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25 Spanish Sahara


Notas iniciais
Eu me atrasei, desculpem, sério, me desculpem... E eu falei que iria acabar com o clima bad, de coisas ruins, mas eu só sei estender toda essa coisa ruim para o Alty, perdoem se eu só sei ser cruel... Eu não mereço isso, eu me seguro também, eu também sofro... Aconselho a quem já jogou life is strange escute outra música, essa traz uma carga emocional pesada e não quero ser culpada por ninguém chorando por lembrar da Chloe... Sério, escutem "lost in the echo".... Ah, eu explicarei algumas coisa aqui no capítulo... Espero que novamente me perdoem pela demora.... Tenham um bom sábado e se tiverem alguma duvida, eu irei tirar, mas sem spoilers.

Foi o suficiente para uma vida, coisas que aconteceram em semanas que se mostravam apenas nos filmes, algo que realmente deveria acontecer a poucas pessoas e não a um adolescente norte-americano. Altair tentava a cada segundo na delegacia ao lado de Malik esquecer o que aconteceu, se encolhendo ao lado desse quando se sentaram na sala de espera.

Os olhos sem vida do homem, sangue vindo do ferimento de Aurora, a ameaçada do monstro em pessoa, não tinha como ficar pior, não tinha mesmo, nem mesmo ver Maria ser algemada o deixava para baixo, Altair já se conformou e isso o irritava, se conformar.

Malik sussurrava falando que a culpa não era de Altair, mas era e não havia como negar, era um ima para problemas e estava pagando por sua curiosidade da pior forma. A culpa lhe atingiu mais quando Malik o acompanhou até a recepção e só de olhar e notar a face serena da senhora Hayat e o pequeno Kadar que Altair desmoronou, segurando um pouco suas lágrimas enquanto lembrava das palavras do homem que parecia determinado em arrasta-los para longe da América.

Kadar não mediu um sermão para Altair e Hayat apenas moveu a mão para que esse se aquietasse, se aproximando até Altair e o segurando pelo rosto, sorrindo e lhe falando que não havia com o que se preocupar, pois ele não era culpado de nada e nunca seria. Ela não estava com raiva, estava em paz e isso era estranho, mas Altair notou o medo em seu olhar e um pequeno brilho que mostrava além do medo, mostrava que ela não iria cair a nenhum desafio imposto. Pequena e lhe abraçando, o chamando de filho.

Logo seu pai Umar apareceu ao lado do tio de Aurora, o senhor Haytham não encarou Malik ou sua família, mas sim Altair, podendo ainda desconfiar dele ter lhe dirigido a palavra em forma de desafio. Era de se esperar que fosse assim e que se afastasse para alguma sala. Ao saírem da delegacia, Umar prontamente uma carona para todos e recebeu a recusa de Malik, o qual estava com a moto e os acompanharia um pouco mais a frente. No caminho, Hayat logo alertou a Altair que ele não precisava se preocupar, que deveria apenas se focar em si próprio e em sua segurança, uma escolta passaria sem na casa dela e tal informação o tranquilizou um pouco, não muito, mas o suficiente.

Só ao chegarem ela perguntou se gostaria de ficarem para jantar, deixando a oferta mais tentadora ao falar que Kadar que cozinhou tudo. Altair rapidamente concluiu que talvez Arno passaria ali e tentaria ser aprovado pela mãe do namorado. Tentou até negar por segurança, mas Umar aceitou por ambos e Altair apenas virou o rosto para o pai em descrença total. Não queria colocar ninguém em risco e seu pai apenas não colaborava.

Estacionando e entrando na casa dos Al-Sayf, Altair notou a curiosidade se Umar com o cheiro da comida, elogiando Kadar e a mãe desse pelo filho conseguir fazer algo tão bom e típico da Síria apenas pelo cheiro. Aconchegando-se na sala e Altair deixou seu pai conversando com a senhora Hayat para poder se voltar a Malik.

Ele poderia ter acabado de fechar a porta de casa e ter uma cara cansada, mas só de Altair se aproximar um sorriso surgiu e Altair não pode deixar de se aproximar do namorado, beijando seu rosto e pedindo novamente desculpas por tudo, mas sendo abraçado e não escutando nenhuma palavra de Malik, apenas sendo envolvido no calor do corpo dele e enlaçando seus braços em seu pescoço.

— O que ele disse a você? — Aquela era a pergunta que Altair não queria responder, principalmente para Malik.

— Mal... – Sussurrou com pesar, o vendo negar com a cabeça — Não me sinto confortável falando dele, não depois dele... Dele ter ameaçado você e sua família... Simplesmente não posso – Parecia implorar e na verdade estava, ele não queria ver Malik carregar tudo aquilo e sentir culpa, ninguém a merecia.

— Saiba que eu sinto muito... Por não ter acreditado em você e— Altair o calou antes de continuar.

— Você não tem culpa do que ele fez ou ameaçou fazer, acredito que você vá conseguir se desculpar a altura por não ter acreditado em mim, algum dia quando essa bagunça acabar... — Sussurrou.

— Como aconteceu? Digo, depois da ligação? — Perguntou e Altair evitou fazer uma careta.

— Ele ligou pelo celular de Aurora e nos ameaçou ali mesmo, como se estivesse do lado, mas era outro – Respondeu, engolindo em seco e olhado para Malik, mas não suportando e olhou para a parede — Não sei como ele conseguiu o número dela... Mas ela quebrou o celular na árvore e então teve o primeiro tiro... – Sua fala acabou por sair meio tremula, mas não recuou, balançou a cabeça para manter o foco — Ele... E-ele iria me matar... Mas ele está morto... — Um lágrima caiu e Malik o apertou contra si — Malik... Seu pai me quer morto... Ele quer levar vocês para fora do país e meu Deus... Ele ameaçou matar o meu pai... — Parecia que um nó se formou em sua garganta, soluçando.

— Nada do que ele disse vai acontecer, nada — Sussurrou — Entenderei se quiser terminar comigo para não se ferir e proteger seu pai – Falou num sussurro.

Altair o afastou de si com o rosto molhado, mas o olhar com incredulidade e surpresa pelas palavras do Al-Sayf, parecia tão surreal como quando se beijaram debaixo da chuva. Um frio passava pela barriga de Altair em pensar na possibilidade se não ter aquele homem ao seu lado apenas para protege-lo. Poderiam ser jovens e ter muito tempo do mundo, mas era cedo demais para falar que não conseguiria viver sem o outro, pelo contrário, Altair queria bater em Malik por sugerir algo como aquilo e mesmo que fosse egoísta recusar ou aceitar, o ponto que passou em sua cabeça foi que Malik preferia manter Altair longe, terminar o namoro para não se ter mais riscos.

— Nunca ouse sugerir esse tipo de coisa para mim... Nunca. Está me entendendo? — Continha sua raiva e apontava o dedo com força no peito de Malik — Nunca... — Fechou os olhos com força.

— Se vocês terminarem, eu esgano os dois e sirvo de janta para Malala — Ambos se viraram e notaram Kadar de braços apoiados na parede.

— Sério isso? – Malik bufou, cobrindo o rosto e Altair apenas escondeu o rosto no peito de Malik — Irmãozinho, estou pensando seriamente em deixar você e o Arno em paz, oficialmente — Resmungou.

— Isso seria uma luz divina caindo dos céus e me iluminando? — Falou com ironia e um tom zombeteiro — Não, é apenas meu irmão que nem se acertou com o namorado e está sugerindo terminar – Os encarou, o cenho franzido e suspirando – Não terminem, deu um trabalho tentar fazer vocês voltarem... – Kadar parecia implorar e Malik apenas deu uma risadinha.

— Menos, Kadar... — Altair murmurou, apertando a blusa de Malik — O assunto é sério, de adultos ser for mais explicativo...

— Eu sei que é — Falou sério, atraindo a atenção de Altair e esse passou a encarar Kadar – Mas não deixem aquele babaca separar vocês ao estilo Romeo e Julieta onde os dois morrem por amor, vivam o momento de vocês que eu e a mamãe iremos nos virar como pudermos – Sorriu e Altair se recusou a lembrar das palavras do senhor Al-Sayf ao que faria ao caçula.

— Não posso abandonar e deixar minha família de lado, porque vocês dois e a senhora Hayat são minha família — Falou, olhando para Malik em seguida — E não pense que vai se livrar de mim tão fácil — Fingiu um tom de zangado, mas não conseguindo e sorrindo.

Um beijo leve nos lábios de Altair e Malik se inclinando um pouco para a altura não ser um incomodo, isso foi um motivo para aquecer o coração de Altair com o tanto que estava passando, mesmo que as preocupações não tivessem ido embora, ficaram de lado para dar espaço ao que realmente importava.

Não demorou para Umar e Hayat aparecerem e irem a cozinha, só por se servirem com o jantar e Umar falando árabe com a senhora Al-Sayf, Altair ficou com um enorme ponto de interrogação por desconhecer o idioma, deveria ser uma conversa muito séria já que Malik os entendia e fazia uma careta. Mas a careca dele se desmanchou com o miado.

O gatinho de Kadar olhava atentamente para Malik e Altair riu quando o namorado o afastou e pegou uma coisa na geladeira. Altair cobriu a boca para segurar uma risada com a pequena mamadeira de gato em mãos, tendo o filhote escalando sua perna até poder chegar no braços de Malik. Todos na cozinha olharam a cena e Kadar gargalhava com gosto, soltando piadas e falando que a gatinha Malala adorava o irmão enquanto essa faltava segurar a mamadeira sozinha.

— Quando você fez essa tatuagem, Malik? — Umar perguntou curioso depois servir refrigerante para o outro enquanto esse tomava cuidado para não derrubar a gatinha que se prendeu em seu ombro para descansar.

—Eu... — Tossiu nervoso, coçando o braço tatuado e sorrindo sem graça, até mesmo Altair o encarou para saber, deixando o Al-Sayf mais nervoso — Fiz a três anos atrás...

— Com apenas quinze anos? — Indagou surpreso e Kadar deu uma risada.

— Sou mais velho que a maior das pessoas da escola...

— Apenas dois anos — Acrescentou, Kadar — Fase rebelde – Deu de ombros e Malik lançou uma careta para o irmão.

— Todos tem uma fase rebelde, eu por exemplo tenho uma tatuagem também — Umar comentou e Altair quase engasgou com a comida, atraindo a atenção de todos.

— Isso é sério? — Perguntou com um fio de voz e Umar deu uma breve risada.

— Legal... Mãe, eu posso fazer uma tatuagem também? — Kadar pediu, os olhos brilhando em expectativa.

— Oh meu filho... — Deu uma risada e em seguida um suspiro — Não.

— Por quê? O Malik tem e até o pai do Altair tem, não é justo – Resmungou, atraindo uma risada de todos.

— Não é justo? — Hayat repetiu, deixando a comida do prato de lado e encarando séria o filho.

— Não vai ser um fase rebelde se você pede para a mãe, Kadar — Malik zombou, rindo e rolando o olhar diante da birra do irmão — Você já terminou de comer, pode cuidar da Malala que o pai dela é você e não eu – Ditou, tirando com cuidado a gatinha do ombro e deixando nos braços de Kadar – Bem melhor.

— Como você não gostasse de cuidar dela... – Resmungou.

— Eu deveria ter tirado uma foto disso... – Altair sussurrou, atraindo a risada de Umar e um sorriso de Hayat.

— Eu já tirei várias quando ela dormia com os meninos, posso mostrar assim que terminarmos – A senhora Hayat sugeriu e Malik e Kadar olharam acusadores para ela, provavelmente por lhes constranger — Sou a mãe de vocês, é meu dever lhes deixar envergonhados, minha missão — Falou de forma tranquila, bebericando o suco de laranja.

— Pelo menos não é só eu que faço você passar vergonha — Umar falou para Altair, fazendo o filho rolar o olhar.

Com o final do jantar, Altair ofereceu ajuda com a louça suja, mas Hayat acabou deixando com a insistência dele.

— Você é um bom menino, Altair — Hayat falou, terminando de guardar os pratos enquanto Altair secava as mãos.

Os garotos e seu pai conversavam na sala, mas os miados ainda ocorriam na cozinha com a gatinha Malala os olhando de forma curiosa, movendo de forma lenta para o seu tamanho e idade de poucas semanas. Hayat sorria para ela e a tomou nos braços de forma delicada.

— Os meninos gostam de você e dessa vez Malik não tem apenas Ezio ou Aurora, ele tem a você — Contou, mimando a gatinha, fazendo Altair sorrir — São poucos os que podemos chamar de amigos, Kadar foi o que só tinha amigos na escola, mas ele o considera como alguém de respeito... Eu o vejo como alguém que poderei agradecer por existir e se preocupar com meus filhos, por me considerar da família.

— Você ouviu... — Sussurrou envergonhado.

— Ouvi a preocupação de alguém que quer o meu bem e de meus filhos — Sorriu, entregando Malala para Altair, o deixando meio nervoso por ela ser tão pequena e temer machuca-la — Não importa o que tenha acontecido, ele não vai levar você e machuca-lo porque eu irei estar aqui para lutar – Contou, apertando os ombros de Altair – É isso que dizem na América, deve se proteger a família.

— Isso deve existir em toda família... — Sorriu, dando uma risada com a gatinha que mordiscava seu dedo.

— Como eu disse, você é um bom garoto, mais pessoas deveriam ser como você...

Altair refletia se ele era uma pessoa boa, não fez nada que fosse de grande importância e apenas atrapalhou em alguns casos, teimando com os avisos e ignorando todos, mesmo temendo estando com medo ele fazia algo que acreditava ser correto. Isso ainda o fazia ser uma boa pessoa?

Pela janela dava para ver uma viatura em vigia, Umar e Altair logo se despediram e o único ponto estranho foi deixar a filhotinha com Kadar, não gostando nem um pouco disso ela não parou de miar, nem quando se despediram e saíram da casa.

Em casa, Altair temeu mexer no próprio celular, mas esperou para mexer nesse depois do banho, demorando até voltar ao quarto e se vestir novamente, ligando o computador e notando uma mensagem de Aurora.

|ninguém avisou, mas você vai ter que prestar um depoimento ainda nesse sábado, ou seja, amanhã na mesma delegacia... sinto muito pelo que fiz...|

Altair negou com a cabeça ao ler.

|você salvou a minha vida, não parecia ter outra opção, só terei que lidar com pesadelos|

Digitou, desabafando. As imagens já apareciam quando fechava os olhos para tentar esquecer.

|talvez eu possa ajudar, minha mãe trabalha numa empresa chamada Abstergo, ela é médica e conhece alguma psicóloga por lá, isso pode ajudar|

|obrigada, mas eu recuso... falando em ajuda, vi Maria quando eu estava esperando na delegacia. Sabe o que aconteceu?|

|não sei se deveria falar disso...|

|prenderam ela, não é?|

|altair... eu não posso comentar|

Ele suspirou, pensando em outro método.

|você comentou que foi amiga de infância de Maria... confesso que fiquei curioso|

|nem tanto para me perguntar... o que quer saber?|

Tantas perguntas.

|você conversavam como? Você é muda...|

|nem sempre fui assim, quando eu nasci já tinha um pequeno problema nas cordas vocais, como aquele babaca comentou, eu sou austríaca e fui abandonada no inverno, o que só piorou minha situação... minha mãe trabalhava numa pequena corporação da Abstergo na época e me encontrou, mas esse problema só atrapalhava a minha fala e eu a perdi completamente num acidente|

|seu tio falou de um Charles, ele machucou você?|

Era clara a ansiedade de Altair por respostas.

|esse foi o acidente, a curiosidade mata, por isso alertei você no inicio sobre Maria, você poderia acabar como eu|

Choque, Altair segurava mais a curiosidade, mais do que deveria.

|maria era minha vizinha e o meu acidente aconteceu no mesmo período em que a irmã gêmea dela morreu, mas naquela época eu estava fora do país|

|você mencionou cirurgia|

|para retirar o inchaço no pescoço, eu falava muito pouco por conta do problema e tinha tipo uma bola de beisebol no meu pescoço, não, era tipo uma bolinha de gude, estou exagerando|

|seu exagero me assusta|

Confessou, os olhos pouco arregalados de medo.

|edward costuma falar o mesmo, mas é assim que eu costumo conversar, vai ser complicado agora já que meu celular foi pra valhalla num jantar com magnus chase|

Altair riu com a referência do livro e personagem Magnus. Ele não poderia ter uma prateleira de livros, mas a sua biblioteca no computador era imensa.

|como ele descobriu o seu número?|

|não sei, mas é estranho... ninguém além dos meus conhecidos sabe dele...|

Isso que preocupava Altair, poderia acontecer o mesmo com ele e seu pai.

|e seu machucado? Está melhor?|

|só pegou de raspão, não estou morrendo, mas doí um pouco|

|e o Jacob?|

Agora sim ele tentaria animar alguém antes de dormir ou desmaiar. Altair sorriu e riu com a demora que ela estava tendo em responder.

|você não vai desistir?|

|nunca|

|de verdade, não vou falar de garotos com você, muito menos do senhor referência|

Altair poderia sentir de longe a vergonha dela, o tom zombeteiro era mais de oito mil

|ele não poderia tecnicamente ficar tão alterado daquele jeito|

|altair...|

|parei... mas e se ele estiver só um pouco...|

|ALTAIR|

|como é chata...|

Foi inevitável não rir, conversando mais um pouco com Aurora e se despedindo, desligando o computador e mexendo celular para despertar para o dia seguinte. Deitando na cama e se cobrindo, não precisando nem esperar para dormir.

Um som de chamada no celular o despertou, não sendo nem de manhã e sim no meio da madrugada. Sem a ajuda de seus óculos que trincaram e precisando encomendar outro, Altair tomou o aparelho em mãos e atendeu, sem saber direito quem seria.

— Altair?

Era Malik. Sua voz estava estranha, soluçando de fundo e respirando com dificuldade.

— Mal? Você tá bem? O que aconteceu? — Perguntava preocupado, sentando na cama e coçando o olho — Malik?

— Eu... E-eu... Merda, isso parece ridículo... – Resmungou e Altair apenas esperou – Tive um pesadelo... E eu... Apenas queria comprovar que você está bem...

— São três horas da manhã e você me ligar por estar preocupado... — Sussurrou, fechando os olhos.

— Desculpa... – Falou baixo, dando para ouvir um miado.

— Malik, se você estiver se desculpando por me acordar no meio da madrugada por causa de um pesadelo e com a Malala do seu lado provavelmente lambendo suas lágrimas... Esqueça esse pedido de desculpas, não estou bravo... Só confuso – Bochechou, se espreguiçando – Tente dormir, eu vou ficar bem, sempre fico – Aconselhou.

— Como assim confuso? – Indagou – Desculpa, mas eu só quero ouvir um pouco mais a sua voz...

— Você me ligar, poderia ter falado com a sua mãe ou Kadar – Respondeu – Por que eu?

— Você estava no pesadelo... Ele me forçou a fazer aquilo... – Falava, sua voz alterando para raivosa.

— Faheem... Ele virou um killgrave? – Tentou usa a referência, mas apenas recebeu uma breve risada de Malik – Não me segurei, desculpe... Não vai contar o que aconteceu, não é? – Perguntou.

— Seria mais agradável não contar... – Respondeu, resmungando algo quando um miado surgiu no meio da conversa – Você invade o meu quarto e já quer o travesseiro pra você? Não tem como defender você, Malala – Malik resmungava e Altair não segurou uma risada – ‘Tá rindo do quê? Quero ver quando você tiver um animal e ele querer roubar seu travesseiro.

— Malik... Vá dormi... – Riu e escutou o namorado bufar de teimosia – Tente descansar...

Foi breve, mas Malik suspirou e agradeceu, desligando a chamada. Foi difícil voltar a dormir, seu coração estava aquecido demais e parecia que iria explodir dentro do peito, a preocupação do outro consigo, a culpa que ambos carregavam e Altair só notava que falhou tirar o peso de Malik, deixando o dobro de antes. Ele apenas queria ajudar, queria deixar todos bem, não ter envolvido Aurora, não ter tido amizade com Abbas na infância para nada daquilo acontecer. Queria ser mais social, sorrir mais, não ter tido a dor de ver seu amigo Ezio chorar e ser deserdado pelo próprio pai, de no passado saber como lidar com tudo que parecia uma bola de neve descendo e ficando maior apenas na adolescência.

Só por tentar adormecer, cada lembrança que poderia ter feito melhor passava em sua cabeça, poderia ter impedido várias coisas, feito outras.

Só quando conseguiu dormir novamente, a paz apaziguou seus pensamentos, os calando até acordar novamente para se arrumar e comer um cereal, tendo uma carona oferecida por Umar ao explicar que deveria ir a delegacia.

Ao chegar lá, Aurora estava o aguardando com seu tio Haytham na entrada, ambos o acompanharam até o delegado para ser ouvido do ocorrido no parque. Altair teve que escrever seu sobrenome para registrar seu depoimento já que ninguém sabia escreve-lo e se deu inicio, mas com a presença de uma figura a mais do delegado e do escriva. Evie Frye, a irmã do Jacob contestou sua presença com a desculpa de que Altair precisaria de uma defesa caso o delegado o contestasse e o acusasse do que ele fez.

Seu pés tremiam enquanto falava, tremendo a voz de nervosismo e quando terminou teve que apenas assinar um papel, saindo da sala com um pouco de presa e ouvindo de Evie que ele não deveria temer nada. Altair queria se apegar a ideia, mas não conseguia.

Seguia pelo corredor até a sala de espera, mas quase se esbarrando na parede quando Aurora passou por ele apressadamente. Seu cabelo cacheado poderia esconder seu rosto, mas Altair notou as lágrimas que caiam do rosto da Kenway mais nova. Ele parou Aurora, a fazendo ficar parada em sua frente, mas parecia que a qualquer momento ela iria desmoronar. Ele então a abraçou, sentindo sua blusa ficar molhada e notar pelo canto do olhar o tio dela ter a culpa estampada.

— Eu pedi para que ela não escutasse o depoimento de Maria... Ela confessou e quando deixamos sua personalidade verdadeira ouvir o que tinha dito... Ela enlouqueceu... — Explicou, Aurora se afastou de maneira abrupta de Altair, se retirando dali — O professor de química que fez os remédios de Maria trabalhava na mesma empresa que minha irmã trabalha atualmente... Ele era um químico assim como o pai de Maria era...

— Por que contar isso pra mim? – Perguntou confuso.

— Ela citou você como a única pessoa boa depois que tudo ficou ruim... A personalidade agressiva culpou Aurora por tê-la abandonado na infância e quando a irmã dela morreu, mas quando voltou ao normal... – Suspirou antes de continuar – Ela implorou para que Aurora a perdoasse...

— Ela me contou ontem que... Que elas eram amigas de infância, que Maria prometeu que daria um jeito na pessoa que a fez perder a voz – Falou e Haytham franziu o cenho.

— Se Maria conseguisse um passaporte para o Reino Unido e fosse até a prisão mais bem guardada de lá apenas para matar o responsável pelo que aconteceu a Aurora, eu daria um prêmio a ela... – Confessou – Ela falou que estava tentando era arrumar um jeito de fazer alguma droga fazer Aurora falar, mas ele aderiu ao trafico para bancar os custos...

E usou Malik para ajudar a amiga que perdeu na infância e prejudicar pessoas no processo.

— Não conte a ninguém sobre isso, logo as pessoas prejudicadas serão alertadas – Falou num tom autoritário e Altair concordou, mas se apressando em tirar uma curiosidade.

— Ela falou de um tal Malik? – Perguntou e Haytham o olhou desconfiado – Ele é um amigo...

— Garoto, eu não deveria contar... Mas ela falou sim desse tal Malik – Contou – Ela usou como um boneco esse cara, mas suspeito que ela tenha planejado algo para se vingar dele... – Terminou, se afastando e entrando em uma sala.

Aurora mencionou que o pai de Maria ficou alcoólatra, agora Altair sabia que ele trabalhou na mesma empresa que o tal professor de química, então talvez ela o chantageou. Como se não bastasse, ela já tinha se vingado de Malik e essa vingança tinha nome. Faheem.

Notas finais
Foals - Spanish Sahara Primeiramente, eu não consegui achar na internet um nome de uma mulher forte. Sei que existe Nina Simone e várias figuras femininas fortes, mas queria uma na parte do norte da africa até algumas partes do oriente, mas encontrei Malala, ela é uma garota paquistanense. O nome dela foi escolhido em homenagem a uma heroína do Afeganistão chamada Malalai de Maiwand. Sim, o nome da gatinha de Kadar tem um significado enquanto a cachorrinha de Aurora se chama Dorinha, uma piada para "Dora, a aventureira"