Novo amor - Fanfic Harry Potter (atualizando)
32 Capítulo 32: A Detenção.
Notas iniciais
A aula foi muito esquisita. Harry era um ótimo professor, isso sem dúvida nenhuma, mas ele era meu professor! Não como nas reuniões da Armada de Dumbledore, nem como fazíamos na torre de astronomia. Ele era realmente um professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, e eu me apavorei a cada minuto dentro daquela sala enquanto ele dava sua aula – aula ótima, por sinal.
Lucy ria toda a vez que Harry ia até o quadro pra escrever algo e dava as costas pros alunos. Imaginei que meu rosto deveria estar no mínimo muito pálido, pois minha colega de quarto, Mirtes, que estava em minha frente perguntou-me várias vezes se estava bem. E eu vinha sempre com a desculpa que era por causa do sono, e que estava um pouco tonta, pois tinha dormido a viagem de vinda toda e comido muito depois.
A aula estava acabando quando Harry pediu pra eu esperar até todos saírem, pois queria falar comigo.
– Lucy, eu não tô bem. – disse, enquanto enxugava minhas mãos, que estavam suadas e frias ao mesmo tempo.
– Calma. Têm medo de que? Ele não vai fazer nada de ruim com você. – Lucy ainda ria da situação.
– Não to com medo dele fazer algo contra mim. Tenho medo do que vai dizer. Passaram-se muitos anos, Lucy. Ele deve achar que eu o abandonei.
– Então diga a ele que você não fez isso. Lembre a ele o porquê de você deixá-lo. – Lucy sugeriu. – e isso me parece tão estranho. Quer dizer, pra nós é como se o tivéssemos visto na manhã de ontem.
– Essa parte a gente não pensou. Eu nunca ia imaginar que Harry seria meu professor. Eu vou ter que olhar pra ele todos os dias, vou ter que fazer deveres pra ele corrigir, provas. Lucy, eu vou pirar com isso!
– Boa sorte. – Lucy disse, ainda rindo. – Os alunos já saíram todos.
– Boa sorte? Preciso te lembra que Draco está aqui também? – lembrei a Lucy, quase gritando. Depois percebi a presença de Harry perto de nós.
Lucy saiu de fininho, sem nem sequer dizer nada depois disso. Eu tinha a esperança de ela não me deixar sozinha com ele ali, ainda mais depois de gritar uma coisa dessas.
– A minha sala fica no segundo andar, senhorita.- Harry disse. — A detenção é às oito horas, logo após o jantar. Não se atrase, ou terei que dar outra. Tenha um bom dia. – E saiu da sala.
– Mas o quê? – perguntei a mim mesma, não entendendo muito a situação. Então a história de detenção era real? Eu teria que ir até a sala dele ás oito da noite pra pagar por cinco minutos de atraso? Que absurdo!
– O que houve? – Lucy estava fora da sala me esperando.
– Parece que a sala dele é no segundo andar, e a detenção é às oito da noite. – disse perplexa.
– O quê? Como assim, detenção de verdade? Ou ele quer conversar com você a sós, e inventou essa desculpa?
– Eu realmente não sei. – respondi em dúvidas. — Ele parecia sem emoção, sabe? Chega a me dar arrepios, nem parece que é o mesmo Harry por quem me apaixonei.
– Acha que ele te esqueceu? Quer dizer, acha que ele não se lembra que você é a Ana, o primeiro amor dele?
– Ou talvez a nossa volta no tempo não existiu. – Questionei. A situação parecia realmente muito estranha. — Talvez ela foi apagada da memória das pessoas.
– Não. – Lucy respondeu. – acho que isso não é possível. Quer dizer, nós fomos, nós nos lembramos de tudo. E Harry já sabia o seu nome, como ele poderia sendo que era o primeiro dia de aula dele, e não conhecia o nome dos outros alunos?
Esse realmente era um fato a se pensar.
– Talvez ele queira conversar comigo a sós. – concluí.
As outras aulas do dia foram tranqüilas. Hagrid ainda era o professor de Trato das Criaturas Mágicas, e parecia que havia melhorado muito em suas aulas. Eu e Lucy resolvemos não chamar muita atenção, sempre ficando lá no fundo, atrás de pessoas altas e caladas o máximo que pudemos. Tivemos também aula de Herbologia — essa que trocou de professora -, Transfiguração, mas Minerva já havia reparado muito bem em nós. Runas Antigas, que mudou de professor também, e por última Adivinhação.
Reparei que não tivemos Poções, e eu só imaginava Draco dando aula sobre isso. Ele era muito bom, lembro bem, e não era porque o professor Snape o favoritava.
Na hora do almoço, todos os professores estavam à mesa. Sentei-me na Grifinória, como era costume, e Luke sentou-se ao meu lado, perguntando como foi o meu primeiro dia.
– Foi ótimo. – disse. – Eu adorei o professor Hagrid, a matéria de Transfiguração é incrível, e o levei detenção do professor Potter, por chegar cinco minutos atrasada na aula dele. – comentei, tentando parecer que não estava apavorada por isso.
– Detenção no primeiro dia de aula? Meus parabéns. – Luke riu. – eu espero que você não seja marcada como a atrasada por ele.
– Já fui. – respondi rindo da situação. De fora parecia realmente bem engraçado.
– E você já conheceu o castelo? Se não, eu posso te mostrar mais tarde.
– Seria ótimo. — menti, já que eu conhecia o castelo muito bem.
– Talvez depois da detenção. E antes de eu ter que botar todos os pirralhos de volta pra torre, senão eles ficam perdidos por aí.
– Pode ser. – aceitei sem pensar muito. Meus olhos estava mais concentrados na mesa dos professores. Harry conversava com Malfoy, e pareciam se dar muito bem. Os dois sorriam, e Malfoy olhava pra mesa da Sonserina, na direção de Lucy, eu tinha certeza.
Lucy olhava pra mim, o rosto vermelho de vergonha, depois olhava pra Draco por um segundo, tentando não parecer tão óbvia a sua aflição.
– Não é engraçado quando é com você, não é? – comentei mais pra mim mesma.
– O que disse? – Luke perguntou, sem entender muito.
– Eu... nada. Eu estava falando sozinha, quer dizer, como se tivesse falando com minha amiga na mesa da Sonserina. Mas é claro que ela não ouve.
– Vocês são muito amigas mesmo? Cuidado, a Sonserina pode acabar com a amizade de vocês.
– Duvido muito. – respondi, lembrando-me do que aconteceu nos últimos tempos.
Quando olhei de volta pra Lucy, e depois Draco, reparei que Harry encarava-me meio hipnotizado, meio distante. E eu daria qualquer coisa pra saber o que ele estava pensando.
A tarde inteira que se seguiu foi pra me preparar psicologicamente. Eu cheguei a conclusão que deixaria Harry dizer o que tivesse que dizer pra mim primeiro. E só falaria depois, quando soubesse exatamente o que ele sentia e o que pretendia fazer sobre isso.
No jantar, tudo o que consegui engolir foi um pouco de suco de abóbora. Meu estômago revirava-se até mesmo com a menor das migalhas em minha boca. Decidi guardar uma tortinha pra comer depois da conversa com Harry, pois era claro que esse era o motivo da minha falta de fome.
Fui até meu quarto, não havia ninguém por lá. Olhei no espelho e vi uma garota refletida nele.
“O que Harry viu nela?” – pensei. Eu nem era grande coisa. Não era tão bonita, nem tinha qualidades excepcionais. Não era alta, nem magra, nem tinha os cabelos lisos como a maioria aqui. Meus olhos não eram claros, minha pele não era branca. E eu não me sentia a melhor garota do mundo.
Mas tentei dar um jeito antes de ir à sala dele no segundo andar. Ás sete e cinqüenta e cinco eu já esperava por ele, pra não parecer que eu era mesmo a aluna atrasada.
Harry estava ainda mais bonito do que era quando adolescente. Sua aparência não era mais de um garoto pálido, estudante de Hogwarts que sempre era marcado por alguma confusão. Menino que não tinha uma família, emocionalmente frágil por isso, talvez. Ao contrário, ele era um homem. Os cabelos rebeldes não mudaram, e seus olhos permaneciam verdes e brilhosos como antes. E eu amava seu sorriso, parecia tão inocente. Mas seu corpo era de um homem já, e mesmo sem ainda tocá-lo, podia ver a diferença entre o antes e o agora.
– Entre, senhorita. – Harry pediu, quando me viu no corredor à espera por ele.
Entrei sem dizer uma palavra sequer. Sentei-me numa cadeira em frente a sua mesa e esperei ele sentar-se também.
– Cinco minutos atrasada, espero que não se repita. – Harry dizia, enquanto pegava uma folha de papel e uma pena pra mim.
– Me desculpe. – disse, sem entender bem a situação.
– Pois bem. Quero que escreva nessa folha duzentas vezes: tempo é crucial. Pode começar.
– Como é? – perguntei. Então Harry levava aquilo mesmo a sério?
– Tempo é crucial, Ana. Senhorita Ana. Quero que escreva isso.
Harry tinha uma frieza em seu olhar que me dava medo. E sempre que o encarava, ele me evitava.
– Você não pode... – protestei.
– Eu sou seu professor. Eu posso. Duzentas vezes, ou vou aumentar pra trezentas.
– Harry, como pode...? Eu não vou escrever nada! Você só pode estar de brincadeira.
– Trezentas vezes. Agora. – Harry ordenou, enquanto pegava um livro pra ler. Ele não conseguia mesmo me encarar, apenas mandava eu fazer.
Então era isso. Harry não queria conversar comigo, apenas me dar mesmo uma detenção por me atrasar em cinco minutos em sua aula. Como ele podia ser tão frio comigo depois de tudo?
Se Harry fazia questão de não falar comigo sobre nosso passado, eu também não ia fazer isso. Era melhor deixar ele em paz, afinal, fui eu quem o deixei há muito tempo atrás. A culpa de ele ser tão frio assim era exclusivamente minha.
Fale com o autor