Notas iniciais
Yay! Voltei, humanos (ou não, vai saber... |.|)
Esse capitulo foi dividido em duas partes, porque não conheço os limites da paciência de vocês.

Acordo sem fome, de forma que não vou tomar café da manhã hoje. Isso provavelmente desencadeará uma reação indesejada vinda dos garotos, em especial de Near, que virão perguntar se está tudo bem comigo.
— Íris? Posso te perguntar uma coisa?
— Sem problemas.
— De quem você gosta?
— Você é direta, garota. Bem, acho que posso te contar, considerando que é minha amiga. Eu... Eu gosto do... Do Ryuuzaki!
Fecho os olhos e massageio as têmporas. Não é bem a resposta que eu esperava. Droga, isso reduz em 30% as chances de Matt. Ok, eu ainda posso resolver, certo? 70 é maior que 30. De qualquer forma, Íris escondeu seus sentimentos de uma forma que nem mesmo eu e meu caderninho pudemos encontrá-los em suas ações.
— O que foi?
— Nada.
— Você gosta de um deles?
— Na verdade não. Conheço-os há pouco tempo, ainda não desenvolvi nenhum afeto especial por nenhum deles.
— Sei. Mas não te forçarei a nada.
— Ok. Mas não estou mentindo.
— Tá bom... Eu vou tomar café.
— Vou me arrumar para a aula.
Sim, meus caros, eu tenho aulas no Wammy's, embora sejam apenas às segundas, terças e quintas. E as aulas são os únicos momentos que exigem uniformes aqui. Pego a minissaia azul e a blusa branca e as coloco sobre a meia calça preta que estou usando. Depois coloco o fino sobretudo marrom-claro e o fecho. Pego meu celular e envio uma mensagem para Matt. É preciso que ele saiba agora para que não se machuque ainda mais depois.
"Matt, venha para o meu quarto AGORA!".
Espero por ele. Pobre Matt.
Pouco depois, o garoto ruivo vestindo a versão masculina do meu uniforme entra no quarto.
— Sente-se, Matt. — Ele obedece. — Precisamos conversar sobre o nosso acordo.
— O quê? Tem algo a pedir?
— Não. Matt, depois disso, a probabilidade de você se magoar é de 99% de chance. Lamento, Matt. A Íris, ela... Ela gosta de outro garoto. Eu realmente lamento. Não teria prometido nada se soubesse disso, mas ela nunca me contou.
— Kim... Por que me contou isso?
— Porque não é justo deixá-lo ter esperanças em vão.
— E é justo me deixar sofrer assim? — Vejo seus olhos brilharem, acusando as lágrimas que se formam neles. Abraço Matt e deixo-o chorar um pouco.
— Não, não é justo. Mas você só sofreria mais se eu contasse em outro momento.
— Quem é, Kim? É o Mello, não é? Eu sabia, brigas sempre são por outro motivo. Bem, ela se desapontará tanto quanto eu. Não é dela que Mello gosta. Mello não gosta de ninguém, até onde sei. — "e o amor vira amargura". Penso com tristeza.
— Não, Matt, não é do Mello.
— Então é quem? O Near? Ela não é pedófila, disso eu sei. E nem lésbica, então não é você...
— Matt, ela gosta do L! Ok? Do L.
— O quê? Do Ryuuzaki? Que infelicidade! Ele não gosta de ninguém! Não teria nenhuma reação nem mesmo que Íris arrancasse a própria roupa na frente dele.
— Não seja pervertido, Matt. Se quiser, eu ainda posso trabalhar no meu plano. Conheço vários métodos que podem funcionar para juntar vocês.
— Faça como quiser. Já não tenho esperanças.
Decido então que darei continuidade ao plano. Talvez envolva Mello nele. E Near, se for o caso.
•••
Eu e Matt seguimos juntos para a aula. Quando chegamos à sala, Near e Mello já estão lá. Pergunto-me onde estará Íris. Provavelmente Esqueceu alguma coisa no quarto. Assim que o pensamento passa por minha mente, a garota de cabelo escuro e olhos verdes passa pela porta com a respiração ofegante.
Eu e o ruivo ainda estamos de pé. Há uma mesa vazia e outra com um lugar vago. Nem sequer penso ao sentar do lado de... Mello? Bem, preferia que fosse Near, mas tudo bem.
— O que está fazendo aqui? É o lugar do Matt.
— Desculpa, Mello, estou no meio de uma missão importantíssima envolvendo a segurança psicológica de um amigo.
"Íris gosta de outro?" Olho para as palavras escrutas na mesa. A capacidade dedutiva de Mello é realmente impressionante.
"Sim" Estou tentando suavemente convencê-la de que o outro em questão não é muito saudável para ela".
" Por quê? Sou eu? Hahaha "
" Não. Matt também achou que era, mas ela gosta de outro garoto. E eu não vou dizer quem é!".
"Ok. O que quer que eu faça?”“.
“ Um jogo de verdade ou desafio só entre nós quatro valendo TUDO".
“ Tudo? “É exagero...”.
“ Situações desesperadoras exigem medidas desesperadas.".
Mello faz que sim com a cabeça e apaga nossa conversa. A aula começa e nós fingimos ter algum interesse nela. Matt e Íris conversam um pouco durante a aula, mas só se animam um pouco quando Mello lhes passa o bilhetinho do Verdade ou Desafio.
•••
Não demora muito para o fim da aula. O jogo está mercado para as cinco horas de forma que tenho tempo para ficar um pouco com Near. Não tenho ficado muito com ele ultimamente e sinto falta de conversar com meu irmão.
— Near? — Chamo ao ver seus cabelos curtos e brancos se movendo na multidão. Ele se vira e me dirige um de seus antes frequentes sorrisos.

- Olá, Kim. – Diz cordialmente. Passo a caminhar a seu lado.

- Por que não vamos um pouco lá fora? Está nublado, o sol não está nem um pouco incômodo. E você precisa sair um pouco do quarto. Até Ryuuzaki sai mais do que você, mesmo que ele não coma com a gente.

- Ok. Acho que posso fazer isso. – Nosso rumo se altera e vamos para fora do orfanato, sentando-nos debaixo de uma árvore frondosa. Abraço os joelhos e apoio a cabeça, olhando para meu irmão.

- Near? Você está infeliz, não está?

- Um pouco. Por causa de mamãe e papai. Mas já estou superando. E você?

- Não sei. Acho que eu passo tanto tempo conversando com a Íris, o Matt, o Mello e você que não tenho tempo para ficar triste. – É verdade. É impossível ficar triste quando ou se está ajudando um amigo, ou conversando com a colega de quarto a noite inteira, ou sendo paciente ao ser apelidada de tudo que é referente a albinismo por um chocólatra anarquista ou ainda conversando com o irmão mais novo para tentar fazê-lo se abrir para que possa ajudá-lo.

- É verdade. Isso é bom. Assim não fica triste. Acho que também não fico triste com facilidade. Passo o dia com a mente ocupada demais com um quebra cabeças ou algo assim e, à noite, estou muito cansado para me lembrar de coisas que me deixam infeliz. – Near reflete. – O que vocês fizeram ontem?

- Fomos comprar um jogo com Matt. E depois fomos ao cinema ver um filme de ação idiota. Acho que um filme romântico seria melhor, mas não tinha nenhum passando e, mesmo que tivesse, Mello inventaria o apelido perfeito para mim e o escreveria na minha lápide.

- Entendo. – Near cacheia uma das mechas de seu cabelo. É algo que ele herdou de mim. Mexer no cabelo para pensar melhor. É instintivo. Em uma situação na qual tenhamos que pensar, ambos imediatamente começamos a mexer nos cabelos, eu fazendo tranças e ele cacheando as mechas. – Mas se o filme era tão idiota, por que é que foram ver?

- Eu estava fazendo um favor para o Matt...

- Por causa da Íris?

- Todo mundo no orfanato sabe?

- Não é difícil notar. Você também não teve acesso a esta informação através dele, tenho certeza disso. Aposto que seu caderninho “secreto” te contou antes.

- Sim. Pobre Matt. Tão óbvio... – Digo calmamente. Penso se alguém fora do nosso círculo de amizades sabe. Ou se Íris sabe. Não. Ela não sabe. Mostra-se completamente ignorante com relação a esse fato, pois se tivesse conhecimento dele, provavelmente não conversaria com Matt tanto quanto conversa. Ela seria tímida e quieta perto dele, eu estou certa disso. Esta é a reação que se encaixa no perfil de Íris.

- E você tem algum outro plano, considerando que este obviamente falhou?

- Near, eu era o cupido da escola. É óbvio que eu tenho outro plano. Achei que fosse o mais inteligente do Wammy’s House.

- Maninha, por favor, não me subestime. – Diz ele calmamente. – Vai me contar qual é seu plano?

- Claro. Um jogo de Verdade ou desafio, se quiser participar. Só fique avisado que vale tudo.

- Não, obrigado. Não pretendo me expor assim.

- Melhor para você. Eu preciso correr esse risco, infelizmente. Seria muito estranha uma brincadeira na qual só estivessem Mello, Matt e Íris. Além disso, a ideia foi minha.

- Sim. Acho que vou ver Ryuuzaki. Até mais tarde.

- Vou acompanhá-lo. – Near se levanta e me oferece a mão. Puxo-me para cima até ficar de pé e seguimos para dentro da casa.

O quarto de Ryuuzaki é no último andar, de forma que é uma sorte nenhum de nós ter doenças respiratórias ou cardíacas. É um longo percurso até o quarto isolado de todos. Bato na porta.

- Entrem. – Diz a voz do detetive. Obedecemos. O quarto de L é extremamente bagunçado, cheio de anotações jogadas por todo o ambiente. Há um computador na escrivaninha e, em frente a ela, um L sentado de seu modo peculiar parece estar lendo algumas anotações antigas. Ele, ocasionalmente, coloca uma bala na boca e deixa que derreta. A seu lado, está uma lixeira lotada de papeis de balas. O quarto não é muito bem iluminado, mas é possível ver tudo. A cama, uma poltrona, um guarda roupas, o chão com vários papeis espalhados.

- Eu vim ver se precisa de ajuda, L.

- Bem acho que seria uma ótima oportunidade de observar suas técnicas, Near. E você, Kim? Veio ajudar? Também estou curioso com relação às suas habilidades.

- Bem... Na verdade eu tenho um compromisso as quatro, mas não me impede de ficar aqui um pouco. — Respondo. Acho que L captou a incerteza em minha voz, pois me olha de modo questionador. É como se achasse que estou fazendo isso só para agradar. – Por favor, não duvide da minha honestidade. Não gosto de puxar o saco.

- Você é boa leitora de expressões.

- Sim. Kim é boa nisso. Ela sempre sabe o que estou sentindo. – Diz Near. Devo admitir que é mais difícil ler os sentimentos de Near agora que ele se tornou menos sociável, mas ainda consigo fazer isso facilmente.

- Por favor, sentem-se. Vou lhes contar sobre o caso. Querem algum doce? – L oferece uma caixa lotada de todos os tipos de doces possíveis e imagináveis. Muitos os quais eu jamais vi antes. Pego um pirulito e desembrulho antes de colocar na boca e me sentar na poltrona e colocar os pés sobre o assento, aproximando os joelhos do peito. Seguro o palito branco que sai de minha boca e o giro lentamente. Minha outra mão divide uma pequena parte do cabelo em três e a mistura novamente, repetindo o ciclo nove vezes antes que Near se acomode em outra poltrona, que está tão oculta sob anotações que eu mal pude vê-la ao observar o quarto pela primeira vez. – Bem, basicamente, o caso é o seguinte: Warren Lee foi assassinado no dia 23 de setembro em sua casa. A casa não foi revirada, mas um único objeto sumiu: um medalhão de ouro. Ele não era rico e tampouco tinha ficha criminal. Não tinha amigos, mas era casado e o irmão mais velho, meu maior suspeito, morava do outro lado da rua. Não tinha empregados. Apesar de termos procurado em sua casa, o medalhão não foi encontrado.

- Como ele morreu? – Near quer saber enquanto enrola o cabelo.

- Foi esfaqueado por trás.

- Qual o ângulo da facada? Qual a altura da vítima? E a do suspeito.– Pergunto entredentes, mordendo o palito em minha boca.

- Um ângulo de 33,5o. – Em seguida, ele me informa sobre a estatura de cada um dos irmãos. Este caso está fácil demais. É obvio que foi o irmão. O ângulo da facada corresponde exatamente à diferença de altura entre os dois. O medalhão provavelmente tinha algum valor sentimental para ambos e, por algum motivo, ficou com Warren. Então o outro o matou para roubá-lo. Provavelmente a esposa dopou Warren, pois um homem forte de 1,79 reagiria a um ataque a menos que estivesse fora de si ou incapacitado de agir. Considerando que o ângulo da facada seria completamente diferente se ele estivesse incapacitado de se mover, sem contar que esta teria sido feita no coração ou em outra parte do tórax se fosse o caso, a vítima estava drogada. Provavelmente alguma substância foi colocada na comida. O irmão e a esposa eram possivelmente amantes, o que justifica a participação dela. Formulo minha teoria e concluo dizendo à L: — E este caso é uma invenção sua para me testar. Ou apenas o está colocando em minhas mãos depois de já tê-lo resolvido. Você não teria dúvida alguma a respeito dele. E Near também está envolvido nisso, pois estaria fazendo perguntas enlouquecidamente se achasse que é verdadeiro.

L e Near me olham com um brilho estranho nos olhos. Sim, eu acertei. Faço uma reverência sarcástica para os dois.

- Meus parabéns.

- Obrigada. Sempre fui boa jogando “detetive”. Agora acho que preciso ir. Até mais, Near. Nos vemos por aí, Ryuuzaki.

- Até mais, Kim. – Diz meu irmão. L não me responde. Já são quatro horas. Eu deveria estar no quarto.

Notas finais
gostaram? Espero que sim.
Mandem reviews, façam críticas construtivas, etc.
Bjs da Ushio