Notas iniciais
Eu me derreti completamente escrevendo esse capítulo, imaginei a cena algumas vezes e se fosse descrever bem do jeito que queria, ficaria enorme. É completamente diferente do primeiro beijo do livro, visto que eu disse que mudaria a história em "A Ordem da Fênix". Espero que gostem, é meio meloso como quase tudo o que escrevo, mas é do jeito que eu gostaria que fosse. obs: Espectro eu tirei da série Once Upon a Time, que é a mesma coisa que um dementador CAPÍTULO EDITADO/ATUALIZADO Boa Leitura.


O piquenique foi agradável e até bem engraçado. Harry e Draco não se falaram, claro. Também não é como se os dois tivessem algum assunto em comum para tratar além de troca de acusações. Mas eles se ignoraram e focaram cada um no seu respectivo par.

Gostei da perspectiva de me ver como par de Harry. Ele havia se dado o trabalho de montar uma cesta de guloseimas para nós dois, e pela primeira vez na vida havia experimentado a tão famosa cerveja amanteigada. Harry me deu um pouco e ficou olhando minha reação. A minha surpresa veio quando percebi que havia álcool, quase engasguei com o gosto e cuspi um pouco depois disso. Foi um desastre e paguei um mico daqueles!

Mas no fim das contas a bebida era realmente saborosa. E ver Harry rindo uma tarde inteiro em meio às nossas palhaçadas foi incrível. Perceber o real brilho nos olhos dele, longe daquela névoa de preocupação, dor e tristeza era tão lindo. No fim das contas ele era apenas um adolescente cheio de energia como qualquer um, com sonhos e espírito livre.

Nossa tarde foi encantadora, eu diria. O sol se pondo atrás da lagoa parecia ainda mais mágico. A única coisa que me incomodou foi ver Lucy e Draco quase se beijarem mil vezes e ter que fazer barulho para lembrá-los que ambos haviam companhia.

O início da semana foi a melhor que eu tive em todos esse tempo aqui. Sentia meu coração aquecido e bem contente pela decisão que tomei junto à Lucy de estar aqui. Gostaria de poder confessar para Harry o quanto nosso tempo juntos me fez bem, mas ficar calada sobre isso. Afinal, um sentimento tão repentino confessado poderia assustá-lo, não é? E como dizer que, na verdade, não era tão repentino assim? Que sinto algo por ele mesmo antes de conhecê-lo? Não, eu deveria deixar as coisas acontecerem no ritmo dele. Atropelar seus sentimentos o faria recuar e me rejeitar, e eu definitivamente não queria isso.

Na terça-feira, Harry veio até mim me avisar que faríamos a primeira aula de DCAT naquela noite. Fiquei super empolgada por ele levar meu pedido a sério e dedicar um tempinho do seu dia para me ensinar algo. Depois do jantar, nos encontramos na porta de entrada do castelo e de lá seguimos para torre de astronomia.

— O que acha? – Harry perguntou-me quando chegamos à torre. Ela ficava um pouco afastada, mas não o suficiente para ficarmos totalmente escondidos de todo mundo.

— Escuro. — Notei. Minha visão não se acostumou com o breu do local. — Não tem luz?

— Lumos. Melhor não ligarmos as luzes pra não chamar atenção. — Harry avisou.

— Tudo bem. E como faremos isso? Quer dizer, para produzir um patrono nós não temos que sentir medo primeiro? Você vai me dar um susto?

— Não necessariamente, mas assim você conseguirá produzir a partir de um bicho papão. — ele esclareceu e eu estremeci. Nunca havia visto um bicho papão em toda a minha vida, nem mesmo nas aulas de DCAT no Brasil ou na casa de meus avós no meio de uma roça. — Um bem pequeno, mas ainda assim... ele pode se transformar.

— E você tem um bicho papão? — perguntei incrédula.

— Foi difícil pegar, mas sim. – Harry mostrou-me uma caixinha bem pequena. Bichos papões podem ter qualquer tamanho, aparentemente. – Quando eu abrir, o bicho vai transformar-se em algo que você tem medo. Na verdade, naquilo que você mais teme na vida. Mas eu estarei aqui e lembre-se, é apenas um bicho papão, não é real. Quando ele se formar, você aponta a varinha e grita Riddikulus, tudo bem?

— Achei que fosse Expecto Patronum.

— Começaremos por esse outro por ser mais fácil, se você se sair bem, passamos para o patrono. Tudo bem? Assim que ver o bicho pense ele numa situação constrangedora e lance o feitiço.

— Certo. Podemos começar. — já havia treinado esse feitiço com aranhas e baratas na escola, no segundo ou terceiro ano. Pelo visto as coisas aqui são bem mais sombrias.

Harry abriu a pequena caixa, antes mesmo de o bicho sair estava tremendo de medo do que apareceria. Uma fumaça saiu de dentro dela e o bicho foi transformando-se em um Espectro traiçoeiro e com a mão podre...

— Liz! – Ouvi a voz de Harry chamando meu falso nome. Parecia um sonho.

— O que houve? — perguntei ao perceber que não estava sonhando. Minha cabeça rodou quando forcei meus olhos a se abrirem.

— Você desmaiou. – Harry disse rindo.

— E qual é a graça, Harry? – perguntei irritada.

— Você tem medo de um Dementador? Por quê? Já viu um?

— Dementador? O que é isso? — que nome estranho.

— Aquele bicho Liz. Era um Dementador, eu vi. Quando você caiu eu o prendi de novo. — Harry esclareceu e eu estremeci mais uma vez. A imagem daquele bicho nojento vindo em minha direção não foi nada agradável.

— Eu o conheço como Espectro, Harry. Ele rouba sua alma.

— É a mesma coisa, minha querida. – Harry passou suas mãos por meus cabelos. – Tem medo dele por quê?

— Por que eu... Quando era criança eu vi um. O que um bicho daqueles estava fazendo longe de Azkaban? Foi ai que percebi... ele estava caçando alguém, um homem de meia idade com cabelos acobreados no meio da floresta perto da minha casa. Eu o vi... morrer sendo beijado por ele. Não sei se ele estava perdido.

Eu contei e Harry ficou boquiaberto. Eu tinha 7 anos naquela época e me escondi debaixo de uma pedra, estava apenas brincando de esconde-esconde. Céus! Foi exatamente na mesma época que Harry estava sendo caçado por Voldemort e foi exatamente por isso que eu vi um dementador/espectro longe de Azkaban, procurando bruxos "traidores". Mas eu não poderia contar aquilo para ele.

— Todos têm um medo, não se preocupe. Olha o que eu trouxe. – Harry entregou-me uma barrinha de chocolate. – Vai te deixar feliz. Sinto muito pela péssima lembrança.

Comi a barra de chocolate. Realmente me deixou melhor, mas minha garganta ardia pelo estresse.

— Você é um ótimo professor. Como sabia desse truque do chocolate?

— Remus Lupin. Ele quem me ensinou quase tudo sobre patronos. — ele esclareceu e sorriu. — Vai querer continuar?

— Eu acho que sim. — respondi obrigando-me a me levantar.

Harry abriu a caixa mais uma vez, a fumaça foi saindo e dessa vez apareceu um famoso palhaço de um filme. Ele veio para cima de mim e eu podia jurar que meu coração iria parar, minhas pernas vacilaram inquietas e senti que iria ceder ao chão a qualquer momento.

Merda de filme de terror! Nunca mais assisto nada sozinha.

Porém tentei manter a calma, esperei ele chegar mais perto e lancei o feitiço. Aquele, ao contrário do espectro, era apenas um personagem nojento de um filme.

— Riddikulus! — gritei assim que me vi diante ele.

Na mesma hora ele virou bolhas de sabão que Harry prendeu em sua caixa.

— Um palhaço? — Harry riu. — Mas isso foi brilhante! Muito bom mesmo, você é ótima...

Antes mesmo de Harry completar eu cai outra vez no chão, tremendo da cabeça aos pés e desmaiando logo após.

Merda de Pennywise, palhaço dos infernos. Pra que ainda fui ler aquele livro depois de ver o filme? Meus pesadelos são tomados por ele quase todas as vezes quando não é o espectro me atormentando.

Senti Harry mexer em meus cabelos, estava delicado e parecia que eu acordava ao lado dele em uma cama depois de uma noite de amor. Senti meu rosto corar sob essa perspectiva e afastei meus pensamentos confusos.

— Lizzandre. – Harry cochichou e senti os pelos de todo meu corpo se eriçarem.

— Oi...

— Você está se saindo igual a mim no primeiro dia. Exatamente igual, até um de seus medos é parecido. — Harry ria baixinho. — Olha, mais chocolate. Podemos descansar um pouco se quiser.

— Não, eu quero continuar. Tenho que aprender a me controlar.

Harry ajudou-me a levantar outra vez, meu corpo doía das quedas, mas eu não queria parar. Se Gina era considerada uma ótima bruxa, eu também queria ser e provaria antes dela ter a oportunidade.

— Você não ficou curiosa? – Harry perguntou-me enquanto batia a poeira que havia se acumulado em minha roupa.

— Com o que?

— Disse que seu medo é parecido com o meu. Dementadores, não sei por que, mas eu os temo também. É como se eles fosse algo bem mais... assustadores para mim do que qualquer outra coisa.

— Você já foi atacado por eles? — quis saber.

— Você pode guardar um segredo? — ele sussurrou e eu assenti. — Tive medo deles bem antes que eu fosse atacado... e, sim, eu já fui. Várias vezes. No início desse ano eu quase fui expulso de Hogwarts por salvar meu primo de um ataque deles. Dumbledore me salvou, mas ele mal fala comigo agora. Acredito fielmente que eles estão trabalhando pra você-sabe-quem mas não posso provar e ninguém além de mim tem convicta certeza disso.

Eu não duvidava das palavras de Harry pois sabia que era verdade. As coisas por aqui já estavam começando a ficar complicadas e a guerra entre ele e Voldemort refletiu no mundo inteiro, por isso vi um dementador quando criança.

Harry suspirou enquanto eu raciocinava acima de sua confissão. Sabia que ele estava sendo julgado pelo que fez, pelas suas declarações polêmicas acima do lorde das trevas e do ministério. As coisas para ele estavam embaraçosas e emaranhadas e eu podia sentir a tensão em suas costas.

— Eu acredito em você. — declarei e sorri, deixando-o tranquilo. — Você sabe disso. Prometo que não falarei com ninguém sobre suas confissões, mesmo achando injusto o fato de que duvidam de sua palavra.

— Obrigado. — ele respondeu e passou as mãos em seus cabelos rebeldes. — Ultimamente tem sido complicado para mim conversar sobre isso com as pessoas.

Isso era triste para ele, mas um grande passo para mim, pois significava que eu estava ganhando confiança dele.

— Quer continuar?

Fiz que sim com a cabeça e Harry abriu novamente a caixa. Lá estava outra vez o Espectro, porém ele desviou seu caminho e foi direto em Harry. Antes mesmo que ele reagisse, gritei o feitiço e o transformei em laços brilhantes. Eu estava mais confiante com relação àquilo. Afinal, ao meu lado estava Harry Potter. E o que era um mero bicho papão perto de todo o mal que um dia ele enfrentaria?

— Você está bem? – perguntei.

— Sim, esses bichos não me assustam mais como antes. Apenas se fosse um real eu temeria. Mas você foi ótima outra vez, conseguiu lançar o feitiço antes de mim. Incrível, nunca vi nenhum aluno conseguir se sair tão bem logo de primeira.

— Mas eu sou péssima em defesa, já disse.

— Disse também que nunca foi testada. Aposto que é ótima e nem sabe. — ele elogiou. — Aposto que é corajosa.

— Está cansada? — Harry perguntou-me após mais meia hora de aula. Estava num ponto que o bicho papão mal tomava forma e eu já atacava. Ele ficava revezando sua aparência entre espctro, palhaço assassino e uma barata nojenta gigante.

— Um pouco dolorida. Mas eu gostei bastante, obrigada por me ensinar.

— Você é uma aluna perfeita.

Da torre de Astronomia podíamos ver o céu através da janela, fora os telescópios que haviam lá. A noite estava linda apesar de escura, as estrelas brilhavam no céu tão intensas e numerosas, que se pudesse ficaria ali identificando cada uma delas por horas a fio ao lado de Harry. Tudo parecia tão pacífico e aconchegante. Hogwarts parecia aquele sonho que eu idealizei em meus pensamentos todas as vezes que eu lia sobre. E ele ali, do meu lado, acolhido apertado junto à janela depois de uma aula incrível e muito chocolate fazia meu coração agradecer a cada batida.

— Aposto que a próxima aula você conseguirá produzir um patrono. — Harry disse após guardar a caixa com o bicho papão, escondendo-a num local seguro.

— Você está confiante em mim. Eu vou te decepcionar.

— Eu tenho certeza que não.

Ele sorriu e eu tive que me conter para não elogiar o quanto eu amava quando o via assim, tão à vontade. Tão sorridente.

— O que você acha que é? Sabe, o seu patrono.

— Eu não sei. Realmente pensei em vários animais, mas eu acho que será um que gosta de correr livre.

— Por que?

— Geralmente em meus pesadelos eu corro muito. É como um animal fugindo, nem grande, nem pequeno. Acho que será uma zebra correndo de um leão com medo de ser comido. — brinquei. Eu realmente achava que seria um animal medroso.

— Normalmente seu patrono tem algo relacionado a você e ao que você ama. Ao que te fortalece. É assim que você se sente seguro quando o conjura.

Informação interessante.

— Ah é? E qual é o seu? — perguntei, imaginando qual animal o fazia se sentir forte. Eu realmente não me lembrava de ter lido algo sobre o patrono dele.

Harry piscou para mim e afastou-se da janela.

— Quer ver? — Perguntou.

Fiz que sim com a cabeça.

— Nox. — Harry apagou a luz de sua varinha deixando-nos na completa escuridão. — Expecto Patronum.

A escuridão foi tomada por uma luz prateada que surgiu da ponta de sua varinha, invadindo a escuridão da sala e preenchendo o local aos poucos. Segundos depois a forma de um cervo apareceu saltando e correndo pela torre, por entre nós, feliz por sua liberdade.

Aproximei-me de Harry encantada por ver algo tão esplêndido sendo invadido pela sala. A presença do patrono me causou certa euforia e me encheu de uma coragem inexplicável, como se uma força preenchesse meu corpo da cabeça aos pés.

— É lindo. — Disse quase segurando sua mão quando vi seu patrono chegar muito perto de nós. Por onde ele passava deixava um rastro prateado e aquecia meu coração.

O cervo deu mais umas voltas e sumiu, deixando-nos ali na mais completa escuridão. Senti o nervosismo tomar conta do meu corpo quando me percebi querendo continuar ali ao lado dele, no escuro.

Harry, aparentemente, tinha o mesmo desejo. Senti seus dedos escorregarem entre meu braço e entrelaçarem-se nos meus, segurando minha mão firmemente e encostando seu corpo sutilmente no meu. Eu e Harry ficamos frente a frente, quase colados. Nossas testas se tocaram e senti sua respiração, estava forte e rápida como o ritmo dos batimentos do meu coração. Suas mãos estavam geladas e tremiam um pouco. Ele estava nervoso, como eu. Senti cada pêlo do meu corpo arrepiar-se quando ele passou a mão em meu rosto, indo delicadamente até atrás da minha nuca. Harry então guiou-me no meio da escuridão até ele, fazendo nossos lábios encontrarem-se, finalmente.

Os lábios dele eram quentes e suaves, como o beijo, que foi doce e calmo, devagar e profundo, estranho pois eu nunca havia beijado alguém. Mas tão maravilhoso que não existia nenhuma outra sensação capaz de explicar.

As mãos dele passearam em meus cabelos e puxaram-me pela cintura, para muito mais perto, de um jeito tão colado que eu podia sentir nele todas as emoções juntas, assim como as minhas.

— Lumus. — Harry acendeu a luz da varinha outra vez. Seu semblante estava avermelhado pela vergonha, e imaginei que eu não deveria estar tão diferente — Eu... me desculpa.

— Desculpa? Por... me beijar? — minha voz falhou.

— É, sabe. Você disse que éramos amigos. Eu não quero estragar isso. — ele esclareceu e eu me senti envergonhada.

— Ah, é claro...

O constrangimento entre mim e ele foi inevitável, porém eu devia esclarecer as coisas para ele.

— Harry, eu adorei. — Disse um pouco sem jeito, sentindo meu coração se acelerar como nunca. — Somos amigos sim, mas...

Hesitei sobre aquilo. A vergonha me consumia tanto quanto minha voz falhava.

— Mas?

— Esse foi meu primeiro beijo. — Confessei de uma vez. — E você fez ser perfeito.

Harry sorriu e pareceu um pouco aliviado.

— Foi o meu também. E eu nunca imaginei que seria assim, tão bom e tão inesperado.

— Jura?

— Vai ser nosso segredo. — ele piscou e se aproximou mais uma vez.

— Só se você ainda quiser me ensinar a conjurar o patrono. Do contrário, vou escrever para Rita Skeeter.

— Eu prometo que vou. Ensino a você o que desejar.

Harry abraçou-me e olhou para mim como quem quisesse mais. Dessa vez eu o beijei.

Notas finais
O que acharam? Vocês gostam da Anne com Harry? Eu vou confessar que os romances em Harry Potter não são melosos e que mesmo assim são perfeitos. Porém, eu sempre quis algo a mais, então me veio essa ideia. Beijos e não percam os próximos capítulos. ♥ Ah, acompanhem, favoritem, comentem, recomendem. Tudo isso me deixa muito feliz.