Nu ma opri

14 Capítulo 14 – Boas, más e segundas intenções


Notas iniciais
Oi gente! Mais um capítulo pra vcs, espero que gostem!!

A equipe de detetives e peritos viraram a noite na delegacia. Ninguém queria ir embora enquanto não encontrasse respostas, mas a cada hora que passava parecia que só achavam mais perguntas.

– “Ao meu amado marido para que possamos estar sempre juntos em suas longas jornadas”. É isso que está escrito no verso da fotografia que trouxemos da casa da Alison. – disse Korsak lendo um e-mail que recebeu – E sim, é romeno!

Jane se ajeitou em sua cadeira virando um gole do milésimo café das últimas horas. Não estava nada surpresa com a descoberta. Cavanaugh estava de pé em frente ao quadro de informações do caso. Afrouxando a gravata começou a pensar alto apontando para cada foto ou nota em ordem cronológica:

– Ok, recapitulando: Marcel Mitrea é o líder de um esquema de tráfico e prostituição, responsável pela morte de pelo menos 5 pessoas nos últimos meses. Após nosso plano de infiltração ele fugiu e um de seus seguranças foi executado na manhã seguinte; Carlos Ramirez é o traficante que trabalhava com ele e foi preso pela entorpecentes; a prima do Ramirez foi morta numa negociação, e seu assassino que era um dos fornecedores do Mitrea também. – virou-se de frente para encarar os detetives com um ar emburrado — Alison Montgomery não poderia ser uma simples dançarina! O fato de ter aparecido na porta de Jane pedindo por socorro porque estava sendo perseguida pelo chefe, claramente agora vemos que foi uma manobra de manipulação, ela estava envolvida no esquema todo tempo, a questão agora é quem é ela de verdade. – completou baixando o tom de voz e franzindo a testa — E o que poderia querer sequestrando a Dra. Isles?

– A gente? – Jane disse encarando o nada, os olhos fundos das olheiras.

Todos fizeram silêncio e encararam a morena que olhou algumas vezes para os lados antes de continuar baixando o tom de voz para dividir seu palpite:

– Temos mais de uma prova que há alguém da corporação envolvido no esquema e é esta pessoa que Alison está ajudando agora. Pode não ter a ver mais com o Mitrea, é para jogar diretamente conosco...

Maura também estava com olheiras, não havia pregado os olhos e a todo tempo encarava as janelas com luz forte invadindo o container esperando que de alguma forma fosse ter uma ideia de como usa-las para sair dali. Ouviu o barulho de passos se aproximando e a porta se abriu. Mais uma vez Alison entrou, a olhou rapidamente e começou a procurar por algo nas gavetas da mesa lateral.

– Quero ir ao banheiro. – Maura disse secamente

A ruiva levantou o olhar, por um instante Maura pode vislumbrar algo como remorso, mas logo ela abaixou a cabeça e quando levantou de novo o olhar era mais duro. Sacou uma arma da parte de trás da calça e se aproximou com o canivete como da última vez, cortou os nós dos pés da loira e apontando a arma em sua direção:

– Pode ir, mas aconselho que não tente nenhuma gracinha!

Maura se levantou devagar, as pernas estavam dormentes de tanto tempo ficar na posição que estava antes. Foi ao banheiro encostando a porta com cautela. O usou analisando os mínimos detalhes, sem dúvidas não havia um plano de fuga por ali, ouviu o celular da ruiva tocando e ela o atendeu. Maura encostou seu ouvido na porta prestando atenção à conversa da outra:

– Esperar mais tempo?? Já falamos disso ontem, não tenho paciência de ficar aqui a vida toda. Qual é, temos um acordo, quando você vai trazer a sua parte? – Houve uma pausa e logo depois a moça soltou um bufo indignado. Desligou o celular e xingou a pessoa com quem havia falado em outra língua.

“Ela fala romeno?”, pensou Maura assustada.

– Vai ficar ai a vida toda, Doutora? Quer uma revista pra ler?

Maura puxou a descarga e lavou as mãos já abrindo a porta e encarando a ruiva novamente. Ela estava com ar realmente aborrecido. Pegou uma corda e foi na direção dela para amarra-la novamente. Enquanto executava sua tarefa Maura não se conteve e falou usando a língua que a outra havia acabado de pronunciar:

– Quem é você de verdade Alison? E por que me trouxe aqui?

A mulher encarou a loira nos olhos um pouco assustada. Não havia medo mas também não havia afronta no tom da legista. Parecia uma curiosidade genuína. A ruiva suspirou e abriu a boca algumas vezes pensando no que dizer até que balançou a cabeça em sinal negativo e continuou o que fazia em silêncio. Já havia se levantado pegando um molho de chaves de cima da mesa que certamente estava na gaveta onde ela vasculhara antes. Antes de passar pela porta finalmente respondeu sem emoção:

– Não é você que é um gênio? Descubra sozinha...

Jane estava na cafeteria, sua mãe insistiu que ela devia comer alguma coisa e a preparou panquecas em forma de coelho. Jane olhou emburrada para o prato mas não estava com energia suficiente pra brigar com sua mãe então apenas começou a fatia-las. Frankie estava sentado na mesma mesa comendo uma pilha com o dobro do tamanho das mesmas panquecas.

– Meu amor, como está o caso? Algum sinal da Maura?

– Não, Ma. Descobrimos algumas novas pistas mas ainda nada que nos leve a ela...- respondeu a detetive desanimada brincando com o canudo de seu suco – E o TJ, está bem?

– Sim, Tommy o levou pra casa da Lydia hoje cedo. Você acha que é seguro eu voltar pra casa de hóspedes?

– Não. Prefiro que fique hospedada em casa até essa história toda acabar, Ma! – Jane mal tinha terminado a frase e já se arrependeu pensando que em algum momento gostaria de ir pra lá descansar e com certeza não seria possível na companhia de sua mãe. – Ou na do Frankie pra variar um pouco!

Frankie levantou os olhos de seu prato com ar bravo chutando a irmã por baixo da mesa que revidou com força, ele soltou um gemido de dor:

– Ai!! – olhou para sua mãe que o analisava preocupara e logo disse – Mas e a tartaruga da Maura? Ninguém vai cuidar?

– Cágado! – corrigiu Jane na hora. Imagine só se Maura a visse fazendo isso? Riu internamente – Eu tenho minhas dúvidas que aquele bicho esteja vivo, mas ok. Mais tarde passo lá pra dar alguma coisa pra ele, relaxa. A mamãe pode ir com você pra sua casa sem problemas. – deu uma piscadinha irônica para o mais novo.

Os irmãos terminaram suas refeições e voltaram para o departamento discutindo o andamento do caso. No caminho Angela mandou uma mensagem dizendo que ficaria no apartamento de Jane mesmo porque era mais próximo, ela já tinha deixado algumas coisas lá, a geladeira dela estava uma bagunça e ela queria aproveitar pra arrumar e blá, blá, blá. Jane bufou enquanto Frankie ria, eles estavam entrando na sala quando ouviram a voz de Frost berrando da sala anexa com uma parafernalha de aparelhos eletrônicos conectados entre si:

– Chuuuuuupa!!! Eu sou mesmo muito foda!

Jane, Frankie e Korsak que nesta altura já havia se levantado da cadeira rapidamente foram ao encontro do outro detetive:

– Consegui entrar no sistema dela e melhor, traduzir boa parte dos documentos que estavam criptografados em romeno!

Frankie deu um tapão nas costas do outro:

– Cara, realmente, você é foda!

Jane sorria empolgada enquanto observava Frost jogar no sistema a cópia da documentação que achou no computador da moça e algumas fotos para ver se batia com alguma do banco de dados. Em poucos minutos a tela apitou piscando algumas informações:

– Irina Stan, filha de Andreea Stan e Marin Stan, romena, pós-graduada em filosofia da educação numa faculdade de Paris. – leu Frost em voz alta para todos – Senhores, esta é a verdadeira Alison Montgomery.

– Tá... – resmungou Korsak ajeitando seus óculos – E como exatamente uma pedagoga europeia se torna dançarina de um puteiro de luxo nos EUA e sequestra a médica legista chefe do Estado de Massachusetts, Sr. Fodão?

Frost olhou irritado para o colega mas sem perder o bom humor respondeu:

– Ai que entra nosso trabalho como detetives não é verdade? Eu achei pra que lado tem que ter a estrada, agora vocês tem que me ajudar a construí-la com os tijolinhos amarelos!

Jane rapidamente separou as atividades para os colegas e saiu correndo em direção ao seu computador. Enfim tinha uma grande pista nas mãos, não queria perder mais nem um minuto.

Levaram o resto do dia inteiro caçando informações, já era noite novamente quando todos se juntaram na sala do tenente Cavanaugh. Jane encostou a porta e baixou as venezianas olhando desconfiada para o lado de fora, depois começou a falar num tom grave porém audível o suficiente para quem estava ali:

– Marin Stan trabalhava como mercador portuário na Romênia. Marcel Mitrea herdeiro de uma rede mafiosa o abordou oferecendo uma quantia absurda de dinheiro para o homem em troca que este fizesse o transporte de suas drogas e escravas sexuais. Martin aceitou, financiando assim a vida de sua família e estudos da única filha: Irina Stan. Quando Irina se mudou para França seu pai certamente considerou que sua função de progenitor já havia sido cumprida solicitando o cancelamento do acordo. Mas é claro que nenhuma máfia aceita isso e não o deixaram sair. Após ele denunciar o grupo à polícia foi morto. Neste ponto também Mitrea percebeu que não conseguiria mais escapar da polícia romena e fugiu da Europa, vindo para os Estados Unidos numa vida aparentemente bem sucedida de maneira lícita. – Jane fez uma pausa para ver se todos os homens da sala estavam a acompanhando – Irina recebeu a notícia da morte de seu pai e voltou ao país de origem, descobrindo toda a verdade. A moça então pelo visto traçou um plano mirabolante de vingança perseguindo Mitrea até aqui, arranjando uma identidade falsa com o nome de Alison Montgomery e se infiltrando na máfia do homem com só vejo uma intenção:

– Matá-lo. – concluiu o tenente de maneira sombria – E vocês tem absoluta certeza da procedência de todas essas informações?

– Juntamos todos os dados encontrados, matérias de jornal e fizemos uma limpa no computador da moça também. – respondeu Korsak – claro que concluímos os detalhes para tornar coerente a história toda.

Cavanaugh bebeu um gole d’água do copo que estava sobre sua mesa e voltou a encarar a equipe:

– E a mãe dela o que aconteceu?

– Está viva. – disse Frost prontamente com um papel na mão – Conferimos as transações bancárias da Alison...ou Irina e ela transfere todo dinheiro que recebe na boate para um hospital psiquiátrico na Romênia. O nome de sua mãe consta como uma das pacientes de lá. O que justifica o lugar sem nenhum conforto que ela mora por aqui que Korsak e Jane visitaram.

Todos ficaram um breve minuto em silêncio quebrado por Frankie timidamente sentado no canto da sala:

– Mas se a Alison queria o Mitrea o tempo todo por que não agiu logo?

– Ai que entra a segunda e mais complicada parte da história – disse Korsak num tom firme – Suspeitamos que a pessoa da nossa corporação envolvida devia por algum motivo manter a moça longe dele. Logo ela teve que mudar de estratégia e se aliar a ele ou ela chegando no ponto que estamos agora.

– Então vocês acham que a Dra. Isles é uma moeda de troca? – disse o tenente preocupado – Ela o levou para essa pessoa se vingar de nós e receberá o Mitrea para ela mesma se vingar?

– Exatamente. – confirmou Jane cruzando os braços e encarando o olhar pensativo de todos naquela sala, incluindo o dela mesma. – O problema agora é que não temos nenhuma pista desse “agente duplo” e nem podemos abrir escancaradamente a investigação senão corremos o risco do cara se zangar e fazer alguma besteira.

– Que tipo de besteira? – perguntou Frankie assustado.

– Na pior das hipóteses, – Korsak fez uma pausa olhando com seriedade para o rapaz – matar a Dra. Isles!

Notas finais
Bom fim de semana pra todos e até a próxima! Besoss