Nunca Fui Beijada

7 A tal da demissão


Notas iniciais
Oi amores do meu coração! Primeiro Capítulo de 2016, que alegria! Um ótimo ano para todas nós. Agora vamos ao que interessa: sexta sai o resultado do ENEM e eu provavelmente vou morrer, então torçam por mim, porque se eu morrer, ninguém saberá o final desta fic linda e maravilhosa. Beijos para vocês minhas lindas e boa leitura. Não esqueçam dos reviews.

R O S E G R A N G E R – W E A S L E Y

— Então quer dizer que você foi promovida e Molly irá trabalhar com você agora? – indagou o rapaz.

— Sim, não é maravilhoso? – tornei mil vezes mais empolgada.

— Sim Rose, é. – concordou monotonamente.

— Hugo. – repreendi-o – Não está feliz por mim? – questionei chateada – Claro que não está. – concluí, cruzando os braços – Nem se deu ao trabalho de largar estas malditas panelas para conversar comigo. Não se preocupe, estou saindo.

Retirei-me o mais depressa que pude daquele ambiente. O restaurante não estava tão cheio, o horário que escolhi foi exatamente para que ele dispusesse de tempo para gastar comigo. Minha promoção havia se dado há três dias, e até então não havia contado a ninguém. Apenas Scorpius soube, porém por sua intromissão, não por vontade minha. Gostaria que meu irmão fosse o primeiro a saber, e ele simplesmente banaliza a grande conquista da minha vida. O anúncio oficial deveria ser feito no Profeta Diário da próxima semana, quando o treinamento básico terminasse. Já estava na rua quando o caçula me alcançou.

— Você anda depressa, mesmo de salto. – comentou apontando para as minhas botas na tentativa de descontrair um pouco as coisas, o que não funcionou, pois eu já estava com raiva.

— É, estou acostumada, agora se não se importa, preciso ir para casa. – desconversei, voltando a andar na direção de qualquer beco deserto.

— Rosie, me perdoe por isso. – pediu, seguindo-me – Estou muito feliz por você.

— Não é o que parece. – parei abruptamente, instigando-o a fazer o mesmo – Era para estar radiante, Hugo. Quis que você soubesse antes de todos porque é a pessoa mais espirituosa e alegre que eu conheço. Pensei que sairíamos para comemorar e comeríamos a noite inteira, da mesma forma que fizemos quando você abriu o restaurante.

— Veja bem, Rose. – começou meio encabulado – Não é a mesma coisa.

— Eu sei, trabalhamos em coisas totalmente diferentes. – expus o óbvio.

— Não é exatamente o que eu iria dizer. – prosseguiu, bagunçando os cabelos com as mãos em claro sinal de nervosismo.

Então eu entendi, e fiquei chocada com o que ele insinuava.

— O que quer dizer, por acaso, é que as suas conquistas foram maiores e mais importantes que as minhas? – perguntei já nervosa – Não se dá conta do quanto eu estudei, trabalhei e me dediquei para que isso acontecesse? Me privei de muitas coisas Hugo. Viagens, festas, noites de sono. Me privei de viver.

— Então é isso? – elevou o tom de voz também – Acha que tudo o que consegui foi fácil?

— Eu não disse isso.

— Foi exatamente o que disse. Ficar decorando matérias e programas é moleza, se comparado à complexidade de criar uma receita, de dar personalidade às suas criações para que estas sejam únicas. Você só precisa armazenar tudo, Rose, sequer possui o trabalho de pensar.

Guinchei indignada.

— Para que eu fosse aceita em meu antigo cargo, tive de criar um projeto para cortes de gastos no Ministério, e agora, meu papel será redigir uma lei que terá de ser aprovada para que eu, de fato, assuma o novo trabalho.

— Ora, grande coisa. – debochou – Quem vai ler o seu projeto? A mamãe? Muito difícil mesmo.

Ele fora longe demais. Simplesmente saí bufando de lá, e sem observar tão atentamente a rua, coisa que faço sempre, desaparatei, chegando em casa e caindo em meu sofá logo em seguida.

Por mais que fossem cruéis, as palavras do meu irmão fizeram-me repensar sobre muitas coisas. E, querendo ou não, isso mudaria meu modo de pensar. Acabei por dormir ali mesmo, porém, com uma decisão tomada.

No dia seguinte, acordei no mesmo horário, cumpri a mesma rotina de casa e segui para o Ministério. Chegando lá, dei de cara com a minha prima, com a qual já estava me habituando. Molly era exagerada, o que não era necessariamente um defeito, na verdade, só se tornava um defeito quando ela era honesta demais, como agora.

— Você está péssima. – foi a primeira coisa que ouvi dela naquele dia, que mantinha uma postura impecável por detrás da mesa de madeira. Ela usava um batom carmim que realçava seus lábios carnudos – O Ministro está aguardando você na sala dele. – informou – Quer que eu guarde seu casaco?

— Não, obrigada Molly. – disse antes de entrar às pressas na sala de Kim, com a bolsa a em mãos.

— Rose, é bom que tenha chegado. – saudou simpático, com um sorriso nos lábios. Aquilo seria difícil, muito difícil – Larah disse que vem à tarde e deixou muitos processos para você analisar. Isso é ótimo para desenvolver seu senso crítico e exercitar sua...

— Eu me demito. – declarei num só fôlego, com força e precisão.

O choque e a confusão expressos no rosto de Shacklebolt quase fizeram-me repensar em minha decisão, no entanto, permanecia firme. Não poderia dar para trás, não naquele momento.

— Espero que esteja brincando. – falou.

— Não estou, senhor. Refleti muito a respeito disso e cheguei à conclusão de que tudo o que me foi oferecido é demais para alguém como eu.

— Alguém como você? Uma jovem determinada, inteligente e competente?

— Não, senhor. – corrigi – Filha de Ronald e Hermione Weasley. Não posso ter a certeza de que eles não influenciaram em minha jornada até aqui.

Me doía dizer tudo aquilo. Só eu sabia o quanto me esforcei e lutei para conseguir estar onde estava. O quanto corrigia e analisava cada ponto de cada prova que fazia, em busca de algo que não fosse justo ou legal. Não encontrei nada, em todos os anos de dedicação. E naquela hora, estava jogando tudo no lixo por medo de que as pessoas pensassem que eu fosse uma fraude. Meu trabalho era para o povo, e ele não poderia desconfiar de minha competência.

— Não posso aceitar, Weasley. Sinto muito. – ele decretou – Não sei suas reais razões, todavia, enquanto não vier com um pedido formal e uma justificativa concreta, não irei conceder-lhe nada.

— Mas, senhor, meus argumentos são válidos.

— Não são. Você está injuriando uma autoridade, insinuando que não sou justo em meus processos seletivos. – recostou-se à cadeira – Tenha um bom dia, Rose.

— Senhor...

— Um bom dia.

Foram suas últimas palavras para mim dento da sala.

Reconhecia quando era derrotada, quando não tinha mais jeito. Discutir com Kim não era a melhor opção. Talvez demissão por justa causa não fosse assim tão ruim. Embora não quisesse meu currículo manchado, faria algo de errado para conseguir sair dali, caso fosse preciso.

— Você está bem, Rose? – Molly questionou ao reparar em mim tão pensativa.

— Sim, Molly, estou. – fui simpática – Precisa de ajuda em algo?

— Na verdade, não estou entendendo muito bem o processo de separação dos relatórios. – revelou envergonhada.

— Também não entendi de primeira quando cheguei aqui. Não se preocupe. – sorri – Vamos trabalhar nisso.

Só porque queria sair dali, não queria dizer que Molly precisava se prejudicar por isso, portanto coloquei meus objetos sobre a mesa destinada a mim e começamos a trabalhar. O tempo passou rápido, logo era hora do almoço. Molly saiu mais cedo e eu estava terminando de arrumar minhas coisas para me dirigir ao refeitório quando dou de cara com ele: o intruso mais gentil do mundo, vestido com uma camisa azul que combinava com os olhos dele e calças jeans. Os tênis nos pés, ainda que com um toque sério, deram um charme a ele.

— Boa tarde, Rose. – o loiro cumprimentou – Vamos almoçar juntos.

— Obrigada pelo convite, Scorpius, mas tenho muito o que fazer aqui.

— Não foi um convite. Foi uma ordem médica. Fui mandado aqui com a missão de fazê-la voltar a raciocinar com coerência. – terminou com um sorriso.

Revirei os olhos. Não acredito que Kim fora capaz disso. Assenti derrotada. A companhia era agradável e, no final das contas, era só um almoço.

— Aliás. – continuou – Você tem o resto do dia de folga.

Saímos do ministério e caminhávamos por uma rua qualquer nos arredores da sede.

— Vai contar o que há com você ou terei de insistir ainda mais? – Scorpius tentava me convencer – Vamos, Rose. Sei que não gosta de enrolação. Por que pediu demissão?

— O Ministro provavelmente já lhe disse. Qualquer coisa que sair da minha boca será apenas a repetição do que você já sabe. Não faça isso comigo, Scorpius.

Ele parou de andar e encarou-me, passando as mãos pela barba, pensando.

— Nós dois sabemos que o que disse a ele não é totalmente verdade. – acusou – Não quer sair por achar que os meios que a fizeram chegar ao topo são ilegais ou imorais. Quer sair porque alguém colocou isso em sua cabeça, bagunçando seus pensamentos e fazendo-a chegar à falsa conclusão de que é a atitude mais sensata. – expôs seu ponto de vista e logo continuou o trajeto – O que não compreendo é quem faria algo desse tipo. Será a sua prima, que agora ocupa seu antigo cargo e almeja tanto o atual que é capaz de atitudes sórdidas para isso? Ou poderia ser uma namorada ciumenta que não suportaria ver sua futura esposa se dedicando mais à carreira do que a ela? – apresentou seu ponto de vista – Pode até ser um funcionário do Ministério que tem rancor da sua família e destrata você por essa razão. Não sou burro, percebo o que está à minha volta, portanto desembuche.

Scorpius entendia mesmo o cerne da questão, apenas não entendia o que o fazia pensar que eu tinha alguém romanticamente falando. Ainda mais uma mulher. Movida pela curiosidade e na esperança de que ele desistisse daquele assunto, indaguei:

– Como assim uma namorada ciumenta?

Ele coçou a nuca, um tanto desconcertado.

– Bom, você nunca demonstrou de fato estar com alguém, mas lembra aquele dia na minha casa? – assenti – Perguntei o que era necessário para que alguém a visse sem camisola e você respondeu que...

– Precisava ser uma mulher. – completei antes dele, compreendendo a situação – E aí concluiu que eu gostasse de garotas? – perguntei prendendo o riso.

– Bem, é. – ele não estava muito confortável.

Não é porque não possuía uma vida amorosa movimentada que não me atraía pelas pessoas e nunca havia sido por uma mulher. Acho que saberia se gostasse. Lily sempre soube. Também não era da conta dele, mas uma parte de mim sentia necessidade de esclarecer as coisas.

— A resposta daquele dia foi só uma maneira de dizer que só me coloco nessas situações perto das minhas amigas. Não quis dizer que gostava de mulheres desse jeito.

Ele assentiu e pensei que o constrangimento o deixaria calado pelo menos até chegarmos sei lá onde estávamos indo, mas não tive sorte.

— Voltando ao assunto, vai contar quem encheu sua cabeça de caraminholas?

— Ninguém disse nada. – garanti, mesmo que não fosse verdade. Não era minha intenção indispô-lo com Hugo quando seu objetivo principal era o contrário – Com tanto trabalho, eu acabava não pensando em outras coisas, como o motivo pelo qual estava ali. Com apenas uma noite de reflexão pude perceber que dediquei meus melhores anos a uma farsa.

— Por favor, parece uma velha falando assim. – zombou, embora parecesse irritado – Francamente, Rose, esperava uma mentira mais elaborada vinda de você. Algo que envolvesse o alinhamento das estrelas e ataques de dementadores. – fez piada – Por aqui. – envolveu minhas costas com suas mãos fazendo-nos entrar numa casa de chá.

— Está duvidando de mim Malfoy. – rebati – Não quero ficar em lugar nenhum. Quero voltar ao escritório, recolher minhas coisas e ficar o resto do dia em casa me acabando em lágrimas e procurando por outro emprego em meio aos anúncios do Profeta Diário. – respondi com sinceridade, escolhendo uma mesa ao fundo do estabelecimento.

— Não conseguiu me convencer, quem sabe numa próxima. – o loiro manteve-se firme em sua opinião, porém não se acanhou em abancar-se ao meu lado.

Logo a atendente, uma moça que não aparentava ter mais que dezoito anos, chegou para anotar nossos pedidos. Meu amigo encarregou-se de escolher os quitutes que nos seriam servidos enquanto eu observava a movimentação no restaurante. Não sabia a razão de Scorpius gostar tanto de estabelecimentos trouxas, porém notei que ele possuía bom gosto. O lugar era, de fato, muito agradável e a vista que tínhamos da rua clássica era esplendorosa.

— Fico imaginando como seriam as nossas vidas se bruxos e trouxas convivessem em harmonia. – apresentei minha reflexão – Se eles soubessem de nós, como seria?

Scorpius ponderou por alguns instantes antes de responder.

— Não acredito que seria agradável. – disse despertando uma careta de desagrado em mim – Estou sendo realista, Rose. – justificou – Haveria guerras e mortes. As pessoas não conseguem conviver com o diferente e ficarem quietas com isso por muito tempo. Em nenhum dos mundos, seja ele bruxo ou trouxa.

— Compreendo, porém, é impossível não imaginar.

— Também já pensei nesta possibilidade com olhos mais ingênuos, Rose. Não estou repreendendo você.

— Está insinuando que sou ingênua? – perguntei indignada.

— Eu não disse isso, Rose. – revirou os olhos – Mas se o chapéu lhe coube, o que posso fazer? – resmungou quase inaudível, no entanto consegui ouvir.

— Eu não sou ingênua, Malfoy, faça-me o favor! – elevei meu tom de voz.

Não sabia o motivo, todavia a ideia de que Scorpius olhava para mim e via nada mais que uma mente infantil incomodava-me. Eu era uma mulher adulta, afinal de contas.

— Não se irrite, está bem? – pediu num sussurro, visto que muitas pessoas naquele recinto nos encaravam com certa curiosidade. Bando de enxeridos. – Desculpe.

— Está desculpado. – falei entredentes.

Não demorou muito para que a garota retornasse equilibrando uma bandeja que continha duas xícaras e um bule de porcelana. Ela alegava que não tardaria a voltar, trazendo o restante dos pedidos. Percebi que a garçonete apresentou um leve rubor ao receber um sorriso de agradecimento vindo de Scorpius.

— Ela é apenas uma menina, não deveria fazer isso. – alertei-o, colocando um pouco de chá em ambas as xícaras. Aspirei o aroma. Camomila – Por que pediu chá de camomila?

— Para acalmar você. – esclareceu, tomando um gole. Lancei a ele um olhar raivoso. – Viu só? É exatamente por isso. – riu gostosamente – E quanto à garota, fui apenas educado.

— Seja menos educado, então. – aconselhei, despertando nele um sorriso meio torto.

Decidi não discutir mais. A garçonete, que descobri atender pelo nome de Anne, trouxe para nós bolinhos de laranja com uma cobertura maravilhosa. Segundo o loiro, era de chocolate belga.

— Ainda não desisti de descobrir as razões pelas quais largou o seu emprego, Rosie. – recordou-me quando terminamos de comer – Nós dois sabemos que você está mentindo para mim. Caramba, Rose, sou seu amigo, será que não pode confiar em mim? – demonstrou tristeza. Scorpius estava chateado comigo.

— Não se trata de confiança, Scorpius. Trata-se da minha escolha e do respeito que você não tem por ela.

— Se fosse uma escolha coerente, você teria todo o meu respeito, só que não é Rose. Alguma coisa está interferindo seu raciocínio logico, e eu quero muito saber o que é. Só assim vou poder ajudar você.

— Eu não preciso de ajuda. – sussurrei me segurando para não gritar – Já me resolvi, não vou voltar atrás. O que me levou ao ministério foram contatos de pessoas importantes e favores que precisavam ser cobrados. – suspirei – Eu não mereci.

— Como pode dizer algo assim? – Malfoy envolveu minhas mãos nas suas por cima da mesa – Você é maravilhosa, Rose Weasley. Desde Hogwarts esse era seu sonho. Lembra-se de quando virava noites estudando os exames do Ministério e sequer estudava para as matérias da escola? Não que precisasse, mas aquilo era dedicação, Rose. Não é possível que tudo tenha se perdido aí dentro da sua cabecinha porque um imbecil importunou-a com ideias errôneas.

— Ele não é um imbecil! – protestei e logo notei a burrada que havia feito. Um sorriso travesso apresentava-se nos lábios finos e rosados de meu amigo traidor – Você fez de propósito. – concluí, recolhendo minhas mãos.

— Ainda diz que não é ingênua. – cantarolou – Agora pode ir dizendo. Quem “expandiu seus pensamentos”?

— Não vou dizer. – garanti firmemente.

— Ok, vamos embora. – ele disse levantando-se e deixando uma boa quantidade de notas em cima da mesa. Anne ficaria feliz com a gorjeta.

Durante o trajeto de volta ao banheiro que dava acesso ao Ministério, Scorpius manteve-se calado o tempo inteiro, e eu não quis puxar assunto também.

— Você está enfurecido. – deduzi, com a cabeça baixa. Não queria que ele ficasse com raiva de mim.

Ele suspirou antes de responder.

— Não, Rose. – negou com a voz suave – Estou triste por você estar jogando a oportunidade da sua vida para os ares por causa de uma merda qualquer. Deveria ter mais confiança em si mesma. Alguns funcionários do hospital dizem que vou chegar à presidência por nepotismo. Isso não é exatamente uma mentira. Meu pai escolheu a mim e o que eu faço todos os dias é mostrar àqueles idiotas que estão errados, que, apesar de ser o filho do chefe, eu mereço estar ali tanto quanto qualquer outro. Pense nisso, está bem? Você era da Grifinória, fique e enfrente. Não se esconda, leoa.

Ri com seu conselho final. Scorp tinha razão. Eu deveria honrar a minha casa.

— Obrigada, Malfoy. – agradeci, abraçando-o. Ele retribuiu de bom grado antes de separar-nos e me encarar com um sorriso sincero.

— O que vai fazer, então? – indagou curioso.

— Não sei. – declarei honestamente – Mesmo assim, sou grata a você. E, falando nisso, precisamos conversar sobre nosso plano.

— Plano? Que pla... Ah, o plano! Sim, vamos falar sobre isso outra hora. – certificou – Agora volte ao trabalho.

Assenti tomando minha decisão. Entrei no banheiro e dei a descarga, chegando ao Ministério. Podia ser impressão minha, entretanto senti muitos olhares sobre mim. Meu rosto ficou quente e levei minhas mãos até a barra do meu vestido, assegurando-me de que ela estava em seu devido lugar. Meu cabelo também parecia em ordem. Franzi o cenho e resolvi ignorar. No final das contas não precisei da tarde inteira para voltar a cabeça para o lugar. A pressão dos últimos dias, as surpresas que recebi não me fizeram bem, contudo estar com Scorpius esvaziou minha mente ao invés de enchê-la de bobagens. Ele tinha razão. Mesmo que eu estivesse em meu cargo por algum tipo de influência, não importava. Eu era competente e sabia disso. Larah confiava em mim, o Ministro também. Eu deveria enfrentar o que viesse com unhas e dentes. Era tudo paranoia minha. Hugo estava apenas ressentido com algo.

— Rose! – Molly exclamou assim que coloquei os pés em nosso local de trabalho – Fiquei preocupada, o Ministro contou o que houve. – colocou-se de pé à minha frente – Se você se demitir eu te mato. Não quero uma superior chata. Se eu assumisse seu posto, tudo bem, mas não assumo, então trate de continuar trabalhando.

— Molly, fique calma. – pedi rindo enquanto segurava seus ombros – Não se desespere, está bem? – ela assentiu – Kingsley está aí?

— Sim, pode entrar. Está sozinho.

Agradeci minha prima antes de bater à porta da sala de Shacklebolt. Ele a abriu com magia e mandou que eu me aproximasse ao passo que fechava-a novamente.

— Pensou sobre o ocorrido? – sua voz grave questionou-me.

— Sim, senhor.

— E o que tem a me dizer?

— Se é para o bem de todos e a felicidade geral da nação, diga ao povo que fico. – citei uma frase que agradou-me bastante quando estudava a história dos países com os quais possuímos relações econômicas.

— Isso me alegra, de fato, Rose. – expressou, sorrindo – Malfoy é realmente eficiente. – comentou, o que causou riso em mim – Quanto ao dia de folga, considere. Diga isso à sua prima também. Iremos encerrar os trabalhos por hoje, sim? Amanhã bem cedo teremos uma entrevista para o Profeta Diário anunciando as mudanças desse cargo importante e preciso das duas muito dispostas para a função. Rita Skeeter é ardilosa e a velhice deixou-a ainda mais rabugenta. – brincou.

Retirei-me de sua sala com o objetivo de avisar a Molly a respeito de nosso período de descanso prolongado, porém sou impedida por uma pessoa sentada numa das poltronas dispostas ali.

— O que veio fazer aqui, Hugo? Esfregar mais uma das suas verdades absolutas na minha cara? – eu amava o meu irmão, no entanto, a confusão que ele causou em mim era irreparável, e eu estava magoada.

— Rose. – chamou, aproximando-se de mim – Eu vim pedir desculpas. – seu tom era abalado. Ele sabia que havia feito besteira.

— Ótimo. Todos acordamos hoje com a intenção de pedir alguma coisa. Você pedindo desculpas, eu a demissão.

Seus olhos se arregalaram em surpresa. Sabia que estava sendo má demais.

— Rosie, não faça isso, por favor. – suplicou – Eu não estava bem, não estava em juízo perfeito eu... eu... – ele não tinha argumentos, apenas desespero.

— Tudo bem, Hugo. Eu continuo no emprego. – informei e ele suspirou aliviado – Não graças a você. Eu realmente pedi minhas contas, mas mudei minha decisão.

— Está tudo bem entre a gente? – perguntou esperançoso.

— Sim, está. – atestei – Está perdoado, Huguinho.

Sem pensar duas vezes, ele me abraçou, sorrindo. E eu sorri junto. Era meu irmãozinho, não tinha como ficar com raiva dele. Fechei os olhos sentindo seu aroma de temperos. Era engraçado e inusitado, mas eu gostava.

— Vou fazer o que quiser a partir de agora. – prometeu – Cozinhar tudo o quiser, principalmente sobremesas. E também nunca mais irei zombar de você por nunca ter beijado ninguém.

Ouvi um baque ao fim da frase do meu irmão e abri meus olhos alarmada. Separei-me dele e encarei Molly, que parecia perplexa. Apavorei-me um pouco, esperando de prontidão seu questionamento:

— Como assim você nunca beijou?