Now Is Good
39 Tudo de novo
Notas iniciais
Acordo com uma sensação de peso sobre meu corpo, o que dê fato havia. No inicio não reconheço o lugar onde estou, mas logo que meus olhos se ajustam a luz, pude ver claramente. Estava no hospital de Storybrooke, deitada numa cama, com Emma deitada quase em cima de mim.
– Emma. – Minha garganta estava seca e a voz sai estranha, mas foi o suficiente para ela despertar e escorregar para fora da cama imediatamente.
– Amor. – Ela pisca algumas vezes, provavelmente também tentando ajustar sua visão à luz. – Como você se sente?
– Eu estou enjoada. O que estamos fazendo aqui?
– Eu te trouxe pra cá amor, você desmaiou e não acordava de jeito nenhum. Fiquei assustada e te trouxe aqui.
– Há quanto tempo estamos aqui?
– Já faz algum tempo. Algumas horas.
– Meu Deus, onde tá o Roland? – Pergunto preocupada com o fato de não tê-lo visto.
– Está ali fora com meus pais. Ele não quis arredar os pezinhos daqui enquanto você não acordasse. – Ela sorri para mim e eu retribuo.
– Chame-o, por favor. – Ela assente e sai da sala, voltando logo em seguida segurando a mãozinha de Roland.
–Mamãe. – Ele caminha até mim, e tenta subir na cama, que era muito alta pro seu tamanho.
– Ei, ei, cuidado. – Emma o segura. – Mamãe não pode pegar você no colo baixinho.
– Poique? – Ele pergunta olhando para ela, depois olha para mim. – Você está dodói mamãe?
– Não querido, mamãe não está dodói. – Digo me inclinando um pouco mais para perto dele. – É que colocaram esse remédio aqui pra mamãe melhorar, e tem uma agulha, por isso não posso pegar você. – Digo me referindo ao soro que haviam posto em mim.
– Ah. – Ele faz uma caretinha. – Tem agulha é? – Ele se afasta um pouco.
– Tem, mas fique tranquilo que não vão furar você não.
– Ah, ta bom então. –Ele levanta os ombros.
– Senta ali baixinho. – Emma indica uma poltrona que havia encostada na parede contraria e Roland vai pulando até lá.
– Quero ir embora, agora.
– Eu sei amor, mas precisamos esperar o Whale. Ele fez um exame de sangue. – Ela aponta meu outro braço, que tinha um pequeno curativo.
– Mas pra quê? Foi só um mal estar, meu Deus do céu que exagero. – Reclamo.
– Nunca é exagero amor, e fica quietinha ai. – Ela me diz e planta um beijo em minha testa.
Ficamos apenas alguns minutos esperando por Whale, e quando ele entra na sala, sua expressão era péssima. Um calafrio percorreu a minha espinha.
– Olá Regina, como se sente? – Ele pergunta para mim.
– Eu estou bem. Quero ir embora. – Nesse momento ele olha para Roland, que continuava sentado na poltrona, falando sozinho, provavelmente com o Ryan, seu amigo imaginário.
– Não quer pedir que sua mãe fique com o garoto? – Whale pergunta para Emma, com uma expressão que já me começava a assustar.
– Ta. – Emma assente, provavelmente também estranhando a atitude do médico. – Baixinho, vem cá. – Ela chama-o já na porta. – Vai la com a vovó e com o vovô, nós já vamos embora ta bom?
– Ta. – Ouço-o responder e depois o barulho da porta fechando-se, enquanto Emma volta para o meu lado.
– Já tenho os resultados, do seu hemograma Regina.
– E? – Emma pergunta e pude perceber o quanto estava nervosa.
– O que você estão me escondendo? –Olho séria para Emma, que faz o mesmo com Whale, que por sua vez, faz um movimento afirmativo para ela.
– Amor. – Ela pega minha mão, enquanto eu a encarava com o cenho franzido.
– Fala logo Emma. – Digo já impaciente e nervosa.
– Esses seus desmaios, e mal estar, podem não tem a ver com os remédios. – Pausa. – Pelo que tem sentido, há a possibilidade de que a doença tenha voltado. – Meus olhos ficam marejados, mas continuo imparcial.
– Na verdade, não é mais uma possibilidade. – Whale conclui. – É uma certeza. Sinto muito Regina.
Aperto meus olhos sentindo novamente aquela sensação de ferro em brasa no peito, apoio a cabeça no travesseiro e deixo que o mundo gire a minha volta, pois era assim que me sentia. Sinto o aperto de Emma, em minha mão, e retribuo, sei que ela queria que eu soubesse que ela estaria ali comigo, e eu não tinha nenhum dúvida disso, mas sei também o quanto Emma sofre com essa situação.
– Eu realmente sinto muito Regina. – Whale repete, me fazendo despertar do meu transe.
– Não sinta. – As lágrimas que queimaram meus olhos segundos atrás, parecem ter secado. – O que vou ter que fazer? Ou já não dá pra fazer mais nada?
– Amor, não fala assim. – Emma pede, sua voz estava enfraquecida. Ela iria passar por tudo de novo, por minha culpa.
– Pelo seu hemograma, podemos ver que a doença voltou mais forte, passando da Mieloide Crônica para a Linfoide Aguda, que é algumas vezes mais agressiva do que a que teve antes. Precisamos agir imediatamente, se conseguirmos impedir que mais do seu sangue seja contaminado, suas chances de cura são consideráveis.
– Consideráveis? — Solto um riso incrédulo, sarcástico.
– Estamos falando de Leucemia Regina, não é uma simples gripe que eu posso lhe dizer com certeza, que com determinado remédio você vai melhorar. Vai depender unicamente do seu organismo, de como irá reagir. – Pausa. – E claro, de você mesma.
– O que precisa ser feito doutor? – Lá estava a Emma protetora.
– Vamos ter que começar com uma quimioterapia quatro vezes ao dia por enquanto. A julgar que a doença foi classificada como L2, que já se encontra mais avançada.
–E como não descobriram isso nos meus exames de antes?
– Porque não havia nada a ser descoberto. Os quimioterápicos que estava tomando conseguiu destruir todas as células ruins da primeira vez, mas infelizmente eles não podem protegê-la de que elas voltem.
– Você disse que terei que fazer quimioterapia, quatro vezes por dia, certo?
– Sim.
– Eu vou ter que ficar aqui? – Pergunto, orando mentalmente para que ele dissesse não.
– Eu recomendaria, mas não posso obriga-la.
– Ótimo, por que eu ficar em minha casa.
– Como queira, desde que se comprometa a vir até aqui as quatro vezes no dia.
– Ela vai vir sim. – Emma se intromete novamente.
– Certo, vou assinar sua alta. – O médico faz menção em sair da sala.
– Whale? – Chamo. – Meu cabelo, ele vai cair? – Pergunto apreensiva.
– Não tenho como dizer isso, como eu disse antes, vai depender do seu próprio organismo.
– Ok. – Concordo com um movimento de cabeça enquanto ele sai da sala, deixando Emma e eu sozinhas.
– Tudo de novo. – Respiro pesadamente.
– Calma amor, vai dar tudo certo. Eu estou com você. – Ela diz e beija minha testa.
Tempo depois Whale volta com a minha alta assinada, me da todas as instruções das quais eu precisava, e finalmente posso sair daquele lugar horroroso. Agradeço a David e Mary Margareth por terem cuidado de Roland, enquanto Emma estava comigo.
Entrego as chaves do carro para Emma, pois tudo que eu menos queria era dirigir. Entro e sento-me no banco do carona enquanto Emma colocava Roland na cadeirinha no banco de trás.
– Mamãe, você está bem? – Sou retirada de meus devaneios pelo som doce de sua voz.
– Está sim querido. – Viro-me para trás e forço um sorriso que ele retribui.
Emma já dava a partida no carro, enquanto eu apoio minha cabeça no assento, e olho pela janela, vez ou outra pude sentir o olhar de Emma em mim, mas eu não queria conversar. Não naquele momento.
Não demora muito e chegamos em casa, saio do carro assim que Emma estaciona, abro a porta traseira e solto Roland da cadeirinha, e quando já ia em direção a porta Emma nos alcança e caminha ao meu lado, segurando minha outra mão.
Entramos sem dizer uma única palavra, subo com Roland, e o levo para o banho, assim que terminamos levo-o para cama, meu pequeno estava exausto.
– Durma bem querido. – Digo me inclinando e deixando um beijo em sua testa, vendo seus pequenos olhos já fechados.
Quando me viro para sair do quarto, vejo Emma parada a porta, como sempre nos observando. Ela não diz nada, esperou que eu saísse do cômodo, e passou o braço pela minha cintura enquanto caminhamos juntas para nosso quarto. Emma fecha a porta e encosta nela, enquanto eu vou até a cama e me sento, ficamos nos encarando de longe, até que sinto uma lágrima escorrer dos meus olhos. Emma caminha até mim, e se ajoelha em minha frente.
– A gente vai passar por isso juntas, amor. – Emma diz segundo meu rosto em suas mãos. Não aguentei mais segurar o choro, e deixei que escorresse livre pela minha face. Havia segurado demais já. Emma não diz mais nada, só levanta pega a minha camisola e traz até mim, enquanto me ajuda a despir do vestido que eu usava. Já devidamente vestida deito na cama, ainda sentindo as lagrimas descerem por meu rosto, e Emma deita ao meu lado, me trazendo para seu peito, enquanto repetia seguidamente “Vai dar tudo certo amor, nós vamos superar isso”, como se quisesse convencer a si mesma das suas próprias palavras.
No embalo do cansaço dos braços e das palavras de Emma, não demoro muito a pegar no sono. Não havia lugar melhor para adormecer do que nos braços da minha noiva.
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Enquanto Regina dormia em seus braços, Emma pensava em tudo que havia acontecido nos últimos dias. Ela coloca cuidadosamente a cabeça de Regina sobre o travesseiro, e puxa a coberta para cobrir a morena, enquanto ela levantava-se da cama e vai para o banheiro.
If you ever leave me, baby
Se um dia você me deixar, amor
Leave some morphine at my door
Deixe um pouco de morfina na minha porta
'Cause it would take a whole lot of medication
Porque eu precisaria de muitos medicamentos
To realize what we used to have,
Para perceber que não temos mais
We don't have it anymore.
O que tínhamos
Ela entra e fecha a porta, encostando-se nela e encarando o chão por alguns instantes, para então caminhar até o espelho, ficar ali olhando seu reflexo. Sentia uma dor gritante no peito, mas havia segurado tudo perto de Regina, tudo que a morena precisava era de força e Emma achava que não poderia se dar ao luxo de chorar perto dela.
There's no religion that could save me
Nenhuma religião poderia me salvar
No matter how long my knees are on the floor
Não importa quanto tempo eu passo ajoelhado
Oh so keep in mind all the sacrifices I'm makin'
Então lembre-se dos sacrifícios que eu estou fazendo
To keep you by my side
Para te manter do meu lado
And keep you from walkin' out the door.
E evitar que você saia pela porta
Pensando em Regina e em todas as coisas que elas haviam feito durante todo o dia, ela despenca num choro compulsivo, do qual ela tentava silenciar por medo de Regina ouvi-la. Ela senta-se no chão e coloca as mãos no rosto, enquanto seu rosto já estava completamente banhado pelas lagrimas que desciam descontroladas.
'Cause there'll be no sunlight
Porque não haverá luz do sol
If I lose you, baby
Se eu te perder, amor
There'll be no clear skies
Não haverá céu claro
If I lose you, baby
Se eu te perder, amor
Just like the clouds, my eyes will do the same
Assim como as nuvens, meus olhos farão o mesmo
If you walk away
Se você for embora
Everyday, it will rain, rain, rain
Todo dia, vai chover, chover, chover...
Uma série de coisas passava em sua cabeça naquele momento, como num filme, ou uma retrospectiva das melhores coisas que aconteceram em sua vida desde que Regina havia entrado nela. Lembrava-se de um dia em especial, o segundo dia que Roland estava morando com elas.
“Emma sua vez de dar banho no Roland.
– Mas por que eu? – Emma faz uma careta
– Porque você precisa aprender. Anda, vem.
– Ta bom. – A loira segue Regina até o banheiro, onde Roland já esperava nu, com as pequenas mãos em suas partes. – E ai baixinho?!
– Você vai me dai banho hoje, mamãe? –Ele pergunta para Emma, mas Regina também olha, achando que ele estava falando com ela.
– Eu vou sim. –Ela diz caminhando até ele, e pegando-o por debaixo dos braços, colocando-e dentro da banheira.
– Precisamos resolver essa questão dos “mamães”. – Regina diz.
– Como assim? – Emma pergunta sem olha-la, já começando a dar banho no garoto.
– Ele nos chama as duas de mamãe, eu acabo sempre achando que sou eu.
– Ah, por que só tem você de mãe aqui. – Emma reclama.
– Não é isso querida, é que fica confuso, é a mesma coisa que se tivéssemos o mesmo nome, entendeu?
– Ah sim, realmente. – Emma concorda, enquanto Regina caminha até mais perto da banheira pensando em como poderiam resolver isso. Emma olha travessa para Roland, que parecia ter tido a mesma ideia que ela, e então quando Regina nem espera ela toma um jorro de água no rosto, fazendo-a se assustar, e claro, se molhar um pouco.
– Ei. – Ela reclama olhando para Emma e Roland que continuavam a tarefa como se nada tivesse acontecido. – Quem foi? – A morena pergunta cruzando os braços em frente ao corpo, fingindo irritação.
– Foi ele.
– Foi ela. – Ambos dizem juntos, apontando um em direção ao outro. Regina não fala nada, simplesmente se vira a finge que vai sair do banheiro, enquanto Emma de costas para ela, ria em silêncio. Só que a loira não esperava que Regina fosse revidar, e com água fria. Regina caminha em direção a saída e quando ela percebe que Emma não a esta olhando ela liga a torneira da pia e pega um pouco de água com as mãos, caminha de volta até a loira e joga em suas costas dentro da camisa dela, Emma sente a água fria escorrendo por suas costas e se contrai. Enquanto Roland e Regina eram só risos.”
Enquanto as lembranças iam e vinham na cabeça de Emma, ela chorava cada vez mais, ela havia ouvido as palavras de Whale, de que a doença de Regina dessa vez era muito mais grave e que o tratamento poderia nem funcionar. Por mais que não quisesse, essas palavras giravam em sua mente todo o tempo, e sua dor só aumentava e as lágrimas não cessavam.
Depois de muito tempo, Emma consegue finalmente parar de chorar. Ela se levanta e lava o rosto, que estava vermelho, e seus olhos estavam inchados.
“Vai dar tudo certo Emma.” Ela dizia a si mesma, queria mais do que tudo se convencer de suas próprias palavras.
...If you walk away
Se você for embora
Everyday it will rain, rain, rain
Todo dia, vai chover, chover, chover
Voltando para o quarto, ela deita-se novamente ao lado da morena, que continuava dormindo, mas Emma já não via mais tranquilidade em seu sono, podia ver a musculatura do rosto de Regina contraída, indicando que ela não estava relaxada. Emma suspira, e puxa a morena para mais perto, ela enfia o rosto nos cabelos da morena, ah, como adorava aquele cheiro e cada vez que ela o sentia, ela reforçava a ideia de que nunca conseguiria viver sem Regina.
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