Nu ma opri

3 Capítulo 3 – Uma longa noite


Notas iniciais
Aproveitando que tô inspirada, já vou postar mais um!

Após uma curta viagem, Jane parou o carro na porta da boate, antes de descer checou sua aparelhagem e a de Maura, ouviu Korsak dizer em seu ponto que estava tudo ok, apertou suavemente a mão da loira que suava e lhe lançou um olhar confiante. Desceu do carro, entregando as chaves a um manobrista, enquanto analisava com os olhos o local e cada pessoa que entrava.

A loira suspirou fundo antes de dar os primeiros passos para fora do carro e acompanhada de Jane quase colada em suas costas entrou no recinto.

Jane encarou um dos seguranças em frente à uma cortina de veludo vermelha que separava a entrada principal da parte de dentro que lhe mandou abrir os braços para revista-la.

– Sou segurança da Stra. Anghel, posso lhe mostrar a credencial. – tirou um documento previamente falsificado para a missão e lhe mostrou juntamente com a arma na cintura.

O homem analisou por alguns instantes as duas e devolvendo o documento disse sem emoção:

– A procura de diversão esta noite?

– Se fosse diversão não se chamaria trabalho, não é mesmo? – Jane respondeu com seu tom irônico.

O segurança a fitou novamente até concluir:

– Ela veio ver o Sr. Mitrea?

Jane acenou com a cabeça positivamente, e o homem então chamou outro segurança dizendo que este lhes mostraria o caminho.

Ambas não puderam deixar de se surpreender um pouco com tamanha sofisticação do lugar e a beleza de todas as mulheres que trabalhavam ali.

– Isso sim é o que chamo de um puteiro de luxo! – comentou Frankie com a vista da câmera escondida.

– Com certeza nem se compara aos que você frequenta, né?

– E nem você, Frost! Aposto que só uma cadeira desse lugar vale mais que seu salário! E se pedir pra olhar de perto uma mulher dessas tem que quitar o apartamento...

– Quem disse que eu frequento puteiro? – respondeu o moreno em tom divertido. – Eu tenho confiança no meu taco, meu caro! Pego muito mais mulher com ele do que você imagina.

– Há, há, há. Essa foi boa, Frost! Até parece, nem a novata da academia você convenceu de sair!

– É porque ainda não joguei todo meu charme pra cima dela. Aguarde e verá!

– Desculpa ai, Dom Juan! – Korsak disse gargalhando enquanto entrava na conversa

– OK, meninos! Dá pra discutirem depois sobre os “tacos” de vocês ou ao menos desligarem o canal de conexão quando fazem isso?? – disse Jane irritada tentando disfarçar que falava no ponto enquanto seguia Maura e o segurança por um corredor estreito.

Maura sorriu com a represália da morena mas antes que pudesse comentar qualquer coisa viu que chegaram ao destino final: um camarote digno de teatro numa apresentação de ópera. Nele algumas mesas bem decoradas, bebidas caras, alguns homens que Maura logo reconheceu como parte dos “influentes” de Boston, e tantos outros estrangeiros, vários seguranças ao redor e o homem que era motivo delas estarem ali: Marcel Mitrea, sentado bem no meio de todos, oferecendo charutos e falando alto.

O segurança que as levou até ali, se dirigiu na direção do patrão e falou algo em seu ouvido. Logo Mitrea se levantou e veio na direção de Maura:

– Stra. Anghel? Muito prazer! – abaixou para tocar de leve com os lábios a mão de Maura antes de fazer sinal para os seguranças puxarem uma cadeira para ela ao seu lado.

– Por favor, fique a vontade. – disse ele apanhando uma taça de champagne para ele e outra para sua “convidada”.

– Obrigada. – respondeu Maura educadamente enquanto brindavam.

Jane se viu obrigada a não ficar tão perto da legista para não botar o disfarce a perder, então se posicionou ao lado dos demais seguranças, enquanto vasculhava o lugar com os olhos. Pelo ponto ouvia Maura iniciar uma conversa sobre amenidades, algo que duraria algum tempo até irem direto ao assunto principal, nisso ouviu o segurança ao seu lado comentar com o outro:

– Demos sorte! A apresentação da Jóia Escarlate já vai começar e estamos no melhor lugar pra assistir!

O outro sorriu empolgado. Jane revirou os olhos e voltou a prestar atenção na conversa do suspeito, porém eles haviam começado a falar em romeno. Certamente estavam tratando de “negócios”. Ela esperaria até Maura dar o sinal que já obtivera provas suficientes no diálogo para incriminar o homem e elas sairiam dali, dando espaço para o pessoal no furgão invadir com a ordem de prisão.

Tudo parecia correr bem. Jane então ouviu um burburinho no palco de baixo e um homem de smoking fazer uma apresentação ao microfone. Num instante reinou um silêncio absoluto na boate e uma iluminação forte foi colocada no centro do palco. Por trás de uma cortina de veludo vermelha como a da entrada surgiu uma moça ruiva de corpo escultural, vestida num corpete preto com um saiote bufante, algo que remetia ao estilo cabaré, uma sandália de salto muito alto prateada e a cabeça abaixada escondendo seu rosto com um chapéu preto. Ela permaneceu imóvel no centro do palco por alguns instantes até que uma música começasse a tocar. Levou um tempo para que Jane reconhecesse que era Cowboy Casanova da Carrie Underwood. Enquanto ela pensava que nunca havia associado aquela música com uma “performance” daquelas, a ruiva levantou a cabeça e a encarou com olhar penetrante. Seus traços lembravam o de alguma atriz famosa, talvez da Catherine Zeta-Jones e por um minuto Jane sentiu que havia prendido a respiração assim como aparentemente todos naquele lugar.

A ruiva se movia lentamente com a batida da música e de vez em quando chegava mais perto dos espectadores à beira do palco provocando-os com movimentos bruscos inesperados. Ao chegar no refrão todos acompanhavam atentos a ruiva caminhar decidida até a beirada do palco e lançar seu chapéu longe, onde um funcionário do bar rapidamente o apanhou. Todos estavam hipnotizados pela mulher, inclusive Jane que não notou Maura de pé em sua frente até que esta lhe agarrasse o braço com força dizendo:

– Jane!! Temos um problema!

– O que? – a detetive disse ainda avoada até olhar em direção a mesa que Maura estava sentada minutos antes e a notar vazia – Cadê o Mitrea???

– É exatamente esse o problema, eu acho que alguém o avisou quem éramos nós e ele fugiu!

– Como é que é?!

Notas finais
Espero que estejam gostando, logo logo vem mais emoção!