Nu ma opri

19 Capítulo 19 – Acima de qualquer suspeita


Notas iniciais
Bom pessoal ai vai mais um! Espero que gostem!

Maura acordou lentamente e sorriu ao se ver na cama de Jane se lembrando da noite perfeita que tiveram. Parece que enfim estava tudo esclarecido: não havia mais dúvidas sobre os sentimentos de ambas e aquilo a fazia querer gritar de tanta felicidade. Olhou para o lado e viu que a morena ainda dormia profundamente. Sorriu observando seus traços e pensando quanto tempo perdeu em desfrutar momentos bobos como aquele depois se levantou sem fazer barulho. Procurou pela sua lingerie e a vestiu, indo para a cozinha preparar o café.

Já havia terminado de passar o café e estava em frente ao balcão colocando pães na torradeira quando ouviu a voz de Jane ainda mais rouca pelo sono às suas costas:

– Huumm, finalmente café de verdade! Você não tem noção da porcaria que era aquele que me serviam todo dia no hospital. – Jane a abraçou pela cintura e deu um beijo leve em seu ombro.

Maura sorriu se virando de frente e encarando a morena vestida também só de lingerie e os cabelos bagunçados:

– Pare de reclamar, eles cuidaram muito bem de você lá.

– Talvez, mas agora eu tenho uma doutora particular para cuidar de mim, o que é bem melhor.

Maura enlaçou seus braços no pescoço de Jane lhe dando um beijo intenso na boca depois sussurrou em seu ouvido:

– Pode ter certeza que vou cuidar, se bem que te achei recuperada o suficiente noite passada...

– Você não viu nada ainda. – respondeu Jane dando um beijo longo e molhado na legista.

Maura puxava Jane pela nuca em busca de mais contato enquanto a outra descia uma das mãos dando um leve apertão em sua bunda. Maura deu um gemido baixo e puxou a detetive até encostarem no balcão. Jane começou uma trilha de beijos no pescoço da loira que passava a mão lentamente em seu abdômen. Iam se beijar novamente quando ouviram a voz de Angela falando alto no celular e um barulho de chaves abrindo a porta.

Maura olhou desesperada para Jane que puxou um cesto de roupas que havia ao lado do balcão tirando algumas peças de dentro. Deu um moletom para a legista enquanto vestia uma camiseta qualquer. Viu sua mãe entrar no apartamento ainda falando ao celular e pôs um shorts disfarçadamente. Achou engraçado como as roupas estavam largas nela, não sabia que tinha emagrecido tanto durante a estadia no hospital.

Angela desligou o aparelho e encarou as duas mulheres. Elas estavam paradas lado a lado com sorrisos forçados no rosto tentando expressar naturalidade.

– Bom dia meninas!

– Bom dia! – responderam juntas.

– Está tudo bem? – a italiana disse em tom desconfiado.

– Sim, tudo certo. – respondeu Jane no mesmo instante.

Maura arrumou um pouco mais o moletom que lhe era bem largo e cobria até metade das suas coxas e se apressou em dizer algo:

– Acabei de fazer café, quer um pouco? – Jane a fuzilou com o olhar depois sorriu para a mãe.

– Não, obrigada querida eu já tomei, mesmo porque já são 11 horas!

– 11 horas?! – gritou Maura arregalando os olhos. – A abertura da vernissage da minha mãe é ao meio dia! E às 13h tem um almoço especial num restaurante com número certo de cadeiras e, e eu não posso me atrasar, mas ainda tenho que tomar um banho e me vestir e, ai meu deus, ai meu deus!! Com licença!

A loira saiu correndo em direção ao quarto de Jane batendo a porta. As duas morenas ficaram paradas alguns segundos assustadas com a reação da outra. Depois a mais velha encarou a filha:

– Como está se sentindo, querida?

– Bem, Ma. Eu estou bem melhor, relaxa.

Angela sorriu depois estendeu uma pilha de papéis para Jane:

– Vim trazer suas contas que você me pediu pra pagar.

Jane agradeceu indo em direção a mãe, pegou as contas e as colocou sobre uma mesa lateral com as demais correspondências. Ficaram em silêncio um breve instante até que Angela que parecia analisar a sala notando a bagunça no chão olhando em volta dissesse franzindo o nariz:

– Tem algo que você queira me dizer Jane?

– Obrigada por cuidar da minha casa esse tempo todo, Ma. – a detetive deu um sorriso simpático, mas a mãe continuava séria – E por pagar minhas contas... E cuidar da Jo também, é claro.

A italiana nada disse, continuou encarando a filha até que suspirou jogando os ombros para baixo:

– Está bem, mas eu tenho uma coisa pra te dizer... – se aproximou subitamente dando um abraço apertado na outra – Eu te amo, Jane!

– Também te amo, Ma! – disse Jane retribuindo o abraço, não poderia negar, afinal imaginava o quanto a mãe sofreu pensando que poderia tê-la perdido durante essa história toda que passou, apesar, claro, de achar que ela estava fazendo mais drama que o necessário como sempre.

Angela soltou a filha se dirigindo a porta novamente:

– Bom, acho que já vou indo. – a abriu e voltou olhando nos olhos da mais nova – Ah, tem mais uma coisa: a máquina de lavar do Tommy quebrou, eu trouxe algumas roupas dele pra lavar aqui.

Jane arqueou uma sobrancelha sem entender direito mas resmungou um “tá bom”, a mãe continuou:

– Então, quando você e a Maura devolverem as roupas dele para o cesto onde deixei me avisa que venho buscar, ok?

Jane olhou rapidamente para baixo compreendendo o porquê das roupas estarem tão largas nela, depois forçou um sorriso e balançou a cabeça em tom afirmativo. Sua mãe ainda lhe lançou um olhar de reprovação e finalmente saiu.

Maura apareceu na sequencia na sala já vestida e com os cabelos menos bagunçados procurando por seus sapatos:

– Isso foi constrangedor...

– Um pouco. – disse a morena de maneira displicente.

A legista deu um breve sorriso enquanto calçava os saltos depois pegou sua bolsa sobre o sofá:

– Nos vemos mais tarde! — disse ela se despedindo de Jane com um selinho apertado antes de sair voando pela porta.

A detetive deu um suspiro profundo depois sorriu olhando para as torradas já frias no balcão. Foi tomar seu merecido café da manhã pensando que pela primeira vez em tanto tempo se sentia em paz consigo mesma!

O dia correu normal, Jane apesar de entediada por não poder trabalhar ainda, aproveitou seu dia para passear com Jo Friday, no caminho resolveu comprar um brinquedo pra TJ, ligou para Tommy que foi lhe encontrar num parque. Passou a tarde paparicando o sobrinho e ouvindo as histórias quase inacreditáveis que o irmão se metia. Já estava anoitecendo quando recebeu uma mensagem de Maura no celular: “Estou voltando do hotel onde meus pais estão hospedados, o que acha de jantarmos em casa?” Jane sorriu respondendo na sequencia: “Claro, mas só se você me deixar escolher o cardápio!” Em poucos segundos veio a resposta: “Nada de calabresa na minha metade da pizza!” Jane riu abertamente pegando as chaves já em direção a casa da amiga. Amiga não, namorada! Era engraçado “rotular” a relação das duas. Parecia que a muito tempo atingiram um grau no qual isso não fazia a menor diferença a bem da verdade.

Haviam terminado de comer, Jane olhava desejosa para a geladeira:

– Tem certeza que não posso tomar nem um golinho de cerveja? Está calor...

– Não, Jane. O álcool vai interferir na ação dos remédios que você está tomando e por deus, são apenas 10 dias, o que quer dizer que só faltam 3 para você poder voltar a beber sua terrível bebida fermentada composta de cevada! – respondeu Maura calmamente enquanto abria um vinho e separava duas taças.

– Ué, mas a sua terrível bebida de...de...sei lá, uvas caras cultivadas num plantio longínquo e colhido por freiras virgens do Sul da Escócia eu posso beber??

– Claro que não, estou colocando uma taça para você apenas para brindarmos, já que se colocasse sua cerveja seria tortura demais...

– Brindarmos ao que exatamente? – disse a morena levantando uma sobrancelha

A legista deu uma taça para ela e se virou abrindo um sorriso encantador:

– A nós! Ao fato de estarmos vivas depois desse caso, a nossa amizade que resiste a tudo, ao nosso amor...

A morena não podia deixar de abrir um sorriso apaixonado, bateu suavemente sua taça contra a da outra repetindo “a nós”, depois a depositou sobre o balcão e puxou a legista para uma beijo longo e carinhoso.

Ficaram conversando e namorando mais algumas horas quando a detetive fez menção de ir embora Maura fez questão de convencê-la a passar a noite, tarefa que obteve sucesso sem grandes esforços a bem da verdade. Como era de se esperar não conseguiram dividir a mesma cama simplesmente para deitar e dormir logo de cara, fizeram amor até se cansarem. No outro dia Maura preparava seu café especial em sua cafeteira enquanto Jane sentada no balcão implicava com o penteado de um jornalista que aparecia num noticiário na TV, a loira ria das bobagens que a namorava falava quando ouviram a campainha. Se entreolharam, diferente da última manhã, estavam apresentáveis: Maura estava vestida com sua camisola e robe e Jane com uma roupa de ginástica que havia deixado na casa e estava guardada no closet da legista.

A loira se encaminhou arrumando os cabelos para abrir a porta, tinha quase certeza que poderia ser sua mãe a fim de uma última visita surpresa já que não sabia ao certo quando os Isles retornariam à Europa. Abriu a porta com um sorriso que imediatamente se desfez ao se deparar com quem estava parada ali. Jane estranhando a atitude da outra de ficar parada em silêncio se aproximou por trás:

– Maur, está tudo bem? Quem... – nem terminou a frase ao ver a figura ruiva parada a sua frente.

Notas finais
Sim, eu não consigo me desapegar dessa ruiva gente, sorry se alguém não gosta dela! Hahaha Besosss até a próxima!