Novos Horizontes

7 Capítulo 6 - Irmãos de Fogo


Notas iniciais
Parte 1

A Carla estava em cima da Diana, apesar de não ter se transformado, ela era bastante forte.

— Saí de cima de mim garota maluca! – A Diana tentava escapar, mas as mãos da Carla as prendiam no chão, os joelhos em cima da barriga dela, aquilo me lembrava quando lutei com aquele vampiro, os corpos...

— Solta ela Carla! – Disse me levantando, senti as folhas e os galhos acima de mim, estranhei o fato, afinal a copa fica no mínimo a dois metros do chão. Olhei pra cima e vi uma asa negra encostando nos galhos. “Eu tenho asas! Caralho eu tenho asas! Isso é demais! Será que... foco, primeiro salva a garota.”

— Por que? – A Carla perguntou pela segunda vez, fiquei distraído com as asas.

— Eu sei o que é estar o lugar dela. – Ela ameaçou não soltar. – Por favor. – Pedi. Ela revirou os olhos e saiu de cima dela. A garota, assim que se sentiu livre, fez com que os pássaros descessem, formando uma cortina e bloqueando a nossa visão, alguns segundos depois eles se dispersaram, a Diana já tinha fugido.

— Você tem problema? E se ela nos atacar?

— Ela não vai.

— Eu vou pra casa pela floresta, posso usar os meus poderes na sombra sem que essa coisa irrite os meus olhos. – Ela disse apontando pro sol. A vi caminhar pelas árvores até sumir na mata.

Olhei para as minhas costas, mexi as asas levemente, elas balançaram um pouco. As dobrei, assim que elas abaixaram, tentei tocar, sentia cada toque como se fosse meu, aquilo realmente era meu. Sem querer forcei um pouco pra baixo, senti uma onda de dor, por reflexo afastei a asa, ela era bem sensível. Corri um pouco, pegando um impulso e saltei, saí quase dois metros, o suficiente pra bater as asas e ganhar uma boa altura. Depois de bater algumas vezes voava sobre a copa da floresta. Consegui planar mantendo as asas bem abertas, mas uma corrente de ar me descolou e quase perdi o controle, rodei duas vezes no ar antes de me virar e bater as asas até voltar a uma altura boa. Vi a minha casa estava a alguns metros quando dobrei as asas pra um mergulho, tentei inclinar o corpo pra pousar de pé mas caí de joelhos no chão com bastante força, por sorte não quebrei nada. Liberei o corvo e entrei a Carla estava ofegante no sofá, a Clara estava na cozinha e pegando uma jarra com água e dois copos.

Sentei no sofá, ela me deu um dos copos e passou o outro a Carla, depois de sentou na nossa frente.

— Posso saber o que os dois têm na cabeça? – Eu ameacei fazer uma piada, mas ela cortou antes que eu começasse. – Você, mocinho, mal se recuperou de ontem e já se embrenhou no meio da mata, — Ela olhou pra Carla de tal forma que ela encolheu. – e você, mal sabe se o efeito é temporário e fez o mesmo.

— Estava atrás de ...

— Não interessa do que estava atrás, você deve ficar aqui até eu saber se é permanente ou não.

— Mas... – Eu tentei falar, mas ela me cortou mais uma vez.

— Você sobe agora e vai pra cama. Tá esperando o que, que eu te carregue? AGORA! – Ambos subimos as escadas, quando a Clara ficava nervosa, ninguém ficava perto, ela era... terrível.

Deitei na cama mais uma vez, ela voltou a sentar do meu lado. Abri os braços, chamando ela pra perto de mim, ela se levantou e deitou em cima do braço direito.

— Obrigado. – Disse passando a mão no seu cabelo. Ela se ajeitou e fechou os olhos, ela gostava muito quando fazia isso.

— Pelo quê? – Não respondi, logo ela entendeu. – Sem problemas, você já tá pagando. – Depois de alguns minutos, olhei para a janela, ela era tão tentadora... – Você pensou o mesmo que eu?

Nem precisei responder, pulamos a janela e seguimos floresta a dentro. Parei antes de entrar, senti o celular tocar, atendi, escutei a voz irritada da Clara:

— Então as duas gracinhas resolveram fugir, hein?! Vocês têm muita sorte deu tá boazinha hoje. Voltem logo pra cá, encontrei o rastro de um EVO.

— EVO? – Ela desligou sem ao menos responder. Voltamos pra casa, ela pegou um tablet e mostrou uma gravação, obviamente amadora.

— Eu venho buscando qualquer referência ao desconhecido, poderes ou aparições e casos sobrenaturais. A dez minutos saiu esse vídeo no Youtube, mas o site já o retirou do ar, sorte que eu baixei essa versão antes. O vídeo mostrava uns bandidos ameaçando um cara dentro de uma casa, depois de um minuto eles arrombaram, mas antes que pudesse entrar, uma torrente de chamas saiu e perseguiu a todos eles, só parando quando o último caiu no chão. Apesar do cara que filmou ter entrado depois de alguns minutos, não encontraram nada. Conheceu algum assim?

— Deixa eu lembrar. – Pensei um pouco, as minhas memórias estavam ficando mais nítidas, ouvia as vozes sem problemas, e fui descobrindo o quão desprezível eu era. Quase todos me odiavam por que eu manipulava as pessoas, amava vê-las brigar, ver como as intrigas destruíam qualquer relacionamento, seja entre irmãos, namorados, amizades. Uma em especial eu me recordava, era a respeito dos irmãos de fogo, Caio e Kaique, eu manipulei o Kaique para que ele odiasse o Caio, e no final consegui, mas o Kaique descobriu e tentou consertar o que fez, mas já era tarde demais. No final, ambos juraram que na primeira oportunidade ele me queimaria vivo. – Deve ser um dos irmãos de fogo. Vou lá checar, onde foi?

— Aqui na cidade, perto da área residencial.

— Talvez eu precise de ajuda. Vamos à floresta falar com a Diana. – Agora eu me lembrava de onde conhecia a Diana. Antes, como ela disse, se chamava Milena, ela podia controlar os animais, não convencê-los a fazer o que quisesse, mas controle mental mesmo, mas quanto mais animais ela controlava, mais ela perdia de si mesma. Foi uma das poucas que eu não consegui manipular.

— Eu vou com você. – Disse a Carla. Fomos até a Floresta, voltamos até monte onde a encontramos, ela estava lá sentada em um tronco de árvore, nos esperando.

— Então o que querem de mim?

— Precisamos da sua ajuda. – Disse a Carla.

— Vem aqui, destroem a floresta, me atacam, e ainda querem a minha ajuda? – Ele segurou firmemente o arco. – Por que ajudaria?

— Por que se não ajudar, uma pessoa pode morrer. – Disse.

— Isso não é motivo suficiente.

— Você se diz protetora dos animais. Mas se esqueceu de que também somos animais? Então você meio que deve nos ajudar. — Ela levou a mão a uma das flechas. – Eu sei o que eu fiz, mas tenta entender que aquele não era eu. Você pode controlar a mente dos animais, certo? Mas pra isso precisa da permissão deles, pois você não tem tanta força para ir contra, por isso não controla humanos. – Me ajoelhei em frente a ela. – Eu te dou permissão, vasculhe e veja se eu minto.

— Sabe que posso fazer com a sua cabeça, não sabe?

— Sei, mas confio em você.

— Então tá, deixa eu me concentrar. – Ela colocou uma das mãos na minha cabeça, senti uma dor enorme, como se uma lâmina estivesse atravessando lentamente e minha mente, tentei ao máximo deixar que ela olhe, mas depois de alguns segundos não consegui e expulsei ela.

— Me diga que você viu.

— Eu vi, fizeram algo com você, como se... pegasse uma mente e colocasse no lugar da sua, ou o contrário, não sei ao certo, só sei que uma das duas foi suprimida, ou tentaram no mínimo apagar ela. – Ela escorou na árvore novamente, parecia bastante cansada. – Estou costumada com a mente confusa dos animais, mas a sua... supera tudo. Mexeram com você, talvez pra melhor, ou pra pior, mas mesmo assim, parece que o você de agora não é tão mal quanto o de antes.

— Vai nos ajudar? – A Carla parecia mais impaciente que o normal, talvez fosse apenas o sol.

— Vou, deixa eu só ajeitar umas coisas aqui.

— Certo nos encontre na estrada, logo acima. – Ela concordou, descemos e seguimos até em casa. Peguei o arco e a minha aljava de dez flechas e coloquei no porta-malas do carro, a Carla desceu as escadas uma bolsa com algumas bandagens, mas logo a impedi de seguir.

— Fica e protege a Clara.

— Eu não preciso de proteção! – A Clara disse indignada, ela virou o rosto e fez biquinho como uma criança emburrada.

— Ela tá certa, ela precisaria se o cara soubesse onde moramos, que com certeza ele não sabe.

— Além do mais, preciso conferir pessoalmente o resultado de alguns projetos, coisa minha.

— Tá certo, mas tome bastante cuidado.

Seguimos até o ponto de encontro, lá estava a Diana com o seu corvo e uma caixa furada, provavelmente algum animal. Ela se sentou no banco de trás, junto com a Carla e deixou a Caixa junto com o arco no porta-malas. Depois de alguns minutos, estávamos na BR, seguindo para a área residencial que era mais afastada. Vi pelo retrovisor a Carla colocando as bandagens nas mãos.

— Você não tem o fator de cura? Pra que colocar isso?

— Não é por que eu me curo rápido que vou deixar de me proteger. Além do mais, vou usar o meu poder em último caso. – Ela olhou pra Diana, ela parecia olhar calmamente pra fora. – E você, pode mesmo controlar os animais? Qualquer um?

— Sim. – Disse secamente.

— O que tem dentro da caixa?

— Isso é uma surpresa, caso as coisas fiquem feias. – A conversa parou aí, ninguém estava muito a fim de falar. Depois de uns poucos minutos, entramos na cidade, seguimos por alguns quarteirões até a área residencial.

— Chegamos. – Estamos a um quarteirão da casa, seguimos o restante a pé, mas a polícia já estava no local. Entrei pelos fundos sem que percebessem, procurando rastros. A Diana tirou de dentro da bolsa um rato e colocou no chão, ele farejou o lugar e correu direto para a entrada do esgoto.

— Então ele se esgueirou pelo esgoto, que nojo! – A Carla disse. – Onde isso dá?

—Estação de tratamento, mas deve ter saído algum ponto antes. O pior é que não vai dar pra farejar lá embaixo. – Disse a Diana, fazendo o rato voltar pra bolsa. – Então paramos por aqui?

— Não exatamente. Ele vai precisar de um lugar pra queimar as roupas antigas e se esconder sem dar na vista. Ele deve de ir pra um dos galpões antigos, perto da área industrial. Lá tinha uns mendigos, eles queimam coisas quase todo dia, uma fumaça a mais nem ia ser notada.

— Pode ate ser, mas acho que, de certa forma, ele não vai nos receber de braços abertos. Porque ir até lá? – A Diana perguntou.

— Pedir desculpas pelo que fiz e tentar ajudar. – Disse.

— Sério? – Apenas concordei. – E se ele negar?

— Não vou poder fazer mais nada por ele. Mas se ele representar um risco tentar ao menos detê-lo.

— Um risco a quem? As pessoas dessa cidade ou a você?

— A cidade e... a minha família também. Como você, que tentou proteger a floresta por causa dos animais. – Ela revirou os olhos e entrou dentro do carro.

— Vamos até lá. Mas me mantenha fora dos seus planos, não quero a sua ajuda.

Notas finais
Foi mal a demora, agarrei escrevendo uma história e perdi a noção do tempo. Ele ficou meio grande, então eu dividi em dois, posto o outro depois,ok? Até o próximo capítulo!