Novos Rumos
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Por Darcy
Depois do meu encontro explosivo com Elisabeta na biblioteca onde eu disse que não a procuraria mais, voltei pra casa completamente atordoado, até agora não sei dizer o que me tomou para agir daquela forma e cobrar dela explicações quando eu sabia exatamente o porquê de ela ter partido, eu era um completo idiota.
Mas a minha sorte era ter mulheres incríveis ao meu lado, e minha irmã Charlotte era ótima em me fazer entender o que se passava dentro de mim e me encorajou a procurar Elisabeta novamente e fazer o que sempre planejei desde que ela se foi, esclarecer o mal entendido das cartas e de quebra conquistar o meu amor novamente. Não imagino minha vida com outra pessoa, durante todos esses anos não consegui me envolver com nenhuma mulher, e devo confessar que apareceram outras, inclusive havia uma que estava sempre ao meu encalço, mas que não havia a menor chance de termos alguma relação, não quando meus pensamentos estavam sempre nela, sempre em Elisabeta Benedito.
Por fim fiz o que Charlotte me aconselhou, fui atrás da Elisa na biblioteca e consegui convencê-la a conversar comigo em um local reservado, marcamos um almoço aqui em casa e agora já está próximo ao meio dia e não consigo me conter de tanta ansiedade. Pedi que Dolores preparasse tudo com primor, ela arrumou a mesa de maneira impecável e colocou flores em um vaso, o posicionando no centro, primeiro pensei em pedi que ela retirasse, não queria passar a ideia de um almoço romântico, mas depois pensei melhor e: porque não?
Eu estou andando de um lado para o outro na sala, não consigo conter minha ansiedade e nem meus pensamentos que estão a todo momento se perguntando se ela realmente vem, será que não desistiu? Já se passaram exatos 5 minutos do horário que marcamos e nada...
— Sr. Williamson, perdão por me intrometer, mas assim o senhor irá fazer um buraco no chão da sala, indo e vindo de um lado para o outro — Dolores disse tentando conter o riso — ela já deve chegar, se acalme.
— Me acalmar? Eu estou completamente calmo — disse cínico tentando convencer a mim mesmo do que acabava de falar — inclusive vou para o escritório, Elisabeta está atrasada e nem sei se realmente vem, ora não estou à disposição dela, se ela chegar você me chama — disse com falsa indignação.
Mal havia virado de costas para a sala de jantar quando a campainha tocou e eu parei no mesmo lugar, Dolores se adiantou em abrir a porta e pude vê-la entrar, estava linda, em um vestido vinho de manga 3/4, era um pouco transparente para aparecer a parte de baixo em tons de branco, a parte de cima tinha flores bordadas, estava tão meiga, parecia uma menina, ela era diferente das outras mulheres em todos os sentidos, se vestia de um modo tão dela e tudo nela me fascinava. Ela usava um batom na cor de seu vestido que parecia roubar toda a minha atenção, como eu queria beijá-la, mas precisava conter meus ímpetos, não queria assustá-la, nem atropelar o tempo das coisas acontecerem. Me encaminhei até a porta para recebê-la.
— Boa noite Elisabeta, por favor entre!
— Boa noite Darcy, obrigada!
— Com licença, posso servir o almoço?
— Sim, por favor Dolores. Elisa, vamos? — disse direcionando a sala de jantar. E no percurso retirei o telefone do gancho, não queria que nada nos atrapalhasse. Hoje e agora, decidiríamos a nossa vida. Bom, pelo menos eu esperava que essa conversa pudesse esclarecer todo o mal entendido e que depois dela pudéssemos continuar de onde paramos.
Estávamos conversando, comendo e tomando vinho, e eu não conseguia parar de encará-la, fiquei tanto tempo sem ver o seu rosto, percebi que ela se sentia intimidada com o meu olhar, então o manti para provocá-la, acho que deu certo. Acho.
— Porque está me olhando tanto? Por acaso sou algum tipo de espelho? — disse com sua língua afiada, mas sua voz era carregada de humor — O que foi Darcy? Perdeu alguma coisa aqui? Tem algo no meu dente?
— Perdi. Perdi você, Elisabeta. — disse sincero, tocando na sua mão que estava sobre a mesa mas sem tirar os olhos dela.
— Darcy, é melhor nós não entrarmos nessa questão.
— Nós precisamos falar disso sim Elisa, porque..
— Ok, o que você tem de tão importante para me falar? Além de tudo o que eu já sei? De tudo o que você disse ao meu respeito? Me rebaixando ao pior nível, duvidando da minha índole. Anda, Darcy. Diga! — ela disse me interrompendo.
— Ca-calma, Elisa — eu gaguejava, ela me deixava extremamente nervoso — A carta que você leu, eu-eu não escrevi. Tudo não passou de um enorme mal entendido — disse tentando ser direto.
— Como não escreveu? Era a sua letra, Darcy, em todas as linhas.
— Eu sei, eu também fiquei surpreso, mas eu juro, eu não escrevi aquilo. Eu jamais falaria de você daquela forma, o que aconteceu entre nós dois naquela noite, foi sublime, sagrado até. Eu te amei intensamente, Elisa eu jamais falaria sobre isso com ninguém, foi algo nosso, entre duas pessoas que se amam. Eu jamais faria isso com você, acredita em mim.. — eu falava com toda a intensidade e sinceridade que havia dentro de mim, precisava desesperadamente que ela acreditasse em mim.
— Mas depois que você me deixou, eu precisava entender o que tinha acontecido e jurei ir até o fim do mundo para descobrir quem forjou essa maldita carta. E foi isso que fiz, a primeira pessoa que veio a minha mente foi Suzana, e fui até ela, a pressionei para que confessasse mas ela jurou não ter feito, chorou, fez uma cena. Mas dias depois eu senti que estava sendo seguido e quando questionei o homem que me seguia ele revelou que meu pai o estava pagando para vigiar meus passos, ele sabia sobre a nossa noite e forjou aquela carta para nos afastar. E ele conseguiu, você se foi sem deixar rastros, mas eu não me conformei, te procurei todos esses anos, não houve um dia em que eu não pensasse em você, em onde você estaria, como estaria — nesse momento nossos olhos estavam marejados e não pude evitar se toca-la, acariciei seu rosto como sonhava em fazer durante todo o tempo que estivemos longe um do outro.
— Darcy.. — ela disse de forma sussurrada — eu nem sei o que dizer, meu Deus eu fui tão intempestiva, eu estava tão magoada que não pensei sequer nessa possibilidade. Eu tinha me entregado tanto a você, de uma forma que nunca havia feito antes, era tudo novo pra mim, mas eu me sentia bem.. e aquela carta.. de repente.. eu perdi meu chão, me senti deslocada, me senti ingênua, burra.. eu fiquei tão ferida que não pensei duas vezes antes de ir embora, meu Deus você nunca vai me perdoar — ela dizia a última frase como se lembrasse de algo e de repente ficou assustada e suas lágrimas corriam pelo seu rosto sem cerimônia.
— Perdoar? Do que você está falando, Elisa? Se for por você ter sumido todos esses anos.. tudo bem, eu compreendo seus motivos, não precisa de perdão. — tentava tranquilizá-la em vão.
— Não Darcy, não.. não é isso.. é por.. — ela estava estranha, parecia querer me falar algo. E ao constatar essa ideia fiquei apreensivo — eu preciso te falar que..
Elisabeta foi interrompida pela entrada repentina de Briana, que surgiu na sala com um vestido mais decotado que o de costume e com uma garrafa de vinho nas mãos. Ela nos olhava tentando entender o que se passava ao mesmo tempo que seu olhar continha sensualidade. Elisa começou a enxugar as lágrimas rapidamente e parecia também tentar entender.
— Briana, o que você está fazendo aqui? — eu disse impaciente.
— Desculpe Darcy, não sabia que estava com visitas. Eu pensei que podíamos tomar um vinho, a tarde está tão abafada, pensei que podíamos nos divertir um pouco.
Meu olhar ia a todo momento para Elisabeta, ela limpava seu rosto, e buscava sua bolsa.
— Briana esse não é o momento, estou ocupado..
— São negócios? Você vai demorar? Eu posso te esperar no..
Dessa vez foi Elisabeta quem interrompeu.
— Não será necessário, nós já terminamos — ela disse caminhando em direção à saída, mas eu segurei seu braço a fazendo olhar pra mim.
— Não Elisa, nós não terminamos. Você ia me falar alguma coisa.
— Não era nada. Nada que seja do seu interesse.. — ela disse se desvencilhando e indo embora.
Quando ela saiu eu me joguei na poltrona mais próxima, fechei meus olhos e respirei fundo. Estava tudo indo tão certo, estávamos nos perdoando e quem sabe podíamos iniciar um passo para reconciliação.. era tudo o que eu mais queria. Até que Briana invadiu a minha casa, quando abro seus olhos ela está lá, parada me encarando. Um ódio subiu em mim e queria gritar e expulsá-la o mais rápido possível. Ela estragou tudo!
— Darcy, não fique assim. Acho que o clima estava meio pesado aqui, vem eu te ajudo a relaxar. — ela disse se aproximando demais de mim. Acredito que ela tentava me seduzir, mas a única coisa que eu sentia era repulsa. Repulsa e ódio.
— Você tem razão. Eu preciso relaxar, se não for pedir muito gostaria que você fosse pra sua casa, preciso ficar sozinho.
— Mas Darcy.. – ela disse tocando no meu peito, e isso foi suficiente para acabar com a paciência que eu tentava ter com ela.
— Briana, você acabou de interromper uma conversa importante que eu estava tendo, entrou na minha casa sem ser convidada, sem pedir, eu não estou com a menor cabeça pra você e esse seu jeito. Eu não queria ser indelicado mas você não me deu outra opção — me dirigi até a porta, a abri e disse:
— A porta da rua é serventia da casa.
Ela me olhava perplexa e rapidamente se retirou. Eu pensei em ir atrás de Elisabeta, mas achei melhor esperar as coisas esfriarem, amanhã procuraria por ela novamente. Entrei no meu quarto e me joguei na cama do mesmo jeito que estava. Não parava de pensar no que Elisa me disse. “Você nunca vai me perdoar”, “eu preciso te falar que..”, “não era nada” não sei porque mas acredito que dentro desse “nada” tem muita coisa, senão tudo. O que ela queria me dizer?
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