Novos Horizontes
8 Capítulo 7 - Os Irmãos de Fogo - Parte 2
Notas iniciais
Seguimos pelas ruas até os galpões, não muito distantes dali, tinha uma nuvem de fumaça. Parei o carro próximo e peguei o arco, coloquei a aljava nas costas e mantive o arco em mãos, assim como a Diana. Ela retirou a caixa, revelando dois ratos e uma cobra, os soltou e parecia os observar de longe.
– Vamos. – Olhei pra cima e vi o corvo circulando, mantendo os olhos em tudo. Entrei no primeiro galpão, não havia nada, no segundo também. Seguimos assim até um dos últimos, pouco depois de ter entrado ouvi o click de uma arma.
– Não devia ter vindo aqui Projeto 62B. Ele é MEU irmão, é problema MEU, não SEU. – Essa voz, era o Kaique com certeza.
– O meu nome é Paulo. — Me virei calmamente e encarei-o. – É problema meu também, fui eu que causei tudo isso.
– Você tá certo. Deve ser por isso que ia matar você.
– Mas?
– Mas tenho dois problemas: primeiro, tem o meu irmão, algo que sozinho eu sei que não vou conseguir concertar; segundo, o Vlad, começou a transformar as pessoas em vampiros, vou precisar de toda ajuda que puder. Até lá, você não morre, mas qualquer gracinha e eu esqueço esse acordo, entendido?
– Sim. — Andamos por algumas salas daquele galpão até encontrar a fonte da fumaça, como suspeitava, ele queimava algumas roupas e diversos materiais. Senti pedra bater na minha mão, queimando a pele por cima e me forçando a soltar o arco.
– Então os dois ainda são amiguinhos? Que gracinha! — Um cara um pouco baixo, cerca de 1,70m de altura e cerca de 70kg. Era negro, cabelo e olhos da mesma cor, usava calça jeans, blusa branca e um tênis de corrida. Eu o reconheci de uma das minhas visões, assim que me viu, começou a sorrir. Estava em cima de uma plataforma, há uns 3 metros do chão.
– Irmão me escuta, eu fui manipulado por essa coisa, — Ele foi e apontou pra mim. – O que eu tenho que fazer pra acreditar em mim?
– O que precisa ser feito. Mate-o.
Num reflexo involuntário, dei um rolamento e segurei o arco com força. Mesmo a mão estando queimado, o que doeu bastante, consegui mantê-lo em mãos, saquei uma flecha e a posicionei. O Kaique lançou dois jatos de fogo, esquivei de ambos, escondi atrás de uma máquina; voltei a segurar a flecha com força, mas as chamas passaram a me perseguir. Olhei para os lados, a procura de uma saída, encontrei uma pequena barata. “Que nojo!”, outro jato de chama passou a poucos centímetros de onde estava. “É melhor que dê certo.” Peguei-a, ela tentou fugir, mas depois veio até a minha mão, aquilo tinha dedo da Diana. Absorvi-a, senti a primeira mudança, o exoesqueleto, esse bem mais firme, formando em alguns pontos uma carapaça dura, feita debaixo da primeira camada de pele, acho que podia ser quitina. Minha visão piorou e a audição parecia mais fraca, mas nasceram alguns pelos ao redor do pescoço, que junto com os pelos restantes do corpo, podiam captar tudo ao meu redor, desde mínimas vibrações do solo até a temperatura de todo o ambiente.
Corri em direção a outra máquina, senti claramente o Kaique virar e lançar um jato de chamas, agora estava bem mais rápido e ágil, desviei com facilidade e me escondi.
– Ele absorveu alguma coisa! – O Kaique gritou para o irmão.
– Droga! — Senti ele se movimentar de um lado para o outro. – Te vira, mata ele!
– Por quê? Deixa ele pra lá, estamos aqui fora, podemos ir pra onde nós quisermos!
– NÃO! – Disse gritando. Senti a temperatura corporal aumentar, ele provavelmente se incendiou. – ELE nos prejudicou, ele merece morrer.
– Mas ele mudou. – Ouvi uma terceira voz, Diana. – Tentei entrar na mente dele.
– Pensava que não podia entrar na mente humana.
– Posso, mas por poucos segundos. A mente dele foi apagada e colocaram outra no lugar, completamente diferente, seja as memórias, as atitudes, tudo. Acho que ele era uma cobaia piro que a gente.
– Pior? Você não via o que ele fazia com cada um de nós?
– Como eu disse, ele mudou, dessa vez pra melhor. Não disse isso a ele, mas acho que tudo o que ele fez, está voltando aos poucos, ele deve se sentir culpado e quer tentar consertar tudo, ao menos se desculpar.
– Tarde demais pra isso! – Senti um jato de chamas ir na direção dela, que correu até o Kaique. Ela ficou parada, senti uma vibração estranha no ar.
– Tem duas mentes nele também. – Ela disse. – Parece a...
– Ketlen. – Completou Kaique. – Irmão, quando você viu a Ketlen... – Um jato de chamas tentou acertar o Kaique, ele protegeu a Diana desviando as chamas para os lados.
– Não importa o que tentem, EU vou controlar tudo! – A voz do Kaio mudou, era muito assustadora.
Saí de lá e corri na sua direção, assim que me viu, criou uma esfera de fogo e a lançou, desviei por pouco, mas não parei de seguir em sua direção. Ele criou outra e lançou, mas dessa vez era bem maior e ficava no meio do galpão. Dela passou a sair várias, que me seguiam ,tive que recuar e correr em ziguezague, desviando de todas. Subi por uma das paredes até ele.
– Não adianta, eu mato você! – A Chama moveu rapidamente na minha direção, mas antes eu o derrubei de lá. Ambos caímos no chão, a esfera nos atingiu, incendiando tudo. Ele estava inconsciente, devido a queda, eu estava com as roupas um pouco chamuscadas, mas fora isso nada, nem mesmo uma pequena queimadura.
– Imune ao fogo, quem diria. – Ouvi uma voz feminina perto de mim. – A propósito de nada pela minha ajuda. – Ouvi a Diana dizer. Já tinha liberado a barata, ela nem era tão nojenta assim.
– Pode ir eu cuido dele. – Disse o Kaique.
– Tem certeza? – Disse me levantando.
–Absoluta. Qualquer coisa eu arrumo um jeito de te ligar.
– Boa sorte. E desculpa por tudo. – Eu disse antes de sair.
Voltamos pra casa, deixei a Diana no mesmo ponto que eu a peguei e seguimos até em casa. Chegando lá, subimos direto, não entramos em grandes detalhes, subi até o meu quarto e descansei. Depois de alguns minutos, ouvimos os gritos da Clara no andar de baixo, absorvi os poderes da Carla e desci.
– Projeto 62B! Que surpresa agradável! Procurava uma casa pra ficar por uns tempos, de preferência uma afastada e, olha que coincidência, escolhi a sua! – Ele tinha uma corte feio no rosto, não estava assim quando o deixamos lá. – A isso no meu rosto? Nada demais, apenas o meu irmão, tentei te seguir mas ele não deixou, então brigamos, nada demais, mas ele deve ainda de está naquele chão imundo, inconciente.
– O que você quer? – Disse de forma firme.
– O que eu quero? – Ele deu uma gargalhada, — Vou refrescar a sua memória. – Ele esticou as duas mãos, colocando as palmas uma de frente pra outra. Entre elas surgiu uma pequena quantidades de chamas, ele ameaçou jogar na Clara, que ainda estava no chão inconsciente. — Se não nos damos bem, a culpa é sua! Desde que pegou amizade com ele, ele passou a se afastar de mim, até que um dia ele disse que me odiava, pra feria não e ter como irmão!
– Mas ele é branco, vocês não são irmãos. – Disse sem pensar.
– Mentira, éramos irmãos, nada do que dizer vai mudar isso! – Ele lançou uma torrente de chamas na minha direção, eu e a Carla corremos.
– Pega a Clara e vaza, eu cuido de tudo.
– Mas...
– Vai! — Ela jogou a Clara nos ombros e se jogou no vidro da sala, correndo em direção da Floresta, ele foi ao encalço dela, mas antes de sair da sala, o alcancei e acertei uma rasteira, derrubando-o. Corri até o armário, coloquei a mão nele e puxei o meu arco, assim que o retirei, ele lançou uma esfera de fogo nas minhas pernas, caí de joelhos no chão, antes que ele lançasse outra, peguei uma flecha e atirei contra o seu peito, ele tentou se esquivar e acertou o braço esquerdo, acertei outra no outro braço e uma na perna.
Tentei me por de pé, sentia muita dor devidos as queimaduras, mas me forcei a ir até o Kaio. Coloquei ambas as mãos sobre ele, uma no peito e outra no pescoço.
– É melhor me matar mesmo, ou suas irmãs vão sofrer o que você me fez sofrer! Você manipulava todo mundo, gostava de jogar uns contra os outros, vê-los brigar apenas pra se divertir, você é um monstro. Vamos, me mata logo! Me mata ou eu mato elas!
– Não, não sei de quem você fala, mas não sou ele.
– Desculpa irmão, eu falhei. – Ele pegou a flecha na coxa e acertou o próprio coração. Tentei parar, mas ele queimou os meus braços até o osso, soltei, quando tentei segurar de novo já era tarde demais. Senti o meu poder se ativar, comecei a absorver o poder dele lentamente. – Eu me... lembro agora... Não foi você.
– o que? – Aproximei o meu ouvido da sua boca, pra escutar melhor.
– Não foi voc...cê, foi... o.. o F... – Ele deu o último suspiro e morreu. Ele brilhou intensamente, senti a energia dele fluir pra mim, ate que acabou, ele ainda estava lá, mas sentia o meu corpo diferente.
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