus. Deve estar havendo algo com algum paciente meu. — esclarece, terminando de arrumar a calça e começando a abotoar a camisa — Inferno sangrento, eu espero que seja algo bem sério mesmo para me tirar daqui logo agora. — resmungou.

— Scorpius! — ralho com ele, mas me divertindo — É a vida de alguém!

— Ah, você sabe que não falei por mal. — justificou sentando ao meu lado para calçar os sapatos — Volto assim que terminar, mas não garanto nada, então não vou pedir que me espere. — avisou e beijou minha boca, se despedindo. Sorri para confortá-lo. Entendia perfeitamente as exigências de seu ofício.

O loiro deixou o quarto, e foi praguejando até a sala para partir da minha lareira.

Me levantei após alguns minutos e retirei o vestido, disposta a tomar um banho, mas uma luz azul intensa que se aproximava da minha janela me fez mudar de ideia. Quanto mais próximo, mais certeza eu tinha sobre o que era e mais preocupada ficava. Uma borboleta brilhante atravessou o vidro que separava o céu noturno de fora do cômodo em que eu estava, parando em minha frente. Era o patrono de Larah e dele, o recado de sua conjugadora ressoou por todo o cômodo:

"Lince ferido. Código cinza."

O desespero tomou conta de mim. Sem pensar duas vezes, vesti uma roupa qualquer no armário e entrei em minha lareira rumo ao St. Mungus.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.