Novo amor - Fanfic Harry Potter (atualizando)
7 capítulo 7: Romance, Amizade ou Ilusão?
Notas iniciais

— Ele segurou sua mão? Em que momento? — Lucy não acreditou. Na verdade, nem eu estava acreditando até aquele instante.
— Sim. E eu quase desmoronei. Não sei como consegui permanecer ao lado dele o resto da aula. Acho que meu rosto deve ter derretido e voltado ao seu estado normal em menos de cinco segundos.
— Esse Harry é esperto. Achei que ele fosse tímido. Não, eu jurava que ele fosse. E também imaginei que as coisas fossem mais difíceis pra você! Quer dizer, parece que está atraindo ele mesmo tendo um colapso todas as vezes em que o vê.
— Eu também. Acho que ele é, sabe. Talvez ele tenha se sentido bem perto de mim. Por que não? Sou uma completa estranha, mas que compreende a situação deles e não os julga como os demais estão fazendo neste exato momento.
— Tá se achando demais, hein? Mas eu admito: tá indo mesmo muito rápido. Parece que o seu plano sem planos está dando certo.
— Não é bem assim... Susan. Talvez seja coisa de momento, sabe? Ele gosta da Cho e isso não muda de uma hora pra outra.
— Gosta nada, deve ter pena dela. — Lucy cochichou. — Ela deve estar odiando ele agora por causa do tal Cedrico e ele deve ter esquecido dela assim que vocês se viram pela primeira vez.
— Não, ele gosta dela. Mas acho que tem medo de assumir por causa do que aconteceu e está deixando a poeira baixar. Enfim... eu espero que consiga mudar isso.
— Ué. Não era você que disse ter só "admiração" por Harry? Que não queria ter nada com ele além disso?
— Agora eu estou aqui – confessei com segurança. — É diferente. Vou fazer ser diferente. Você me entende.
— Sei... bom, aula de defesa. Vamos?
— Umbridge?
— Sim. — Lucy lembrou. — Aquela sapa velha mesmo!
Lucy e eu sentamos juntas na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Vi Draco entrar e dar uma piscadela com um dos olhos, não soube dizer se era para Lucy ou eu, mas sabia que Draco era galanteador e aparentemente isso não importava. Harry sentou-se à nossa frente com Rony.
— Isso não é comum. — Harry disse virando-se para nós.
— O que? — Perguntei, percebendo o quanto eu ficava feliz ao vê-lo se aproximar e puxar conversa voluntariamente.
— Sonserina e Grifinória, amigos.
— Ah, nós somos mais do que nossas casas e suas rivalidades. Nós vamos semear a paz entre as casas esse ano e vamos representar a cumplicidade acima de qualquer outra característica. — Lucy afirmou confiante. — Queremos que todos sejam amigos.
— Impossível! — Rony exclamou. — Harry e Draco sempre serão opostos. São desde que se conheceram. Inimigos, sabe?
— Custa nada tentar. Aposto que gostaria de uma trégua, não é, Harry? — Perguntei. — Essa coisa de rivalidade está mais do que ultrapassada!
— Você não imagina como! — ele concordou e sorriu. — Seria espetacular.
— Ham, Ham. — Umbridge chamou-nos atenção, preenchendo a sala com sua presença horrenda. — Bom dia alunos, sejam bem-vindos à sua primeira aula de Defesa do ano...
*
Depois de todas as aulas pela manhã, combinei de almoçar com Lucy, na mesa da Sonserina. Isso não era proibido, porém não acontecia com muita frequência.
— Boa sorte com as cobras. — Hermione desejou assim que comentei o que faria.
— Leões não temem cobras. — Me defendi, mas não sabia se isso era verdade. Bom, pelo menos eu não temia Lucy.
Quando cheguei perto, muitos deles fizeram cara de reprovação, como se um leproso tivesse se aproximado.
— Sente-se aqui. — Draco chamou, para minha surpresa. O que ele queria comigo mesmo sabendo que eu pertencia à Grifinória?
— Estou esperando Susan.
— Sei, olha ela lá. — ele disse apontando para Lucy entrando no salão.
— Sentem-se aqui perto de mim. Pansy chega pra lá. — Draco ordenou, abrindo espaço para que eu e Lucy nos aproximássemos dele.
Pansy fez cara de brava e se afastou. Ótimo, eu não gostava muito dela mesmo.
— Desde o trem queria conversar com você. — Draco começou. — Pena ter ido para Grifinória.
Lucy fez cara de quem não entendeu a menção de Draco.
— A torre é sofisticada e aconchegante, os alunos são inteligentes e legais, estou gostando da minha casa. — Elogiei.
— Acho que se daria melhor conosco, como sua amiga. Só que talvez com maior visibilidade... — Draco não disfarçava seu interesse por mim. — Você parece ter nascido para chamar a atenção, senhorita Meirellez.
— Acho que realmente tenho qualidades o bastante pra entrar em qualquer uma delas. — Falei, tentando ter uma conversa no mínimo formal e confiante com Draco. Eu não queria me rebaixar perante ele, como costumava fazer com os outros normalmente.
— Certeza que sim. É sangue-puro, esperta, muito inteligente, pelo que pude ver, e linda. Claro que daria certo em qualquer lugar.
Percebi Lucy incomodar-se com tanto elogio. Por quê Draco estava sendo tão galante comigo?
— Como é seu quarto, Susan? — tentei mudar o rumo da conversa e me concentrar em minha amiga.
— Grande. Requintado, verde e luxuoso. — ela limitou a dizer.
— Onde fica a torre da sonserina?
— Nós ficamos nas masmorras. — Draco esclareceu. — Se pudesse te levaria lá para conhecer, veria que é um ambiente adequado para pessoas sofisticadas como nós.
— É, mas não pode. É proibido alunos de outras casas se enfiarem por lá. — Lucy exclamou um tanto irritada.
— As regras às vezes podem ser quebradas.
Draco ignorava a presença de Lucy e isso era péssimo! E pra completar, me cantava descaradamente na frente dela, o que eu sabia que causaria certa frustração em minha amiga e talvez ciúmes.
O almoço foi tortuoso. Não pelo fato de eu estar na mesa da Sonserina, mas por que Lucy estava visivelmente furiosa com toda aquela situação, e Draco conversava muito comigo dando-me completa prioridade, como se eu fosse amiga dele de tempos.
Depois do almoço pedi para Lucy que me acompanhasse numa volta pelo castelo, já que ainda não havíamos feito isso e havia muita coisa para descobrir.
— Parece que você e Draco se dão bem. — Lucy comentou triste, suspirando no momento em que pronunciou o nome do Malfoy.
— Não é culpa minha. Ele é que está dando em cima, insistentemente. Você sabe que eu jamais me interessaria por ele.
— Eu percebi. Mas eu não sei o que fazer para chamar a atenção dele como você fez. Aliás, como fez isso? O que disse para ele naquele dia?
— Nada demais, eu me esbarrei nele no trem e só. E ele foi gentil, aceitou meu pedido de desculpas e me convidou para me sentar com ele e seus amigos, o que é estranho. Não parece ser o Draco que tanto ouvimos falar, pelo menos ele me parece tranquilo.
— Mas o que eu faço pra ele se interessar por mim? Eu não sou boa com essas coisas... — Lucy resmungou, parando perto da entrada do castelo. — Eu sempre imaginei que seria fácil, sabe? Que ele se apaixonaria à primeira vista. O que devo fazer?
— Seja você mesma, ora. Tudo o que eu fiz até agora foi passar vergonha, não sei o que ele viu em mim. E você é uma legítima Sonserina, audaciosa e esperta o bastante para impressioná-lo. O que mais ele poderia querer?
— Sangue-puro, talvez.
— Não seja boba, Draco não sente cheiro de sangue puro ou mestiço. — elucidei. — Mas você poderia demonstrar menos interesse nele, talvez ele já tenha percebido e perdido o interesse, não acha?
—Como? Eu não demonstrei nenhum interesse em particular nele. A todo o momento ele está de olho em você! Precisava ver na aula de poções, fiquei até constrangida.
—Bem...Direi a ele que não tenha esperanças para comigo. — Prometi. — Enquanto isso, pense bem num bom plano para chamar a atenção dele. Estamos aqui para isso, não é?
— Sim, claro... vou pensar no que fazer, já que meu brilhante plano de nos apaixonarmos à primeira vista não deu certo. — Lucy debochou de si mesma e rimos. Ficamos na entrada do castelo boa parte da tarde conversando sobre os demais assuntos além de Draco Malfoy e Harry Potter. Parece que nosso mundo ultimamente girava em torno apenas deles e estar ali requeria atenção a muitos outros detalhes.
O jantar foi muito mais tranquilo. Apenas minha amiga e eu bem longe do Draco. Despedi-me de Lucy quando já não havia mais assunto e fui para a torre da Grifinória. Chegando lá ouvi parte de uma confusão entre Simas e Harry, parece que o fato do Lorde das Trevas ter retornado não convenceu muitas pessoas de imediato. Fui para o quarto, não queria meter-me em confusão logo no início, ainda mais sabendo que eu tomaria partido de Harry. Alguns minutos depois Hermione apareceu um tanto assustada.
— Você viu? — Mione dirigiu-se para mim.
— A briga? Sim. Parte dela, pelo menos.
— O que acha? Quer dizer, sobre Vold... sobre você sabe q...
— Voldemort? — Falei o nome dele sem perceber. Se os boatos forem verdades, se dizer o nome dele atrai mal agouro, então eu deveria tomar um pouco mais de cuidado. Mas ele não viria atrás de mim, não é? — Eu acredito que ele nunca tenha, de fato, morrido. A alma dele é tão obscura que a própria morte deve tê-lo rejeitado.
— Como pode ter tanta certeza? E você disse o nome dele.
— Eu sei, é perigoso, me perdoe. Enfim... acredito em Harry, em sua palavra. Não por que eu gost... quer dizer, não por que ele é da Grifinória, ou pelo que ele passou... Enfim, ele é um herói, certo? — tentei consertar meu deslize, mas falhei miseravelmente! Eu por vezes esquecia de que se tratava de Hermione ao meu lado ao invés de Lucy. Em tão pouco tempo eu conversava com ela como se soubesse de todos os meus segredos. Precisava ficar atenta!
Hermione riu de minha tentativa ridícula de me esquivar.
— Quanto mais tenta explicar, mais se enrola. — ela disse, sentando-se ao meu lado na cama.
— Eu não sou boa com explicações, sabe? Falo a primeira coisa que me vem à cabeça sem pensar duas vezes. As pessoas veem isso como ingenuidade, e elas estão corretas! Eu devia me calar.
—Claro, dois dias e eu já sei o que sente pelo Harry. — Hermione brincou. — Mas isso é sensacional!
—Eu não sei do que está falando, Hermione. — disse tentando fazer cara séria. — Eu não sinto nada além de admiração.
— Então ele tem uma admiradora que acredita nele. Muita gente não tem feito isso ultimamente, sabe? Harry está lá embaixo na sala comunal, acho que deveria dizer algo para ele.
— Hum...
— Olha, Harry é meu melhor amigo, mas depois que Cedrico morreu... enfim, as coisas estão ainda mais pesadas para ele. Costuma andar sozinho, se isolar, ficar quieto o tempo todo e quase foi expulso da escola por praticar feitiço fora. Acho que ele quer ficar só, mas, acho que ele está precisando mesmo é de apoio além do meu e de Rony.
— Eu não sei, Mione.
— Diga que acredita na história dele. Acho que ele gostaria de te ouvir.
— Mas Harry já tem muitos que acreditam nele, fora as garotas. Sei que Gina gosta dele, e provavelmente ela já tenha feito algo a respeito. E sei que a única pessoa que ele precisa que acredite nele é Cho... ele gosta dela.
— Cho? Desculpe-me, mas, acho que ela não será uma boa companhia para ele depois de tudo. Você sabe, Cedrico era namorado dela quando ele morreu e ela tem agido de forma estranha desde então. Mas sei que você faria uma diferença enorme! Diga que acredita nele. É o suficiente para hoje. Às vezes uma palavra amiga basta para fazer o dia de alguém melhor.
— Tudo bem. — me dei por vencida. Hermione sabia como convencer alguém. — Eu vou lá, apesar de não saber exatamente o que devo fazer.
Sai do quarto e desci as escadas devagar. Vi Harry sozinho, mexendo na lareira distraído. Aproximei-me sem fazer muito barulho.
— Dizem que se encararmos o fogo por muito tempo ficamos cegos.
— Então acho que terei de trocar meus óculos. — ele disse e sorriu. — Você me assustou.
— Esse era meu objetivo, apesar de não pensar muito e não imaginar que você poderia me atacar de repente. — brinquei.
—Bem capaz disso acontecer algum dia. — ele diz, sentando-se no sofá. — Tome cuidado.
— O que faz aqui tão tarde? — pergunto, me sentando ao seu lado um pouco nervosa.
— Estava pensando um pouco. Há algum tempo não consigo dormir em paz.
— Por causa dele? Voldemort? — de novo falando o maldito nome sem pensar.
Tapada! Ele está vivo neste momento!
— Você disse o nome. Muitos comentam que o chama como numa espécie de invocação.
— Eu até acredito nisso. — Comentei.
Porque sei que é verdade.
— Mas não tem medo?
Suspirei e me aconcheguei no encosto. Os olhos de Harry brilhavam intensos sob a luz da lareira e suas pupilas dilatavam-se aos poucos, de um jeito encantador.
— Tenho. Mas ele não está atrás de mim, não é? Não, ele definitivamente não perderia seu tempo comigo.
Harry encarou-me com severidade.
— Como sabe disso?
—Sei do que?
—Que ele está atrás... de mim! — ele confessou e eu entrei em alerta.
Boca fechada, Anne!
— Não é difícil entender. Eu acredito em você, o Ministério está sendo tolo.
— Mas ninguém acredita. — ele sibila, triste.
— Seus amigos acreditam, e isso é o suficiente para eu entender que é verdade.
— Mas eles não são suficientes para provar. — Harry se aproxima um pouco mais. — Acho que só acreditariam se eu o levasse até eles. Talvez nem isso. O ministério é tolo e frágil, provar que eles estão errados e correm perigo será difícil.
— Harry, você não precisará provar. Vold... você-sabe-quem não ficará escondido por muito tempo mais. Toda a verdade vem sempre à tona, e o bem sempre encontra um caminho para vencer o mal.
—Claro. — Ele sorriu – Eu gostaria de acreditar nisso um pouco mais. — Harry me encarou e um resquício de tristeza acometeu seus olhos.
—Eu sei que parece ingênuo da minha parte, mas eu realmente acredito nisso. Acho que morrerei acreditando porque é assim que o mundo se sustenta. Pessoas boas, com boas intenções, movendo o que chamamos de sociedade e não deixando o mundo ser aterrorizado pelos demais. Sempre foi assim, e vai continuar sendo graças a pessoas como você.
Harry segurou minhas mãos e olhou-me agradecido.
— Obrigado. Acho que nunca ouvi algo tão estimulante e delicado. — ele sussurrou e o seu toque me arrepiou da cabeça aos pés. — Mas o mundo tem sido muito mais cruel e as pessoas estúpidas. Lembre-se do que ouviu de Umbridge e da briga esta noite. É difícil acreditar e lutar quando tudo parece estar desmoronando e ninguém percebe.
— Eu sei, mas não se atente ao que os outros pensam. Não digo que apenas basta acreditar que tudo se encaminhará, por que é mentira. Mas lutar sempre, e você sabe fazer isso muito bem, pelo que ouvi.
— Tem razão. — Harry sorriu, satisfeito com meu elogio. — Eu sei fazer.
— Harry? — Rony interrompeu-nos. — Ah, desculpe. Pensei que estava só.
— Tudo bem Rony, já estava indo dormir. — Disse, soltando nossas mãos que ainda estavam entrelaçadas. — Boa noite meninos.
Subi as escadas sentindo uma sensação inacreditável e parei no fim dela a fim de ouvir alguma conversa entre os dois.
“Eu interrompi alguma coisa? — Rony perguntou."
“Não, quer dizer, talvez...”
E as vozes sumiram.
Fale com o autor