Notas iniciais
Um capítulo de presente pra quem tá morrendo de curiosidade sobre o que vai acontecer com Lucy e Ana em Hogwarts no ano de 2005 - talvez não possa postar amanhã, então decidi postar dois hoje. Boa Leitura.

O trem apitou anunciando que partiria. Eu e Lucy conseguimos voltar exatamente as dez e cinqüenta e cinco no dia primeiro de setembro de dois mil e cinco, do jeito que previmos.

Guardei o vira tempo, só que dessa vez muito mais seguro do que antes, pois não queria perguntas sobre o que eu fazia com um daqueles objetos raros. E, eu sabia que mesmo estando dez anos na frente – ou no meu tempo natural – encontraria pessoas conhecidas em Hogwarts. Professores, principalmente.

Sabia que Minerva era a nova diretora, e temi que ela reconhecesse eu e Lucy. Essa parte nós não pensamos direito, mas também não fizemos questão de nos preocuparmos de imediato.

Fomos pra exatamente o mesmo lugar no trem, a última cabine. Estava diferente, parecia nova e mais requintada, apesar de reconhecer ser o mesmo lugar com as mesmas características.

– Estou exausta Lucy. – disse, quase fechando os olhos por causa do sono. – Vamos ter que repetir a viagem toda outra vez. Deveríamos ter voltado um dia antes pra dormir pelo menos.

– Podemos dormir durante a viagem. Afinal, são nove anos que não dormimos. – Lucy riu da sua tentativa de piada.

Tranquei a porta da cabine afim de ninguém perturbar-nos durante o percurso. Tudo o que eu não queria naquele momento eram perguntas sobre quem éramos ou de onde vínhamos. Deixaria essas coisas pra depois, afinal tinha um longo e repetitivo ano pela frente.

Encostei minha cabeça em uma de minhas malas pra não sentir o tremor do trem enquanto dormia, e fechei os olhos. Caí no sono instantaneamente depois disso.

Sonhar com Harry foi inevitável. Havia apenas umas horas que eu o vi pela última vez, mas meu consciente sabia que nove anos se passaram. E ele estava completamente diferente agora, deixara de ser aquele garoto que vivia com os tios, e passou a ser o renomado Auror Potter – o menino que sobreviveu, passou a ser o homem que derrotou Voldemort. E eu tinha muito orgulho disso apesar de saber que eu não era mais que uma intrusa em sua vida.

E eu amava muito Harry, muito mesmo. O amor de uma fã virou então um amor verdadeiro, com uma história, com dias vividos, beijos e abraços. Eu fui o primeiro amor de Harry, apesar de não saber o que eu represento em sua vida nesse exato momento.

Quando o trem ia parando finalmente acordei, e percebi que eu e Lucy perdemos toda a viagem. Não tinha importância, tecnicamente era a segunda viagem do dia.

Pegamos toda a bagagem o mais depressa possível, e quando reparei em nossos uniformes, percebi que os brasões das casas ainda estavam lá.

– Acha que vamos pra mesma casa? – Lucy perguntou.

– Tomara que sim, porque meus brasões estão muito bem costurados.

– Boa sorte pra nós.

– Agora, tendo que refazer tudo isso, eu me sinto com uma preguiça imensa. É como se Hogwarts não tivesse mais graça pelo simples fato de Harry não estar lá. – confessei realmente me sentindo pra baixo.

– Bom, pelo menos esse ano vamos estudar pra valer. No último, eu tirei péssimas notas nos Nom’s, e eu nem precisei recebê-los pra saber, eu sei que fui mal.

– Draco não te deixava estudar? – perguntei em um tom malicioso.

– Digamos que não. – Lucy respondeu rindo. – Não é pelo que você está insinuando, OK?

– Sei...

Como da última vez perdemos o barco com os calouros. Ótimo, não queria me sentar com um bando de pirralhos de onze anos. Como se ter quinze fosse vantagem.

Pegamos uma carruagem, e fiquei feliz em saber que os testrálios ainda as puxavam. Viver a experiência de voar em um deles era algo pra se guardar na memória, mesmo não os vendo de fato.

Como da outra vez, chegamos bastante atrasadas, e as apresentações dos professores já haviam sido feitas. O castelo estava bastante diferente, as coisas eram relativamente novas, mas o espaço e a decoração pareciam o mesmo. Tudo o que faltava era a escolha da casa dos calouros e o jantar.

Esperamos, então, as crianças serem escolhidas por suas respectivas casas, pra depois sentarmos no banquinho. Na minha mente, quem iria pronunciar-nos seria Dumbledore, e imenso foi o aperto no peito quando percebi que ele não estava lá.

Mas algo muito mais intrigante me chamou a atenção. Aqueles cabelos louros platinados, e aqueles olhos claros só podiam ser dele mesmo: Draco Malfoy estava sentado na mesa, junto com outros professores olhando fixamente para nós, em especial para Lucy, que tentava se esconder atrás das crianças, em vão.

– O que ele faz aqui? – Lucy perguntou-me assustada.

– E eu vou saber? Acho que é professor. – respondi.

Minerva chamou-nos à frente, entregando nossas verdadeiras identidades, o que fez Malfoy ter certeza de quem éramos.

Lucy foi à frente, certificando-se que sua capa escondia seu brasão da Sonserina. Não queria passar vexame se entrasse em outra casa, e eu duvidei que ela realmente fosse pra outra. Draco estava lá, e eu tive mais certeza ainda que essa seria pra sempre sua casa – não importa o ano ou as circunstâncias.

Minerva pôs o chapéu em sua cabeça, e duvidei que ela não havia reparado uma semelhança em nós depois de momentos olhando bem pro rosto de Lucy.

Não passou um segundo sequer quando o chapéu gritou Sonserina.

Lucy levantou-se, parecendo querer cavar um buraco no chão e esconder-se, ainda mais depois dos aplausos de todos de sua casa.

Para animar minha amiga, e não pensando muito nas conseqüências daquilo, fui até ela e puxei sua capa, deixando o brasão da Sonserina que estava já colado em suas vestes à mostra. Lucy sorriu, e os alunos de sua casa aplaudiram ainda mais, pois Lucy parecia ainda mais confiante do que era depois desse gesto.

– Sua vez, senhoria Marie. – Minerva chamou.

Aconteceu o mesmo comigo. Um segundo se passou, e o chapéu gritou Grifinória, mas eu já não estava surpresa – na verdade, tudo o que eu queria fazer era comer, pois passara o dia inteiro dormindo.

Sentei-me perto de uma garota loira e um rapaz careca que se identificaram como Mirtes e Trevor. Segundos depois a comida apareceu aos montes, farta e deliciosa como sempre fora. Devorei quase tudo o que vi pela frente, sem me preocupar em ser uma dama, pois Harry já não estava ali pra me observar. Fora ele, eu não me preocupava com mais ninguém me julgando. Já Lucy parecia atordoada em meio aos sonserinos, e percebi certa fadiga, já que Draco não tentava sequer parecer discreto. Era óbvio que ele nunca a esqueceu, e eu achei isso tão fofo. Mesmo ele ali, dez anos depois que a conhecera, não tirava os olhos dela.

Depois do jantar, Lucy acompanhou-me até a entrada da torre da Grifinória, que era exatamente no mesmo lugar.

– O que eu faço? – perguntou desesperada.

– Nada. Espera pra ver o que ele vai dizer pra você.

– Mas, Ana, eu não estou preparada.

– Mas, Lucy – a situação parecia muito divertida pra mim. – você o viu e deu um beijo de despedida nele essa manhã.

– Exatamente. Me despedi, e era pra nunca mais vê-lo.

– Eu entendo. Mas fazer o que? Vai ver ele foi chamado pra ser professor e aceitou. E só. Não se preocupe, não tem nada de errado nisso. Trate-o como professor, e ta tudo certo.

– OK. – Lucy respondeu ainda nervosa.

– Senhoritas. – Um dos monitores nos chamou a atenção. – Precisam entrar na torre.

– Ela é da Sonserina. – respondi. – Até amanhã Lucy. – despedi-me de minha amiga e entrei na sala.

– Uma Sonserina e uma Grifinória amigas? Isso é raro. – disse o monitor.

Percebi o quanto ele era bonito quando entramos na sala comunal. Tinha os cabelos lisos e bem escuros – como os de Harry. – e seus olhos eram cor de mel. Ele era alto, pálido e tinha um belo sorriso.

– Somos amigas desde criança. – respondi.

– O que deixa a situação mais estranha ainda. – ele riu.

O monitor se identificou como Luke, e gentilmente pediu pra sua parceira me mostrar meu quarto. Desejou-me boa noite, e disse que as aulas começavam às oito horas – nada que eu não soubesse.

A decoração do quarto era mais bonita. O chão não era mais de madeira, mas de granito branco, o que conferiu um ar de suavidade. As camas eram mais finas, e as colchas, lençóis e cortinas de um vermelho mais vivo.

Depois de conhecer minhas colegas de quarto, todas fomos dormir. Todas, menos eu, porque eu já havia dormido o dia inteiro e não conseguia pegar no sono de jeito nenhum. Quando olhei a hora, pro meu desespero, já eram quatro da manhã.

– Ana? — Uma de minhas colegas acordou-me quando foi pegar um de seus livros que esqueceu em sua mala. – Já são quase oito da manhã, a aula vai começar daqui a pouco.

– Oh não. – resmunguei enquanto levantava-me e corria contra o tempo pra conseguir chegar na primeira aula.

– Qual é a primeira matéria? – perguntei.

– Defesa contra as artes das trevas, se o professor chegar a tempo.

– Ok, obrigada.

Vesti minhas vestes o mais depressa possível, escovei os dentes, coloquei os sapatos, procurei minha varinha e meu livro. Penteei o cabelo de qualquer jeito, e corri quando percebi o relógio apitar as oito da manhã.

Até o terceiro andar gastei cinco minutos, o que fazia de mim atrasada no primeiro dia – ótimo.

Abri a porta devagar, e tentei passar despercebida pelos alunos. A sala começava pelos fundos e ia até a frente onde ficava o quadro e o professor. Tentei abaixar-me, andar devagar e fazer o mínimo de barulho possível tentando chegar onde avistei Lucy, até um peste de um colega resolver me entregar.

– Aluna atrasada. – alguma voz do além disse.

“Droga” – pensei. Meu primeiro dia, e meu professor já me marcaria como a aluna atrasada.

Olhei para frente, já esperando uma bronca de quem quer que fosse. Mas tudo o que consegui ver era um par de olhos verdes por detrás de um óculos redondo me encarando, mais parecendo que viu um fantasma.

Era Harry meu novo professor de Defesa. E eu senti exatamente a mesma coisa que Lucy quando viu Draco: uma imensa vontade de abrir um buraco no chão e enfiar minha cabeça nela.

– Detenção, senhorita Ana. – Harry disse, e depois virou-se para o quadro. – Abram na página dez.

Notas finais
Detenção? Que romanticas palavras de Harry depois de nove anos sem ver Ana, hein? Será que ele a esqueceu? E Lucy e Malfoy? Não esqueçam de me fazer feliz, comentem. Beijos e até o próximo capítulo.