Novice
20 Hey Brother
Notas iniciais
São poucas as pessoas que podem desmoronar ar na frente de alguém, mostrar sua fraqueza. Alguns se aproveitariam, mas não Altair, não faria não por não ser capaz e sim porque amava Malik, não o faria nada que o prejudicasse o Al-Sayf.
Mesmo com o ar descontraído, Mal sorria para si, como se nada o afetasse e isso machucava Altair que via a dor diante de seus olhos, a dor nos olhos do outro o fazia não ter pena e sim com vontade de lhe fazer esquecer o sentimento, mesmo que fosse impossível, mas Altair aprendeu que nada é impossível se tentasse.
Sentia os lábios de Malik contra os seus, o nervosismo de toca-lo era evidente e mesmo com um pouco de vergonha por se beijarem no pátio da escola. Altair segurava o rosto do outro ao se separarem, mas não teve um tempo de prestar atenção na intensidade da dor do outro, pois foi puxado novamente para o beijo.
— Nossa, que intenso! — Com a voz que se fez presente, Mal parou e Altair suspirou baixo para que ninguém ouvisse, aquilo tinha sido mesmo intenso, mas não significava que tinha sido ruim — Sabe eu posso voltar outra hora...
— Kadar, eu parei de lhe encher a paciência quando você ficava se agarrando com o Arno, isso é algum tipo de vingança? — E parecia que haveria uma discussão e Altair estava bem no meio, bem, tecnicamente Altair estava nos braços de Malik e Kadar estava apenas na frente de ambos, sorrindo vitorioso com algo — O que foi? — Mal indagou um pouco frustrado.
— Só estou aproveitando o momento essa vitória, era um saco você chegar em casa e gritar para mim e Arno coisas como “você tem um quarto, use-o” ou “se louvem em quatro paredes” — Kadar contava com os dedos e olhava para qualquer ponto que não fosse o irmão, parecendo querer rir, mas não ria — Estamos num ambiente escolar, isso é muito feio da parte de vocês, né Altair? — Indagou, olhando para Altair e lançando uma piscadela.
— Fale isso para o Ezio e o Edward — Malik resmungou e novamente pode ver a face de medo em Mal, mas da mesma forma que ela apareceu, Altair pode ver o costumeiro sorriso irônico nos lábios de Malik, mas com um toque diferente — O que aconteceu?
— Tem um cara que falou comigo na entrada, por incrível que pareça, ele não se intimidou pela minha cara de dor, mas mesma assim pediu que eu lhe passasse um recado, se identificou como o cara que foi imobilizado pela irmã do Edward — Altair olhou preocupado para Kadar e Malik parecia sentir o mesmo, o coitado do Al-Sayf mais velho só parecia receber cada coisa uma pior do que a outra durante o dia.
— Ele fez algo a você? — Se separando de Mal, Altair apertou as bochechas de Kadar — Kadar Al-Sayf, o que ele disse? — Mesmo que o recado não fosse para si, Altair se via preocupado com Kadar, sabia bem que tipo de pessoa Kadar estava falando e temia o que fosse o assunto.
— Calma lá, Alty! — Resmungou Kadar, afastando as mãos do mesmo de si e fazendo uma breve careta — Ele falou que quer a sua ajuda irmão, que não basta Edward e que você estaria interessado e que qualquer coisa era buscar Aurora e pedir o número do celular dele. Onde vocês conheceram o cara? Ele é uma figura... — Riu e Altair virou-se para Malik da qual tinha uma careta.
— Era o que eu precisava... — Bufou — Ele falou algo mais?
— Ele olhou para mim e disse que cara feia era sinal de fome — Deu de ombros.
— Mas você que foi comido e não o contrário — Malik rebateu e Altair bateu na própria testa, mas olhando para Kadar que tinha uma careta.
— Você é desagradável... — Rolou o olhar e Malik deu uma risada.
— Mas mesmo assim sou o seu irmão e você me adora — Sorriu irônico e Kadar bufou se afastando de ambos — Não gostei disso, aquele filho do professor Ethan não parece ser alguém da qual confiar...
— Mal, ele tem uma gangue e está com alguma briga relacionada à Abbas, é claro que ele não é alguém para confiar — Rebateu Altair, rindo forçadamente — Sem contar que ele me chamou de nanico — Fez uma careta e Malik riu — Não tem graça.
— Desculpa, mas você é nanico — Sorriu de forma que acabou fazendo o rosto de Altair corar.
— Sinto muito se não sou como você — Cruzou os braços.
Com os óculos sendo devolvido, o sinal do fim do intervalo tocou e os alunos se retiraram do pátio, alguns ainda cochichavam fofocas e entre elas foi a surra que Abbas recebeu durante a aula vaga, alguns se afastavam de Aurora temerosos, mal sabiam eles que a mesma tinha o olhar de decepção por ser evitada. Altair estava ao lado da outra e viu que ela apenas se defendeu e deu aquela pancada no outro por ter sido ofendida, se ele não fosse fraco, teria feito o mesmo. Ninguém define o que é família e diminui alguém pela cor da pele.
Altair não era tão branco e só de olhar Abbas, o outro nem deveria falar em modo ofensivo daquele jeito, Abbas tinha um pai que nasceu de sírios assim como Malik. Até Umar era sírio, mas morou na Inglaterra e conheceu sua mãe lá. Ninguém ali que ele conhecia tinha moral para diminuir alguém pelo tom de pele.
Na sala de aula, o estranho tinha acontecido, o professor Ethan tinha pegado a aula de outro professor para não atrasar a matéria. Claro que alguns resmungaram com isso e Malik foi um dele, deixando sua testa bater de encontro com a mesa. A cena em si foi engraçada, mais ainda ao ver a cara de horror do Al-Sayf quando Ethan o chamou e pediu o trabalho, talvez o outro tenha feito pela atitude de Malik. Rapidamente Altair colocou o nome do outro e ergueu a mão, levantando-se e entregando o trabalho, deixando com que o sorriso de vitória do professor Ethan sumisse. Malik segurava uma risada e Altair também.
Com as últimas aulas passando e copiando a lição, Altair pensava o que Maria tinha, o porque de repente aquela mudança em suas feições, parecia até outra pessoa e o pior é que ela não olhou para ele como o conhecesse, foi como se ele não existisse praticamente. Aquilo doeu, mas as palavras dela que o aterrorizavam mais, por ela saber do passado de Malik e agora ele a odiar, por eles já terem namorado e ele confiar a ela o que tinha passado na Síria.
Se Altair se sentia decepcionado? Quem não ficaria? Mas não culpava Malik, não culparia ninguém até procurar entender uma raiz que explicasse tudo, afinal, Maria não era fria daquele jeito e pelo pouco que conversou com ela, tentaria falar com ela, mas seria um problema se Malik sempre estava ao seu lado. Precisava de alguém.
Foi quando olhou pela sala e encarou os cachos da garota Kenway, ela mantinha-se vidrada da aula e nem sequer parecia a fim de mandar bilhetes como das outras vezes. Talvez ela estivesse interessada mesmo no filho do professor.
Quando o sinal da saída tocou, Altair rapidamente beijou Malik e falou que ficaria com Aurora, a acompanharia para poder conversar. Com os alunos já saindo da sala, Altair se apressou até poder encontra-la.
— Você me ensina a linguagem de sinal? — Perguntou, tomando o braço da Kenway junto ao seu e a vendo arregalar o olhar, não sabia se era por ele ter tentado aquele tipo de aproximação ou pelo pedido — Assim fica mais fácil para você falar comigo...
Franzindo o cenho, a mesma tirou o celular do bolso e digitou algo rapidamente, mostrando em seguida o que era e ao ler, Altair a encarou.
“O que você quer?”
— Assim você me magoa, mas se você é direta — Entregou o celular e a mesma parou de andar, ficando na frente de Altair — Eu preciso saber de uma coisa e só você além de Kadar e Ezio que é próxima de Malik.
Como falar para alguém que tinha ameaçado Malik ou parecido e pedir ajuda para outra que provavelmente tinha lhe orientado a não confiar em Maria?
— Você sabe o que Maria tem? Ela mudou de humor hoje, nem parecia ela... E ela nem notou eu ali ao lado do Malik direito... — Perguntou, mas ao olhar para Aurora o olhar dela era sério e parecia que ela já tinha digitado algo, mostrando em seguida.
“Fique longe dela, não fale com ela sobre isso, pois ela não vai se lembrar”
Franzindo o cenho Altair a encarou como se isso fosse uma brincadeira. Maria tinha mal de Alzheimer? Mas ela lembrava muito bem de aterrorizar Malik sobre o pai dele.
Rolando o olhar, Aurora digitava novamente no celular e ela perguntava o que ela queria realmente falar com Maria, Altair bufou, já tinha explicado e pelo visto, ela não aceitou aquilo.
— É pessoal, quero dizer, o assunto não é meu e não é correto falar sem a permissão dele... Mas eu queria sua ajuda por alguns minutos, amanhã na entrada talvez... — Pedia, engolindo em seco ao vê-la refletir e acabar por fim concordando — Obrigada — Suspirou aliviado, mas viu que não tinha acabado e ela voltava a digitar no celular e mostrou a tela do aparelho.
“Não conte ao meu irmão sobre o que aconteceu hoje, ele não pode repetir de ano ou ser expulso”
Ela se preocupava a ponto de querer se defender sozinha contra Abbas.
— Sabe, não faz muito tempo que nos conhecemos, mas estarei aqui para ajuda-la, não importa o que seja e aquele idiota pode me dar uma surra, mas eu defenderei uma pessoa que já considero como amiga — Falou com sinceridade, já retribuindo o sorriso da mesma e seus olhos azuis brilharem com suas palavras, mas acabou sendo pego de surpresa ao receber um abraço da Kenway.
— Ei, irmãzinha!
Edward os encarava com um sorriso no rosto, se aproximando de ambos e franzindo rapidamente o cenho para Altair e olhando desconfiado para a irmã, mas sem tirar o sorriso do rosto. Temeroso, Altair olhou para trás por precaução antes de acompanhar os irmãos Kenway até a saída.
Parecia legal ter um irmão, ver Aurora e Edward interagindo como crianças lembravam até Kadar e Malik, mas os Al-Sayf pareciam mais guerrear do que brincar um com o outro, mas era notável o companheirismo entre ambos, era estranha a maneira que a Kenway tentava proteger o irmão, não o preocupando, mas ela já tinha sido ameaçada e Altair estaria ali para ela assim como esteve para Ezio, Abbas não atrapalharia a vida de alguém como fez com a sua só por causa dos seus próprios erros.
Seguindo a pé até em casa, Altair recusou que os irmãos Kenway o acompanhassem e ouvindo Edward gritar de longe o chamando de teimoso, Altair não pode negar ser chamado assim e muito menos deixar de dar um sorriso de canto.
Tirando o suéter por sentir calor durante o caminho e o tentando guardar na mochila, se distraiu e quase tropeçou no asfalto, mas o que o fez cair realmente foi quando algo se chocou contra si, o empurrando e o derrubando no chão.
Sua cabeça doía e com pouco equilíbrio, tentou erguer-se pouco, mas perdeu o folego com algo acertando na barriga. Tossindo e sentindo algo quente em sua testa, tal ardência não era nada comparada ao desconhecido. O que diabos estava acontecendo?
Seus óculos tinham saído de seu rosto e pela tontura, era pouco provável que conseguisse enxergar com clareza alguma coisa, pouco provável. Mas a risada que soou foi o que despertou o seu medo, gelou sua espinha e sentia o pânico lhe dominar.
Era Abbas.
Se arrastando para poder se erguer novamente se possível, a risada soou novamente antes de algo pressionar sua cabeça com força contra o chão, deixando a suposta ferida doendo mais por sentir com clareza que tinha um caco de vidro. Era muito medo, pior do que as outras vezes que Abbas ameaçava surrar sua cara na escola ou fora dela, mas ali naquele momento, aquilo parecia ser mais sério e ele sentia que o Sofian tinha passado do limite.
— Sabe o que descobri na saída? Que Malik junto de Edward Kenway vão ajudar o maldito Jacob Frye... Pensei que tinha avisado à vadia em alertar ao babaca do oxigenado, mas ninguém nunca me escuta, não, claro que não — Falava ríspido, colocando mais força contra a cabeça de Altair — Então você vai convencê-los.
Tinha algo diferente ali, o cheiro que vinha de Abbas. Altair já o tinha sentido de pessoas que usavam drogas, era forte e nojento. Talvez aquilo explicasse a loucura dele. Um viciado.
— Me deixa ir...
— Vai falar com o idiota do Malik e faze-lo não aceitar, fazer Edward não aceitar... Eles não podem ajudar aquele idiota... — Rosnava.
Com uma força restante, tentou empurrar com a mão a perna do outro, tentando mexer de forma dolorida o corpo, mas quanto mais se esforçava, a dor parecia querer explodir e com isso, um grito saiu de sua garganta, quase como um choro.
— Altair!
A pressão em sua cabeça tinha ido embora e injurias foram ditas, parecia que Abbas tinha fugido, corrido para longe e o deixando finalmente em paz. Queria apenas que aquilo fosse um pesadelo, não se lembrava de na infância o Sofian ser de tal forma, ele era seu amigo e se tornou amargo quando o julgaram, quando o reprimiram e ele pôs a culpa em Altair. A culpa não era de Altair, a culpa era da sociedade que não o respeitou e culpa do próprio Abbas por ter se deixado levar sem ajuda.
— Ezio...
Poderia ser um borrão a sua frente, mas aquela voz Altair reconheceria em qualquer lugar. Lágrimas desceram de seu rosto, desenhando sua face e mesmo que sendo segurado nos braços do Auditore, Altair agarrou o mesmo de forma fraca, chorando em seu ombro.
— Está tudo bem, você está bem...
Será que ele realmente estava bem?
Parecia que estava sendo carregado no colo, ouviu depois de um tempo o outro sussurra “você está seguro, meu irmão”. Eles não eram irmãos de sangue, não tinham intimidade para chamarem a si mesmos de irmãos, mas Ezio o considerou como um. Altair achou legal pensar em ter um irmão, bem, ele não precisava pensar nisso.
— Mio Dio, o que aconteceu?
— Leva a gente para o hospital, Leonardo — Pedia Ezio — Melhor, para a delegacia.
— Não... — Altair tentava falar entre soluços — Nada de policiais... Por favor...
— Não, vamos para a delegacia... Abbas ficou louco! — Vociferou, deitando Altair em algo, o banco de carro talvez.
— Não... Ezio, por favor — Suplicava — Não pode...
— Se você pede, primeiro o hospital e talvez depois a delegacia.
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