Notas iniciais
Um POV do Harry pra gente saber o que se passava em sua mente durante o tempo que ficou sem Ana - ou uma parte dele. Quero deixar bem claro que Harry e Gina se casaram sim, pra ter ainda mais drama à história. Boa Leitura

O. V Harry

As coisas não tem sido fáceis, ultimamente. Há alguns dias eu estou aqui, no meio do nada apenas com Hermione. Já Rony fez questão de ir, estava ficando louco já. Digamos que eu não o culpo, esse medalhão é mesmo capaz de enlouquecer qualquer um.

A única que ainda parece ter a cabeça no lugar é Hermione. E, eu não sei o que seria de mim sem ela. Tão forte, decidida e destemida, penso que minha vida nãos seria a mesma se ela não tivesse cruzado o meu caminho. E eu sou muito agradecido por isso.

Fugir de Voldemort não tem sido fácil: o mundo está um caos! E cada vez que eu tento algo pra tentar destruí-lo, o fracasso, se não é total, dura alguns dias de tortura. E isso me faz querer desistir a cada dia mais.

No momento, estou atrás de algo que possa destruir o medalhão. Essa coisa está me enlouquecendo, e quanto mais demora eu encontrar uma resposta, mais perigo de vida meus amigos passam, e eu não posso suportar a dor da perda de mais alguém por minha causa. Então, eu preciso encontrar respostas sobre o que descobri junto com o professor Dumbledore – que jaz morto, assassinado por Severus Snape.

Não durmo há dias, pra falar a verdade. Às vezes o sonho me perturba com visões ameaçadoras, e eu não posso mais permitir que nenhuma dessas visões de Voldemort entre em minha mente, ou que ele mesmo faça isso. Preciso ser forte, botar em prática o que aprendi e lutar contra tudo isso do melhor jeito que puder.

Hermione também não tem dormido nos últimos dias. Penso que é por causa de Rony, ela ficou desesperada quando ele se foi. Eu não a julgo, nem pergunto o porquê dela estar tão aflita – muito mais do que parecia antes. – Acho que ela gosta mesmo dele. Acho que sei bem o que ela está sentindo.

Acho não. Ainda dói muito. É impossível não pensar nela um dia sequer. É impossível estar no silêncio da noite e minha mente não voar até Hogwarts, na torre de astronomia, e não ver-nos lá, juntos, nos beijando pela primeira vez. É impossível olhar pro céu, e não me lembrar de quando ela se distraía olhando pras estrelas, às vezes abrindo um sorriso tão largo e bonito que eu duvidei que existisse alguma estrela que brilhava mais do que isso.

Dois anos se passaram desde que ela foi embora, e não há um minuto sequer que meu coração não doa por causa disso.

Posso dizer que amei Ana tão intensamente, que até mesmo meu patrono tem se intensificado por causa disso, e ás vezes me sinto culpado por amar tanto uma garota que nesse exato momento tem nove anos de idade.

No início até que a saudade era suportável. Era como se eu tivesse a consciência de que deveria esperar pra reencontrar alguém que também esperava por isso. Mas depois ela foi se transformando em algo muito doloroso, ainda mais depois do final do último ano em Hogwarts.

Ana não tem nem sequer idéia do quanto eu preciso dela agora. Do quanto um abraço seu me faria recuperar forças, de que um beijo – nem que seja apenas um – me faria suportar essa espera de anos que eu deveria passar.

Mas, ao contrário disso tudo, eu estou com Gina. Não que eu não goste dela, mas a cada vez que a vejo, que a beijo e olho em seus olhos, procuro algo de Ana neles. Sinto-me trair a mim mesmo por causa disso, mas Ana não deixou esperanças de que iria me procurar no futuro, e depois do que Gina disse sobre a conversa entre elas tive a certeza de que precisava seguir em frente com novos propósitos e uma luta que era minha.

Eu esqueceria Ana, e estava decidido. De alguma forma, de alguma maneira, eu deveria esquecê-la.

– Hermione? – Chamei minha amiga que estava de guarda fora da cabana.

– Algum problema? – perguntou.

– Eu estou decidido a fazer aquilo que conversamos na noite passada. – disse.

– Fazer?... Não, Harry. – Mione protestou. — Não faça isso, não pode.

– Eu preciso. Não agüento mais esse sentimento, dói muito. E você fez com seus pais para não sofrerem por sua causa, então não pode me julgar.

– Eu fiz para protegê-los. Você fará porque não agüenta de saudades dela, Harry. Mas você não pode fazer isso, é errado. E não conte comigo pra isso. – Hermione respondeu, dando o assunto por encerrado.

– Você não entende... – disse, sentando-me ao seu lado.

– Acha mesmo que eu não entendo? Acha mesmo que eu não estou sofrendo da mesma forma que você? Harry, eu já não tenho família, e estou no meio do nada pra ajudar você, pra não o deixar sozinho. E... – Hermione deu um grande suspiro antes de continuar. – E Rony... eu sinto falta dele. Não é a mesma coisa, mas eu daria minha varinha pra ele estar aqui. – Confessou.

– Eu sei que sim.

– E, imagina se você fizesse isso com todos que morreram ou te abandonaram? Sua mente já não teria propósitos, Harry. Eu sei que você tem forças pra continuar por causa deles.

– Mas acho que, talvez, Ana não faça tanta falta se eu esquecê-la. – senti em minha voz um toque de desespero. Eu realmente daria qualquer coisa pra apagar tudo o que vivi com ela, se essa dor imensa passasse.

– Não, Harry. Ela, tenho certeza disso, vai deixar um buraco enorme em seu coração. Uma sensação de que falta algo em sua vida. – Hermione insistia. – E, se me permite perguntar, quais são os momentos mais felizes que se passam dentro de você quando faz o Patrono?

Parei pra refletir, apesar de saber muito bem, pois já havia concluído isso antes.

– Nem precisa responder. Olha, você tem amigos que lutam por você. E isso é muito gratificante, por mais que ás vezes eu pense que seus maiores momentos foram conosco – e, sim, é ciúme, pois estamos em sua vida há muito mais tempo – eu tenho consciência do que Ana trouxe a você. E imagino que é o mesmo que sua mãe trouxe a seu pai, um grande amor e um gesto de sacrifício.

– Você tem razão. Eu não quero ser mesquinho assim a ponto de usar feitiço pra esquecê-la. Isso seria cruel comigo mesmo. Mas, eu vou continuar a minha vida, e fazer o que tiver que fazer. E se um dia eu esquecê-la, e sei que vai ser difícil, então eu talvez possa continuar com Gina.

– Só não faça isso por medo de nunca mais ver Ana, Harry. Você pode magoar Gina por causa disso, e acho que não é o melhor a se fazer.

– Eu vou tentar. – respondi meio em dúvida. – Por que não vai dormir? Você já está aqui fora há muito tempo, fico de guarda agora.

– Acho que não consigo dormir, mas vou tentar descansar um pouco. – Mione disse, e foi para a cabana, me deixando completamente só em meio à escuridão da noite.

Ficar completamente sozinho durante horas já havia se tornado minha rotina, e todas as vezes que isso acontecia me pegava lembrando algumas coisas que aconteceram no passado. Hermione tinha razão, eu não podia simplesmente esquecer Ana, mas eu tinha que seguir em frente de qualquer forma, como se tudo o que eu vivi no passado fosse um sonho, e que eu não voltaria mais a sonhar daqui por diante.

Eu me dedicaria a Gina se tudo isso acabar bem um dia.

Eu vou esquecer Ana, mas de forma natural. Afinal, não deve ser tão difícil assim. O primeiro amor de alguém não é necessariamente o que vai durar a sua vida inteira.

“A felicidade vem de repente, mas o amor vem o tempo.” – lembrei da frase do cordão que Ana me entregara no último dia. E Ana, nessa frase, era a felicidade e não o amor.

Assim espero.

Notas finais
É difícil quando você se força a esquecer alguém que amou tanto. Às vezes nem funciona, o sentimento apenas fica lá, amortecido e adormecido. E quando você menos espera, BAM, ele acorda e volta a todo vapor. Será que é isso que vai acontecer com Harry? Beijos e até o próximo capítulo ♥ Confesso que esse eu escrevi a toa mesmo hahaha Mas comentem.