Nunca Fui Beijada
8 O tal do modo leoa
Notas iniciais
R O S E G R A N G E R – W E A S L E Y
Coloquei os acontecimentos em ordem na minha cabeça. Peço demissão, tomo chá com Scorpius Malfoy, desisto da demissão, Hugo vem me pedir desculpas, acaba falando mais do que deveria e Molly ouve. Isso me deixa numa situação muito desconfortável e meu irmão com as orelhas vermelhas de vergonha. Era melhor que se envergonhasse mesmo, pois o que eu menos gostaria que acontecesse acabou de acontecer.
– Foi um engano. – tentei enrolá-la enquanto me separava do ruivo – Ele só estava brincando. – forcei um riso.
– Não foi engano. – disse seriamente, aproximando-se e desviando dos papéis que derrubou no chão – Como consegue? – sussurrou.
– Molly, já disse. Foi uma piada. – tentei soar mais convicta dessa vez.
– Está na cara do Hugo que não foi. – afirmou, e ao encarar meu irmão, percebi que estava praticamente escrito em sua testa que o que dissera era a mais pura verdade. Ele nunca soube mentir.
Hugo não podia me ajudar e Molly não tinha mais dúvidas. Não havia outra opção a não ser contar. Não sentia vergonha por isso, de fato. Só não gostaria que a notícia se espalhasse.
– Tudo bem, é verdade. – dei-me como derrotada – O que você ouviu é um fato concreto.
– Rose, me desculpe, por favor. – sussurrou o ruivo em meu ouvido – Não tive a intenção.
– Tudo bem. – garanti, embora não estivesse tudo bem. Ele não sabe sustentar uma mentira como eu sei, reconhecia essa característica – Pode ir, se quiser.
– Pensei que poderíamos sair, passear um pouco. – sugeriu.
– Obrigada, contudo, deixemos para outra ocasião, ok?
– Está certo. – aceitou – Até mais. – despediu-se.
Despedi-me também. Logo que ele virou o corredor, Molly voltou-se para mim.
– Você me deve explicações, mocinha. – cobrou exasperada.
– Não devo não. – cantarolei, ajoelhando-me para recolher os objetos caídos.
Antes que pudesse iniciar a tarefa, os papéis magicamente organizaram-se sobre a minha mesa. Molly encarava-me desafiadoramente.
– Rose, fiquei curiosa. – confessou – Como conseguiu viver durante 25 anos sem usufruir dos prazeres da vida?
– Primeiro, tenho 24. – corrigi – E o que você quer dizer com “prazeres da vida”? tenho uma ótima vida, se quer saber.
– Você não é ingênua a ponto de não saber a que me refiro. – maliciou – Sexo, Rose. – sussurrou.
Bufei, irritada.
– Não quero que se intrometa, Molly. É assunto meu, está bem? Trata-se da minha intimidade.
– E eu pensando que você estava saindo com o doutor gostosão. – apontou frustrada – Você precisa mudar de vida. Não vou deixar que alguém da minha família morra sem saber o prazer inigualável de um oral bem feito. – assustei-me com seu linguajar, o que não passou despercebido – Não irei fazer em você, se é o que está pensando, isso é incesto. – fez uma careta de nojo – Vamos encontrar um cara legal, vocês irão se beijar e, quem sabe, namorar? – idealizou – Porém, se não quiser um namorado, a parte do sexo pode ser resolvida do mesmo jeito. – cochichou.
– Molly. – comecei um tanto constrangida – Imagino que suas intenções são as melhores, no entanto, não irei aceitar.
– Espere, nem fiz a melhor oferta ainda. – continuou, ignorando-me totalmente – Você ficará poderosa, Rose. – declarou com se tivesse descoberto a cura para queimaduras de dragão
Suspirei. Aquilo seria difícil.
– Molly. – chamei novamente – O problema é que eu não preciso de ajuda. – ela encarou-me ironicamente – Tudo bem, eu não quero ajuda. Estou bem, minhas coisas estão bem encaminhadas, meu futuro garantido. Não está na hora de me preocupar com coisas banais.
– Coisas banais? – repreendeu-me – Vamos nos sentar. – apontou as cadeiras para visitantes dispostas ali. Abancamo-nos e ela logo retornou com seu discurso – Como você se sente em relação ao fato de não ter beijado até hoje?
– O que?
– Você entendeu.
Uma parte de mim dizia para que eu não dissesse nada, que recolhesse meus pertences e fosse para casa descansar. Entretanto, outra parte implorava para que eu ficasse e derramasse todos os meus receios sobre ela. Sempre quis ouvir uma opinião feminina a respeito do assunto, todavia sentia-me envergonhada demais para recorrer a qualquer uma de minhas amigas. E naquele momento, a oportunidade apareceu. Uma das minhas primas mais distantes estava disposta a me ouvir. Não para oferecer seu ombro para que me acabasse em lágrimas, ou para dizer que estava certa. Ás vezes as pessoas que nos amam não sabem nos dar uma dura ou expor seu verdadeiro ponto de vista por medo de nos magoar. Não que Molly não gostasse de mim, ela apenas possuía a habilidade de dizer a verdade sem se importar com as consequências. Em nossa família, suas opiniões sinceras causavam-lhe problemas. Naquele instante, tudo o que eu necessitava era de seu lado problemático.
– Comecei a sentir os efeitos da adolescência a partir dos treze anos. Minhas colegas de quarto eram convidadas para passeios com garotos mais velhos e voltavam aos pulos pra o dormitório contando suas experiências e eu não me sentia preparada para aquilo. Sentia-me confortável em esperar. – declarei – Mas à medida que os anos se passaram, eu começava a ansiar por convites como os que elas recebiam. Alguns garotos se aventuraram a oferecer-me suas companhias, no entanto sabia que seus reais interesses não tinham nada a ver comigo. Alguns queriam minha fama, outros as respostas para os testes de Poções, e ainda havia os que só queriam se aproximar de minhas colegas de quarto. – prossegui com minha prima escutando atentamente – Aos dezessete percebi que não teria par algum para o baile de formatura. Foi doloroso, mas ainda poderia ter o Albus como companhia. Depois disso, passei a dedicar-me inteiramente ao trabalho, às provas e testes que fazia. Leis, registros e orçamentos ocuparam todo meu tempo e disposição. E é assim até hoje.
– E nesse meio tempo não se apaixonou por ninguém?
– Houve um garoto em Hogwarts. Eu tinha dezesseis quando aconteceu. Ele era bonito e simpático. – sorri com a lembrança – Mesmo assim, alguns anos depois ele me chutou como se fosse um cabo de vassoura podre.
– Ele desiludiu você. – concluiu – Foi por causa dele que não se aventurou mais?
– Não. Ele abriu meus olhos, é verdade, mas não foi desse jeito. Nunca tive coragem de me aproximar de nenhum homem que despertava minha atenção ou me atraía. Sempre fui covarde nesse quesito. – confidenciei – E eles também não ousavam aproximação. – um riso de puro escárnio escapou de meus lábios – Era capaz de acreditar que existia uma aura me envolvendo que impedia a chegada de homens, uma magia feita pelo meu pai, talvez. É ridículo, mas acreditei nisso por tempo demais até me dar conta de que as coisas davam errado por minha causa. Porque eu não era atraente ou interessante o suficiente. No fim das contas, o desejo de ser tomada nos braços de alguém e beijar até que o fôlego me faltasse ficou em segundo plano. Depois terceiro, quarto, até o último. Sou demasiadamente inexperiente para a minha idade, sei disso. Uma mente evoluída não ajuda quando o assunto é conquistar alguém. A maioria dos homens, sobretudo os bruxos, estão à procura de uma esposa submissa, e não estou disposta a isso.
– Você só não encontrou alguém que fizesse seu tipo ainda. Ou talvez até tenha encontrado e deixado escapar. – sorriu para mim – Rose, se dissesse para mim que é feliz assim, deixaria tudo do jeito que está, largaria essa ideia de lado e deixava você com as rédeas da sua vida. Mas não é assim. Quero ajudar você porque se preocupa. Porque espera um dia formar uma família, ter filhos. Porque quer ser aquilo que as pessoas chamam de normal, e acima de tudo, procura um bom romance. Não um incrível e extraordinário em que vocês moverão céus e terras para ficarem juntos. Não. Você quer uma pessoa que a ame e que seja amada por você. Que esteja lá para o que precisar. – enunciou convicta de suas palavras – Não se sente bem do jeito que está. Acomodou-se. Mas no fundo, aí dentro, quer ser desejada, quer vestir mini-saias e calçar botas de cano longo, o maior que puder. Não quer ser assediada, porque acha nojento e repulsivo, porém, quer que um homem se aproxime de você numa festa sendo galante. Estou errada?
– Não. – respondi de imediato, completamente impressionada com sua percepção – Está correta.
Molly sorriu. Um sorriso sincero.
– Todos os grifinórios são leões. – era a segunda vez que ouvia algo do tipo no mesmo dia – Meu pai disse isso a mim uma vez. Você sabe, fui da Sonserina, então não entendo nada desta filosofia louca da Grifinória. Conheço meus defeitos, os meus limites, os meus talentos, assim como os que foram da minha casa. Sou dissimulada desde sempre. Vocês não. Guardam toda a fúria dentro de si e soltam num momento de necessidade. Meu pai achava ter sentido o suficiente desse poder durante a guerra. Então a Lucy nasceu e tudo mudou. Ele viu que estava redondamente enganado. Quando a fofoqueira da Skeeter espalhou para todos o que a minha irmã tinha, ele a defendeu. – assenti, entendo o que ela queria dizer. Lucy fez toda a seriedade e currículo perfeito do tio Percy se esvaírem. Meu pai também falava sobre essa sensação, como se o mundo não fosse capaz de detê-lo. Ele sentia isso com a mamãe, sempre a defendendo – Eu odeio aquela mulherzinha asquerosa e quero que ela queime aquela língua de trapo. Ela fará nossa entrevista amanhã e aposto minha alma que tudo o que quer é tripudiar em cima de nós duas. Mas não vamos deixar. Estaremos impecáveis, tanto por fora quanto por dentro. Aquela mulher vai se arrepender de um dia ter se metido com uma Weasley. – havia um brilho diferente em seus olhos. Maligno e confiante, mas não só aquilo, era, de certa forma, inspirador. E havia um tom de desafio. – Acho que está na hora de libertar a leoa que existe em você, Rose Weasley.
Bem, se até aquele momento o modo presa não havia funcionado, estava na hora de ativar o modo de ataque, o modo leoa.
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Eu esperava um tratamento de choque vindo de Molly, juro. Mas não daquele jeito. Minha prima havia me enganado. Pensei que almoçaríamos juntas ou que ela fosse para a minha casa e passássemos a tarde toda lá, como havia convido. Frustrando meus planos, Molly levou-me ao fabuloso mundo da Londres trouxa, mais especificamente em seu centro comercial.
– Quando disse que iríamos dar um passeio não imaginei que estivesse me trazendo para cá, Molly.
– Não tenho trajes adequados para a entrevista de amanhã. – argumentou – Pensei em algo escarlate ou violeta, chamaria atenção por si só e eu não teria de investir em cortes diferenciados. Cá entre nós, – aproximou-se – adoro ser diferente das chatas do Ministério que estão sempre usando decotes quadrados.
Fitava a Weasley de forma questionadora, o que a instigou a analisar-me por um instante e perceber que o decote de meu vestido era quadrado.
– Não quis ofender. – pedia desculpas pela sua feição.
– Não ofendeu. – resmunguei, embora estivesse ressentida.
– Rose, sabe como sou, não posso mentir para você. – tentou justificar – Não quero mesmo ofender, porém, é difícil não falar que seu vestido é, de fato, horrível. – pontuou – Olha, vamos entrar ali, eu amo aquela loja! – exclamou, puxando-me para o interior de uma loja de langeries.
Distrai-me observando os manequins e não pude esconder certo espanto em meio a tantas peças pequenas. Algumas minúsculas demais. Será que aquela calcinha azul não machuca?
– Gostou de alguma? – Molly sussurrou em meu ouvido de modo divertido.
– Não, só estava olhando. – respondi constrangida.
– Escolha, quero presentear você! – anunciou – Sei que deveria ser ao contrário porque seu salário é bem mais gordo do que o meu, todavia farei este agrado. – sorriu.
Molly fazia de tudo para que me sentisse bem, no entanto aquela não era minha área, não conseguia ficar confortável.
– Estou bem, não preciso de roupa íntima no momento, mesmo assim, obrigada.
– Você não tem alternativa. – expôs mais séria – Ou você escolhe ou eu escolho por você. – concluiu ameaçadoramente.
Suspirei.
– Não sei selecionar essas coisas, costumo comprar tudo quando estou com pressa, nunca prestei atenção nos detalhes e – peguei uma das calcinhas mais próximas, esticando-a entre minha prima e eu – nunca são deste tamanho. Pelo menos três vezes mais largas.
– Isso não é vida, definitivamente. – levantou os braços em forma de rendição – Consegue se sentir sexy?
Demorei alguns segundos para responder, embora soubesse a resposta. Não, eu não me sentia sexy, mas não acreditava que uma calcinha menor pudesse mudar isso. Mesmo assim, me deixei levar pela insistência de minha prima.
– Você venceu. – dei-me como derrotada – O que sugere?
A ruiva dava pulinhos de empolgação em minha frente, como uma criança à espera de seu doce preferido, logo me empurrava para áreas do estabelecimento que ainda não haviam sido exploradas e eu só conseguia pensar na enrascada na qual havia me metido.
Depois de sairmos do comércio com dezesseis novos conjuntos – onze eram de Molly – continuamos caminhando até a entrada de um shopping. A empolgação da minha prima era quase assustadora, preparava-me para correr a qualquer sinal de loucura. Seus olhos brilhavam a cada vitrine contendo maquiagens, roupas ou esmaltes. Era como a visão do paraíso para Molly e, para mim, como se estivesse adentrando uma mata nunca antes explorada.
– Preciso ir ao banheiro. – anunciou – Vamos!
Não era um convite. Se eu não fosse por vontade própria, ela me arrastaria até lá. Ao adentrar o cômodo estranhei o fato da mulher não se dirigir a nenhum dos sanitários, parando em frente a pia, retocando seu batom cor pêssego. Em seguida, apoiou-se no mármore, encarando-me com curiosidade. Seu cenho estava franzido e com um aceno de varinha, trancou a porta do local, o que me deixou com um pouco de medo. Com passos lentos, Molly aproximava-se de mim, quanto mais perto ela chegava, mais eu recuava. Ela soltou uma risada de escárnio.
– Está com medo?
– Não. – respondi imediatamente, soando nada confiante.
– Está com medo de mim, Rosie? – indagou enquanto fitava-me intimidadoramente.
Ela estava cada vez mais perto e eu me sentia apavorada, prestes a pegar minha varinha para me defender, então Molly começou a rir. Não uma risada má, uma gargalhada. Ela estava quase sem fôlego e eu completamente confusa.
– Me desculpe por isso. – pediu falhando um pouco nas palavras devido à falta de fôlego – É que foi tão engraçado. – justificou, voltando a seu estado normal, porém completamente ruborizada – Só queria ficar mais perto de você.
– Não era mais fácil dizer isso? – sugeri envergonhada.
– Não, do meu jeito foi mais legal. – garantiu – Meu objetivo era fazer você se soltar, está muito presa. Eu queria uma leoa, não uma gatinha assustada, faça-me o favor, não é?
– Não tenho culpa de não ser como você. – defendi-me revoltada – Você descobriu que sou um desastre em questões amorosas e em tudo o que se diz respeito a glamour feminino, tudo bem, entretanto nada do que aconteceu lhe dá o direito de exigir que eu seja uma cópia sua. Você é linda, sensual e confiante, é tudo o que qualquer mulher pode desejar, mas nada a faz ser melhor do que eu ou qualquer outra pessoa menos experiente ou bonita.
– Pare de se diminuir. – ralhou irritada – De onde surgiu essa ideia insana de que quero que seja uma cópia de mim? O que eu mais desejo é que descubra a sua própria identidade. Todas as mulheres são sensuais e bonitas, Rose e concordo, não existe superioridade alguma. Contudo, por conta da educação arcaica que muitas recebem, é impedido a elas expressar toda a vivacidade que possuem. Não estou dizendo que seus pais a controlaram ou prenderam-na. Sei que não fizeram isso. Mas de alguma forma, você ainda é uma garotinha assustada que só quer cumprir suas tarefas e é isso o que precisa ser mudado. Está demasiadamente habituada a esse modo de vida sério e rotineiro que não consegue desprender-se das suas amarras morais.
– Está insinuando que sou apenas uma menininha? – inquiri raivosa elevando o tom de voz – Olhe para onde eu cheguei, Molly Weasley.
– Ser uma boa profissional não faz de você uma mulher. – comentou tediosamente – Chegou ao topo a custo da sua vida. Você não viveu a fase de experiências porque estava ocupada demais com seus materiais de estudo. Não ouse dizer que não, porque foi exatamente assim que aconteceu. Preocupou-se tanto com o futuro que se esqueceu do presente e continua fazendo isso. Você diz que eu me acho superior mesmo tendo a certeza de que no fundo, é você que tem essa falsa impressão. A grandiosa Rose Weasley, orgulho da mamãe, uma garota de poder. Você se acha no direito de me julgar pelas minhas roupas e minha aparente futilidade, pois é, sei que está me achando fútil neste exato momento. – era difícil assumir, mas ela estava certa – Quer saber, eu também julgo você, porque as garotas não têm o direito de mostrar interesse genuíno em nada sem serem ridicularizadas. Se ela gosta de usar roupas de grife e sapatos caros ela é idiota, um estereótipo, mas se ela gosta de roupas nada reveladoras e botas de liquidação está querendo chamar atenção fingindo estar camuflada. Se uma garota anda com outras garotas e é popular ela é uma imbecil, se fica em casa sozinha, lendo é um projeto de nerd. Se jogam quadribol, é apenas para agradar os garotos. Se ela gosta de sexo é uma vadia e se não gosta, é puritana. Se usa maquiagem é falsa, se não usa, é relaxada. Se tem baixa autoestima precisa aprender a amar a si mesma, se tem a autoestima elevada, é confiante e vaidosa demais. Se ela é antenada em política é uma guerreira maluca das causas sociais, mas se ela prefere se manter por fora dessas causas é uma burra avoada. As garotas são literalmente julgadas por tudo o que fazem, independente do que seja, e eu estou bem cansada disso, então não me venha com discursinho de oprimida. Você sabe que estou certa.
Fiquei um tempo paralisada, não conseguia acreditar que ouvira tudo aquilo. Era surreal, quase como um tapa na cara. E ela estava mesmo com toda razão, o que era pior. Sentia-me constrangida.
– Me desculpe. – soltei num murmúrio.
– Pare de se desculpar, temos que dar um trato em você e temos pouquíssimo tempo. Você é instável, uma hora vejo certeza no seu olhar e em outra, confusão. Você quer sentir-se bem consigo mesma e para isso precisa da minha ajuda, não quero modificar você.
– Entendo, é só que ninguém nunca falou desse jeito comigo.
– Eu sei. Sei também que é exatamente isso o que Victoire, Dominique, Lily e todas as nossas primas pensam. – ok, aquilo me impressionou ainda mais – Não se espante. São suas amigas, não queriam magoar você. Você não se acha, entretanto, é muito bonita, Rose. Não é à toa que o doutor delícia esteja afim de você.
– Ele não é afim de mim. – esclareci envergonhada – Somos amigos.
– Sei. – disse desconfiada – Vamos à tarefa. Você tem que envelhecer um pouco aqui. – deu dois tapinhas em minha bochecha direita – E rejuvenescer aqui. – apertou meus seios, fazendo-me arregalar os olhos com sua invasão – São grandes. – comentou um pouco surpresa. – Okay, vamos lá.
No fim das contas deixei que Molly tirasse o quanto quisse do comprimento do meu cabelo. Ela também scolheu minhas roupas e comprou sapatos. Gastei praticamente metade do meu salário naquela tarde. O que podia fazer? Molly era muito, muito persuasiva.
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