Novo amor - Fanfic Harry Potter (atualizando)
36 Capítulo 36: O encontro com Harry
Notas iniciais
O dia passou muito mais rápido do que eu gostaria. Lucy passou a maioria do tempo em que estávamos juntas dizendo que eu deveria ir só pra ouvir o que Harry tinha a dizer. Pedi à ela que fosse ver Malfoy primeiro, conversar com ele sobre o que ele tinha a dizer depois de tudo, e quando acabasse eu resolveria se iria fazer o mesmo com Harry, mas parece que quando é com ela as coisas não podem funcionar da mesma forma que eu. Fora que ela passava mal só de ouvir o nome de Malfoy ultimamente, como se fosse algo repugnante. Mas eu sabia que não era bem isso. Lucy estava com mais medo do que eu de ouvir dele que não poderia haver mais nada entre eles, que o passado ficou pra trás, e tudo aquilo era em vão.
Nunca imaginei que Draco ainda fosse apaixonado por Lucy. De certa forma, ele teve várias namoradas, inclusive a que está casado nesse exato momento, mas está aqui, aparentemente por influencia de Harry – o que era muito estranho. Draco foi mesmo apaixonado por minha amiga, e eu não conseguia acreditar naquilo. Quer dizer, apesar de ter sofrido muito por ele a maltratar quase o ano inteiro, Lucy conseguiu conquistar o coração de pedra dele. Aparentemente foi uma coisa muito bem feita, afinal nove anos se passaram e ele está aqui por causa dela. Era algo tão inacreditável de se ouvir, que se contasse a alguém de fora, certeza que duvidaria.
Lucy cansou de tentar me fazer ir conversar com Harry e rumou para Sonserina quase no cair da noite. Sentei-me na cama pra mais uma vez ler minha carta, agora juntando com a de Harry, procurando uma solução obvia que eu deixei passar por entre as linhas. Mas tudo o que pude perceber era que eu deveria ouvir o que Harry tinha a me dizer, mesmo que eu não goste nem um pouco.
Por mim, aquela conversa nunca seria necessária. Eu não sabia como lidar com uma coisa tão séria, ainda mais sendo tão jovem, e percebi que tomar decisões do tipo era o que mais doía em termos de relacionamento.
Eu sabia que a conversa seria pro nosso fim.
Talvez Harry estivesse tentando dar um basta em tudo o que sentiu por mim, e precise olhar em meus olhos e me dizer tudo o que sentiu e passou nesses nove anos para livrar-se desse maldito sentimento. Talvez ele queira cumprir com isso pra seguir sua vida com Gina, com seus filhos e sua nova família, sem nenhum fantasma do passado tentando atrapalhar.
Mas meu plano nunca foi atrapalhar ou tentar destruir o que ele havia conquistado junto com Gina. Pelo contrário, eu não procuraria Harry depois que voltasse. Prometi a mim mesma que, se ele ainda fosse casado e tivesse filhos no futuro, era porque havia me esquecido e tudo continuaria como deveria estar – eu não havia mudado nada do futuro, como planejei desde o início.
Desci ás sete e meia para a sala comunal e vi Luke lá. Parecia à minha espera, já que se sentava no meu lugar favorito com um potinho nas mãos.
– É pra você. – Luke disse, entregando-me o potinho que continha pudim de morango e cereja. – Acho que você deveria aprender o horário das refeições, sabe? Pode passar mal se não comer nada.
– Obrigada Luke. Mas é que minha mente está tão desligada das coisas ultimamente.
– Por causa do seu namorado?
– Ele não é mais meu namorado. Mas sim, por causa dele. Eu preciso conversar com ele, só que não tenho coragem pra isso. – Confessei, enquanto comia um pouco de pudim.
– Mas se você não conversar, pode atrapalhar sua vida, seus estudos e tudo mais. É melhor acabar logo com isso, não acha?
– É. Talvez seja. Acho que de qualquer forma eu teria mesmo que enfrentar meus problemas de frente, não é?
– E quando acabar, e se precisar de alguém pra conversar, pode me procurar. Sei o quanto é horrível não ter alguém pra fazer isso quando mais precisa.
– Você é tão doce quanto esse pudim. – brinquei. Conversar com Luke era uma satisfação sempre.
Procurei distrair um pouco minha mente antes de dar as oito horas. Luke contava-me sobre o time de quadribol, que aparentemente não ganhava o torneio desde que Harry saiu do time. Não era surpresa, obter ótimos apanhadores como ele era muito difícil.
Quando deu a hora, decidi que eu iria até lá. Pedi desculpas ao Luke, mais uma vez por deixá-lo sozinho, e fui até o segundo andar em passos mais lentos que eu poderia dar.
Cheguei atrasada, mas acho que não receberia detenção por isso. Bati na porta, e Harry logo a abriu.
Seus olhos estavam vermelhos, aparentemente eu não era a única a sofrer. E sabia que meu sofrimento dos últimos dias não chegava nem perto dos nove anos que ele passou.
Entrei calada. O silencio era muito valorizado por mim, pois enquanto ele existisse entre nós, a dúvida pairava no ar. Mas depois da conversa que deveríamos ter essa noite, nada mais seria como antes.
Harry deu dois passos e olhou-me nos olhos, parecia tentar encontrar palavras do que gostaria de me dizer, mas parecia que todas haviam fugido no momento em que me viu.
Ao contrário do que esperava, Harry foi chegando mais perto até eu perceber que já estava quase pulando pela janela – que estava fechada, ainda bem – pra tentar afastar-me dele o máximo que pudesse. Cresceu o medo em mim, de que ele pudesse tentar me machucar por todo o sofrimento que ele havia e ainda estava passando.
Mas Harry não queria me machucar.
Senti meu corpo imprensado no vidro da janela quando ele se jogou sobre mim numa tentativa de beijar-me de surpresa. Parou quando seu rosto encostou-se ao meu, e então fechei os olhos pra não ter que ver o quanto aquilo era errado. Com uma mão na cintura e outra entre meus cabelos, Harry guiou-me de encontro a sua boca, e me beijou.
O beijo ainda era o mesmo, porém o jeito com que ele fazia não. Era muito mais intenso, mais desejoso do que era quando ele tinha apenas quinze anos. Harry grudava seu corpo ainda mais no meu, o que me fazia grudar na janela de sua sala, quase sem fôlego e nem jeito pra escapar daquilo – e eu admito, eu não queria escapar.
A sensação era tão quente, de um jeito que eu nunca senti antes. E meu fôlego foi perdendo-se até não agüentar mais e ter que pedir pra respirar.
– Eu precisava fazer isso. – Harry disse, depois de um minuto inteiro tentando se recuperar.
Ainda não ousava falar nada. E ainda tinha a esperança de que Harry não dissesse mais o que ele tanto tem a dizer.
– Eu precisava ver se era real, entende Ana? Se eu não estou maluco, se eu não te inventei num momento em que eu estava sozinho em minha vida. Ou se eu estabeleci em você a garota perfeita pra mim, pra sentir segurança quando eu mais precisava.
– E...? – disse, ainda não conseguindo falar nada mais do que aquilo.
– E... eu ainda te amo muito Ana. – Harry disse sentando-se na em frente a sua mesa, e virando-a para mim para me encarar, e eu poder ver o quanto aquilo realmente o fazia perder a cabeça. – Você não foi inventada por mim, você não é uma história de amigo imaginário que as pessoas costumam ter. Você é real, e está aqui como disse que estava. Eu duvidei por muitos anos que voltaria a ver você, e me desesperei por causa disso. Mas você disse que estaria aqui, e eu não acreditei por diversos momentos. Eu só queria tirar essa sensação de dentro de mim, sabe? Essa de que eu havia perdido algo, que eu não recuperaria nunca. Eu tentei te esquecer por diversas vezes, mas nunca fui capaz de fazer isso. Porque por mais que você tenha me causado sofrimento, a esperança de que um dia voltaria pra mim estava sempre se renovando e me fazendo nunca desistir disso.
Harry parecia cansado. Era estranho ouvi-lo, e saber que ele tinha uma vida completa longe de mim e ao mesmo tempo ainda me carregava dentro dele.
– Eu sinto muito, Harry. – disse, mesmo sabendo que toda a desculpa do mundo não apagaria nenhum dano que eu havia lhe causado. – Eu nunca pretendi te deixar assim, tão... apaixonado por mim e sumir da sua vida. Tudo o que eu queria era poder conhecer você de verdade.
Harry ainda olhava-me hipnotizado. Senti vergonha do que ainda estávamos fazendo, e por um momento me lembrei que aquilo me tornava sua amante, e isso era simplesmente repulsivo.
– Eu também te amo. – continuei. – E eu só queria poder me apaixonar por você num momento em que não atrapalhasse sua vida com ninguém mais. Mas vejo que não foi bem isso que aconteceu, e eu não previ as conseqüências, me perdoe.
– Eu já te perdoei Ana. – Harry disse levantando-se da cadeira e chegando perto de mim outra vez. – Posso te fazer um pedido?
– Claro. – respondi enquanto tentava me afastar dele outra vez quando percebi que a mesma coisa estava acontecendo. E meu corpo foi tomado por um arrepio e um desejo tão grande e quase impossível de se controlar.
– Me beija outra vez.
Harry pediu, mas eu nem precisei responder, pois nossos corpos já estavam grudados de novo, dessa vez na parede da sala. Harry não era alto, mas segurou-me pela cintura e me levantou um pouco até poder encontrar minha boca na mesma altura da dele. Uma de suas pernas apoiava-me no meio das minhas, o que facilitava o jeito em que ele grudava seu corpo no meu, e mantinha a mesma altura.
Foi mais um beijo longo, quente e de tirar o fôlego. Arrepios e mais arrepios passeavam pelo meu corpo quando ele fazia o mesmo com suas mãos, e pude sentir o tamanho de sua excitação enquanto tudo acontecia.
Harry era maravilhosamente bom nisso, e percebi que minha consciência de que aquilo era errado demais pra mim sumia em poucos segundos.
Mas recuperei antes mesmo de cometer alguma loucura.
– Harry me desculpe. – pedi, tentando escapar dele antes que fosse tarde demais. – Isso não está certo.
Saí da sala dele antes mesmo de ouvir qualquer coisa. Sabia que a menor das palavras me levaria a cometer qualquer tipo de loucura, então corri pro mais longe possível. Por mais que o amasse, eu não poderia fazer aquilo. Harry era casado, e eu não queria ser sua amante, por mais tentador que isso possa ser.
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