Notas iniciais
Alguém a favor de um POV da Lucy? Eu ia escrevê-lo antes, mas achei bem melhor deixar para o final. Assim, poderia descrever os sentimentos dela por Draco e vice-versa. E aí está. Um Pov só dela e de seu amado. Obs: Sú, de Susan, nome falso dela OK? Na minha história, Draco não é tão insensível. Então apenas aceitem. Boa leitura.

P.O.V. Lucy

Sentei-me no sofá da sala Comunal da Sonserina. O lugar era meu preferido, e estava tão calmo e silencioso depois de toda aquela confusão com Harry e Ana no Ministério.

Ana abriu o jogo para Harry, e por sua sorte ele a perdoou. Senti um pouco de inveja por isso, Draco nunca faria o mesmo, e era por isso que eu precisava dar um fim àquele romance tempestuoso antes de irmos embora.

Me dói saber que Draco é assim. Quando me afeiçoei a ele, no futuro, não imaginava que era tão mesquinho como realmente é. Costumava pensar nele como um garoto incompreendido, que nasceu na família errada, que não teve escolha a não ser apoiar o pai, e conseqüentemente o Lorde das Trevas. A minha esperança era encontrar alguém que, mesmo com a aparência de mimado e rico, fosse frágil e que precisasse de alguém sem interesses ao seu lado.

Por mais que eu tenha entrado na Sonserina, eu sabia que parte de mim não combinava nada com a maioria das pessoas ali. Não sou sangue puro, e minha ambição não chega nem perto do que eu pude conhecer da dos outros. Imaginei que deveria ter entrado em outra casa, Lufa-Lufa, quem sabe. Mas acho que aquele chapéu costuma desvendar os propósitos que guardamos dentro de nós, e por isso faz a escolha que nosso coração mais deseja, e eu sou grata por isso.

Mas acredito que ser uma sonserina vai além de cobiça, sangue e maldade. Na verdade, não é nada disso.

Entrar nessa casa não é pra qualquer um. É apenas pra quem é digno de estar nela, e eu sei o quanto me esforcei pra estar aqui. Então, é mérito meu, e não de meu sangue.

Eu passei o ano inteiro tentando, inutilmente, conquistar alguém que agora julgo ter um coração de pedra. Fiz tudo errado: briguei com minha melhor amiga por causa dele, me entreguei por completo numa relação que era obviamente errada. Fui de cabeça, sem pensar em mais nada, nas conseqüências que eu passaria, e no que eu sofreria depois de tudo.

As noites de choro foram só o início, ás vezes meu travesseiro ficava tão molhado, que era preciso botá-lo pra secar no dia seguinte. Eu passei a maioria dos meus dias seguindo alguém eu achava que amava, e não pude aproveitar todo o resto da esplêndida Hogwarts por causa disso. Eu perdi os meus dias, mesmo sabendo que eles realmente não passaram, pois estava num passado que não me pertencia.

Eu sabia o quanto tinha ido péssima nos Nom’s. Logo eu, que de tão exigente sempre tirei ótimas notas. Ver minhas qualidades serem reprimidas era inaceitável, porém, cega de amores por Draco, eu simplesmente aceitei. Afinal, eu não estava ali por ele? Não viveria esse ano apenas pra ter o prazer de estar ao seu lado? Por mais que dentro de mim eu dizia sempre “sim, eu estou certa”, eu sabia que não era bem assim. Ele simplesmente não valia mais um dia da minha vida desperdiçada.

E, apesar de tudo isso, e de todo arrependimento de perder esse ano servindo de capacho, e sendo chamada de fiel cachorrinha do Draco, meu coração ainda batia forte por ele.

Isso mesmo. Eu ainda sentia que era muito além de apenas dias desperdiçados. E que se por um lado eu o odiasse, por outro esse amor cresceu de tal forma que até dói tentar explicar. E, sentia tanta inveja de Ana, por Harry ser tão fácil, tão amoroso com ela. Carinhoso e preocupado com sua vida, com sua felicidade e segurança. Não que eu gostaria de tê-lo, Harry sempre foi o amor de Ana, mesmo que ela não confessasse. Mas agora, os dois estão bem, ele sabe sobre ela, eles se amam, se respeitam, e por mais que Ana sofresse com a sua ausência diversas vezes, ela sabia que era pro seu bem. Já comigo isso nunca aconteceu. Fui procurada quando Draco achava-se só, entediado, sem nada de melhor pra fazer, e quando precisava de mim para alguma coisa. E só. Mas, eu sempre estava disposta a ficar com ele de qualquer forma, e fui aceitando.

Conclusões e mais arrependimentos passaram-se por minha mente. O ano não foi nada fácil, e com certeza não havia sido, nem de longe, o que eu esperava.

Já estava tão farta de tudo, inclusive de chorar. E eu odiava ter que admitir que eu era fraca demais quando as lágrimas desciam.

Ouvi alguém entrar na sala e procurei limpar meu rosto pra não perceberem que estava chorando, tudo o que eu queria evitar naquele momento eram perguntas sobre o porque de estar tão triste.

Draco sentou-se em perto de mim, e permaneceu calado. Eu não ousei sequer olhar pra ele. Cogitei em levantar-me e sair umas três vezes, mas senti meu corpo paralisado, como se não quisesse sair de sua presença.

– O ano letivo está acabando. – Draco disse parecendo querer puxar assunto qualquer comigo.

– Finalmente. – confessei.

– Vai voltar no próximo?

– Não, eu não vou. Não quero, pra falar a verdade.

Ficamos em silêncio por longos minutos. Draco olhando para mim, às vezes até se esquecendo de piscar, e eu sem ousar olhá-lo nos olhos.

– Eu vou sentir a sua falta. – Draco disse baixinho. – Temos segredos, e uma história.

– Não se preocupe com isso. Eu não contarei nada a ninguém.

– Não é isso que me preocupa. – suspirou. – Nesses últimos momentos, eu tenho me odiado mais do que a metade das pessoas que me conhecem.

– Não seja dramático. – Disse, tentando parecer o mais fria possível.

– Não é drama, Su. Me desculpe, eu não sou bom com palavras.

– Nem com gestos e atitudes. Mas acho que sabe disso. – Pela primeira vez, estava sendo firme com ele. Não demonstraria nada mais além de desprezo que ele merecia.

– Eu sei que fui... grosso com você.

– Grosso? Nada, você foi um amor. – Ironizei. – Não sei o que seria de mim sem você. Com certeza, muito mais feliz, talvez?

Draco parecia irritar-se. Mas, voltava a si, pois sabia que eu estava certa. Ele tinha sido péssimo comigo.

– Eu sei que deveria ter feito diferente, mesmo que não fosse bem o meu tipo. Eu sei que passei dos limites, que pisei em você. E acredite, não costumo pedir desculpas pra ninguém. Mas eu quero te pedir, só me ouça, OK?

Me perdoe por te magoar tanto. Por te procurar quando eu quisesse e sempre fingir que eu não me importo com você. Me perdoa por estragar a sua primeira, a nossa, primeira vez. Por que sim, foi a minha também. Me perdoa por ser frio e rude, e dar prioridade à minha aparência de milionário popular e grosso que todos me conhecem. Eu faço tudo errado, e eu sei disso. Eu sou orgulhoso, e não estou dizendo que vou deixar de ser. Mas que, no meio de tanto orgulho, eu descobri algo novo quando conheci você. Acha que eu não sou capaz de amar? Todo mundo pensa assim. Mas eu sou. Mesmo não parecendo muito, eu amei você por estar sempre disposta a ficar comigo, sem pedir nada em troca. Acho que algo dentro de mim mudou, e eu a odeio por isso. Desculpe por te dizer isso, mas eu te odeio por me fazer te amar. Mas eu deveria ter te tratado bem, ter sido carinhoso, nem que fosse algo escondido de todos. Mas até de você eu senti vergonha de confessar. E agora é tarde demais. Você vai ir embora, e eu sei que é pra sempre. Eu deveria ter aceitado isso mais cedo, mas não consegui. Me perdoe por tudo. E é isso.

Senti que Draco estava dizendo, pela primeira vez, algo verdadeiro. Eu tive vontade de rir dele, pois a cara que ele fazia ao descobrir todos esses sentimentos pra mim foi a melhor. Parecia que algo doía dentro dele, e que era, sem dúvidas, algo completamente novo pra ele.

Eu mudei Draco de alguma forma e sabia disso. Meu ano não foi tão inútil afinal.

– Agora que sabe um terço do que senti, como se sente? – perguntei, rindo.

– Aliviado por te contar.

– Ótimo.

– Hogwarts não terá mais graça sem você. – Draco confessou. – E eu sei que eu não serei o mesmo.

– Pois eu acho melhor você esquecer tudo isso. Fingir que nunca existi, que não passei de mais uma aluna da Sonserina. É o melhor a se fazer. — disse, enquanto levantava-me para ir arrumar minhas malas, o trem partiria no dia seguinte, e já era hora de arrumar toda minha bagunça.

Draco ficou lá, sentando olhando para mim enquanto dirigia até a porta que dava pro dormitório das meninas.

– Mas eu não quero te esquecer. Nunca.

Olhei para trás. Draco parecia muito decepcionado.

– Eu te amo, Lucy.

Encarei-o assustada. Afinal, ele sabia meu nome. Desde quando? Na verdade, eu não ia tentar descobrir. Deixaria aquilo exatamente do jeito que estava.

Notas finais
Quem conhece a música When I Was Your Man, de Bruno Mars? Antes de escrever os sentimentos de Draco, eu ouvi essa música várias vezes. Ela é mais que perfeita, e fala de arrependimento de um homem que perde sua amada. Aqui um trecho: A mesma cama, mas parece um pouco maior agora Nossa canção no rádio, mas ela não soa como antes Quando nossos amigos falam sobre você Tudo o que isso faz é me arruinar Porque meu coração se parte um pouco Quando ouço o seu nome E tudo soa como uh, uh, uh, uh, uh jovem demais, tolo demais para perceber Que eu deveria ter lhe comprado flores e segurado sua mão Deveria ter te dado as minhas horas quando tive a chance Ter levado você a todas as festas Porque tudo o que queria era dançar Agora minha garota está dançando, mas está dançando Com outro homem Meu orgulho, meu ego Minhas necessidades e meu jeito egoísta Fizeram uma mulher boa e forte como você Sair da minha vida Agora nunca, nunca conseguirei limpar A bagunça em que me meti E me assombra sempre que fecho meus olhos Tudo isso soa como uh, uh, uh, uh, uh Apesar de doer Serei o primeiro a dizer que eu estava errado Oh, sei que provavelmente estou muito atrasado Para tentar me desculpar pelos meus erros Mas eu só quero que você saiba Espero que ele lhe compre flores, que ele segure sua mão Que lhe dê todas as suas horas quando tiver a chance Que leve você a todas as festas porque eu me lembro De quanto você amava dançar Que faça todas as coisas que eu deveria ter feito Quando eu era o seu homem Ok, foi a música toda. O que acharam dela? e do capítulo? Beijos e estou esperando os comentários sobre eles ♥