Novice

19 Safe and Sound


Notas iniciais
Me perdoem, sério, a sofrência vai ser mais de dois capítulos... E espero que gostem desse capítulo, eu tive um carinho enorme ao faze-lo e sabem por quê? Bem, eu prometi a mim mesma que não o faria, mas esse capítulo mostra o ponto de vista de Malik Al-Sayf, sim, o Mal. E eu tenho duas noticias, a primeira é que dia 4 do próximo mês é meu aniversario (yey) e a segunda noticia é que eu estou estudando para uma prova, então eu posso demorar para aparecer, pois então eu peço que não se zanguem comigo caso eu atrase os próximos caps... Preparem os lenços... espero que gostem.

Aqueles anos nunca sairiam da sua cabeça, o choro de sua mãe e o bater da porta, o impedindo de interromper o que se passava, a única coisa que o impedia de proteger sua mãe era um pedaço de porta. Malik se sentia ridículo e chorava junto, segurando os soluços e encarando o escuro, ele tinha que ser forte, por sua mãe e irmão, ser o homem que aquela família merecia, que os protegeria. Mas como? Com braços finos e metade ou até menor que um homem na puberdade. Malik se sentia inútil e ridículo, pequeno e sem força para pelo menos derrubar aquele que fazia sua mãe chorar.

Malik jurou, prometeu solenemente nunca machucar a pessoa que amasse, não importasse o que ela fizesse, ele se veria incapaz de machucar ou encostar a mão contra alguém que amasse, mas a defenderia com toda suas forças no futuro.

Mas então alguém fez o que Malik não pode, afastou a si e sua família do monstro que era seu pai e mesmo na época Malik escondendo Kadar debaixo da cama ou até mesmo num fundo falso de parede, o Al-Sayf mais velho não sabia quanto tempo mais conseguiria esconder o que acontecia ao seu irmão. O nome da pessoa era engraçado e ele soube apenas pronunciar o primeiro nome da salvadora, Maria. Na religião da mesma, alguém que protegia aqueles que precisavam eram chamados de anjos e Maria Auditore foi o anjo que salvou sua mãe e Kadar, conseguiu protege-los quando Malik não pode e Malik se sentiu inútil, mas aliviado ao não sentir o cheiro de bebida e do narguilé novamente.

A noite apenas os homens saiam e suas mulheres deveriam servir a casa como meras marionetes, tendo o papel apenas de reprodutoras e só. Mulheres sem voz e com cordas sobre suas cabeças. A mulher que veio lhes ajudar tinha a bondade em seu olhar, a preocupação estampada quando ajudou a carregar Kadar no colo e segurando mala que era apenas um pano que continha as poucas roupas dos três, mas tinha outro pano e sua mãe Hayat o carregava também, carregava o peso de uma nova esperança não para ela, mas para seus filhos e Malik queria poder falar para sua mãe que tudo ficaria bem, pois ficaria.

Distante do distrito, ouviam-se gritos de raiva e podia notar-se que tal grito era de seu pai, Faheem já sabia da fuga da mulher e dos filhos e comoveu uma multidão, a multidão de homens que não permitiam tal coisa. Como poderiam? Para eles uma mulher pensar na possibilidade de abandonar o lar era inadmissível, de pensar e ter voz em outro lugar era uma heresia.

Aquela noite Malik pode escapar das chamas do que era denominado lar, mas para ele era o inferno. Ele pode sentir o conforto de algo macio que eram os braços de sua mãe e ver as nuvens de perto, ouvir a mulher chamada Maria falar em um idioma estranho, mas Hayat traduziu duas palavra dela para o árabe, duas palavras no idioma em inglês, as palavras eram " são e salvos".

A sorte que Kadar tinha era de não poder se lembrar de nada, também, Malik ajudara nesse fato, mostrar ao irmão que havia muito mais do que uma doutrina idiota que machucara sua mãe, Malik queria ter essa sorte do irmão, mas não trocaria sua dor e lágrimas pela inocência de Kadar.

A infância foi difícil, mas não tanto quanto ver sua mãe batalhando para aprender inglês como ele e até mesmo fazendo poucos trabalhos, Hayat não queria continuar dependendo de Maria, mas aceitou e insistiu que pagaria a casa. Sim, Maria Auditore era um anjo.

Mesmo sendo atrasado dois anos na escola e sendo dois anos também mais velho que outros alunos, Malik passava despercebido quando tentava algo, aprontava o básico com Ezio, o filho da mulher que os ajudara, um garoto malandro e esperto, sendo o que atraia as atenções, mesmo ambos se conhecendo quando pequenos, apenas na adolescência ambos ficaram mais amigos.

Tentava manter o controle quando o irritava e sorria irônico, não abaixaria o seu nível para a agressão, mas apelava quando o assunto era na escola, os idiotas que o incomodavam, provocavam e Malik soube resolver revidar de duas maneiras, da maneira difícil e da maneira fácil, fazendo os mesmo quebrarem a cara ao entrar no time de futebol americano da escola quando entrou no ensino médio.

Foi quando fez sua tatuagem tribal, com significados variados através dos anos, a que fez mais sentido foi que as mesmas serviam para intimidar os inimigos em batalha, que se afastassem e assim Malik o fez, sua armadura que afastaria os inimigos. Seu mal humor afastava todos, sua "fama" era conhecido até mesmo entre seu patético professor de historia, Al Mualin. Malik queria saber o que o professor fazia na América, mas ignorou o mesmo como uma mosca.

Mas nem mesmo o seu mal humor afastava a todos, bem no inicio do primeiro ano ele conheceu uma garota que tinha a fama ao lado do irmão mais velho, era pequena e muda. Pele escura e cabelos bem cacheados, seus olhos azuis o encaravam em desafio e Malik não questionou em pensamento por ela ter olhos de cor como aquela, pois até Kadar tinha os olhos azuis.

Ela o encarava com medo de inicio, como se algum homem já a tivesse machucado e Malik já reconhecia aquele olhar, era o mesmo de sua mãe quando saíram de Masyaf. Às vezes só mudava a bandeira e história do país, mas o comportamento de alguns em relação as mulheres não mudavam. Seu nome era Aurora Kenway, irmã mais nova de Edward Kenway, o aluno brigão e repetente.

Não foram muitas as vezes em que ambos se interagiram, mas Malik descobriu que a garota tinha um mundo peculiar, ouvindo gritos em seu silêncio eterno e ele conseguindo saber por confiança o que a fez perder a voz. Malik só tinha sentido tanta raiva assim quando seu pai batia em sua mãe, mas daquela fez, naquela única vez Malik se viu pela primeira vez cometendo um crime, mas o afastou no fundo dos pensamentos, no silêncio escuro que eles eram, pois jurou que não contaria nada e nem o faria, não desapontaria sua mãe e não trairia sua primeira amiga. Ela tinha chorado quando contou, mas apertou a mão de Malik e sorria fracamente, como se ele quisesse falar que era passado, mas o passado ainda machucava muitas pessoas.

O mundo era mais cruel do que parecia, mas Malik Al-Sayf teve esperanças quando conheceu Maria Thorpe, a adorável aluna nova. A mesma não tinha medo de se aproximar, sorria para todos, mas o sorriso que a mesma lançava para Malik era único e nesses momentos o Al-Sayf vacilava, perdia um pouco das suas defesas, mas uma coisa ele não entendia era o olhar estranho que Maria direcionava a sua tatuagem, como se aquilo a incomodasse tanto a ponto de perguntar o que Malik tinha na cabeça para faze-la.

Sua tatuagem conseguia intimidar os inimigos, até mesmo aqueles que não podia ver e foi o que aconteceu a Maria. Ezio já o tinha alertado, falando que sentia algo estranho na garota que Malik gostava, mas o Al-Sayf não ligou, pois tinha recebido o seu primeiro beijo e Maria o tinha dado. Aurora o alertou, negando com a cabeça em clara decepção quando Malik rebateu mal humorado, Maria o entendeu quando contou sobre sua infância na Síria

Mas Kadar o ajudou a superar quando foi tarde demais, a sua face de durão e mal humorado tinham caído ao ouvi-la conversar de um jeito estranho com um tal de Robert, sabendo mais tarde o porque desconfiaram da mesma.

Dupla personalidade.

Não era falsidade, não era fingimento e Malik podia ouvir o barulho de uma caixa de remédios, aquilo era para conter. Afinal, não traria desconfianças se uma personalidade não soubesse da outra. Mas o que o abalou foi o fato dela querer usa-lo pelo nome, sua origem era apenas uma maneira dela e Robert se livrarem da culpa que cairiam nos dois caso a policia soubesse, afinal, o trafico de remédio não legalizados com um garoto que nasceu em outro país não traria desconfiança para ambos. O sangue de Malik fervia, pois não era com ele que se preocupava e sim com sua mãe e irmão, ambos poderiam perder os seus direitos e por mais que se sentisse traído, Malik fingiu não saber de nada até realmente ver como duas personalidades agiam e falar a verdade depois de um periodo abalou a Kadar.

O irmão notava a felicidade de Malik e ouvir tudo aquilo ferveu o sangue de Kadar e tendo a confiança em Aurora, nunca pode notar que daquela vez ele seria protegido. Primeiro Aurora quase tinha voado para cima de Maria, Malik até tentou para-la, mas acabou que ela o imobilizou e ambos ficaram suspensos. Depois do que aconteceu, Kadar esperava do lado de fora da escola quando todos saíram e deu um tapa no rosto de Maria, ignorando o olhar chocado da mesma, o pequeno Al-Sayf esperava que a outra personalidade sentisse.

Aquela Maria não era um anjo, mas a personalidade que não sabia o que tinha acontecido preferiu trocar de período e se mudar. Malik não queria saber de mulheres, nunca mais ou até ele saber confiar em uma novamente, pois as únicas mulheres que a tinham eram Maria, sua mãe Hayat e Aurora.

O final do primeiro ano até o segundo se seguiu tranquilo até o momento que os antigos terceiros terminaram a escola e novos integrante teriam de entrar no time, com isso Malik conheceu Abbas Sofian, um tipo de encrenqueiro parecido com Edward, mas pior. Histórico de agressão, assedio com as alunas e inadimplente com os professores, era o aluno perfeito para o time e Malik fez vista grossa com o mesmo, principalmente quando o via em ação e num desses momentos viu como Abbas era covarde, atormentando mais um garoto franzino e pequeno que usava óculos, soube pelo próprio Abbas que aquele era Altair e pelo sobrenome o mesmo parecia ter descendência árabe, mas seus traçados diziam o contrario.

Altair era uma incógnita, parecia sumir e misturar facilmente na multidão, Altair era um mistério e estranho por ler um livro que acabou atraindo o interesse de Malik, seu nome era "O Pequeno Príncipe". Malik nunca foi de ler, mas ver as frases e mensagens que o livro tinha, acabou por notar mais Altair, sempre indagando o porque Abbas infernizar o coitado e o repreendendo, mas recebendo um dar de ombros do Sofian.

Se passou o segundo ano e no terceiro Malik tinha caído na mesma sala que Altair, e por mais que o Al-Sayf tivesse pesquisado, descobriu o seu interesse pelo mesmo sexo, atraído por aquele garoto, podia ter cicatrizes de Maria, mas é loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Se fosse na Síria, Malik seria executado por isso, mas nenhum tiro de bala tiraria o sorriso de seu rosto quando ouviu Al Mualin falar de trabalhos em grupos. Malik se sentiu um bastardo sortudo, mas não mostrou isso, se manteve indiferente até no momento em que o sinal para o intervalo tocou e quase obrigou Altair a participar do seu grupo. Altair tinha medo de Malik e ele não queria isso, então teria que mudar as coisas, mas sem atrair estranheza o outro.

E o tempo passou, um mês passou e metade de outro mês também. Nesse meio tempo Malik deu uma surra em Abbas pelo mesmo ter xingado Altair na sua frente, brigou com Arno pelo mesmo se envolver com o irmão, ouviu palavras perigosas de Maria. Mas Altair estava lá, ele estava ali com ele e por mais que a situação fosse grave, Altair não fugira, não, ele ficou e o acalmou, trouxe a paz que Malik sempre sonhou ter.

Não era "novice", era namorado, era o nirvana. Malik protegeria Altair, o protegeria porque o que ele começava a sentir não era paixão, era amor. Ele se preocupava o suficiente para saber que era verdadeiro.

— Mãe, o que você acha do Altair?

Indagou depois que chegou do trabalho, tinha passado o desagradável dia remoendo as palavras de Maria e a imagem de Altair chorando.

— O que eu acho? Filho, a cultura americana e seus costumes mudam com o tempo, mas sua mãe já aprendeu a aceitar o próximo, por que fala isso? Vocês estão namorando?

Era essa pergunta e resposta que Malik queria adiar, mas não queria esconder isso, não mais.

— Digamos que sim... O que você acha?

— Altair é um amor, gostaria de adota-lo, mas tê-lo como genro já é maravilhoso — Contava contente, sorrindo — Traga-o para jantar conosco, Kadar já vai trazer o namoradinho de infância amanhã, então... — Parando na cozinha e pondo as mãos na cintura, Hayat o encarou séria — É uma ordem, tente trazer o doce Altair, quanto mais pessoas na família, melhor.

Sua mãe era a melhor, a puxou para um abraço apertado e beijou sua testa. Malik ainda tinha esperanças quanto ao que esperar do futuro, mesmo que esse fosse nebuloso.

Notas finais
Me perdoem o cap ser curto... Safe and sound - Capital Cities