Novo amor - Fanfic Harry Potter (atualizando)
8 Capítulo 8: Cicatrizes e Merthiolate
Notas iniciais

— Então Harry pegou uma semana? — Perguntei para Hermione assim que a encontrei no salão comunal da Grifinória. Eu estava esperando por ela para me atualizar do ocorrido. Harry e Umbridge tiveram uma briga um tanto estranha na frente de todos os alunos. — Pelos deuses, ela vai acabar dando um castigo daqueles!
— Você não viu o que Umbridge fez com a mão dele? — ela perguntou, se surpreendendo com a minha repentina presença.
— Não. — me assombrei com sua resposta. — O que ela fez?
— Por que não olha você mesma? — ela respondeu encarando a porta.
Harry entrou na sala depois de mais um dia de detenção com Umbridge. Ele tinha a expressão triste e completamente exausta.
— Harry, o que há de errado? Deixe-me ver. — Fui até ele para olhar sua mão. Não pensei no quanto aquele gesto poderia ser intrometido de minha parte.
Harry escondeu por debaixo do pano de seu suéter e me encarou. Bufando logo após. Ele havia se metido em encrenca logo nos primeiros dias de aula. Parecia que sua reputação, afinal, era verdadeira.
— Não é nada. — ele me respondeu após um longo suspiro. — Nada que precise se preocupar.
— Se não é nada, não se importará que eu olhe, não é mesmo?
Ele bufou mais uma vez e desviou o olhar, incomodado. Aparentemente eu estava mesmo sendo invasiva, mas eu queria ver o que aquela cara de sapo estava aprontando com ele. Harry estendeu-me sua mão. A frase "não devo contar mentiras" ainda sangrava e sua pele estava em carne, pulsando.
— Por Deus, isso tá horrível! — exclamei assustada com a gravidade daquela situação.
— É mesmo? Achei até bonitinho. — ele tentou sorrir irônico, fingindo que aquilo não o incomodava. Mas era óbvio que não dera certo.
— Isso é tortura, por que voltou lá? — questionei. Que tipo de professor tinha o direito de fazer aquilo?
— Eu não tenho escolha, Liz. Ninguém acredita em mim, nada que eu faça agora vai melhorar isso. E o Dumbledore não fala comigo, caso esteja pensando também que eu deveria pedir ajuda à ele.
Professor Dumbledore só poderia estar de brincadeira! Então ele simplesmente iria deixar a vagabunda da Dolores tomar conta dos alunos e da escola desse jeito? Eu sabia que ela era uma megera, mas não enquanto ele estava presente. Devo dizer que estava decepcionada com este fato.
—Então vamos para a enfermaria cuidar disso, porque se uma mosca encostar nisso ai você vira ninho de varejeiras.
—Não. Por favor, não quero que ninguém mais veja isto. Chega de ter que dar explicações para quem não quer entender o meu lado.
— Certo, tudo bem. — Concordei, mas não poderia deixar aquele ferimento daquele jeito. — Venha Harry, eu tenho algo pra isso. — chamei, guiando-o até as escadas.
— Não posso subir até seu quarto. — ele esclareceu, corando logo após. Harry encarou as escadas e o fim do corredor lá em cima e suspirou.
— É proibido, Liz. — Mione esclareceu. — As escadas viram escorregadores se algum homem tocar seus pés nelas.
O quê? Por quê isso? No Brasil não era assim... se bem que nada no Brasil serve de exemplo para algo bom, mas pelo menos o fato de homens poderem ter acesso aos quartos femininos nunca deu problema.
— OK. — calei meus pensamentos sobre o meu verdadeiro país e consenti. — Espere então, já trago aqui.
Fui até o quarto e peguei um frasco com um remédio de trouxas — merthiolate — que servia para cicatrizar ferimentos e prevenir contra infecções e levei até Harry.
— Vai arder um pouco, é remédio de trouxas e demora um pouco pra fazer efeito. — Alertei.
Passei o remédio na mão de Harry, que não fez cara de dor. Ele ficou apenas lá, parado olhando para sua mão com tanto desgosto do que via que me senti péssima por ele.
— Como consegue? — perguntei em relação ao remédio. — Eu quase choro com ele toda vez que preciso usar.
— Já senti dores piores. — ele comentou sem qualquer expressão em seu rosto.
— Ah, é, claro. — Que ridícula que eu sou! Claro que isso não seria nada de relevante para ele. — Desculpe-me.
— Não precisa se desculpar. Fico feliz em saber que tem uma vida normal. — ele comentou e eu franzi a testa sem entender. — Como adolescente normal, que nunca sentiu nada de ruim, nenhuma ameaça maior ou que sofre punições exageradas e sem sentido. Quer dizer, sentir dores piores que essa, que este remédio traz. Não parece mesmo ser o seu tipo.
— Não entendi. — ele estava dizendo que eu era fresca?
— Você me parece frágil, sabe? Como uma boneca de porcelana.
Isso foi ofensivo.
— Talvez eu só não tenha tido a oportunidade de testar minha força e até onde ela realmente vai. — me defendi. Não queria que aquilo tomasse proporções de uma briga, mas também não me agradei nenhum pouco de seu ponto de vista sobre mim.
Afinal, ele nem me conhece!
— Espero que nunca precise. — Harry respondeu, aumentando um pouco o seu tom de voz. — Não é nada agradável viver correndo riscos de morte a todo tempo.
Mas que diabos! Como ele chegou a essa conclusão?
Não conseguia respondê-lo. Lembrei-me de quem estava à minha frente. Eu sabia que ele havia passado por muita coisa ruim e que muitas outras estavam por vir.
—Sinto muito por isso. — Suspirei e toquei em seu braço. Ele não merecia entrar em mais uma discussão com uma desconhecida estúpida como eu.
-Obrigado pelo remédio, não estava a fim de ir para a enfermaria. — ele agradeceu e deu um meio sorriso
— De nada. — Disse baixinho, encerrando o assunto.
— Eu te ofendi, não foi? Olha, não foi minha intenção.
— Não. — forcei meu olhar para outro ponto. — Talvez... bom, esquece. Boa noite.
Despedi-me de Harry sem conseguir encará-lo mais uma vez e fui para o meu quarto. Eu não achava que era fraca, nem que passava uma aparência frágil, mas Harry estava rodeado de pessoas fortes, capazes de defendê-lo e ameaçá-lo e eu não era uma delas. Como poderia provar que eu não era uma incapaz? Eu não sabia muito de defesa, isso era certo, mas sempre me achei esperta o suficiente para executar os exercícios das aulas, pelo menos. Apesar de que em Hogwarts, isso não fazia muita diferença entre tantos alunos excepcionais.
Inevitavelmente, passei a noite pensando nisso. Gina era uma mulher forte e que estava para provar para Harry o quanto era valiosa. Tinha várias coisas a seu favor além de estudar em Hogwarts nos piores anos da história, muitos irmãos fortes e bem vividos, pais que lutaram contra o ministério tomado por Voldemort, fora Hermione como amiga e Harry Potter como namorado. E eu? Eu era uma adolescente que vivia em São Paulo e estudava na Castelobruxo, nunca fez magia fora da lei, nunca fez nada que me colocasse em perigo, nunca me machuquei sequer nas aulas de Defesa. Quem eu seria perto de Gina? Eu não era ninguém, e certamente não seria tão boa quanto ela nem se eu quisesse.
Dei o frasco de Merthiolate para Hermione no dia seguinte para cuidar do ferimento de Harry. Ainda estava um pouco chateada, e pra falar a verdade, desmotivada. Quem eu queria enganar? Nunca seria nada para ele além de mais uma colega. Nunca seria notada por ele se não fosse um plano estúpido e minha intromissão em sua história.
A semana passou e eu e Lucy estávamos mais tristes e cabisbaixas do que nunca. Ela por não saber como chamar atenção de Malfoy, eu por causa de Harry. Não sabia ao certo o porquê, mas, achava que era melhor não ficar muito perto dele e deixá-lo cuidar de seu ferimento do jeito que bem entendesse.
Já Malfoy adorava me parar nos corredores nos intervalos para conversarmos. Ele era bem insistente e parecia que não estava adiantando a minha demonstração de desinteresse para com ele. Às vezes Lucy ficava com muita raiva e não falava comigo o resto do dia, mesmo eu provando continuamente que Malfoy não me interessava, o que me deixava um pouco solitária naquela imensidão de castelo.
Depois de alguns dias resolvi ir ver a cabana de Hagrid sozinha. Queria muito conhecê-lo já que não tive o prazer no primeiro dia, porém ele estava viajando e eu apenas fiquei observando a casa e a floresta atrás dela.
No final de semana, depois de achar que eu estava ficando invisível e pensando em como deveria usar esse super poder recém adquirido, Lucy resolveu falar comigo.
— O que acha de fazermos blusas para o jogo da Grifinória contra Sonserina?Já até sei como serão, vamos ficar combinando. — ela veio falando como se nada tivesse acontecido a semana inteira.
— Legal mas, os uniformes já servem pra isso, não é? — respondi, afinal nada tinha acontecido mesmo. Acho que só na minha cabeça.
— Não, eu tenho outra ideia. — Lucy disse, batendo os dedos de suas mãos uns contra os outros.
—Ah, não! Nada de me fazer uma blusa com o nome do Harry. — eu adverti.
—Como adivinhou? — ela perguntou, perplexa por eu acertar qual era sua intenção.
—Eu te conheço. — ela provavelmente queria mostrar para Malfoy em quem eu realmente estava interessada. Lucy era perversa quando queria. — Eu não seria tão descarada de usar isso.
-Certo, certo. — ela disse, rindo da minha reação. — Vou fazer uma diferente para você, depois te mostro.
— OK, vou confiar em você. — assenti. — Não sabia que costurava.
— Vou usar magia, ora. — esclareceu. — Agora, me ajude a escolher os melhores panos.
Passei a maioria parte do fim de semana ao lado de Lucy, ignorando a presença de quase todo mundo e ignorando Hogwarts. Aquela sensação falsa de nostalgia havia passado e o ano letivo mal havia começado. Aquele seria um ano longo para mim, tinha plena certeza disso.
Mas o que eu estava esperando? Um romance doce com Harry Potter em meio a essa confusão entre Umbridge, Ministério, Voldemort, Dumbledore e posteriormente Sirius? Eu só podia estar amplamente iludida quando aceitei vir para essa época, era óbvio que eu não passaria de uma mera aluna intrometida para ele.
No domingo, eu ainda estava acordada quando Hermione voltou de sua ronda.
— Anda trabalhando muito. — Chamei sua atenção assim que a avistei entrando no quarto. Pelo menos eu e Hermione Granger éramos amigas.
— Não sabe o quanto, Fred e Jorge estão dando trabalho com aqueles quites mata-aula. Eu os impedi de testar em alunos do primeiro ano há menos de dez minutos atrás... — ela confessou, rindo as palhaçadas dos gêmeos.
— Fred... ele é um cara incrível. — Disse lembrando-me do fato que Fred morreria dali a três anos. Tantos alunos ali partiriam, acho que deveria aproveitar a oportunidade e conhecê-los melhor antes de tudo.
— Quer dizer que já esqueceu Harry? — ela perguntou enquanto sentava-se ao meu lado na cama.
— Eu... Harry têm muitas pessoas. Eu não faço diferença.
— Eu não estou ouvindo isso. — Hermione se assustou com minha delcaração. — Está brincando não é?
A garota puxou-me para perto de si, colando nossos corpos para conversarmos um pouco mais baixo.
— Harry é mais solitário e tímido do que parece. Ele, às vezes, fica quieto e bravo, na dele, mas quase nunca procura ninguém. — Ela sussurrou.
— E o que tem? — Perguntei. Ele faz isso por que quer.
— Você não percebeu? É a única garota que tem coragem suficiente de falar com ele, tratando-o como um amigo, além de mim. Precisava ver no ano passado para convidar alguém pro baile de inverno. Quase ficou sem par. Para alguém famosos e rodeado de pessoas curiosas, Harry é bem na dele e não consegue seguir em frente com questões simples como essa. Ai esse ano você aparece, vocês se tratam como se conhecessem a muitos anos e a conversa flui de um jeiton extraordinário. Ele disse que não se sente envergonhado perto de você. Um pouco nervoso, mas gosta da sensação boa que você traz quando estão juntos.
— Sensação? — Como é? — Não pode estar falando sério, não é? Mas e Cho? Ele não é tipo louco por ela?
— Bom, é. Ela é bonita e Harry olha bastante pra ela, mas não tenho certeza se chega a gostar de verdade.
— Ele gosta dela. Eu sei disso. Eu vejo isso todas as vezes que o pego encarando-a.
— Talvez. Mas por favor, Cho quase nunca fala com ele. — Hermione implorou e olhou ao seu redor para ver se alguma garota estava acordada e ouvindo. — Você pode tentar. Não, você deve!
— Por que está tentando nos juntar? — Desconfiei.
— Me sinto mal por Harry não ser monitor e ficar só grande parte do tempo. Nós temos tentado dar o máximo de atenção para ele, mas às vezes é complicado ficar perto o tempo todo. Acho que você poderia tentar ao menos se reaproximar... sei que desde o episódio do remédio vocês mal se falam.
Hermione parecia sincera com o fato de querer ver-me com Harry. Pelo menos eu tinha alguém ao meu lado, e essa pessoa era a melhor amiga dele. Isso devia ser alguma coisa. Algo em mim talvez seja bom o suficiente para Harry Potter.
— Eu poderia. Obrigada, Mione.
Depois disso eu e Hermione ficamos conversando sobre livros. Ela parecia empolgada ao ver que eu me interessava bastante por eles, e que nossos gostos se encaixavam e nós estávamos muito mais próximas a cada papo furado jogado fora. Percebi que nesse pouco tempo eu e ela viramos boas amigas, sempre com ótimos assuntos inacabáveis.
A segunda feira chegou monótona. As aulas só não eram mais chatas do que na Castelobruxo porque tinha gente interessante nela.
— Já foi no corujal? — Lucy perguntou-me enquanto fingia que estudava o livro de história da magia – Ontem à noite Draco me mostrou onde fica.
— Draco? Então vocês conversaram?
— É, mais ou menos sabe. Foi só eu perguntar sobre quadribol e ele começou com as histórias do que ele fez no time até agora. Uma hora depois estávamos andando pelo castelo e ele mostrando-me seus lugares favoritos numa conversa bem legal. — Lucy parecia feliz.
— E...? — Claro que Lucy não deixaria aquilo passar sem tentar algo.
— E... vamos fazer um piquenique no fim de semana. — ela disse cheia de empolgação e eu não consegui segurar o riso.
— Você e Draco? Piquenique no final de semana? Desculpa Susan... mas essas coisas juntas na mesma frase parecem impossíveis. Nunca pensei que fosse escutar isso em toda minha vida.
— Por que não?
— Por que é romântico. Amiga, Draco não é romântico e você também não. No mínimo ele quer te impressionar pra te pegar.
— E se quiser? Eu também pego ele e estamos quites. — Lucy sorriu ainda mais largo com essa menção.
— Você não tá falando sério!
— Que tal você e Harry virem? — ela perguntou e eu quase engasguei com minha própria saliva. — Convide a ele.
— Tá maluca? Harry e Draco não se dão bem e não vai ser num piquenique que vão fazer as pazes.
— Eles ainda não se mataram, não vai ser neste piquenique perto da lagoa. Sei que eles poderiam tentar se dar bem, não precisam ser arqui-inimigos o tempo inteiro, não é?
Meu pai! Qual será o mundo que a Lucy vive?
— Tá certo... — apenas respondi, afastando meus pensamentos sobre os modos de Lucy enxergar a vida.
— Por favor Liz... Vai ser legal, vamos conosco. Viemos aqui para isso, e estaremos a um passo de realizar o que queremos.
Eu não sei mais se quero isso.
— O problema não sou eu, é ele. — confessei. — Harry é muito mais complicado de se conviver do que parece.
— Mas você o conhece e sei que ele está mexido por você. Sei que dará um jeito.
— Vou tentar. — Suspirei e me dei por vencida. O que eu estava sentindo no momento por Harry era muito complicado de se explicar.
— Prometa!
— Tudo bem. Mas tem mais de uma semana que não falo com ele e pode ser que ele me chame de louca quando ouvir tal proposta.
— Por quê está a tanto tempo sem falar com ele? Ah não, não pode fazer isso. Gina e Cho podem agir enquanto isso e nós não estamos aqui para perder.
— Se Harry gosta delas, eu não posso mudar isso. — bufei.
— Pode! Nós podemos mudar isso. É só esse ano, não fará diferença. Depois Gina conquista ele e vai estar tudo bem, esse ano nem pertence a ela mesmo. Mas agora é a sua hora, você precisa lutar contra elas e ganhar o coração dele como seu primeiro amor.
— Você acha mesmo que ele corresponderia? — questionei. — Ele é tão confuso...
— Só tem uma forma de saber, não é?
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