Now Is Good
40 Dias de luta
Notas iniciais
Emma nem lembra quando pegou no sono, mas quando acorda seus olhos ainda ardiam de sono, ainda bem que ela podia dormir mais já que era domingo. Ela se ajeita melhor na cama, e puxa ainda mais o corpo de Regina, que estava de costas, para ela. A morena já havia acordado, mas não quis levantar-se e sair do abraço quentinho de Emma, e quando a loira se meche a puxando mais ela se vira e sorri doce para ela.
– Bom dia querida.
– Bom dia amor, já ta acordada! – A loira diz abrindo um olho só para olhar Regina.
– Estou, estava esperando você acordar.
– Ah, mas eu ainda to dormindo ta?! – A loira diz fechando os dois olhos novamente.
– Ah é, e eu estou falando com quem então?
– Não sei não amor. – Emma responde com a voz baixinha, e Regina sorri beijando-lhe a ponta do nariz.
– Hm, que gostosinho. – Emma sorri e força seus olhos a abrirem.
– Me desculpe por ontem. – Regina diz olhando a loira nos olhos e percebendo que estavam inchados, mas ela prefere não mencionar isso.
– Por que amor?
– Eu nem falei com você direito, depois que saímos do hospital. Eu só... eu só... eu só tava tentando entender por que eu.
– Também não acho justo amor, mas se estamos passando por isso, é porque somos fortes o suficiente pra superar. E para de pensar nisso – Agora foi a vez da loira beijar a ponta do nariz de Regina. Ela na verdade distribuiu beijos por toda a face da morena, até chegar aos lábios, e deixar ali um beijo doce.
– Mamãããães. – Elas ouvem Roland gritar do outro lado da porta.
– Ei garoto. – Emma responde.
– Eu posso entrai?
– Entra ai baixinho. – Emma responde, enquanto sentamos na cama, esperando por ele, que sempre pulava em nosso meio. E é exatamente o que ele faz.
– Vocês doimem muito. – Ele reclama.
– Dormimos mesmo né querido?! – Regina bagunça os cabelos dele.
– To com fome. – Ele coloca a pequena mão sobre a barriga.
– Ok, vamos levantar e tomar café então.
– Eu vou descendo e arrumando a mesa. – Emma pula pra fora da cama.
– Ta bom, eu já desço.
Emma sai do quarto com Roland enquanto Regina se vestia. Quando a morena chega á cozinha já estava tudo pronto, mesa posta, tudo perfeitamente arrumado. Ela sorri, e se senta junto de Emma e Roland, que estavam esperando por ela.
– Gostou? – A loira pergunta sorrindo em expectativa.
– Está perfeito, querida. – Sorrio para ela, e ela pega minha ao por cima da mesa e apertam enquanto tinha a outra atrás de suas costas, me inclino para tentar enxergar, mas ela não deixa.
– Ei, eu também ajudei. – Roland fala empolgado balançando os braços do lado do corpo.
– Oh, eu sabia que tinha que ter um toque especial aqui. Está ótimo querido. – Regina sorri pro garoto que lhe retribui o sorriso.
– Peguei uma coisa pra você. – Emma diz.
– Uh, e o que é? – Pergunto curiosa.
– Fecha os olhos. – Regina obedece. – Agora pode abrir. – Não havia durado mais que 10 segundos.
Quando a morena abre os olhos, Emma tinha duas tulipas em sua mão, oferecendo-as a morena, que sorri, e as pega lembrando-se do dia que havia dado a mesma flor para a loira. A morena leva a delicada flor até perto do rosto e cheira, fechando os olhos, aproveitando da sensação.
– Você lembra-se do significado né? – Emma pergunta.
– Amor eterno, amor verdadeiro, amor perfeito. – Regina ainda tinha os olhos fechados, e quando afasta a flor de seu nariz ela volta a abri-los. – Eu adorei, obrigada querida.
– Se for preciso, eu te dou uma dessas todos os dias, pra você saber o quanto eu te amo, cada dia mais.
– Não precisa me dar nada pra provar isso. Mas eu adoraria ganhar flores todos os dias. – A morena deposita delicadamente a flor ao seu lado na mesa.
– Eu quelo uma floi também. – Roland diz, olhando para elas com a cara toda suja com o creme que havia no pão que ele comia. As duas o olham juntas, e riem juntas também.
– Depois pego uma pra você garoto. – Emma diz e cutuca o lado do menino.
– Mas eu quelo dai pa mamãe também. – Ele faz uma cara de decepção, pois ele é quem queria ir buscar a tal flor.
– Ok, depois nós vamos lá. – Emma pisca para ele, que volta a se animar e comer seu pão.
– Amor, você elogiou tanto que agora ta com dó de comer? Pode comer tá?!
– Oh, claro. — Regina força um sorriso, pois estava sem o mínimo apetite, Mas já que sua loira havia preparado tudo bonitinho para ela, ela tenta beliscar uma coisa e outra.
– Nossa Regina, você vai se afogar com isso ai. – Emma debocha, pois Regina havia pegado apenas um pedaço de queijo branco.
– Isso está ótimo.
– Você tem que comer.
– Sem sermão. – Regina corta, e eles terminam de tomar café conversando sobre várias coisas, nenhuma das duas toca no assunto delicado, mas Emma sabia que ela teria que se manifestar, pois Regina não faria isso. Ela só observava Regina fingir que estava comendo, ela sabia que a falta de apetite da morena era devido ao seu problema de saúde, mas mesmo assim isso a incomodava.
Depois de tomarem café, elas arrumam tudo e sentam-se no sofá tentando decidir o que fariam o resto do dia, já que domingo era sempre um tédio se não houvesse programa nenhum para ser feito. Emma sugere não saírem de casa, e ficarem vendo filmes. Roland logo se manifesta gritando que queria que fosse Harry Potter, e nenhuma delas se opõe, já que afinal, gostavam dos filmes também. Emma pega o box com os filmes, e coloca o primeiro, e assim eles passam toda a tarde, entre comentários sobre o filme, cócegas, risos, cochilos e trocas de beijos entre Emma e Regina quando Roland não estava olhando.
Uma semana depois.
POV REGINA
Entro novamente pelas portas daquele lugar, que eu pagaria para não precisar frequentar. Por mais que a aparência do lugar fosse agradável, as coisas que aconteciam dentro não eram nem um pouco. Hospital de Storybrooke, aí vou eu.
Quando entro vejo Whale parado na recepção conversando com uma enfermeira, caminho até ele, que me vê antes que eu chegue perto.
– Olá Regina, como esta? – Ele pergunta sorrindo.
– Quer mesmo que eu responda Whale? – Digo um tanto irritada.
– Vou bem, obrigada. – Ele ignora a minha ironia, fazendo outra que eu também ignoro completamente. – Onde está a xerife? – Ela diz olhando para a porta.
– Ela já deve estar vindo. – Respondo olhado para a tela do celular, esperando que Emma chegasse logo.
– Ok, vamos indo então, ela nos encontra la dentro. – Ele diz e me pede que o siga, simplesmente obedeço.
Ele me conduz para uma sala, em outro corredor do hospital, uma sala bem distante das outras por sinal, e todo o caminho eu fiquei olhando repetidamente para a tela do celular, esperando que Emma ligasse e dissesse que já havia chegado, não sabia se conseguiria passar por isso sozinha, não no primeiro dia.
– Sente-se ali. – Ele indica uma espécie de poltrona, da qual havia apoio para os pés e para cabeça. Fico parada na porta olhando o ambiente por alguns instantes ignorando o que Whale havia dito. Havia três pessoas la dentro, um homem e duas mulheres, os olhos de uma das mulheres me encara, e eu tenho vontade de dar meia volta e ir embora. Ela tinha um olhar triste, sem brilho, um olhar de dor, sem vida. Eu temia ficar igual. – Regina? – Whale chama desviando minha atenção.
– Ok. – Respondo indo sentar-se na poltrona onde ele indicara enquanto ele vai para outra sala.
Quando me sento posso sentir o olhar de todos sobre mim, mas continuo olhando para a tela do celular em minhas mãos. Estava inquieta, minhas pernas subiam e desciam num movimento acelerado, indicando meu nervosismo.
– É a sua primeira vez? – Ouço a voz feminina dizendo, e levanto a cabeça para ver de quem veio. Ela estava sentada na outra extremidade da sala, me olhando, como os outros, esperando que eu respondesse. A mulher era muito bonita, apesar da aparência abatida, tinha olhos azuis, a pele clara, e a julgar pela cor de suas sobrancelhas, seu cabelo um dia foi castanho, já que agora ela já não o tinha mais.
– É sim. – Tento forçar um sorriso, que deve ter saído horrível.
– Está nervosa não é? É normal, eu também fiquei na minha primeira vez.
– Isso dói muito? – Pergunto, pois estava sentindo um medo tremendo.
– Não dói nada, é como se você tomasse soro. O que de fato não é mentira, mas claro que tem muito mais do que soro aqui. – Ela aponta para o seu suporte que havia uma bolsinha de liquido pendurada, e estava ligado em seu braço esquerdo. – O pior vem depois.
– Entendi. – Balanço a cabeça e sorrio nervosa.
– Você veio sozinha?
– Sim. – Faço uma pausa para olhar a tela do celular novamente. – Mas minha noiva já deve estar chegando.
– Que bom, minha irmã deve estar passeando pelo hospital. Ela vem todos os dias.
– Você tem de ficar aqui 24 horas?
– Sim, essa é a minha casa agora. – A moça me força um sorriso, e eu engulo seco. – Você mora por aqui? – Fico surpresa com sua pergunta, pois a cidade toda me conhecia, mas não nego ter ficado um tanto feliz por ela não saber quem eu sou.
– Ela é a prefeita, não é? – O homem nos interrompe e olha para mim.
– Sim, eu sou.
– Uh. – A moça me olha surpresa. – Temos uma autoridade aqui. – Ela faz piada para descontrair.
– Acho que sim. – Tento sorrir novamente.
– Qual o seu nome, senhora prefeita?
– Regina. E o seu?
– Aurora.
– Caso alguém queira saber meu nome é Neal. – O homem se intromete de novo, eu o olho e sorrio.
– Qual o seu diagnóstico, Neal? – Aurora pergunta.
– Linfoma estágio 4, não sei o que estou fazendo aqui ainda. — Ele diz, e a julgar que sua doença estava muito avançada, as chances dele eram quase nulas. Mas ao dizer isso, não senti tristeza em sua voz, pelo contrário, o sentimento parecia ser de alivio.
– E a sua Regina? – Aurora me pergunta.
– Leucemia, estágio 2.
– A minha está no 3. – Ela me encara entristecida. – Descobriram tarde demais, só estou aqui adiando algo que vai acontecer logo.
– Mas é o transplante, não serve?
– Serviria se houvesse alguém compatível.
– Pode aparecer um e... – Ela não me deixa terminar.
– Não vai, já me conformei com isso. – Nesse momento Whale entra na sala, sendo seguido por Emma que puxa uma cadeira de plástico e se senta ao meu lado.
– Amor, me desculpa o atraso. Tive alguns problemas na delegacia e não podia deixar o Jefferson sozinho, então eu... – Ela falava tudo muito rápido, mas tudo que me importava era que ela estava ali.
– Ok querida, ta tudo bem. – Digo segundo seu rosto fazendo-a parar de falar. Ela sorri e toca rapidamente meus lábios com os seus. Percebo que todos estão nos olhando com um pequeno sorriso. – Hmm, Aurora. – Olho para a moça. – Essa é Emma, minha noiva.
– Prazer Emma. – Ela sorri.
– Prazer é meu. – Emma sorri de volta.
–Olá Emma. – Neal cumprimenta.
– Olá. – Ela responde. Ficamos um tempo em silêncio esperando que a outra mulher também dissesse algo, mas ela não disse, então Emma volta a se sentar ao meu lado, de costa para todos.
– E Roland?
– Deixei ele na escolinha já. Johanna disse que ele acordou agitado.
– Cada dia que passa ele fica mais agitado. – Sorrio imaginando meu garotinho.
– Vamos lá Regina? – Whale diz se aproximando e pendurando uma das bolsinhas com soro e medicamento no suporte com uma mão, e segurando a agulha com a outra. – Vou precisar que se afasta Emma. – Ele diz e ela se levanta para dar espaço. – A propósito vá até a sala ao lado, e pegue uma mascara.
– Ok, eu já vou. – Ela se abaixa ao meu lado, e pega minha mão, enquanto Whale perfurava meu outro braço.
– Pronto. – O doutor diz. – Hoje é provável que não tenha nenhum efeito colateral, por estar no inicio, mas talvez aconteça então qualquer coisa, use isso. – Ele aponta para baixo, mostrando um suporte de alumínio.
– Ok. – Respondo.
– Emma, a máscara. – Ele fala novamente.
– Ah é, to indo. – Ela levanta. – Amor, já volto. – Aceno com a cabeça.
Emma sai e demora um pouco para voltar, no mínimo estava chorando no banheiro de novo, pois no dia em que tivemos a noticia de que minha doença havia voltado, acordei no meio da noite e a ouvi chorando no banheiro, não disse nada a ela que eu havia escutado, mas saber que ela sofria por minha culpa, acabava comigo.
Olho para Aurora, que estava vomitando de forma violenta, e torço para que isso não aconteça comigo. Pelo menos não por hoje.
Emma volta e senta-se ao meu lado novamente, segura minha mão o tempo todo, enquanto conversava comigo, tentando me distrair de olhar para Aurora, que estava passando muito mal. Havia uma moça ruiva com ela, que deduzo ser sua irmã que ela havia comentado. Ela permaneceu ao lado de Aurora o tempo todo, assim como Emma fazia comigo.
Finalmente a primeira aplicação acaba, me sentia meio estranha, meio enfraquecida, mas mesmo assim escolho voltar ao trabalho. Comprometo-me a voltar logo após o almoço, para as outras três aplicações. Convenço Emma de que eu estava bem, e peço que ela me leve até lá, já que ela estava sem carro, e da prefeitura a delegacia era mais perto. Ela me leva até a minha sala, e ao sair ouço-a pedindo a Belle que cuide de mim, e qualquer problema que ligue para ela, não evito sorrir da sua preocupação.
O resto da manhã corre normalmente, e logo já esta na hora de voltar ao hospital. Pego minha bolsa, me despeço de Belle, já que não daria tempo de voltar e sigo para o hospital. Emma me disse que desta vez não poderia estar comigo, pois estava cheia de trabalho, mas mesmo depois de alguns minutos que eu já estava no tratamento, ela chega me fazendo uma surpresa.
– Achou mesmo que eu iria te deixar aqui sozinha? – ela pergunta me estendendo uma tulipa vermelha.
– Oh, que linda, obrigada querida. – Agradeço, enquanto ela senta ao meu lado. Ficamos conversando pelas três horas seguintes, Aurora nos apresentou sua irmã, que se chamava Zelena, e então começamos a conversar, e as duas eram de uma simpatia tremenda, e apesar de na maioria do tempo Aurora estar vomitando conseguimos saber muitas coisas umas das outras. Ela estava absurdamente pálida, e eu podia ver o medo estampado nos olhos incrivelmente verdes de Zelena. Não devia ser fácil ver a irmã naquelas condições, e toda vez que eu olhava para ela, enxergava Emma em seu lugar.
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