Novice
26 Stressed out
Notas iniciais
Altair estava instigado e tentado a perguntar algo, sua curiosidade poderia ser a coisa mais perigosa que já notou durante as semanas que foram passando, vendo as consequências que ela trazia e coisas amargas e feridas que marcavam seu corpo e memórias. Mas ver Aurora sair da delegacia chorando, ter ouvido Malik com medo pelo celular por conta de um pesadelo e ouvir de seu pai que preferia morrer ao ter o filho ferido por um homem egoísta, Altair notava o quão longe sua curiosidade o levou e não havia limite para ela, poderia não parar e continuar perguntando, mas será que buscar respostas traria algo de ruim novamente? Talvez fosse isso que todos estivessem alertando para ele desde o inicio.
Aurora o esperava do lado de fora, pedindo até mesmo o celular de Altair e digitando para esperarem o top dela, ele o levaria em segurança para casa ao mesmo tempo em que ela comentou com poucas palavras que não apenas Haytham o respeitava por tê-la ajudado como a mãe dela. A vergonha atingia Altair, pois não era para tanto.
O sorriso de Aurora parecia torto, murcho como o de Ezio a semanas atrás, mas ambos enfrentavam problemas diferentes, Altair também tentava lidar como podia. Quando o tio de Aurora saiu e o levou até sua casa, o silêncio dentro dessa era agonizante, torturador demais para suportar e era nesses momentos que poderia sorrir e não resmungar com as piadas e a forma risonha do amigo Ezio.
Com o silêncio pode notar que Umar não estava e que não deveria nem ficar desconfiado com a própria sombra, mas talvez seu quarto fosse o melhor abrigo ou a sala fosse a melhor a opção. Cambaleante, mesmo tendo ficando por duas horas na delegacia, queria que mais um pouco de sono lhe fizesse esquecer de tudo, subindo as escadas e se jogando na cama, chutando a mochila que estava ali e resmungando contra o travesseiro com o barulho.
A única coisa que ele poderia saber como era a Síria eram através das fotos, documentários passados na televisão, mas estar ali o deixava apavorado. No livros de história, fotos de como no começo do século XX tinham fotos de como eram tais países, a Síria sendo um desses, inteira e com nenhum ataque. Homens e mulheres olhando normais para câmeras.
Mas Altair não estava na Síria no século XX e sim nos dias atuais do que restaria dela, do estado em que pequenos apartamentos e lojas de comércios estariam, caídas ao chão, escombros. Por que ele estava ali?
Tiros ecoavam de forma estranha, pedrinhas eram jogadas de um lado para outro.
Acordou lentamente, já parecia de tarde e a pouca iluminação do dia entrava pela janela, fazendo Altair questionar que horas seriam e se seu pai já tinha chegado, se nada estava fora do lugar ou alguma coisa tivesse explodido do outro lado do país. Se sentou na cama e coçou os olhos, ardiam um pouco, mas o que o incomodava era o peso de coisas nas suas costas, se aliviando pouco com o descanso.
O barulho pela casa e a voz de seu pai conversando com alguém o fez ficar mais desperto, sorrir nostálgico de quando esperava na sala Umar voltar depois do trabalho. Lembrava quando insistia com a babá que na verdade era uma garota que morava ao lado, que poderia muito bem esperar seu pai acordado, mas acabava babando no braço do sofá e com dores no pescoço por ter sido teimoso. Aqueles dias ele dormia sem querer no sofá e acordava na cama, mas não era mais assim, nunca mais seria.
Respirando fundo, pegou o celular e notou apenas uma mensagem de Ezio, sorrindo ao ler e deixando para responder mais tarde, preferindo sair de seu quarto e descer as escadas, encontrando Umar na sala e com uma lata de cerveja, trocando de canais da televisão e entediado, só notando a presença de Altair quando se sentou no outro sofá.
— Como foi na delegacia? — Perguntou, visivelmente preocupado e deixando o volume da televisão mudo — Me desculpe não ter ido com você, mas é que eu precisava falar com Giovanni um assunto sério, me perdoe... — Pediu num sussurro e Altair apenas negou com a cabeça.
— Não se desculpe, pai — Respondeu — Mas o que você estava falando com Giovanni? — Perguntou, curioso e notando a risada de seu pai com a pergunta — O quê? — Riu junto ao pai.
— Você parece a sua mãe — Explicou e Altair rolou o olhar com a troca de assunto.
— Não mude o assunto — Resmungou, fazendo uma careta com a risada de Umar — Não me diga que ele pediu sua ajuda para trazer a família de volta.
Altair se lembra bem de como Ezio ficou quando Giovanni o expulsou e o deserdou, não apenas ele como Federico também, cuspindo palavras que machucaram a todos e que feriram até mesmo a mãe do amigo a qual teve que acolher em seus braços o filho. Altair até temia que seu pai colocasse um basta quando começou a gostar de Malik, mas foi o contrário. Umar era mente aberta e o aceitou, isso fazia ele se encher de orgulho do próprio pai.
— É um assunto delicado... — Respirou fundo, atraindo mais a curiosidade de Altair — Ele estava tentando evitar um julgamento na corte com a guarda dos mais novos e os bens, então ele parece ter se lembrado quando o afastei e o impedi de bater no próprio filho — Coçou a nuca — Ele quer pedir desculpas para Ezio e Federico, mas não sabe como... É estranho voltar para aquela casa da qual eu estava trabalhando, quem diria que eu aconselharia Giovanni Auditore.
— Ele sabe que eu... Você sabe... — Evitou a palavra e Umar negou.
— Parece que ele quer voltar tudo como era antes, não sei o porque isso agora, talvez a solidão o esteja afetando ou Mario esteja ajudando ele a ver seus erros — Franziu o cenho — Como um pai pode falar aquilo para seu próprio filho? Nem o meu pai ou avô falavam algo como aquilo — Resmungou, pegando a cerveja e bebendo um gole.
Aquilo atiçou a curiosidade de Altair, nunca que seu pai tinha mencionado sua família, da Síria ou qualquer coisa de sua mãe além das poucas fotos que guardava. Seria um erro perguntar alguma coisa? Não machucaria ninguém e nem a ele se perguntasse algo, estava demasiado curioso.
— Como era na Síria, pai? — Perguntou, tendo o olhar de Umar lhe encarando com um sorriso nostálgico — Digo, tudo bem não querer falar alguma coisa... É que eu já pesquisei como eram as coisas por lá antes, bem, você sabe... — Deu de ombros.
— Não sou tão velho assim para contar algo que valha de algo, mas na minha idade as coisas já estavam começando a se alterar gradativamente — Explicou — A minha mãe teria sobrevivido depois do meu nascimento se um grupo de militantes rebeldes não tivessem atacado perto do hospital aquele dia — Contou, Altair preferiu se levantar e ficar ao lado de seu pai, vendo o sorriso de canto de Umar — Naquela época era normal terem parteiras e o nascimento ser em casa, mas meu pai era teimoso e queria o melhor... Se eles não tivessem atacado um exercito militar americano que passava ali perto, eu poderia nunca estar aqui...
— Então naquela época já existia os ataques? — Perguntou.
— Existiam, mas eram poucos, muito poucos — Comentou — Mas meu pai conseguia ser mais mente aberta do que meu avô, mas era difícil ter algo além do país... Peguei tarde demais uma parte da minha terra natal.
— Como assim? — Perguntou confuso.
— Meu avô era mais tradicional, tentou até mesmo me arrastar para ir a mesquita, mas meu pai proibiu e meu avô jogou injurias, falando que a morte de minha mãe era culpa dele por tê-la deixado sozinha — Explicou — Agradeço por não ser como ele...
— Você não tem mais contato com o meu avô? — Indagou curioso, notando a expressão triste tomar o rosto de Umar, já sabendo a resposta antes mesmo de ser dita — E como você conheceu a mamãe, digo, sei que você já me contou algumas histórias quando olhei as fotos no seu quarto quando eu era criança... — Comentou levemente constrangido, ouvindo a risada de seu pai.
— Queria saber de onde surgiu tanta curiosidade — Umar comentou, bagunçando o cabelo de Altair e atraindo um sorriso fraco do filho — Até entendo a parte por saber da Síria por causa do Malik, mas por que essas perguntas?
— É porque quando cheguei em casa depois da delegacia, confessar algo de peso e importante... Quando cheguei e dormi no meu quarto e acordar e notar que você tinha chegado, lembrei de quando era pequeno e esperava meu próprio pai chegar para não ter que esperar o fim de semana para ter sua atenção... — Explicou num tom baixo, olhando para Umar que o encarava surpreso.
— Sabe... Olhando agora para você, tenho certeza que sua mãe Maud ficaria orgulhosa de saber como o filho é uma pessoa boa como ela era quando viva.
— Pai? Ela ficaria orgulhosa de mim mesmo eu sendo gay? — Perguntou e Umar deu uma breve risada, deixando Altair um pouco tenso.
— Ela ficaria orgulhosa por saber assim como eu soube quando você chegou envergonhado quando pequeno até mim, contando que Abbas queria lhe beijar como adultos faziam — Contou e Altair sentiu o rosto esquentar de vergonha, engolindo em seco e arregalando o olhar para Umar, atraindo uma risada do pai — Eu sempre soube, filho. Não iria deixar de gostar menos de você, porque você é sangue do meu sangue, não devemos abandonar ou julgar alguém, meu papel como pai é guiar meu filho.
Dando leves tapinhas no ombro de Altair, Umar sorriu com orgulho, pegando a cerveja, mas não a bebendo. Altair não pode deixar de rir com a ideia repentina de ligar para um restaurante de comida chinesa, não pediriam mais pizzas por conta do assunto recente dos Auditore. Aquela foi uma das vezes que Altair pode realmente esquecer de tudo e lembrar como eram as coisas que lhe faziam sentir uma responsabilidade nas costas.
Com a comida chegando e sendo inicio da noite, não faltou muito assunto. Obviamente Altair contou do que aconteceu na delegacia, explicou suas suspeitas para Umar e até mesmo sendo seu pai, ele recomendou o que todos já pediram desde o começo, não poupando sermão quando Altair confessou já estar envolvido demais. Umar até mesmo desconfiou quando Altair não falou muito de Abbas, se nem Ahmar sabia do filho, conta para Umar poderia contar e deixar o outro mais preocupado.
O jantar não se baseou apenas em comida chinesa, ambos resmungaram por ter ausência de alimentos na geladeira ou doces nos armários da cozinha até que Umar deu um ultimato de que sairia para fazer uma compra do mês. Em uma coisa Altair poderia ter puxado do pai era a forma dramática que fazia quando algo não estava certo, a ironia na voz sempre dominava.
Seu pai era uma pessoa que Altair teve que julgar por ser um pai ausente e solteiro, viúvo com a morte de sua mãe.
— Sabe uma coisa engraçada que eu lembro? — Umar falava de boca cheia, tinham pedido uma pizza calabresa e ainda sobrara comida chinesa ao lado da pequena mesa da cozinha — Quando eu tinha resolvido levar você para o trabalho, não para a empresa de segurança e sim da casa a qual tinha sido colocado, foi naquela época quando você tinha sete anos e conheceu a família Auditore comigo.
— Vai contar algum mico meu daquele tempo, uma coisa que eu nem recordo? — Franziu o cenho com a quebra do silêncio, fazendo uma careta com a risada do pai.
— Mas foi engraçado e ao mesmo tempo assustador, imagino seus amigos ouvindo isso, é cômico, mas cômico foi a cara de horror de Giovanni — E deu uma gargalhada, Altair não gostava nem um pouco de ser a piada ou centro das atenções, principalmente de algo que nem lembrava — Não pude deixar você dois segundos quieto e do nada você aparece com uma arma na mão, balançando ela com um sorriso no rosto — Não concluiu, rindo mais ainda e quase engasgando com a pizza — Por Deus, Altair! Eu lembro do seu sorriso de uma criança que parecia que tinha acabado de ganhar um brinquedo novo.
A cara de Altair com a história era a de mais puro horror. Como seu pai pode deixar ele sozinho e rir de quando segurou uma arma na mão? Ele poderia ter matado alguém!
— A sua cara... — Respirava com dificuldade, ainda rindo — Lembro da cara de horror de todo mundo, eram parecidas com a sua bem agora, mas no momento até mesmo eu fiquei em pânico.
— Se eu tiver um filho, que ele não seja como eu... — Murmurou, deixando a pizza de lado.
— Olha, ele pode ser pior — Umar supôs.
— Não fale uma coisa dessas, pai... Não falei — Sussurrou horrorizado — Perdi até a fome... — Fez uma careta — Nem precisa me lembrar do resto da minha infância...
— Mas teve uma vez em que...—
— Não — Cruzou os braços, fazendo novamente uma careta e Umar deu uma risada, deixando Altair constrangido.
— Se eu não posso contar para você, essas serão ótimas histórias para contar ao seu namorado — Deu de ombros, desentendido e ignorando a cara de pânico de Altair — Acho que é Malik... Talvez ele não saiba quando você caiu de cara no chão quando tinha quatro anos, foi numa loja de construção...
Aquela memória Altair lembrava muito bem. Ele tinha ido com o pai até uma loja de construção e ele estava tentando chamar a atenção de Umar no dia, mas como explorar a enorme loja era mais interessante, ele olhava para os lados e graça do universo, Altair não viu o degrau de madeira e caiu de cara no piso. Lembrava do barulho do tombo ecoar na loja inteira e tudo ficar em silêncio até Umar ir até o filho e ajuda-lo a levantar.
— Você nem chorou, ficou com cara de choro, mas até negou quando perguntei se você estava bem — Riu.
— Pai, eu tinha quatro anos e estava com vergonha, é claro que eu iria falar que não estava bem — Enfatizou a idade, atraindo mais a risada de Umar — Ainda bem que não postara aquilo na internet... — Engoliu em seco.
Malik não poderia saber daquelas histórias. Nunca. Nem Ezio, isso se ele já não tivesse ouvido do próprio pai o que Altair tinha feito quando pirralho. Aqueles tempos ele via e ria como uma criança, tudo era gigantesco, menos a consciência do certo e errado, mas poderia concordar que foi um pestinha quando pequeno.
Deixando a louça para limpar depois, Altair falou que iria para o quarto e Umar gritou para ele que iria deixar uma caixa com as fotos dele quando pequeno por perto na sala para caso tivessem visita. Aquilo não preocupou Altair, mas quando chegasse alguém seria bem constrangedor.
Ligando o computador, esperando de forma lenta ele ligar e notando por momento o celular vibrar na cama, suspirando ao ler o nome na tela. Kadar. Era só o que Altair precisava, porque a última vez que Kadar mandou uma mensagem, o resultado no fim do dia tinha sido um pouco além do que Altair esperava. Mas daquela vez ele não queria se "livrar" do irmão e sim ir até a sua casa no dia seguinte, sem dar mais informações.
Preferia que o mais novo ficasse em casa cuidando da senhora Al-Sayf, que ele ficasse em segurança. Mas pela insistência do outro, não negou e contou que não faria nada no dia seguinte, estranhando quando o Al-Sayf mais novo apenas concordou e contou a hora que estaria chegando. Altair estranhou e logo franziu o cenho quando o outro ficou offline, dando de ombros e voltando a atenção para o computador, tentando se concentrar em algo aleatório até se cansar e desliga-lo.
No dia seguinte acordou tarde, um dia de domingo que Altair nem queria levantar, resmungando contra o travesseiro ao ouvir o barulho pela casa, talvez seu pai mexendo ou quebrando alguma coisa, alguma coisa que Altair nem queria saber, se importava mais em voltar a dormir. O barulho parecia não ter fim e pareciam que tinham vozes além de seu pai, então supôs que fossem alguns amigos dele, mas a teoria foi para longe ao sentir alguém se jogar em sua cama, para ser mais exato, em cima dele.
Um rosnado cortou sua garganta, alertando a sua raiva por ter perdido qualquer vestígio de que poderia voltar a dormir, erguendo a cabeça e afastando o cobertor da cara, encarando zangado a pessoa que sentava em cima de si.
— Como você é preguiçoso, já passou do meio dia, sabia? — Kadar falou de uma forma inocente, ignorando a cara de raiva de Altair e nem se importando por esse se remexer embaixo dele — Esperava que o almoço estivesse pronto...
— Kadar... Sai da minha cama, sai de cima de mim e sai do meu quarto... — Proferiu lentamente cada palavra, tendo seu pedido ou ordem atendido — Agora me deixa dormir... — Resmungou, tentando em vão quando sentiu o cobertor deixar seu corpo — Me diga que você não fez isso...
— Não é pra dizer? 'Tá bom, eu não fiz isso — Deu de ombros e Altair sentou na cama, coçando os olhos — É sério, seu pai está com um álbum de fotos de quando você era criança lá em baixo, mostrando para Malik cada momento fofo seu.
Aquilo foi o limite. Se levantou e ficou tonto pela ação repentina, reclamando em um tom baixo e errando um chute que era para acertar o Al-Sayf mais novo, cambaleando até chegar ao banheiro e limpar a cara e qualquer vestígio de sono, voltando para o quarto e notando Kadar vasculhando suas coisas como uma criança curiosa. Não se importava do outro encontrar alguma coisa ali e sim do namorado ver algo constrangedor. Altair deveria ter levado a sério o que seu pai disse no dia anterior.
Só foi apenas trocar de blusa e ignorar o fato de não tem mais nenhum óculos, desceu apresado até chegar na sala, ouvindo as risadas de seu pai e de Malik. Aquilo deveria ser brincadeira e seu pai apenas estava fazendo uma pegadinha de que estava mostrando as fotos de Altair quando pequeno.
— E nesse dia ele decidiu ser uma abelha, usando os óculos e correndo para fora da loja, lembro quando ele bateu com a cara na árvore e ainda saiu correndo para longe de apenas uma abelha — Contava, apontando para uma foto e Altair apenas se aproximou, fazendo uma careta com a cara de riso de Malik — E é por isso que Altair usa óculos desde então.
— Ele não parece uma mosca, abelha faz mais sentido — Concluiu, Malik.
— Muito legal as sua parte mostrar fotos minhas para ele, pai — Altair se pronunciou, atraindo a atenção dos dois ali e cruzando os braços.
— Oi filho, olha que engraçado, seu namorado Malik veio visitar você junto com o irmão e eles avisaram ontem que passariam aqui — Umar proferiu, ignorando Altair e folheando mais uma vez o álbum de fotos — E nem pense em reclamar, eu falei que iria mostrar suas fotos para a próxima visita que chegasse aqui em casa — Umar deu de ombros, se virando e encarando o filho com um sorriso inocente.
— Pai... — Tentou soar ameaçador, mas o efeito surtiu efeito apenas em Malik que encarou assustado Altair.
— Sabe, engraçado você acordar tarde, deixar a visita de lado enquanto baba no travesseiro — Contou — Teve uma vez em que ele contou que queria se veterinário de crianças.
Pronto, o circo estava armado.
— Pai... Apenas não... — Suspirou, massageando a têmpora.
— E deixar a chance de constrange-lo? Essa é a minha tarefa como pai, constranger o filho adolescente — Falou num tom brincalhão, cutucando Malik que apenas deu uma risada sem graça — Vou deixa-los a sós, ligar para uma pessoa a negócios — Falou, se levantando.
O álbum ainda estava aberto ali no sofá e Altair apenas deu a volta para poder sentar, o pegando e sorrindo para Malik, dando uma pequena risada ao sentir ele o puxar pela cintura, colaborando para poder ficar em seu colo e ter a cabeça do Al-Sayf entre seu pescoço.
— Conseguiu dormir depois daquele dia? — Perguntou para Malik, passando a folha do álbum e tocando a foto que seria de sua mãe.
— Não muito... — Confessou — Quem é ela? — Perguntou curioso.
A mulher na foto sorria e aquela era uma das semelhanças que Altair tinham da mãe, o sorriso e a covinha que se formava, não tinha o cabelo preto da mãe e sim pelo que ouviu do pai a personalidade dela, a curiosidade de ambos que seu pai descrevia batia.
— É a minha mãe, Maud — Sussurrou.
— O que aconteceu com ela? — Perguntou, tendo como resposta o silêncio de Altair — Eu sinto muito...
— Meu pai falou ontem que ela teria muito orgulho de mim hoje... — Contou — Que ela poderia sentir orgulho de mim mesmo sendo gay... Como ele pode ter tanta certeza se ela não viveu o suficiente para conseguir me segurar em seus braços? — Murmurou, sentindo-se abraçado na cintura.
— Se seu pai se orgulha de você e diz com tanta segurança que sua mãe sentiria o mesmo, quem seria você ou até mesmo eu para contrariar? — Indagou, beijando o pescoço de Altair — Eu gostaria de poder tê-la conhecido — Comentou em um tom baixo.
— Eu também... — Sussurrou.
O barulho de passos apresados chamou a atenção de ambos e Kadar entrou na sala, segurando algo e mãos e Altair queria pular no pescoço do mais novo por conta da foto. Era uma de Altair quando bebê na banheira, velha e um pouco deteriorada pelo tempo.
Algum dia Altair falaria que amava os irmãos Al-Sayf, mas não seria aquele dia.
Fale com o autor