Now Is Good
12 Eu Olho Pra Você
Notas iniciais
A morena se vira para logo encontrar o olhar penetrante de Emma, aqueles lindos olhos cor de esmeralda quase cintilavam em sua direção, ela pode ver sinceridade ali. Se encaram por longos segundos, o silencio pairando pelo quarto. Regina toma a frente para falar.
– Emma... — Ela começa
– Shiiii, você não precisa me dizer nada. Eu só queria que soubesse disso. — Ela diz dando um sorriso contido. Não podia negar que havia ficado um pouco triste, pois tinha nutrido uma esperança de ouvir as mesmas palavras saindo dos lábios vermelhos da morena. Mas teria paciência e lhe daria tempo. O quanto precisasse.
Regina, fica assustada com a declaração da xerife. Ela a amava? Era isso mesmo? Se sentia assustada e surpresa também, não esperava ouvir isso de mais ninguém. Depois que Daniel morreu, ela nunca mais teve vontade de se envolver seriamente com ninguém. Até agora. E ela queria poder dizer que sentia o mesmo pela loira, mas não podia, ainda não. Aproxima-se de Emma e lhe beija os lábios docemente, um beijo carregado de cuidado e ternura. No fundo sabia muito bem o que sentia por Emma, mas por hora deixaria as coisas como estavam. Separam seus lábios, mas continuam com as testas coladas, curtindo o momento.
– Eu preciso voltar pro trabalho, deixei o assistente novo sozinho. — Emma diz e Regina levanta a cabeça para encara-lá.
– Mas já é fim de tarde, ligue para ele fechar tudo e jante comigo, vou fazer lasanha. — A morena propõe, e a loira se anima com o convite.
– Ai, que delicia adoro lasanha. Vou ligar para ele então, e para os meus pais também, para avisar que chegarei mais tarde.
– Diga que talvez só chegue amanhã. — A morena diz lançando um olhar provocativo a xerife,e mesmo não tendo certeza do que estava fazendo, ela se anima com a ideia de Emma passar a noite ali com ela, se sentia muito sozinha.
– Ui. — Emma diz mordendo o lábio. — Não me provoque, ou fazemos o segundo round agora mesmo. — Ela diz se levantando da cama, procurando por sua calça, que tinha seu celular no bolso, o acha e disca o número da delegacia.
– Eu vou descer e preparar o jantar. — Regina diz colocando as roupas, enquanto a loira que aguardava Jefferson atender o telefone, lhe faz um sinal de positivo com o dedo.
– Alô, Jefferson? Me desculpa por hoje, te deixei na mão logo no seu primeiro dia, mas é que tive alguns assuntos importantes a resolver.
– Sem problemas, Emma. Foi tudo tranquilo, para variar. — Ele ri ao telefone.
– Ah, que ótimo. Quero lhe pedir mais uma coisa. Quero que quando sair daí, feche tudo, tranque a porta e guarde as chaves com você, pois eu não volto hoje.
– Ok, pode deixar.
– Obrigada Jefferson, nos vemos segunda.
– Até segunda. — Ele diz se despedindo. Após terminar de falar com Jefferson, Emma liga para seus pais.
– Mãe? — Pergunta
– Oi filha, o que foi, vc nunca liga. — Mary diz sendo sincera.
– Eu só queria avisar que talvez eu chegue mais tarde.
– Hmmm, e posso saber o por que? — Mary diz tentando arrancar alguma informação da filha.
– Ficarei na casa de uma amiga, combinamos de ver uns filmes.
– Amiga? Filmes? Emma, não minta pra mim. Quem é o cara?
– Não tem cara nenhum, mãe. E você não conhece minha amiga. — Emma diz tentando cortar o assunto.
– Sei. Me chateia você não me contar as coisas sabe.
– Mas não tem nada o que contar. Só vamos ver uns filmes mesmo.
– Ok. Se cuide.
– Me cuido. Boa noite.
– Boa noite.– E desliga o telefone.
Mary odiava quando Emma não lhe contava as coisas, ela sabia que a filha não estava na casa de amiga nenhuma, até por que ela não tinha amigos em Storybrooke, mas não insistiria no assunto, se a filha quisesse contar a ela, ela ouviria contente, se não, paciência.
Emma desce as escadas e vai em direção a cozinha, onde Regina estava preparando o jantar. Encosta no batente da porta, e fica observando cada graciosidade nos atos daquela mulher, até com avental e suja com farinha ela ficava completamente incrível. Depois de alguns minutos a morena nota sua presença, e lhe lança um sorriso, que a loira jurava que se não tivesse o apoio da parede, teria derretido ali mesmo.
– Linda — diz Emma se aproximando de Regina. — Você é linda. — A segura pela cintura e planta um beijo rápido em seus lábios.
– Está com fome né? Passou a manhã toda comigo naquele hospital.
– Você fala como se tivesse sido um sacrifício para mim. Não foi não. — A loira diz lançando um olhar de advertência para a outra.
– Mesmo assim, ninguém merece ficar em um hospital. Na sala branca do horror. — Ela diz fazendo a xerife sorrir.
– Sala branca do horror, mesmo, é horrível ficar la esperando por noticias.
– Eu sei, me desculpe por isso. — A prefeita diz beijando de leve a bochecha de Emma.
– Você não tem que se desculpar por isso, Regina. Aliás, o que tanto o Dr. Whale disse?
– Aquele cara é um chato, exagerado que só ele. Pediu um exame se sangue, que por sinal já foi feito como você viu, e mandou eu ficar de olhar nessas manchas roxas, que devem ser devido ao meu estresse naquela prefeitura. — Ela diz fazendo pouco caso, e revirando os olhos.
– Pois eu não acho que ele seja exagerado, acho que ele está desempenhando corretamente seu papel de médico. Se ele tem duvidas sobre o diagnostico e pode confirmar isso com exames, ele tem toda razão em pedi-los. E você senhorita, trate de parar de fazer birra e fazer o que ele pediu. — Emma fala tocando a ponta do nariz de Regina com o dedo.
– Ótimo, além do médico, agora tenho você para me azucrinar com isso.
– Eu não estou azucrinando você, só quero que faça os exames direito.
– Tá, tá, eu vou fazer. — Regina suspira, virando os olhos novamente. — Desnecessário. — Emma não pode conter o riso, Regina parecia uma criança teimosa.
– O que vamos fazer enquanto esperamos essa delicia ficar pronta? — A loira aponta para o forno.
– O que você quer fazer? — A morena deixa que Emma escolha.
– Eu queria conhecer um pouco mais sobre você.
– Certo, vá la para sala e me espere. Vou pegar algo pra gente beber. — A xerife obedece, vai até a sala, e senta no sofá, esperando Regina, que logo surge na sala, com uma garrafa de vinho, e duas taças e caminha em sua direção
– Ual, mulher como você pode ser tão sexy? — Emma diz, ajudando-a, pegando as taças de sua mão e colocando na mesa de centro.
– Não sei, de onde você tira essas coisas, Swan.
– Olha só, até dizendo meu nome você consegue ser sexy. — Diz, fazendo ambas rirem.
– Você é maluca.
– Sim, eu sou, e é você que me deixa assim. E venha aqui, que quero te beijar. — Ela diz puxando Regina, que cai em cima do corpo de Emma com a garrafa de vinho nas mãos.
– Se você me fizer manchar esse sofá, Swan, eu juro que te mato. — A morena diz sorrindo, e tendo os lábios tomados pela xerife que a puxa para cima de si, segurando firmemente sua cintura. — Ok, Emma chega. — Afasta a loira com uma mão.
– Ah, estraga prazeres. — Diz a xerife, fazendo beicinho.
– Eu quero conversar, e você disse que queria saber mais de mim, então se comporte.
– Tudo bem. — A loira diz, fazendo exatamente como uma criança que é contrariada. Regina levanta, e serve o vinho em suas taças.
– Esse vinho é Francês, um dos meus favoritos. — Diz ela pegando uma taça e dando a outra a Emma. Sentando no chão, e apoiando-se no sofá junto a loira. Ela fecha os olhos e sente o aroma do vinho, para depois lentamente leva-lo aos lábios.
– Puta que pariu. — A loira diz, fechando os olhos.
– O que foi?
– Você diz para eu me comportar, mas olha o que você faz comigo.
– O que eu estou fazendo? — Regina pergunta sem entender a que a loira se referia.
– Você está me instigando. Tudo em você é muito sensual, até a forma como leva a taça aos lábios.
– Você é boba eim, Swan. — A morena diz dando uma risada gostosa.
– Não estou brincando, se você ficar fazendo isso, não respondo por mim eim.
– Ok, vou tentar achar um jeito de não fazer. — Regina diz sem ter a minima ideia de como fazer isso. — Pergunta o que quiser.
– Hmm, deixa eu pensar. — A xerife leva uma mão ao queixo, pensando. — Primeiro quero saber porque se candidatou a prefeitura.Por que eu realmente não consigo entender o porque de uma mulher tão jovem, e bonita como você se interessar logo com politica.
– Mas que preconceito, Srta Swan, então que ao seu ver só pessoas feias e velhas é que devem entrar para a politica?
– Não, eu não quis dizer isso. Eu coloquei dessa forma, por que quando eu a vi pela primeira vez, pensei que fosse uma modelo dessa de capa de revista sabe, e que estaria por aqui fazendo algum trabalho, que parando para pensar agora, não imagino qual poderia ser, levando em conta o quanto essa cidade é sem graça.
– Hey, não esqueça que está falando da minha cidade. Mas respondendo a sua pergunta, eu quis me candidatar por que eu queria poder, e só por isso. Sou uma pessoa ambiciosa, Swan.
– Nossa. — Emma se surpreende com a naturalidade com que Regina fala. — Você parece mesmo uma pessoa ambiciosa, mas de um jeito bom. Mas, por que você queria poder?
– Queria afrontar minha mãe, na realidade. Ou fazê-la sentir orgulho, nem eu sei dizer. — De repente o olhar de Regina se entristece. — Mas eu não quero falar da minha mãe agora. Minha vez de perguntar.
– Ta bom. — Emma diz ajeitando a posição em que estava sentada. — Manda.
– Como você soube que gostava de garotas? — Emma solta uma gargalhada com a pergunta de Regina.
– Eu nunca fui dessas pessoas com pensamentos padrões de que mulher tem que ficar com homem e vice versa, pra mim é a felicidade que conta. O amor. O sentimento. Acho que quando a gente ama, olhamos para o interior, e não para o exterior.
– Que lindo isso, Emma. E você tem toda razão, e acho que é por isso que eu a... — Regina ia dizendo quando ouve o alarme do forno avisar que a lasanha estava pronta. — Vou pegar nosso jantar, e já trago aqui. — Se volta para a cozinha, deixando Emma imaginando o que a morena ia dizer, e sentindo uma chama se acender no coração a fazendo sorrir como boba. Ela se levanta e resolve ir ajudar Regina a trazer as coisas para a sala.
– Hey amor, precisa de ajuda? — Ela diz sem se dar conta de como tinha chamado Regina.
– Você me chamou do que? — Regina a olha com um brilho no olhar.
– Amor? — Emma dá uma risadinha sem graça. — Desculpe, foi impulso.
– Tudo bem, eu ... — Regina para um instante. — Eu gostei. — Diz olhando um pouco sem graça para a loira.
– Ótimo, por que eu também gostei. — Diz Emma se aproximando e dando um beijo na testa de Regina. — Agora vamos comer, por que eu estou faminta.
Elas comem, enquanto conversam sobre as mais diversas coisas, estavam se conhecendo melhor, e descobriram que apesar de suas personalidades completamente distintas, elas tinham alguns gostos muito parecidos, tipo músicas.
– Eu adoro The Pretenders. — Emma diz quando entram no assunto de músicas.
– Capaz? Eu também amo, eles são demais.
– Pelo que vejo temos muitas coisas em comum, madame prefeita. — Diz Emma, ajudando Regina a levar os pratos para a cozinha. — Sua lasanha estava divina, como tudo o que você faz, aliás. — Ela diz colocando os pratos na bancada e abraçando a morena por trás.
– E você é outra exagerada, Swan. — Diz ela se apertando aos braços de Emma que passavam por sua cintura.
– Amor, ta ficando tarde. Tenho que ir pra casa. — Diz bem próximo ao ouvido da morena, causando um arrepio por toda a extensão do corpo dela.
De repente Emma sente algo pingando em seus braços, e Regina sente algo escorrer pelo nariz. Sangue.
Regina leva a mão ao nariz para impedir que o sangue escorresse mais, e Emma percebe o movimento dela, e solta sua cintura, e na mesma hora ela sai em disparada em direção ao banheiro, deixando Emma na cozinha meio confusa, só ai então ela vê a gota de sangue em seu braço.
– Sangue? — Quando ela finalmente conclui que era de Regina sai rapidamente também em direção ao banheiro. Chegando lá, viu que Regina lutava parar limpar o sangue que já escorria livre pela sua face.
As I lay me down
Heaven hear me now
I'm lost without a cause
After giving it my all
http://www.youtube.com/watch?v=5Pze_mdbOK8
Emma entra no banheiro para ajuda-lá, toca seu braço delicadamente para lhe informar de sua presença, e ao fazer isso, nota o quando Regina tremia. Aquela cena fez a loira se desmontar por dentro, era evidente o que Regina sentia. Medo.
Winter storms have come
And darkened my sun
After all that I've been through
Who on earth can I turn to?
Ela se abaixa e pega um pedaço de papel, levando em direção ao rosto de Regina, que tinha o olhar vidrado e marejado, pelo susto, e pelo medo. Se perguntava o que poderia estar acontecendo com ela. Emma sente um nó se formar em sua garganta ao vê-la naquele estado. Deixa o olhar cair sobre o de Regina e assim permanece, enquanto passa delicadamente o papel pelo rosto da morena.
I look to you
I look to you
After all my strength is gone
In you I can be strong
Quando conseguem parar o sangramento, Emma termina de secar seu rosto de forma tão delicada que Regina pode sentir seu cuidado, seu carinho, seu amor. Fecha os olhos, aproveitando daquela sensação por uns instantes, até sentir os lábios de Emma beijando cada centímetro do seu rosto.
I look to you
I look to you (yeah)
And when melodies are gone
In you I hear a song I look to you
Emma a envolve em seu abraço, e assim permanecem pelos minutos seguintes. Quando Regina quebra o silêncio:
– Obrigada, de novo. — Diz sorrindo docemente para Emma.
– Shiii, pare de me agradecer. — Ela diz colocando o dedo indicar nos lábios de Regina, para que se calasse.
– Não sei o que está acontecendo comigo. — Regina diz com a voz pesada.
– Mas vamos descobrir, meu amor. Eu estou aqui com você, e não vou a lugar algum.
– Dorme comigo hoje?
– Claro, amor. Já disse que não vou a lugar algum.
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