Nu ma opri
4 Capítulo 4 – Apenas um sonho
Notas iniciais
Os seguranças da boate já estavam vindo na direção das duas quando Jane praticamente gritou no ponto:
– Korsak, fomos descobertas! Façam alguma coisa, tenho que tirar a Maura daqui!
A morena viu que o corredor por onde vieram ainda estava livre e puxando a legista pela mão saiu em passos apressados para não chamar muita atenção.
– Jane, a entrada da frente já foi bloqueada! – disse Frost apreensivo – Vou te guiar até a saída dos fundos onde estamos estacionados e vocês entram no furgão!
As duas andavam o mais rápido que podiam pelo caminho que estavam sendo comandadas, estavam quase chegando na saída quando foram cercadas por 3 seguranças, Jane deu um encontrão num garçom, derrubando o coitado em cima de um dos homens e atirando sua bandeja na cabeça do outro, correram para fora, derrubando tudo que havia no caminho para retardar o terceiro que acabou muito para trás e não conseguiu alcança-las a tempo.
Já de volta à Central todos se reuniam na sala dos detetives, Maura narrava o ocorrido enquanto andava de um lado para o outro ainda nervosa:
– Já havia me apresentado e estava falando o que combinamos, da maneira mais discreta possível, que queria negociar alguma “fonte de diversão” em troca de algumas garotas para se apresentarem ali, ele parecia estar bem convencido que eu falava a verdade, quis saber se eu poderia leva-las para uma “audição” e que por sermos conterrâneos ele poderia pensar num bom desconto. Quando comecei a questionar sobre como ele fazia a segurança e transporte, se havia algo que devesse me preocupar como com os casos que apareceram no jornal recentemente ele recebeu uma mensagem no celular que dizia: “nu ma opri”.
– “Nu ma opri”? O que quer dizer isso? – interrompeu Frankie
– “Eu não parei”. – respondeu Maura de imediato – Alguém receber apenas essa frase não faria muito sentido eu acho, mas então ele chamou um dos seguranças falou algo em seu ouvido logo em seguida me pediu licença dizendo que precisava ir ao toalete, como ele não voltou deduzi que a mensagem fosse alguma chave de segurança que alguém mandou pra ele.
– Frase de segurança. – corrigiu Jane que estava sentada em cima de sua mesa, com o casaco nas mãos e as mangas da camisa dobradas, estava suando da fuga que fizeram.
Cavanaugh apareceu no corredor com a cara fechada esbravejando:
– De quantos detetives precisam para prender UM cara?! Como deixaram ele escapar?
Todos abaixaram as cabeças sem jeito.
– Tenente, ninguém esperava que ele tivesse um informante e que... – Jane começou uma justificativa mas logo foi cortada.
– Isso podia muito bem ter sido previsto por um grupo de detetives experientes como vocês! Além do mais, com câmeras e uma equipe externa, como ninguém viu ele saindo da mesa ao menos para pará-lo?
Todos ficaram calados, a verdade é que tanto Jane quanto os rapazes haviam ficado impressionados demais com a apresentação da Jóia Escarlate para prestar atenção em qualquer outra coisa, e a Maura nem treinada para vigiar uma pessoa era.
– Não faço ideia de como vocês resolverão esse caso agora, só me interessa que o façam! Não quero o FBI aparecendo aqui para consertar a bagunça e jogando na cara a incompetência da Polícia de Boston.
Cavanaugh se retirou com passos duros em direção ao elevador.
– Bom, seja como for ainda temos toda conversa gravada, não temos? – disse Frankie esperançoso.
– São inúteis... Se nenhuma delas o coloca nas cenas do crime diretamente não podem ser usadas como prova para emitirmos nenhum mandato de prisão! – comentou Frost cabisbaixo. — Sem contar que rastreamos que ele tinha uma negociação amanhã que precisaria viajar, ou seja, não duvido que neste instante ele já esteja num avião particular a caminho da Romênia.
– Não acho que ele tenha ido tão longe... – disse Jane pensativa – Nós demos ordem em todos os aeroportos, torres de comando e pistas de pouso para não permitirem que ele cruzasse nenhum espaço aéreo.
– Espera um pouco, – disse Korsak num estalo. – com o material que temos gravado é o suficiente pra provar que a boate era um ponto de negociações ilícitas. Com isso podemos dar um susto nos funcionários dele. Garanto que com a pressão certa numa sala de interrogatórios alguém vai abrir o bico e nos levar até esse cara!
Todos olharam animados para o detetive. Ao menos agora tinham um novo plano, que só poderia ser executado na manhã seguinte, então como já era madrugada todos correram para suas casas para descansar algumas horas.
Jane entrou em seu apartamento e foi direto para o chuveiro, estava exausta. Não só fisicamente, mas mentalmente, aquela caçada parecia não ter fim. Mal deitou na cama e já adormeceu, sem nem ao menos secar os cabelos.
Ela estava numa sala escura, amarrada numa cadeira. Instintivamente apurou seus ouvidos para ver se conseguia descobrir onde estava, já que a visão não ajudava em nada naquele momento. Silêncio. Se movimentou com cautela a procura de sua arma, notou que estava sem nenhuma, procurou então uma forma de desatar os nós dos pulsos quando ouviu ao longe duas vozes conversando. Ela não entendia o que falavam, talvez fosse em outra língua. Ela conhecia aquelas vozes? Não sabia dizer, não passavam de sussurros...Ouviu um barulho de saltos caminhando em sua direção, parando ao que devia significar poucos metros a sua frente, porém nada enxergava naquele breu. Sentiu um perfume forte e familiar invadir suas narinas e subitamente um clarão iluminou a sala. Piscou algumas vezes até se acostumar com a luz e visualizá-la ali na sua frente, vestida com um corpete sensual vermelho, saltos e chapéu preto, encarando-a com um olhar selvagem. A voz quase não saiu de tão seca que estava sua garganta:
– Maur? O que...
A loira nada disse, apenas se posicionou de perfil e iniciou uma dança lenta, ao som de uma música que Jane logo reconheceu ser a mesma que tocava na boate, apesar de não ser capaz de prestar atenção na letra naquele momento, apenas no ritmo que a loira fazia questão de encaixar perfeitamente com cada um de seus movimentos. Virando de frente, ela começou um rebolado sensual e aos poucos foi se aproximando da detetive. Tirou seu chapéu e o colocou na morena, dando um sorriso safado antes se debruçar sobre sua cadeira e apertar de leve suas coxas.
Jane estava com o queixo literalmente caído alguns milímetros e percebeu que ofegava. A legista se afastou novamente para iniciar alguns outros passos, ficando de costas para a morena enquanto encostava as mãos no joelho, descendo-os lentamente aos pés, empinou sua bunda que requebrava bem sincronizada com a música. Voltou de maneira tortuosamente devagar a posição inicial, jogando os cabelos para trás e encarou a outra nos olhos antes de dar a volta em sua cadeira passando a mão em seus ombros.
– Gostando da apresentação, detetive? – ela disse pausadamente em seu ouvido fazendo a morena estremecer.
De volta a frente, Maura passou as duas mãos na nuca arrepiada de Jane enquanto sentava em seu colo e jogava seu corpo para trás da maneira mais sensual possível. Jane fazia um esforço absurdo para se soltar das amarras, queria agarrar aquela mulher a sua frente com toda força que tinha, mas não conseguiu. Observou Maura sorrir maliciosamente para ela enquanto inclinava a cabeça de maneira provocante.
A música parou e a loira desfez o sorriso. Se encararam por um longo tempo enquanto a legista passava os dedos com carinho sobre o rosto de Jane. Em tom de seriedade se inclinou para frente para beijá-la...
Jane acordou assustada com o barulho de seu celular caindo no chão, ainda vibrando e tocando muito alto. Rolou para a beirada da cama agarrando-o de qualquer jeito:
– Rizzoli! Ah sim, sim, já estou a caminho!
Desligou o aparelho e se jogou de volta na cama encarando o teto. Estava suada, excitada e muito confusa.
– Mas que porra de sonho foi esse, Jane?!
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