Notas iniciais
Ana conheceu Harry e Draco, e ambos encontros foram demais. Mas e aí, acha que ela deveria insistir em Harry? Boa Leitura. * CAPÍTULO EDITADO/ATUALIZADO

— Anne? – Lucy assustou-se com minha entrada repentina e afobada na cabine. — Onde estava? Parece nervosa. Aconteceu alguma coisa? 

— Eu estou bem... – Menti e suspirei, minhas mãos tremiam, e... pelos deuses, eu não imaginava que me sairia tão mal!

— Sério? O que foi? Você está tremendo outra vez! – Lucy observou.

— Eu o vi, Lucy. Harry, ele... estava lá esperando para comprar comida também. Eu estava atrás de Cho e quando ela saiu... — Minha voz falhou nesse instante.

— Quando Cho saiu...? – Lucy pigarreou. – Fala logo, criatura!

— ... Ele me encarou. Ele me viu! Ficou lá com os olhos em cima de mim, tão vidrados como quando estavam por ela. Ou será que foi impressão minha? Acho que estou enlouquecendo, juro para você.

— O quê? Ele fez isso? Harry não tirou os olhos de você? Que incrível! 

— Não. Não, não, não! É péssimo. Eu não queria chamar atenção dele. Nem fiz nada para isso acontecer. Não era pra ele me ver assim, entende? Eu não estou preparada para encarar isso, Lucy! 

— E por que não? Você é muito bonita, tem a pele dourada como o sol brasileiro, cabelos longos e brilhantes, olhos marcantes e super expressivos. Você é lindíssima, Aninha! Ele deve ter babado em você, ele é homem, entende? É o que homens fazem. Aposto que achou você incrivelmente bela.

— Não exagera. Hermione sim, ela é bonita. Eu sou comum, tão comum que desapareço na multidão. 

— Comum no Brasil, não é? Você é típica brasileira quente. Aqui você é diferente, logo acharão seu sangue latino sedutor. Já eu, posso até passar desapercebida por parecer com um monte de outras garotas. Já parou pra pensar que podem me confundir com irmã do Draco por causa da cor do meu cabelo?

— Não exagere. Você é tão linda quanto Gina e Hermione e as demais. – elogiei minha amiga, tentando me acalmar. — E ai? Viu Draco?

— Ah, ainda não. — Lucy falou um pouco decepcionada. 

— Sério? Eu vi. – confessei.

— O quê? Mentira...

— Não. É verdade. No meio do trem, estava tentando comprar doces e esbarrei nele depois daquela maluca da Gina cravar seus olhos em mim outra vez. Qual o problema dessa garota? Eu nem a conheço e já é a segunda vez que ela faz isso, e em tempos completamente diferentes.

— Ah não! Você teve muita sorte. E o que Draco disse? Foi mal-educado com você? 

— Até que não. Aceitou meu pedido de desculpas. 

— Sério? Não posso acreditar nisso! Pensei que ele tinha lhe dado um esporro por se esbarrar nas magníficas vestes esculpidas por elfos da floresta dele.

— Mas é verdade. – disse, rindo da menção de Lucy. — Enfim... muitas emoções pra pouco tempo, OK? Vou ficar aqui na cabine até a hora de chegarmos, pois meu coração não aguentará mais tantas emoções em tão pouco tempo. 

— Mas por quê? Você não pode ter medo do Harry. Foi por ele que você veio. É por ele que você vai brigar, não é?

— Eu sei, mas estou muito nervosa. Eu não quero me meter em confusão logo no trem. Gina, Malfoy, Rony, Hermione e Harry, todos de uma vez em tão pouco tempo me encarando é demais pra mim. Não, vou ficar aqui e arquitetar como devo agir diante deles a partir de agora. Não quero que Harry ache que sou maluca, nem me esconder dos olhares fulminantes de Gina.

Fiquei na cabine até a hora de sairmos do trem. Troquei minhas roupas pelo uniforme sem brasão, Lucy estava perambulando pelo trem ainda, provavelmente tentando ver Malfoy. Depois voltou e colocou seu uniforme, já com o brasão da Sonserina. 

— Mas você não foi escolhida ainda, sua maluca!

— Eu sei. Mas estou súper confiante que vou para Sonserina. Mas não se preocupe, vou esconder o brasão com uma capa preta. 

— E essa maquiagem verde? Seus olhos vão denunciar suas intenções. – Acusei, percebendo a cor brilhante em sua pálpebra.

— Verde combina comigo. – Lucy piscou e sorriu.

— Sei... 

— Acho que deveria se arrumar mais. Troque essas meias brancas por meia calça preta e essa saia cinza por uma preta também, acinturada. Ponha a capa, vai ficar mais misteriosa. 

— Pra quê tudo isso? 

— Para impressionar, claro. Não acha que deveria chamar a atenção de um modo positivo numa primeira impressão?

— Você se lembra que esse ano Umbridge estará lá, não é? – lembrei. — Daqui a pouco tempo aposto que ela vai proibir um monte de coisas.

— Ela não pode proibir de nos vestirmos bem. Não temos culpa se ela gosta de parecer uma boneca dos anos vinte com toda aquela roupa cor-de-rosa, cheia de lacinhos e frufru.

— Quero só ver. Aposto que vamos todos ter que nos vestir feito ela em pouco tempo e fingir ser gatos para ela não nos perturbar.

Eu e Lucy rimos dessa perspectiva e demoramos um pouco para arrumarmos. Quando demos conta, éramos umas das últimas a sair do trem, cheia de malas super pesadas. 

— Elas são as últimas. — Hermione disse para Rony. 

— Perdoe-nos pela demora. – pedi. — Temos muitas coisas e tivemos dificuldade de pegar tudo. Mudar de um país para o outro tão repentinamente é meio complicado.

— Tudo bem, mas os novatos já se foram no barco. Vocês terão de ir na carruagem conosco, pois Hagrid não sabia que vocês viriam.  

— Não tem problema. — Lucy disse. – Não queríamos mesmo nos juntar a crianças, sabe? É um pouco constrangedor nós duas tão velhas ingressando na escola agora.

Desci minha última mala e chequei minhas mãos. Estavam vermelhas por causa de tanto peso. Juntar coisas para duas épocas diferentes e carrega-las ao mesmo tempo não foi uma ideia muito boa.

— Harry, pode me ajudar a carregar um pouco das malas dessas moças? — Rony pediu, observando nossa dificuldade.  

— Ah, claro. – ele respondeu. 

Vi Harry aproximar-se e minhas mãos começarem a gelar e suar ao mesmo tempo.

Pelos deuses, quando esse nervosismo ia parar?

— Fica calma. Ele não pode ler seus pensamentos! — Lucy disse baixinho. — Rony, pode ajudar-me?

Rony pegou duas malas de Lucy sem grandes dificuldades.

— Olá. — Harry cumprimentou-me, sorrindo gentilmente. E eu permaneci calada e quase imóvel. — Como se chama? 

— Liz... – Minha voz falhou. – Perdão, Lizzandre Meirelles. – firmei, segurando sua mão forçando-a a não tremer.

— Sou Harry Potter. 

— Eu sei... 

— Claro, ultimamente parece que não preciso mais me apresentar. – ele brincou e eu sorri. — Posso pegar essa mala? — Harry perguntou e antes mesmo de eu responder pegou a mala para si. 

Fomos até ao local das carruagens. Enquanto colocávamos as bagagens nelas, Harry parou à sua frente, olhando atentamente não sei o quê. 

— É um Testrálio. Harry consegue vê-los. — Uma garota loira que lia uma revista de cabeça para baixo disse. 

— Você é Luna, certo? — Lucy perguntou. Tão exótica a garota que seria impossível não reconhece-la. 

— Sou. — Luna respondeu sem parecer importar-se com quem éramos. 
Neville, Gina, Harry, Hermione e Rony entraram na carruagem. Era a última, então teríamos que nos apertar por ali mesmo. Gina sentou-se perto de mim, o que me incomodou um pouco, mas eu não me permiti ser intimidada. Precisava entrar no meu personagem com total segurança. 

Luna tentava esclarecer que Harry não era louco por ver o animal que puxava o carro, porém, muitos duvidaram ela. Eu e Lucy ficamos quietas sobre isso, não queríamos tomar partido de Luna, mesmo sabendo que muitos a debochavam.

Chegando ao castelo, observamos o quão belo ele era e esperamos os alunos novos serem escolhidos para suas respectivas casas no salão comunal. Quando todos sentaram, eu e Lucy fomos chamadas para determinar para onde iríamos. 

— Essas são intercambistas da Espanha. Deem boas-vindas a elas. — Alvo Dumbledore anunciou e tamanho foi o arrepio na espinha ao imaginar ele descobrindo que nós não éramos quem eles pensavam. Ouvimos aplausos de todas as mesas. De onde estava, vi Draco aplaudir com entusiasmo. 

— Primeira aluna: Susan Barbaz. 

Lucy foi para frente cheia de si e sentou-se na cadeira, confiante. O brasão da Sonserina estava escondido por sua capa preta, caso não entrasse para a casa. 

O chapéu foi colocado sob ela, e em menos de cinco segundos ouvimos: "Sonserina!" Claro que ela tinha razão, parece que Lucy nasceu com a bunda virada para a lua de tanta sorte.

Ela levantou-se da cadeira com um pulo, puxou sua capa e deixou à mostra o brasão verde já colado lá. Os alunos da Sonserina aplaudiram-na orgulhosos. Sem dúvidas, Lucy era audaciosa o bastante pra ser um deles e esse gesto a faria ser acolhida como uma igual. Parece que ela pensou em tudo mesmo. 

— Aparentemente que a garota já sabia seu destino. — Alvo riu da atitude dela e a parabenizou. — Pois bem: Lizzandre Meirellez, venha até aqui.

Subi até ele, que me indicou a cadeira velha de madeira. Sentei nela, minhas mãos tremerem mais uma vez naquele dia, estava nervosa e ansiosa e apostando tudo naquele momento. 

Dumbledore colocou o chapéu Seletor em minha cabeça.

— Tantas opções para você. — Ouvi-o murmurar. – Lufa-lufa e Sonserina seriam muito boas para você. Tantas qualidades distintas! Ora, essa, isso não é tão comum...

Não! Não, não, não! – gritei em pensamento. – Por favor, não estrague. Por favor...

— Mas por outro lado, a Grifinória... Claro... Você já sabe o que quer, não é?

 Nem tive tempo de responder quando o chapéu gritou: Grifinória! 

Levantei da cadeira feliz. Todos da Grifinória aplaudiram. Quando retirei a capa, ainda na frente de todos e fazendo mistério, ouvi muitas gargalhadas no momento em que viram que, ao contrário da roupa de Lucy, por baixo não havia nenhum brasão. 

O clima de alegria estava ótimo, sentei perto de Fred e Jorge, ambos me desejaram um "bem-vinda" com muito entusiasmados. Tudo estava perfeito até aquela hora, até Dumbledore pedir a atenção dos alunos para falar sobre o Lorde Das Trevas. O silêncio apoderou-se do local. Os rostos ficaram tensos, as expressões paralisadas. Olhei para Harry, ele tinha o olhar longe, pensativo. Provavelmente lembrando-se de algo muito ruim, algo que eu daria qualquer coisa pra saber do que se tratava. Depois de Dumbledore apresentar os novos professores, Dolores Umbridge tomou a palavra. Sua voz era tão irritante, sua aparência rosada e fofa, que agonizava a todos ao mesmo tempo. Aqueles trajes cor-de-rosa e a cara de sapo murcho fizeram-me imaginá-la numa espécie de animago. Um animago que tentou se transformar de volta e parou no meio do caminho, por assim dizer.

Notas finais
Quero comentários sobre Ana e Lucy. Vocês podem interagir, pessoal. Eu não mordo e prometo responder todos comentários e pedidos. Beijos e até a próxima.