Nu ma opri

20 Capítulo 20 – Meios e fins


Notas iniciais
Olá pessoas!! A ideia não era deixar o outro capítulo tão menor e este maior que o normal, mas não deu pra cortar a história em outro ponto que não fosse aquele! Hahaha Espero que gostem!

A romena sorriu de maneira triste enquanto tirava os óculos escuros que trajava revelando os olhos vermelhos e com olheiras.

– O que está fazendo aqui? – disse Jane de maneira feroz puxando Maura para dentro da casa e se pondo mais a frente da outra.

– Bom dia para você também, detetive. Vejo que se recuperou bem...

Maura olhava de uma para a outra receosa, analisou alguns segundos o semblante e a postura da mais nova então segurou com força o braço de Jane lhe chamando a atenção:

– Eu não sei o que você quer, Irina, mas posso notar que não veio com a intenção de provocar nenhum problema...

– Se incomoda de me chamar de Alison? Acho que gosto mais do que meu nome de batismo... – disse a ruiva brincando com os óculos nas mãos – E eu não vim causar nenhum problema mesmo, Doutora, vim me entregar.

Jane arregalou os olhos assustada, mas manteve a postura:

– O lugar apropriado para isto seria a delegacia, imagino que você saiba!

– Sim, mas você está aqui, não está? Se era pra ser presa ao menos que fosse pela melhor detetive do estado! – deu uma piscadinha ao mesmo tempo debochada e provocante.

A morena ficou parada com a testa franzida depois mandou a moça se virar e a revistou, por mais que estivesse se entregando poderia estar armada e a detetive não queria se arriscar. Vendo que ela estava limpa apontou para seu carro estacionado logo à frente:

– Me espera ali, vou pegar minhas coisas e te levar para a Central para oficializarmos isso!

A ruiva se afastou resignada, enquanto Jane entrava de volta na casa a vigiando pelas janelas ao mesmo tempo em que pegava suas chaves. Maura estava parada no mesmo lugar em frente à porta, seu olhar era triste:

– Jane... Eu sei o que ela merece, e de maneira alguma lhe pediria para não cumprir com sua obrigação, mas eu a conheci melhor naquele lugar e não consigo parar de pensar que no fim das contas ela não só também era uma vítima como foi ela quem nos salvou! – encarou a morena nos olhos vendo sua expressão confusa – Jane, se não fosse a Alison ter dado aquele tiro no Rafael quem garante que ele não teria obtido sucesso no plano de matar nós duas e fugir? Será que não tem como conversar com Cavanaugh e sei lá, amenizar a pena dela?

A detetive soltou um suspiro muito profundo antes de encarar a loira nos olhos:

– Com certeza não, meu amor. Por mais que no fundo sua causa fosse nobre ela é uma criminosa, querendo ou não falsificou documentos, se envolveu num esquema corrupto, te sequestrou... Com sorte podemos ver para ela ser extraditada pro país dela, mas até lá cumprirá pena por muitos anos em solo americano!

Deu um beijo na cabeça da legista e se afastou indo em direção ao lado de fora. Abriu seu carro e fez sinal para que a ruiva entrasse. Olhou para Maura parada com os braços cruzados em frente a sua casa e lhe deu um aceno com a mão, entrou no veículo e logo deu a partida.

Foram em silêncio o percurso todo. A detetive dirigia sem pressa. Parou duas quadras antes da delegacia. Estacionando em frente um ponto menos movimentado finalmente olhou para o lado, a ruiva visivelmente tentava controlar um choro:

– Está bem, afinal por que está se entregando, Alison?

– Isso importa? Apenas me leva logo pra lá, Rizzoli! – respondeu a outra de maneira ríspida.

– Sim, importa, porque até uma semana atrás você era uma mulher determinada a tudo que inclusive conseguiu fugir sem deixar rastros, o que mudou?

A ruiva ficou em silêncio encarando o movimento da rua pela janela. Vendo que a detetive não desistiria tão fácil de obter uma resposta respondeu baixo:

– Eu perdi. – virou o rosto devagar encarando a morena que a olhava com atenção – Eu vim até aqui para matar o cara que destruiu minha família, ele não só matou meu pai, minha mãe entrou num processo de depressão crônica depois disso e com uso abusivo de remédios foi ficando cada vez mais transtornada psicologicamente, quando a internei na clínica e vim pra esse país estava disposta a fazer a justiça que achei que me traria paz, que traria paz a memória deles, mas não. Depois de tudo que passei e que você nem imagina o quanto foi, Rafael me levou até o corpo dele. Achei que ainda assim, apesar de não ter feito com minhas próprias mãos, mas saber que estava tudo acabado me daria conforto por isso eu fugi naquele dia do galpão, mas essa semana toda que passei me escondendo da polícia tudo que descobri foi que não fez diferença. Ele estar morto ou não, não trouxe meu pai de volta, nem a sanidade da minha mãe. Nem me levou de volta para minha casa onde eu pudesse ficar mais uma vez perto das lembranças boas que tive com eles... Eu perdi e não tenho mais nenhum objetivo de vida, com certeza não planejei nenhum futuro para depois que executasse o Mitrea então que me prendam... e foda-se!

Jane encarava a ruiva com pesar. Maura tinha razão, durante todo o caso eles também haviam descoberto o quanto aquela mulher era uma vítima, mais do que do Mitrea, dela mesma, da ilusão de sucesso que havia criado após seu plano de vingança. E é verdade, se não fosse por ela quem garante que ela (Jane) estaria ali e não enterrada a sete palmos? Pegou o celular e discou um número, logo em seguida falou:

– Frankie? Hey, sou eu! Preciso de um favor irmãozinho... – falava enquanto dava novamente a partida no carro e dirigia de volta à casa da legista.

Jane bateu na porta e logo foi recebida por Maura já vestida num modelo simples uma calça jeans escura e blusa solta amarela, ela franziu a testa ao ver a morena acompanhada de Alison, mas abriu passagem. As duas mulheres entraram e se sentaram na sala. Vagamente Jane disse que havia tido uma ideia, mas que elas teriam que esperar, travaram uma conversa meio desconfortável, porém amena sobre assuntos diversos. Mais de meia hora depois Frankie bateu a porta, Jane foi apressada atende-lo:

– Porra Jane, você sabia que essa caixa dos pertences do Martinez até hoje não foi arquivada? – resmungava o mais novo segurando uma caixa de papelão – Tava lá no meio daquela bagunça no depósito, levei horas pra achar...

– Puxa vida, coitadinho. – respondia a detetive ironicamente enquanto pegava o objeto das mãos do irmão e já fechava a porta com o pé. – Obrigada, fico te devendo uma cerveja!

– Really? Jane... – não teve tempo de continuar porque a irmã já tinha trancado a porta na sua cara, deu meia volta bufando e foi em direção a Central mais uma vez.

Já dentro da casa a morena depositou a caixa sobre a mesa de centro e começou a vasculha-la.

– Aqui, achei! – retirou um papel e olhou para Alison – Você ainda tem seu celular? Me empresta aqui! – pegou o aparelho da ruiva e saiu pela sala discando um número.

– Boa tarde, qual seu nome? Stephanie, olá, eu sou Alison Montgomery e estou com um problema... comprei uma passagem para semana passada pela companhia aérea de vocês mas não pude embarcar porque tive um imprevisto realmente embaraçoso: sou transexual, vim aos EUA fazer uma operação, mas por no meu documento constar meu nome e gênero de nascença que são masculinos fui rudemente tratada no check-in dizendo que eu queria dar um golpe. Voltei ao hospital para tentar conseguir alguma documentação que comprovasse minha situação, mas parece que a burocracia de vocês é de terceiro mundo, não tem nada pronto e preciso embarcar hoje de volta para a Romênia!!

Tanto Maura quanto Alison estavam boquiabertas olhando para a detetive, ela segurou o riso ao encarar o olhar de espanto das duas e prosseguiu com sua encenação:

– Meu nome como consta na passagem? Marcel Mitrea! Isso, tenho dupla cidadania. Olha querida eu já esperei uma semana pra tentar resolver este problema sem ter que acionar vocês por preconceito, mas realmente hoje é meu prazo limite se não puder embarcar no próximo avião juro que vou nos jornais fazer um escândalo e processar a empresa!! – aproximadamente dois minutos depois Jane sorria triunfante – O vôo sai às 14h é só eu chamar pelo gerente no check-in que ele pessoalmente autoriza? Perfeito! Muito obrigada, Stephanie! Igualmente! Tchau, tchau!

Jane desligou o aparelho e o estendeu para a ruiva juntamente com a passagem para a Romênia só de ida que tinha em mãos:

– Pronto. Pegue suas coisas e volte pra sua casa, moça! Sua mãe precisa de você lá, não o presídio de Boston!

Alison começou a rir e chorar ao mesmo tempo, estendeu a mão e olhava incrédula para a passagem e depois para a detetive. Maura ainda em choque falou baixo:

– Jane...você... Jane você pode ser presa por isso!

A morena sorriu para a legista com o canto dos lábios:

– Não, porque ela fez tudo isso sozinha, não é verdade? – encarou Alison que entendendo o recado lhe deu um sorriso confiante.

– Não Jane, não!! Como ela teria pego a passagem das coisas do Martinez? É óbvio que saberão que você a ajudou! – dizia a loira entrando em pânico tentando controlar a respiração descompassada.

– Como assim eu ajudei meu amor? As coisas do Martinez estavam jogadas no depósito da delegacia totalmente expostas! – Maura olhava incrédula para a morena – Se a Stra. Montgomery de alguma forma conseguiu entrar no nosso departamento sem ser vista e retirar isso de lá de dentro eu não teria como saber...

Maura se sentou no sofá balançando a cabeça em negativo, por mais que estivesse feliz no fundo por saber que a ruiva teria sua vida de volta e achava isso justo morria de medo que Jane fosse pega pelo esquema e ela sim acabasse presa, mas agora não tinha volta, era contar com a confiança da amante e algo que ela não acreditava muito, mas era o que tinha pra se apegar: a sorte!

Jane sabia que a loira não aprovava 100% o que ela acabara de fazer e preferia não ter feito na frente dela, já que ela é incapaz de mentir e poderia botá-las numa bela enrascada mais pra frente, mas era um caso de urgência e não se arrependia da atitude. Olhou no relógio e depois para Alison que permanecia de pé em frente ao sofá encarando o pedaço de papel com um sorriso iluminado no rosto:

– Acho que você tem que ir pro aeroporto, afinal não vai querer perder o vôo...

A ruiva balançou a cabeça em gesto positivo depois guardou o celular num bolso e a passagem em outro. Foi se encaminhando até a porta de entrada, parando para que Jane a abrisse, Maura se levantou e ficou logo atrás da morena ainda tinha um olhar preocupado.

– Não tenho como te agradecer por isso, Jane.

– Você já agradeceu. Salvou nossas vidas, Alison! – respondeu a morena com um sorriso doce e passando um braço sobre os ombros de Maura — e abriu meus olhos pra outras coisas também...

Maura sorriu abraçando a cintura de Jane. A ruiva olhou de uma para a outra com um ar satisfeito:

– A segunda parte parece que foi a mais difícil, nunca vi duas cabeças duras assim! – as três riram de maneira animada – Bem, se um dia estiverem dispostas a conhecer a Romênia, adoraria lhes servir de guia turística.

Maura agradeceu o convite aproveitando para falar de alguma curiosidade história sobre a cidade que adoraria conhecer, mas que só havia visto em livros. Depois de mais alguns momentos a ruiva finalmente saiu se despedindo com um aceno de mão. Já estava quase na calçada quando se virou e voltou vindo em direção ao casal que estava parado na mesma pose na soleira da porta:

– Pensando bem, não posso ir embora sem isso!

Alison se inclinou a frente capturando com vontade os lábios de Jane que estática nem teve tempo de reagir de maneira contrária, apenas se entregou ao movimento que da mesma maneira brusca que começou se interrompeu, quando Jane se deu conta a ruiva já havia a soltado e capturado os lábios de Maura com a mesma intensidade que como a morena ficou igualmente paralisada cedendo ao acontecimento. A ruiva se afastou arrumando o batom borrado na boca com os dedos depois deu seu sorriso mais malicioso e foi embora.

A detetive e a legista permaneceram ainda algum tempo paradas ali apenas observando a moça se afastar e sumir numa esquina. As duas ainda olhavam em direção ao horizonte quando Maura soltou:

– Ela tem uma musculatura labial bem desenvolvida, não?

Jane franziu a testa sem desviar o olhar a frente:

– Esse é seu jeito de dizer que ela beija bem? — A loira deu os ombros — É, ela tem uma musculatura labial bem desenvolvida sim. Vamos entrar? Estou com fome...

A legista virou o rosto e encarou a morena nos olhos acenando com a cabeça e já voltando para dentro da casa. Assim que trancaram a porta se fitaram um longo minuto até caírem na gargalhada. Essa Alison era uma figura mesmo...

Notas finais
Então, acham que dei um final digno pra Alison? hahaha Beijooos