Novos Começos
17 Beth
Notas iniciais
Sejam gentis e espero que vocês gostem do reencontro, tentei escreve-lo de uma forma realista, mas não sei se ficou realista por que nunca passei por nada como isso e eu não tenho uma filha e não convivo com crianças de 10 anos, não faço ideia de como elas raciocinam, sério... xD
Enfim, espero que gostem e comentem...
Rachel's POV
Aquele primeiro telefonema de minha mãe levou-nos a sala de estar do meu apartamento enquanto esperávamos por notícias. Quinn ficou em silêncio o tempo inteiro e eu não me atrevi a falar, não cabia a mim dizer nada, mesmo que meus conselhos pudessem ser uteis, ela precisava absorver a ideia de rever sua filha sozinha.
Os telefonemas daquele número desconhecido fizeram sentido para mim quando Shelby disse que Beth não havia voltado para casa naquela tarde e que de acordo com a escola, ela nem chegara a comparecer as aulas. Uma mochila e algumas roupas faltando indicavam uma fuga e minha mãe acreditava que o destino final de Beth seria Nova York.
Minha vontade quando ela anunciou isso foi gritar e dizer como tudo aquilo era sua culpa, única e exclusivamente. Se ela não tivesse vetado o contato entre minha Quinn e Beth, todo esse estresse teria sido evitado. Mas o pânico em sua voz não permitiu que eu falasse o que realmente pensava e tudo o que fiz foi oferecer meu apoio e pedir que ela nos mantivesse informadas.
A parte mais difícil foi contar para Quinn, eu literalmente senti meu coração apertar ao ver a expressão no rosto dela, que era uma mistura de medo, preocupação e dor. Ela não estava preparada para rever Beth, ela queria, é claro, mas seus planos foram trazidos para o concreto rápido demais e eu a vi perder o chão. Ainda bem que Santana e Brittany estavam conosco naquele momento e demonstraram o apoio que ela precisava.
O segundo telefonema de Shelby veio informar a sua falta de novidades e trouxe à tona a possibilidade de que, caso Beth estivesse vindo para Nova York, ela ligaria para mim quando chegasse. Falei isso para Quinn e seu rosto perdeu ainda mais a cor, sua mão procurou a minha e eu a envolvi em um abraço, segurando sua cabeça contra o meu peito enquanto esperávamos pelo que quer que estivesse por vir.
Não demorou muito para que o terceiro telefonema viesse, mas não era Shelby que ligava dessa vez. Mostrei o numero para Quinn e ela mordeu o lábio quando atendi. Beth chorava contra meu ouvido e disse que estava chegando a uma estação de ônibus, não ficava tão longe de onde Quinn e eu morávamos, então pedi que ela desembarcasse e esperasse por mim.
"Ela está bem?" Foi o que Quinn perguntou assim que desliguei. "Ela está aqui?"
Respondi que sim apenas uma vez e para as duas perguntas, passei uma mão por seus cabelos e segurei seu rosto de modo que seus olhos encontrassem os meus, ela estava ansiosa de uma forma que eu nunca havia visto antes e aquilo refletiu em mim e me deixou agitada por dentro. "Vou busca-la na estação, você quer vir junto?" Perguntei, tentando transmitir uma tranquilidade que não sentia.
Ela chacoalhou a cabeça em resposta. "Eu..." Ela começou a se explicar, mas a impedi de continuar, pressionando o indicador em seus lábios.
"Eu entendo." E realmente entendia, eu senti o receio que ela sentia, mesmo que tivesse sido direcionado a minha mãe, eu definitivamente era capaz de me identificar com a situação.
Beijei sua testa e apertei suas mãos com força antes de ir embora.
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Eu nunca gostei de estações rodoviárias. Estações de trem podem ser muito agradáveis, as de metro são frias, mas o tempo que passamos dentro delas não é longo o suficiente para que tenha alguma importância. Mas estações rodoviárias me dão calafrios e não foi diferente daquela vez. Demorei alguns minutos para localizar o terminal correto e mais algum tempo para encontrar a menina que procurava.
Beth estava diferente, maior do que da ultima vez em que eu a vira, mas já fazia três anos. Suas feições já não eram mais tão infantis e a semelhança entre ela e Quinn era evidente. Ela me avistou antes e caminhou rápido em minha direção, seus olhos estavam vermelhos e ela parecia tão assustada. Ela parou perto de mim e eu a abracei quando ela hesitou.
Beijei sua cabeça e não a soltei por alguns minutos, ela já batia no meu ombro em altura, mas ainda assim parecia tão frágil. A touca de lã que cobria seus cabelos pinicava meu rosto, mas eu não pude soltá-la. De uma forma estranha, Beth era, ao mesmo tempo, minha irmã e enteada e mesmo que não tivéssemos muito contato, a necessidade de protege-la era tão grande.
"Está tudo bem." Foi o que eu disse para ela quando nos afastamos e lhe ofereci um sorriso enquanto secava suas lágrimas. Os olhos dela eram – e ainda são – iguais aos de Quinn, não a cor, mas o formato. Grandes e com cílios longos.
"Você não está brava comigo?" Ela perguntou em um sussurro, sua voz falhando ao sair.
Segurei seu rosto com as duas mãos e chacoalhei a cabeça negativamente. Como eu poderia estar? Eu sabia exatamente como ela se sentia e apesar de achar a fuga uma coisa realmente idiota e mal planejada, já senti o que a motivou a fazer o que fez. Ela precisava encontrar aquilo que a ligava ao mundo e no momento, Quinn representava essa ligação. Mais tarde seria Puck e depois poderia ser um sonho, uma paixão, qualquer outra coisa.
"A minha... Quinn... Ela está...?" Seus olhos deixaram os meus e ela lançou um olhar para a multidão as minhas costas.
"Ela ficou em casa." Expliquei, passando um braço por seu ombro e começando a guia-la até o estacionamento. Metade das pessoas na estação já haviam me reconhecido e paravam para olhar o que eu estava fazendo. Algumas tiravam fotos e outras gritavam perguntas, mas ninguém chegou perto demais. Sou grata por isso, Beth não precisava de um assedio de fãs naquele momento.
"Ela está brava comigo?" Ela perguntou quando entramos no carro.
"Não." Respondi em um tom gentil. "Ela estava preocupada..."
"Se ela não estava brava, então por que não veio com você?" Beth usou a manga do casaco para limpar o nariz que escorria e eu lhe alcancei uma caixa de lenços que estava no porta-luvas.
"Beth..." Eu sabia o que responder, mas tive dificuldade em formular minha resposta de uma forma que ela pudesse entender. "Eu sei o que você está sentindo agora. Curiosidade, nervosismo, medo de ser rejeitada, medo de não ser o que Quinn espera e de que ela não corresponda suas expectativas..."
Beth mordeu o lábio e baixou os olhos para as próprias mãos.
"Quinn ficou em casa por que ela está sentindo exatamente o mesmo que você. Ela sempre quis te ver, Beth, ela te ama, mas não estava esperando por essa visita e ela tem medo do que pode acontecer."
"Eu não devia ter vindo." Murmurou ela, passando uma mão pela cabeça e arrancando o gorro cor de rosa, revelando cabelos loiros e muito finos, relativamente enosados.
"Você não queria estar aqui?"
"Claro que sim..."
"Então você fez bem em vir, Beth. Isso é importante para vocês duas e pra mim também e eu fico feliz que você esteja aqui."
Ela sorriu hesitante para mim e eu retribui o gesto antes de dar a partida.
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Os latidos enlouquecidos de Jessie podiam ser ouvidos de dentro do elevador dois andares abaixo de meu próprio. Como ele sabia que eu estava chegando e que uma pessoa estranha me acompanhava era um mistério para mim. Abri a porta e ele invadiu o corredor, latindo para Beth antes de enfiar o nariz contra sua perna. Ele começou a abanar o rabo quando percebeu que ela era uma criança e foi correndo buscar um brinquedo para ela jogar pra ele. (O brinquedo escolhido no caso era um pedaço do que no passado havia sido uma bolsa perfeitamente funcional de couro sintético vermelho que Chris me deu de Natal quando ainda fingíamos namorar.)
Quinn não estava no hall de entrada, obviamente, mas franzi o cenho quando não a encontrei na sala e nem na cozinha. Guiei Beth até o quarto de hospedes e no caminho ouvi o barulho de água vindo do banheiro.
"Acho que Quinn está tomando banho..." Foi a explicação que lhe dei em resposta ao olhar questionador. Ela concordou com a cabeça e tirou a jaqueta, colocando-a junto de sua mochila sobre a cama, enfiando as mãos nos bolsos da calça logo em seguida. "Você está com fome? Nós não temos muitas opções e a maioria das coisas aqui não contem produtos de origem animal, mas tenho certeza que Quinn guarda um pacote de Chips Ahoy (marca de cookies) em algum lugar e depois nós podemos pedir uma entrega ou ir a algum lugar, como você preferir..."
"Eu... Acho que comer agora não seria uma boa ideia." Ela murmurou olhando para baixo.
"Você não está se sentindo bem?" Perguntei preocupada, dando um passo a frente e hesitando antes de encostar em seu ombro. "Beth, se precisar..."
"Não, eu acho que estou um pouco nervosa, só isso." Ela forçou um sorriso tremulo e eu a abracei novamente.
"E sei. Mas não precisa ficar, vai dar tudo certo, está bem?" Senti ela concordar contra meu ombro e seus braços envolveram minha cintura.
Depois de alguns instantes, voltamos para a sala e ela sentou no sofá ao lado de Jessie, que mastigava minha antiga bolsa alegremente. Ela estendeu uma mão e acariciou seus pelos tentativamente. Ambas suspiramos aliviadas quando ele não tentou arrancar seus dedos e virou de barriga para cima para receber o carinho.
"Ele gosta de você." Comentei. "Isso é praticamente inédito, ele não é um ser muito sociável."
"Ele é bonitinho... Eu gosto de cachorros." Ela tinha um sorriso torto nos lábios que me fez lembrar de Noah imediatamente.
"E você tem algum bichinho?"
"Não... Meu padrasto não gosta de animais, mas o meu vizinho tem uma gata que às vezes invade a nossa casa. O nome dela é Nikki e ela gosta de mim, mas sempre foge quando meu padrasto aparece..."
"Humm..." Ficamos em silencio, eu queria perguntar mais coisas sobre Lima e sobre a minha mãe, mas não sabia como. "Eu acho melhor ir verificar se Quinn não se afogou no banho, você pode assistir TV," Joguei o controle remoto em sua direção e ela pegou o aparelho no ar com uma agilidade que eu não esperava, considerando-se que seus olhos continuavam fixos no meu cachorro. "A cozinha é ali e você pode pegar o que quiser da geladeira e dos armários. Eu já volto."
"Ok..." Ela sorriu timidamente em minha direção antes de ligar a TV.
Entrei no corredor e bati na porta do banheiro, o barulho de água era constante e testei a maçaneta quando não obtive respostas. A porta estava aberta e eu entrei, sendo imediatamente envolvida pela neblina que embaçava os espelhos e o vidro do box. Meus olhos levaram alguns segundos para se adaptarem com a névoa, mas logo consegui distinguir a silhueta de minha noiva através do vidro.
"Quinn?" Ouvi um soluço em resposta e deslizei a porta do box para o lado, me deparando com uma Quinn embaixo do chuveiro, seu corpo brilhando por causa da água, as mãos apoiadas na parede e uma cascata de cabelos loiro escuros encharcados escondendo seu rosto. Senti um aberto na parte de baixo do meu abdômen e mordi o lábio, parte de mim queria tirar minha própria roupa e juntar-me a ela embaixo da água, mas aquele não era o momento, então respirei fundo e arregacei as mangas de meu suéter.
"Há quanto tempo você está aqui dentro, Quinn?" Estendi o braço para dentro do chuveiro e senti a água escaldante entrar em contato com a parte de cima do meu pulso, Quinn não costumava usar a água tão quente, sua pele sempre foi delicada e temperaturas assim não eram nem um pouco saudáveis.
Desliguei a água e pisei para dentro do box junto com ela, o chão ficou marrom sob meus pés graças a sola suja de minhas botas, mas não dei atenção para isso e alcancei pelas mãos de minha noiva, removendo-as da parede, entrelaçando seus dedos aos meus e virando-a em minha direção. "Beth está te esperando." Eu murmurei da forma mais suave possível, abaixando a cabeça para encontrar seus olhos que estavam fechados.
"Não sei se estou pronta pra isso, Rach..." Ela falou em um suspiro.
Soltei suas mãos e afastei o cabelo molhado de seu rosto. "E será que algum dia você vai estar?" Minha pergunta a fez abrir os olhos. "Talvez as coisas fossem diferentes se você e Beth nunca tivessem sido afastadas, mas o fato é que você perdeu os últimos oito anos e isso não vai mudar, o tempo de separação entre vocês só vai aumentar daqui para a frente." Girei o corpo e alcancei por minha própria toalha de banho, sequei seu rosto e pescoço antes de envolver seus ombros e a puxar para perto, seus olhos estavam fixos nos meus e eu beijei seus lábios brevemente antes de continuar. "Eu sei por experiência própria que quanto mais o tempo passa, pior é. O relacionamento entre vocês nunca vai ser como poderia ter sido caso ela não tivesse sido adotada, mas você pode recomeçar e construir algo novo o quanto antes."
Ela prendeu a toalha sobre os seios e mordeu o lábio, seus olhos brilhavam de uma forma estranha, como se ela estivesse triste, mas não totalmente. "Você tem razão." Ela murmurou. "Eu só estou com medo, eu não sei o que dizer, eu não sei como conversar com ela, Beth é minha filha e eu mal a conheço..."
"Mas é exatamente por isso que ela está aqui, meu amor." Lhe ofereci um sorriso e apoiei uma mão na curva de seu pescoço, acariciando a pele úmida carinhosamente. "Ela também está com receio, ela também não sabe o que quer dizer para você, mas tenho certeza que vai dar tudo certo."
"Como você pode ter certeza?" Ela perguntou, inspecionando o meu rosto em busca de uma resposta.
"Você estava comigo no dia em que eu descobri sobre Shelby, eu não estava esperando encontrar minha mãe biológica naquele dia, nós estávamos apenas espionando o inimigo e o meu encontro com ela tinha tudo para dar errado. Sabe o que aconteceu quando você e Mercedes foram embora?"
Quinn fez que não com a cabeça.
"Nós sentamos em fileiras diferentes de poltronas no auditório da Carmel e conversamos. Foi extremamente impessoal, o nosso primeiro contato." Umedeci os lábios e dei um passo em sua direção, grudando meu corpo ao dela em um abraço, sentindo a água em sua pele transpassar minhas roupas. "Nós tínhamos 16 anos para compensar e por mais que eu quisesse uma mãe e ela uma filha, não fizemos esforço algum para que desse certo." A beijei mais uma vez, me demorando contra seus lábios. "Você tem a chance de ser melhor, de construir algo com sua filha que eu nunca consegui ter com a minha mãe. Você a ama e fez o que fez para o bem dela, isso é tudo o que ela quer ouvir..."
Ela não respondeu com palavras, apenas me apertou com mais força.
"Eu vou estar com você." Murmurei contra sua têmpora.
Saímos do banheiro alguns minutos depois e fui com ela até o quarto, Quinn espiou por cima do ombro e congelou no meio do corredor quando viu a cabeça loira de costas descansando contra o encosto do sofá.
"Ela está mesmo aqui..." Ela respirou, apertando minha mão com força.
Naquele momento, o tempo desacelerou, literalmente. Beth virou o rosto em nossa direção e seus olhos caíram diretamente sobre Quinn. Ouvi-a perder o folego por um momento e então Beth sorriu em nossa direção, um sorriso tímido e inocente que a fazia parecer muito mais nova do que seus 10 anos.
Minha noiva soltou o lábio que prendia entre os dentes e sorriu de volta, levantando um pouco a mão em um cumprimento incerto que fez sua miniatura sorrir ainda mais. Ela envolveu meu corpo em um meio abraço e repousou a cabeça contra a minha enquanto contemplava sua filha pela primeira vez em oito anos. Não me atrevi a respirar, não querendo interromper o momento, nenhuma delas se moveu ou se manifestou em relação a tomar o próximo passo.
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Quinn's POV
Não tenho como descrever o que foi vê-la naquele momento, acho que posso dizer que foi como a primeira vez, os meus sentimentos me fizeram voltar ao final de tarde em que ela nasceu e ao instante em que a segurei em meus braços pela primeira vez. Beth é uma parte de mim, reencontra-la foi como reencontrar a mim mesma e aquele primeiro sorriso que compartilhamos fez com que o pânico que me envolvia anteriormente desaparecesse.
Rachel tinha razão, eu não tinha por que ter medo. Abracei a morena ao meu lado e suspirei contentemente, eu me sentia contente, completa, não sei como explicar, mas estava feliz por ter Rachel ao meu lado e queria que ela soubesse disso. Senti um impulso de caminhar em direção a minha filha e abraça-la também, mas então lembrei que estava enrolada em uma toalha e andar pela casa assim na presença dela não pareceu uma boa ideia, na verdade, lembro de ter ficado um pouco constrangida.
Olhei para o meu próprio corpo e depois para Beth novamente, esperando que ela entendesse o que eu queria dizer. Não queria que o gesto de virar as costas e entrar no quarto parecesse mais uma forma de abandono para ela. Queria dizer alguma coisa, mas meu cérebro parecia embaralhado e eu não conseguia formar palavras.
Rachel virou o rosto e beijou minha bochecha. "Nós já voltamos." Ela falou por mim e minha filha concordou, acompanhando o nosso caminho com os olhos até que a porta do quarto se fechou as nossas costas.
...
Me vesti enquanto Rachel trocava suas próprias roupas molhadas e a beijei antes de voltarmos para a sala de mãos dadas. Contornamos o sofá e Beth se levantou quando entramos em seu campo de visão, mais uma vez, aquele silêncio de certa forma pesado e absoluto caiu sobre nós.
Não sabia o que dizer, não sabia se era realmente necessário dizer qualquer coisa. Os olhos dela transmitiam tanta emoção que não cabia em palavras e sei que os meus expressavam a mesma coisa. Haviam tantas coisas não ditas entre nós, tantos anos passados em silencio, que a ideia de romper a frágil distancia entre nós soava inapropriada.
Acabei então optando por observá-la, absorver todas as mudanças pelas quais ela havia passado e Deus, ela estava tão diferente. Eu já esperava por isso, é claro, afinal, a ultima vez em que a vi, ela tinha apenas dois aninhos, mas imaginei-a crescendo a cada ano que passava.
Ela era diferente.
Ela estava tão grande.
Tão linda, minha filha.
Ela parecia tanto comigo quando eu era criança, o mesmo cabelo, a mesma estrutura física, mas ainda assim era diferente. Eu podia ver uma maturidade em seus olhos verdes que sei que demorei muitos anos para atingir. Seus olhos eram lindos, grandes e de um verde profundo que de longe poderia passar por preto, lembro de ter imaginado o que Sarah Puckerman diria se soubesse que sua neta havia herdado seus olhos.
"Mãe?" Ela sussurrou, soando como uma pergunta. Sua voz tinha uma qualidade aguda presente na maioria das crianças, mas pude notar que ela soava como eu, um pouco mais consistente talvez, menos rouca.
Ser chamada de mãe pela primeira vez fez com que eu me sentisse estranha, meu queixo tremeu involuntariamente e minha garganta se fechou quando respirei, meu peito parecia queimar.
A mão de Rachel deixou a minha para acariciar minhas costas em círculos e eu testei o nome da minha filha em voz alta. "Beth..."
Ela se inclinou para frente, ensaiando um passo em minha direção, mas parando no meio do movimento.
"Será que eu posso... Eu queria... Posso te dar um abraço?" Ela perguntou, balançando nos próprios pés.
Sorri e concordei com a cabeça, abrindo os braços, hesitante. Ela se aproximou cautelosamente e no começo foi estranho, nenhuma de nós conseguiu relaxar a principio, mas então, de repente, fui tomada por uma onda de familiaridade. Eu já havia feito aquilo antes, já fazia anos, mas a sensação me era conhecida, a necessidade de protege-la e o amor incondicional me atingiram com força e eu a trouxe mais para perto, descansando meu queixo sobre sua cabeça.
Beth suspirou tremulamente e se deixou envolver, seus punhos se fecharam na base de minhas costas e então, depois de experienciarmos estranheza e familiaridade, só uma coisa restou, certeza.
O que fazíamos parecia certo. Tão certo quanto beijar Rachel pela primeira vez. Como se ter Beth em meus braços fosse a coisa mais natural do mundo.
E era. Mesmo que anos tivessem se passado, ela sempre seria minha filha, a conexão entre nós sempre será mais forte do que qualquer outra que eu venha estabelecer.
Nos afastamos e eu olhei para ela novamente, sentia lágrimas escorrerem por minha face, mas não senti vontade de impedi-las, era um choro bom. Percebi que não fazia a menor ideia do que dizer para ela, por onde começar, se deveria contar a nossa historia, explicar meus motivos. Ela se encontrava no mesmo dilema, seus olhos verdes fixos aos meus e sua boca aberta querendo falar, mas sem saber como.
Como se faz para conhecer alguém que nunca deveria ter deixado de ser parte da sua vida?
Naquele momento, meus olhos caíram sobre a televisão registando o que ela estava assistindo e minha boca se mexeu antes que meu cérebro pudesse impedir.
"Você gosta de esportes?" Fiz uma careta assim que minha voz atingiu meus ouvidos. A primeira conversa que eu tenho com a minha filha em oito anos começa da maneira mais aleatória possível.
Rachel diz que não foi um começo ruim, aparentemente, eu estava tentando encontrar algo em comum que pudesse nos conectar de alguma forma menos intensa que os laços sanguíneos. (palavras dela) Então, quando eu vi que ela assistia a reprise do Superbowl, meu cérebro aproveitou a oportunidade para buscar uma ligação, considerando-se o meu histórico como líder de torcida, até que faz sentido...
Enfim, perguntei fiz uma careta, Beth sorriu e concordou com a cabeça. E eis a nossa primeira conversa:
"Sim."
"Eu fui líder de torcida durante a metade do ensino médio e nos últimos anos do fundamental..."
"Eu sei." Ela mordeu o lábio e eu me toquei que ela sabia coisas sobre mim enquanto eu me mantinha completamente no branco em relação a ela.
"Beth está no time de vôlei, não é mesmo?" Rachel se manifestou ao meu lado, eu havia esquecido de sua presença por um momento, mas me agarrei a ela quando lembrei que ela estava ali. Entrelacei nossos dedos e esperei que Beth confirmasse.
"É..."
"Você gosta?" Eu perguntei, hesitante. "De jogar?"
"Muito, mas minha mãe, Shelby... As vezes eu acho que ela não gosta que eu esteja no time."
Arqueei as sobrancelhas. "Por que você diz isso?"
"Ela queria que eu me dedicasse mais as artes, eu acho. Ela me inscreveu em aulas de dança, mas eu nunca consegui me sair bem e minha voz não é como a dela..." Ela olha para o chão. "Mas eu sou boa com o piano, faço aulas desde que tenho três anos. Acho que isso já serve pra deixar ela mais feliz…"
"Eu sei tocar piano." Eu sorri. "E eu gosto de volei. Não sei as regras muito bem, mas gosto do esporte." Olhei para Rachel e ela sorria para nós. "Sabe, o seu pai jogava futebol americano."
Nos sentamos no sofá e conversamos sobre banalidades, interesses, sonhos, ela perguntou sobre o meu trabalho e sobre o meu relacionamento com Rachel, contamos sobre o noivado e ela não pareceu incomodada pela estranheza da situação. Ela nos contou sobre Lima e a escola e sobre seu time de vôlei que estava nas finais da competição nacional.
Foi muito mais tranquilo do que eu esperava, nós duas evitávamos os grandes questionamentos e a conversa fluiu muito naturalmente. Ligamos para Shelby e a deixamos saber que Beth estava bem e que ela iria passar a noite conosco. Depois a levamos para conhecer a Times Square e fomos jantar em um restaurante perto do teatro aonde Rachel apresentou seu ultimo show.
Era difícil acreditar que aquela menininha conosco era realmente a minha Beth, não parecia que eu estava conversando com a minha própria filha. E o mais importante, não estava sendo estranho. Claro, agíamos com cautela, contornando assuntos perigosos, mas no mais, foi tão normal. Conhece-la não foi tão assustador quanto eu imaginava que seria.
Na verdade, foi divertido.
Voltamos para o apartamento e já passava da meia noite. Rachel e eu tínhamos trabalho no dia seguinte e prometemos a Shelby que colocaríamos Beth em um avião devolta para Ohio assim que possível.
Eu não queria deixa-la ir.
Essa ideia me manteve acordada a noite inteira e por volta das duas da manhã, me desenrolei do aperto de Rachel e caminhei sorrateiramente até o quarto de hospedes. Depois de oito anos, um dia não parecia tempo o suficiente com minha filha.
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Notas finais
Onde teremos uma conversa mais seria entre a Beth e a Quinn; Rachel e Quinn vão tomar uma decisão depois de mandar Beth de volta (nada de adoção nem nada desse tipo) e talvez um pouco de Kurtofsky, mais um time jump e a Beth vai conhecer o Puck... :)
Se vocês comentarem nos veremos no fim de semana... (ou antes com a fic Brittana/Faberry+Valerie...) :)
Bye!
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