Novos Começos

18 Beth e Outras Aparições


Notas iniciais
Desculpem a demora, espero que vcs não tenham desistido de mim...
Obrigada a Joyce, Carol e Julia, que me deram dicas quanto a relação da Beth com a Quinn! Tanto para esse quanto para o capitulo 20, aonde a Beth aparecerá novamente... Esse capitulo é pra vcs gurias!
Espero que gostem e comentem!
Ah, eu não posso dizer que revisei o capitulo, especialmente o final, então perdoem redundâncias e erros de português...
Also, leiam 'Começou em uma Loja de Brinquedos'! Minha outra fic que terminei semana passada... :)

Quinn empurrou a porta do quarto de hospedes com todo o cuidado do mundo e acabou fazendo uma careta quando as dobradiças rangeram, no silencio o som agudo parecia ainda mais alto do que normalmente seria e a ultima coisa que ela queria era acordar alguém. Ela espiou pela fresta que havia aberto ao mesmo tempo em que Beth ligava o abajur. A luz repentina fez com que ela fechasse os olhos.

"O que você está fazendo?" Perguntou Beth com curiosidade, Quinn podia ouvir sua filha se mexendo na cama, e abriu seus olhos em fendas.

"Você não deveria estar acordada..." Comentou a assistente social, entrando no quarto.

"Eu não consigo dormir." Respondeu a menina, cruzando as pernas como índio, abraçando uma girafa de pelúcia contra o peito e olhando para a mulher que se aproximava.

"Eu também não..." Suspirou Quinn, parando ao lado da cama. "Posso ficar aqui um pouquinho?" Ela soava tímida e receosa e Beth concordou com a cabeça, indicando o espaço a sua frente com um olhar.

A loira mais velha sentou e imitou a posição de sua filha, cruzando as pernas também. O silencio prevaleceu por uns bons cinco minutos aonde Quinn encarou os próprios pés e Beth, por sua vez, analisou o rosto e o corpo de sua mãe biológica. Foi ela quem falou primeiro.

"Eu não consigo acreditar que você seja minha mãe de verdade." Isso fez com que olhos dourados encontrassem os verdes com certa preocupação. "Eu quero dizer, eu sei que você é minha mãe, eu consigo sentir isso. Eu sei que eu só tenho dez anos e que pode parecer bobagem, mas eu saberia que você é minha mãe mesmo que você tivesse sofrido um acidente e feito uma cirurgia para mudar de rosto." Ela mordeu o lábio e desviou os olhos, brincando com os chifres da girafa de pelúcia. "Ou algo assim... É estranho, não sei explicar."

"Eu entendo." Quinn falou suavemente por que realmente entendia. Ela podia sentir a conexão entre elas, algo que ia além da conexão física. Ela nunca havia se sentido realmente ligada a alguém dessa forma.

"Mas é tão estranho te ver de verdade e você não tem cara de mãe." Beth fez uma pausa. "Não mãe de alguém da minha idade pelo menos. Você é tão bonita..."

Quinn abriu a boca para falar, mas percebeu que não sabia o que responder então tudo o que emitiu foi um som incoerente.

"Por isso eu não consigo acreditar que você seja minha mãe. É tão esquisito..." Ela inclinou a cabaça para o lado e Quinn reparou que seu cabelo era perfeitamente liso, diferente do dela que se ondulava nas pontas.

A loira mais velha estendeu uma mão e percorreu as longas mechas douradas carinhosamente, afastando-as do rosto de sua filha.

"Mas você age como uma mãe." Murmurou Beth, relaxando visivelmente com o toque gentil em seus cabelos. "Você olha pra mim do mesmo jeito que a minha mã... Shelby..."

"Shelby é sua mãe." Quinn falou suavemente. "Ela é sua mãe e você deve chama-la assim."

"E se eu quiser te chamar de mãe também?"

Quinn sentiu seu peito se aquecer. Sim, ela queria, ela queria tanto que Beth pudesse chama-la de mãe, mas não parecia certo. Não depois de tanto tempo, não depois de ela ter passado esse direito para Shelby. Mas como ela poderia negar qualquer coisa a Beth?

"Não seria estranho para você?" Ela acabou perguntando.

"Um pouco." Beth respondeu depois de pensar por alguns instantes. "Mas te chamar de Quinn também é estranho."

"Você pode me chamar do que quiser, Beth." Ela decidiu que Beth podia escolher o que achava melhor.

Mais uma vez elas ficaram em silencio, mais foi menos tenso do que antes. Quinn se moveu e sentou ao lado de sua filha, escorando as costas na parede que servia como cabeceira para a cama de casal aonde elas se encontravam, esticando as pernas e apoiando as mãos nas coxas.

"Posso te fazer uma pergunta?"

"Você acabou de fazer uma pergunta." Sorriu Quinn, virando a cabeça para o lado. "Mas sim, pode perguntar."

Beth respirou fundo e enterrou seu rosto na girafa. "Eu vou poder continuar vendo vocês depois que voltar pra Lima?" Sua voz saiu abafada, mas seus olhos estavam conectados aos de sua mãe através dos chifres do bichinho de pelúcia.

Quinn abriu a boca para responder imediatamente, mas fechou-a e sorriu, usando uma mão para desbloquear o rosto de sua filha. "Claro, claro que sim, Beth. Eu não vou deixar que você se perca novamente, Rach, Rachel disse que vai ligar para sua mãe quando você for embora e nós vamos entrar em um acordo. Está bem?"

A loirinha fez que sim com a cabeça e apoiou uma mão no joelho. "E quando será que eu vou poder te ver de novo Qui... mãe?"

Por algum motivo, Quinn sentiu seu rosto esquentar ao ser chamada de mãe, ela desviou os olhos momentaneamente e mordeu o lábio, contendo um sorriso. "Bem, eu estava pensando sobre isso e... Você gostaria de conhecer o seu pai?"

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"Quinn? Quinn!" Rachel sussurrou gritando contra o ouvido da loira e fazendo-a abrir os olhos assustada. Ela jogou a cabeça para trás e bateu com força na parede.

"Ouch.." Ela gemeu e levou uma mão ao lugar machucado, suas costas estalaram com o movimento e ela percebeu que seu pescoço doía terrivelmente e suas pernas estavam dormentes. Olhos castanhos cheios de energia brilhavam em sua direção e ela se sentiu um pouco mais desperta. "Que horas são?" Ela quase perguntou 'onde estou', mas conseguiu se refrear e tentou descruzar as próprias pernas.

"São sete e meia, nós temos que providenciar o voo de volta para Beth." Respondeu a cantora em voz baixa, correndo os dedos pelos cabelos loiros e prendendo-os atrás das orelhas da assistente social.

Quinn olhou para baixo e encontrou Beth dormindo com a cabeça escorada em sua coxa. Seu pescoço estalou em protesto ao movimento e ela percebeu que havia dormido sentada. "Minhas costas doem..." Ela murmurou, sem verdadeiramente registrar o que Rachel havia acabado de dizer e esfregou os olhos em uma tentativa de clarear sua visão um pouco mais.

Uma mão quente envolveu sua nuca e massageou com firmeza desfazendo alguns nós que encontrou ali. "Eu imagino, você pegou no sono em uma posição incrivelmente desconfortável." A mão de Rachel desceu para o seu ombro esquerdo e seu polegar girou contra a pele exposta, fazendo algo estalar e proporcionando um alivio imediato para a loira.

"Se eu levantar agora, você pode continuar fazendo isso?" Perguntou Quinn, ainda sonolenta e encarando sua noiva com olhos levemente nublados.

"Massagem?" A assistente social fez que sim com a cabeça cuidadosamente. "Humm... Podemos negociar..." Ela disse com um sorriso, plantando um beijo nos cabelos bagunçados.

"Mmmok..." Seus olhos caíram novamente sobre Beth e ela deixou que seus dedos percorressem os cabelos loiros algumas vezes. Ela parecia tão tranquila e perfeita. Quinn não queria que ela fosse embora tão cedo. Seu coração doía ao pensar que depois de oito anos, tudo o que ela tivera fora uma noite. Uma noite não chegava nem perto de ser o suficiente.

Ela pegou um travesseiro que estava a sua frente e substituiu sua perna por ele sob a cabeça de sua filha com cuidado para não acordá-la.

"Eu vou estar na cozinha tentando organizar um café da manhã que possa ser apreciado por todas nós." Disse Rachel, apertando seu braço quando a loira sentou com as pernas para fora da cama.

Quinn olhou para sua noiva e de repente, sentiu uma vontade enorme de chorar. Ela não sabia exatamente qual era o motivo, mas toda aquela situação com Beth e o noivado e a exposição de seu relacionamento com Rachel para a mídia se tornou demais e seus olhos de ouro esverdeado se encheram de agua. "Rachel..." Ela murmurou, sua voz saindo rouca e carregada. "Espera, eu... Me abraça?" A morena arqueou as sobrancelhas em confusão e preocupação. "Por favor."

Rachel não respondeu, apenas se aproximou e sentou ao lado da loira, trazendo a cabeça dela para descansar contra seu peito e envolvendo seus braços em volta de seu tronco.

"Eu só preciso que você me segure por um minuto." Disse Quinn, engolindo as lagrimas, sem deixar que nenhuma escapasse e respirando profundamente, absorvendo o cheiro característico e inebriante de sua namorada.

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"Eu gosto muito de suco de maçã..." Comentou Beth, suas bochechas tingidas de cor de rosa ao se servir do terceiro copo.

Rachel sorriu por cima de sua xicara de café. "Quinn também." Ambas olharam para a loira mais velha que coincidentemente estava tomando um gole de suco. Quinn revirou os olhos com um sorriso brincando em seus lábios ao morder um pedaço de biscoito.

"Vocês acham que minha mãe vai brigar comigo quando eu chegar em casa?" Perguntou Beth repentinamente, largando o copo na mesa e cruzando as mãos sobre o colo.

Rachel e Quinn trocaram um olhar e a loira mordeu o lábio enquanto a morena respondia. "Eu não sei, querida. Mas eu vou ligar para ela assim que seu avião decolar e eu prometo que vou tentar explicar para ela os seus motivos."

Beth fez que sim com a cabeça, não era com a sua mãe que ela estava preocupada, Shelby nunca realmente a proibira de nada, mas seu padrasto era diferente, ele se irritava com muita facilidade.

"Mas não se preocupe, Beth, independente do que acontecer, nós sempre vamos estar aqui, Quinn e eu. Qualquer coisa, você sempre pode fugir novamente." Rachel sorriu e piscou. "Não que eu esteja querendo influenciar esse tipo de conduta, é claro."

"Se eu fosse ela, eu brigaria com você." Murmurou Quinn. "Eu ficaria tão preocupada e assustada e com tanta raiva. O que você fez não foi certo, mesmo que eu fique feliz que você tenha vindo até nós." Beth dirigiu seus olhos verdes para sua mãe em surpresa, Rachel fez o mesmo. "Todo o tipo de coisa ruim poderia ter acontecido no caminho, Beth, você veio de ônibus, isso são dez horas. Dez horas longe de um adulto e de qualquer tipo de proteção, você não faz ideia do tipo de coisa que eu já vi durante o meu trabalho, eu fiquei tão preocupada quando Shelby ligou! Ela deve ter entrado em pânico." Ela respirou fundo. "O mundo é um lugar perigoso, filha." Ela sorriu ao usar a palavra para se referir a Beth, mas logo ficou seria novamente. "Rachel está errada, você não pode fugir novamente, Beth. Prometa para mim que você nunca mais vai fazer isso."

A morena apertou os lábios, sentindo-se culpada pelo que havia acabado de falar, ela não havia pensado nos perigos de uma viagem interestadual para uma criança de 10 anos.

Beth abaixou os olhos, mas concordou com a cabeça. "Eu fui muito irresponsável, né?" Ela espiou Quinn meio de lado, com medo de encara-la completamente, ela não estava esperando por esse sermão.

"Foi." Concordou a loira, permitindo que sua expressão se suavizasse um pouco.

"Desculpa e eu prometo." Disse ela, levantando os olhos.

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A despedida no aeroporto foi a parte mais difícil, Quinn abraçou sua filha pelo que pareceu uma eternidade e um piscar de olhos ao mesmo tempo. Haviam tantos assuntos que ainda deveriam ser abordados entre elas, tantas duvidas e perguntas e era tão difícil deixa-la partir. Rachel segurou sua mão enquanto a pequena loira caminhava pelo túnel de embarque, olhando para trás algumas vezes e acenando para as duas mulheres.

Algumas pessoas passavam por elas e reconheciam Rachel e apontavam e algumas até se aproximaram para pedir fotos e autógrafos, mas a morena se desculpou e disse que aquele não era um bom momento. Ela apertou a mão de Quinn com força e beijou sua bochecha demoradamente antes de puxa-la para longe do tumulto.

Uma vez dentro do carro, Rachel pescou seu celular dentro da bolsa e ligou para Shelby, entrelaçando seus dedos aos de Quinn por cima do volante e fazendo o aperto da loira se afrouxar um pouco enquanto ela dirigia em direção ao restaurante aonde elas iriam almoçar.

A conversa com Shelby foi mais tranquila do que Rachel esperava, sua mãe biológica se mostrou incrivelmente compreensiva e explicou que ela e seu marido havia discutido durante a noite e decidido que já não fazia mais sentido manter Beth afastada de Quinn e NY. Porém, a menina seria castigada por ter fugido assim que pisasse em Ohio, ela não poderia ir viajar com o time de vôlei para a cidade e ficaria em 'prisão domiciliar' por uma semana.

Rachel explicou para ela a proposta que tinha para que Beth conhecesse Noah e Shelby prometeu que iria considerar a possibilidade, mesmo que não gostasse da ideia de sua filha faltando ao colégio.

"Ela vai voltar." Murmurou a morena, passando o polegar pela região tensa da testa de sua noiva e fazendo as rugas de preocupação desaparecerem.

"Eu sei, só não queria que ela tivesse ido embora tão cedo." Respondeu a loira, sem tirar os olhos da estrada.

Elas chegaram ao restaurante e milagrosamente conseguiram uma vaga para estacionar. As duas caminharam lado a lado, mas não de mãos dadas, atraindo olhares mesmo assim, a nota que revelava à imprensa sobre o relacionamento delas havia sido publicada naquela manhã e aparentemente, os efeitos dela já estavam aparecendo. A garçonete de sempre as recebeu e estava prestes a encaminhá-las para a mesa habitual quando uma voz familiar chamou pelo nome da loira.

Quinn se virou e sorriu ao se deparar com Kurt e Dave sentados em uma mesa de canto. Seu amigo se levantou e a envolveu em um abraço.

"Eu ia te ligar, Santana me contou sobre Beth." Ela enterrou o rosto na manta amarela e macia que ele usava e se deixou abraçar. "Como foi?"

Quinn se afastou um pouco e sorriu para ele. "Ela é perfeita. Ela já foi embora e eu sinto saudades."

Rachel sentou de frente para Dave, cumprimentando-o e observando a interação de sua noiva com Kurt. Era estranho ver o quanto os dois haviam se tornado próximos depois do ensino médio. Kurt sempre fora um de seus melhores amigos durante o colégio, mas então tudo se perdeu e ela sentia um pouco de ciúmes ao ver os dois juntos, não conseguindo evitar pensar que poderia ser ela no lugar de Quinn.

Mas era idiota sentir ciúmes, Kurt era seu amigo também e não haviam preferidos, ela só precisaria se esforçar um pouco para restituir os laços que acabaram se perdendo no decorrer dos anos.

"E vocês? Muito nervosas com a estreia do show hoje a noite?" Perguntou Dave no meio do almoço.

"Não..." Respondeu Rachel, limpando a boca com um guardanapo. "Acho que estamos preparadas, não é, amor?" Ela apertou a perna da loira por debaixo da mesa.

"É, nós tivemos mais de um mês para nos preparar." Quinn sorriu, seus olhos ainda pareciam tristes por causa de Beth, mas ela já estava começando a voltar ao normal.

O almoço decorreu normalmente até que Kurt percebeu o anel de noivado no dedo de Quinn. Era obvio que ele perceberia, Rachel ficou surpresa que ele tivesse demorado tanto. Ele teve um pequeno ataque histérico ao ouvir a historia do pedido e se convidou para ser um dos padrinhos. Dave riu e chacoalhou a cabeça, beijando as costas da mão de seu marido.

Depois do almoço, cada uma seguiu o seu caminho e só se encontraram novamente a noite. Elas sentaram em frente a TV e esperaram pela estreia de American Idol. Rachel deveria estar em LA para a estreia, mas conseguiu uma liberação justamente por causa da parte do programa que mostrava Quinn e seu aniversario. A Fox achava que se ela estivesse presente na estreia, a imprensa se direcionaria somente a ela e acabaria deixando o show em si de lado, bem como seus participantes.

Elas haviam visto o vídeo antes e sabiam em que momento ele apareceria, mas ainda assim, foi diferente. Era real e definitivo, milhões de pessoas estariam assistindo e descobrindo que Rachel Berry era gay, muitas das famílias atendidas por Quinn teriam a mesma reação que os fãs de Rachel e ao mesmo tempo em que elas estavam felizes por não precisarem mais se esconder, elas sentiram medo. Nossas escolhas sempre alteram o rumo de nossas vidas e a escolha de permitir que o público soubesse sobre o relacionamento delas era definitivamente impactante.

Quinn podia sentir o corpo de sua noiva tencionar contra o seu e acabou apertando a morena contra si em um gesto protetor.

"Nada vai mudar, Rachel." Ela murmurou pressionando os lábios delicadamente contra a nuca da cantora. "Eu te amo e isso não vai mudar."

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Noite seguinte, Sexta Feira.

"Como foi o seu dia?" Quinn perguntou, abrindo um braço e convidando Rachel a sentar ao seu lado. A morena tirou os sapatos e o casaco antes de se acomodar contra o corpo da assistente social, suspirando contentemente quando dedos gentis começaram a correr por seus cabelos.

"Exaustivo, tive que lidar com a imprensa e Meg não está conseguindo dar conta do telefone. Natasha pediu demissão por que aparentemente, a pressão de trabalhar nesse ramo é grande demais e Vivian quase teve um colapso nervoso por que teve que fazer todo o trabalho sozinha." Ela enterrou o rosto no pescoço da loira e inspirou profundamente, o cheiro do sabonete de narcisos que Quinn usava era reconfortante. "E o seu?" Ela perguntou, olhando para cima.

Quinn apertou o braço envolta de Rachel e suspirou também. "Terrível, não consegui fazer nem metade dos atendimentos por que tive que me explicar para os meus superiores. Sem contar o numero de famílias que ligaram para o escritório pedindo se era mesmo verdade." Ela mordeu o lábio e desviou os olhos. "Até agora ninguém pediu suspensão do atendimento, mas não duvido que isso aconteça em breve."

"Eu sinto muito..." Começou a cantora, se encolhendo ainda mais.

"Não. Você não precisa se desculpar, amor. Ninguém disse que isso seria fácil e nós já havíamos conversado sobre as consequências..." Quinn falou calmamente, parando sua mão na cintura da diva.

"Eu sei, Quinn, mas ainda assim, não consigo superar a ideia de que o nosso relacionamento pode arruinar a sua carreira e o seu trabalho é tão importante..."

"Não vai. Não se preocupe comigo, Rach. Você já tem coisas demais com o que lidar, está bem?" Quinn olhou para baixo, encontrando os olhos castanhos com os seus.

"Mas..." Rachel começou de novo.

"Prometa pra mim que não vamos mais discutir sobre isso." Quinn a interrompeu, enterrando seus dedos na pele macia de sua cintura.

Rachel suspirou pesarosamente e concordou minimamente com a cabeça. "Está bem."

Quinn lhe ofereceu um sorriso que ela não conseguiu não retribuir. "Então, o que você vai querer jantar hoje."

"Hummmm..." A morena fechou os olhos e enterrou o rosto em seu peito mais uma vez. "Não sei... Será que a gente pode só ficar assim um pouquinho?" Sua boca roçava contra a clavícula da loira que sentia pequenos arrepios percorrerem seu corpo.

"Mhum." Ela respondeu, pressionando os lábios contra os cabelos escuros e relaxando totalmente. Seus dedos brincavam com as pontas dos cabelos da diva e cílios longos faziam cocegas em seu pescoço toda a vez que a morena piscava.

A sensação de estar ao lado de Rachel e apenas existir era a sua favorita. Em momentos como aquele, Quinn tinha certeza que estava fazendo a coisa certa. Ela se sentia tão completa e verdadeira consigo mesma.

A loira abaixou um pouco a cabeça e beijou os lábios cor de rosa da cantora. Rachel suspirou e levantou o queixo, pressionando-se com mais firmeza e retribuindo o beijo. Mesmo que seus dias fossem ruins, tudo valia a pena. Elas continuaram trocando beijos despreocupados e suaves até que a campainha tocou, fazendo com que ambas congelassem.

Rachel se afastou e lambeu os lábios, provando o gosto artificial de cereja da bala que Quinn tinha comido antes que ela chegasse em casa. "Quem será que é?"

Ela havia dado ordens expressas para que Joseph, o porteiro, não deixasse ninguém subir sem ser anunciado pelo interfone antes.

"Você acha que algum dos paparazzi conseguiu enganar o porteiro?" Perguntou Quinn, se endireitando no sofá e olhando para a porta por cima do ombro da morena, a campainha tocava de novo e Jessie entrou correndo e latindo na sala.

"Eu não sei..." Rachel se levantou e passou uma mão pelo cabelo antes de ajeitar seu suéter, tentando parecer um pouco mais apresentável antes de se dirigir a porta, a campainha tocava freneticamente e ela gritou um 'já vai' enquanto girava a chave.

"Rachel Barbara Berry, olha só você, ainda está viva!" Rachel arregalou os olhos quando a voz familiar de Jesse St. James atingiu seus ouvidos e a imagem dele parado a porta de seu apartamento encobriu sua visão. "Acho que isso significa que você só esqueceu de minha existência mesmo. Devo ressaltar aqui a sua excelência em desempenhar o papel de melhor amiga, bravo!" Ele bateu palmas cinicamente e se desencostou do marco da porta, parando diretamente na frente de sua amiga e fazendo-a levantar os olhos para encara-lo.

Quinn se levantou ao ver que Rachel parecia congelada em frente a alguém e se aproximou cautelosamente por trás, pegando Jessie no colo no caminho. "Quem é?... Jesse St. James. Oi."

"Quinn Fabray, deslumbrante como sempre." Ele disse secamente com um sorriso sarcástico plantado no rosto, o pequeno Beagle se contorceu nos braços da loira ao reconhecer Jesse. "Admito que vê-la aqui não chega nem perto de ser um prazer. Na realidade, acho que pode ser considerado um sinal de que o apocalipse finalmente se aproxima."

Rachel fechou a cara e finalmente conseguiu falar. "Jesse..." Mas então o homem alto reparou em seu cachorro e entrou no apartamento, ignorando sua amiga e tirando Jessie dos braços de Quinn.

"Jessie! Pelo menos alguém aqui ainda me ama." Disse ele, acariciando as costas do cachorro que lambia seu nariz e latia em felicidade.

Rachel revirou os olhos para Quinn e fechou a porta. "O que você está fazendo aqui?" Ela perguntou, cruzando os braços. Não que ela não estivesse feliz em ver Jesse, mas seu amigo sabia ser irritante e no momento, ela não tinha paciência para lidar com o jeito dele.

"Meu contrato em 'A Bela e a Fera' vence em seis meses, o final da turnê sempre é em NY, então, eu estou de volta por tempo indefinido." Ele sentou no sofá, no lugar que Quinn ocupava antes e fez uma careta para Rachel. "Faz um mês que eu venho tentando te ligar, mas por algum motivo, você não atende. Eu acho que finalmente aconteceu e você me trocou por essa aí..." Ele gesticula com a cabeça em direção a Quinn.

A loira aperta os lábios, prestes a responder algo igualmente grosseiro quando Rachel põe uma mão em seu braço.

"Meu celular caiu em uma poça de liquido amniótico e eu fui forçada a mudar de numero. O aparelho obviamente parou de funcionar e perdi todos os meus contatos, sem contar que você tem o telefone da Meg, podia ter ligado para ela perguntando por mim."

"Teoricamente eu sou o seu melhor amigo, Rachel. Eu não deveria ter que ligar para a sua assistente para saber noticias suas e muito menos descobrir sobre a sua linda saída do armário através de um programa de TV!" Exclama ele, ainda com a mesma cara cínica e inalterável, por um momento, Quinn lembrou da expressão no rosto de seu pai quando havia descoberto sobre sua gravidez, mas chacoalhou a cabeça, se livrando do pensamento.

Rachel suspirou e massageou a testa com a ponta dos dedos. "Eu sei, eu devia ter te avisado antes, desculpe, é só que tudo aconteceu tão de repente..." Ela sentou ao lado dele no sofá e puxou Quinn para o seu colo, descansando a bochecha contra suas costas e abraçando sua cintura.

"Há quanto tempo vocês estão juntas?" ele perguntou, soando mais calmo e acariciando as orelhas de Jessie.

Rachel fechou os olhos antes de responder, já antecipando mais uma pequena tempestade. "Desde outubro..."

"CINCO MESES?" Exclamou ele, assustando Jessie e fazendo o cachorrinho pular para o chão. "Cinco meses e você nem se dignou a me contar?" Ele olhou para ela com o olhar mais dramático possível. "Se você fosse qualquer outra pessoa, eu já teria ido embora agora, Rachel."

"Por favor..." Murmurou Quinn sarcasticamente.

Jesse apertou os olhos na direção dela. "A conversa não chegou até você, loira."

"Jesse! Não seja grosseiro com ela!" Exclamou Rachel, afastando o rosto das costas de Quinn e olhando diretamente nos olhos de seu amigo.

"Mas ela pode ser grossa comigo?" Ele perguntou indignado, levando uma mão ao peito.

Rachel exalou com força pelo nariz. "Olha Jesse, desculpa por não ter te falado antes, eu errei, eu estou feliz que você esteja de volta, eu sei que você está bravo, na verdade, você tem todo o direito de estar, só não desconte sua frustração na gente agora, por favor, nosso dia já foi estressante o suficiente. Daqui a uma semana eu deixo você ter outro ataque, bem mais dramático, você pode até me dar um tapa se quiser, mas agora não, está bem?"

Ele apertou os lábios, considerando o que ela tinha acabado de falar. "Vou poder me revoltar daqui a uma semana?"

"Sim, vai sim." Ela lhe ofereceu um pequeno sorriso e Quinn arqueou as sobrancelhas, olhando por cima do ombro para ver a reação de Jesse.

"Ok." Disse ele, sorrindo abertamente. "Nesse caso, eu senti saudades..."

Rachel relaxou e voltou a se inclinar para frente, mais uma vez encostando o rosto nas costas de Quinn e a abraçando com mais firmeza. "Pode ter certeza que o sentimento é reciproco, Jess... E então, quais são os seus planos para o futuro? Você vai ficar por aqui?" Ela perguntou, pensando com um pouco de tristeza que o retorno de Jesse significava que Jessie iria embora. Ela havia se apegado ao cachorrinho depois de tanto tempo... Ela e Quinn teriam que providenciar um novo animal de estimação o quanto antes.

"Por mais que eu ame fazer parte da turnê mundial, New York é o meu lar e eu pretendo me estabelecer por aqui novamente. Na verdade, já arrumei até um apartamento, fica aqui perto na verdade, apenas algumas quadras de distancia." Ele cruzou as pernas e passou uma mão pelos cabelos cuidadosamente bagunçados. "Essa semana eu venho buscar o Jessie." Ele sorriu e estalou os dedos, fazendo o beagle trotar em sua direção e sentar aos seus pés.

Quinn mordeu o lábio ao ouvir isso, ela também havia se apegado ao cachorrinho.

Rachel fez que sim com a cabeça e Jesse continuou falando. "Vou fazer audições agora, meu promotor entrou em contato com alguns shows que mostraram interesse em meu talento... Eu até te convidaria para se juntar a mim na busca pelo papel perfeito, seria adorável se pudéssemos trabalhar juntos no palco, mas vejo que você se rendeu aos confortos de uma carreira televisiva" Finalizou ele, fazendo um gesto com a mão que abrangia as duas mulheres e ilustrava o abraço em que elas se encontravam. "e sucumbiu ao clichê que é ter uma namorada loira em seus braços, literalmente."

"Noiva na verdade..." Sorriu Rachel, beijando o ombro da loira.

Jessie se endireitou e bateu uma mão contra a outra exasperadamente. "Maravilha! Fica melhor a cada segundo!"

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Notas finais
Beth vai voltar, não se preocupem.
Gostaram do Jesse?
Proximo capitulo vai ser a side brittana que eu havia prometido, acho que ela cabe na historia e já está meio escrita, então...
Bem, só mais 3 ou 4 capitulos para o final dessa etapa da historia!
Comentem!
Abraços.