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32 Pillowtalk — Federico e Vieri


Doente, era assim que Federico encontrou Vieri ao se levantar do colchão e encontra-lo na sala do apartamento. O vazio o fez estremecer, sentindo o lado em que o mesmo dormia sem o calor do corpo que costumava ficar por lá. Vieri costumava ter pesadelos, na teimosia dele que Federico tinha descoberto.

“Todos tem pesadelos, mi amore”, tinha falado para o dono de madeixas negras e olhos azuis, mas o mesmo virou a cara para um ponto aleatório, qualquer lugar que não fosse o rosto de Federico.

Já se passou apenas uma semana e ali estava Vieri, tossindo e se encolhendo em meio as almofadas do sofá velho, abraçando a si mesmo com o casaco que pertencia a Federico. Claro que Federico sorriria com isso, aquilo mostrava que Vieri tinha uma posse por coisas que eram do outro, podendo ser igual quando depois de terem gastados suas energias durante a noite inteira, Vieri buscava sempre as cuecas de Federico, as deixando delinearem sua bunda e excitando novamente Federico

— Por que não dorme no quarto? — Perguntou, assustando Vieri com sua presença e notando um pouco da fúria pelo susto se esvair.

— Você tem que trabalhar e eu tossindo como um doente terminal não vai ajudar em nada — Respondia num tom de voz rouco, tossindo — Agora vá, eu tenho que inventar uma explicação para o meu chefe por não ir ao trabalho — Abanava a mão para que Federico se retirasse, mas isso só fez com que o mesmo se aproximasse e pousasse sua mão no pescoço de Vieri — Qual é! — Resmungou, dando um tapa na mão de Federico.

— Você ‘tá ardendo em febre, Vieri — Falou alarmado — E nunca que vou voltar sem você, levanta agora — Claramente não foi um pedido e recebeu um resmungo de Vieri, mas tendo o mesmo levantando e o acompanhando até o banheiro.

Parecia algo estranho de se olhar, um de’Pazzi e um Auditore no mesmo cômodo, uma visão totalmente distorcida de gerações que se passaram das famílias serem rivais e no momento atual Federico e Vieri serem amantes, namorados para ser mais formal, noivos quando Fed conseguisse o anel de noivado que sua mãe guardava quando foi pedida em casamento por Giovanni. Mas não queria magoar os sentimentos da mãe em recusar o anel, não queria mais nada que viesse de Giovanni, nada mais, não por vergonha e sim por dignidade.

Com uma caixa branca e a abrindo, Federico tomou em mãos um xarope e o colocou com cuidado na colher para dar a Vieri, os olhos azuis o encaravam em desafio, como se não quisesse colaborar, mas o fez para que Fed pudesse deitar-se o quanto antes.

Engolindo o conteúdo liquido de aparência rosada, Vieri fez uma careta e recebeu uma risada de Federico. Sendo expulso para o quarto e sendo carregado nos ombros do namorado, Vieri tentou se libertar e não adiantou até ser colocado no colchão de casal.

Seus cabelos pretos jogados no travesseiro e braços abertos pareceram uma imagem maravilhosa para ele, tirando o detalhe das bochechas coradas e o nariz num tom avermelhado, Vieri sempre foi belo para Federico e sempre seria, mesmo sendo teimoso e problemático, eles se davam bem.

— Não pense em deixar sua teimosia falar maia alto, meu amor – Falou deforma doce, se deitando ao lado de Vieri no colchão e tomando seu queixo para lhe olhar – Mesmo bancando o espertinho e se preocupando comigo, ainda é o mesmo garoto teimoso de sempre... – Sussurrou, sorrindo de canto por notar seu amor fechar os olhos com as palavras e balançar de forma engraçada o nariz – Eu notei sua ausência e não queria ficar sem você ao meu lado...

— Você é estranho, Fed... – Resmungou, ainda de olhos fechados, mas os abrindo e mostrando com a pouca luz vinda do corredor o azul escuro que eram – Me pergunto todo dia como um homem bom como você pode me amar...

— Encontrei o que precisava e lutei para ficar do seu lado – Sorriu, puxando Vieri pela cintura para ficar mais perto de si, beijando com ternura a testa desse e afagando sua cabeça ao sentir com que esse escondesse seu rosto em seu peito – Ainda precisamos comprar nossa cama, o colchão não basta... – Sussurrou.

— Podemos pedir ajuda de minha irmã ou de sua mãe... – Sugeriu e Federico bufou – E eu que sou teimoso – Ironizou.

— Quero comprar algo com o nosso dinheiro, não vou depender de mais ninguém, mesmo que seja uma ajuda amiga – Falou, acariciando as costas de Vieri – Vou dar o melhor para você, acredite nisso...

E Vieri acreditaria, pois sabia do que Federico era capaz quando determinado a fazer algo, já viu as sutis investidas dele quando apresentou interesse, as conversas e troca de curiosidades entre ambos, sempre o fazendo deixar de lado seus amigos que também eram filhos dos conhecido de seu pai, aqueles que sempre o convidavam para tramar algo contra alguém. Vieri viu o quanto Federico estava se esforçando.

E ele cedeu, deixando o orgulho e raiva desconhecida que tinha pela família Auditore, conhecendo mais de Federico, sorrindo mais e por consequência atraindo a curiosidade de sua irmã e perguntas constrangedoras, flagrou até um momento em que o nariz dessa sangrou ao ouvi-lo contar como se sentia estranho ao lado de Fed. Mas a reação de seu pai ao ficar sabendo por outros o que fazia só trouxe nervosismo a Vieri, afinal de contas, seu pai pagava o seu curso da faculdade e tendo até escolhendo no lugar do filho, não dando poder de fala para esse.

Ele tinha que fazer uma escolha e as palavras de sua irmã o guiou, foi seu vento do norte e “mãe” para lhe dar um sermão. “Se vive uma vez apenas, não deixe outros controlarem algo que apenas você pode decidir, que seria sua vida”.

Como ele poderia arriscar tudo o que já tinha para seguir atrás de alguém? Poderia usar o argumento que estava quase a dois anos interagindo com Federico, que era pouco se comparado com sua vida inteira tendo implantado em sua cabeça que a família do outro eram injurias e o pior que poderia conhecer nos Auditore. Mas o pior que poderia existir era toda a merda que Vieri era e o que se tornou com o passar dos anos. Ele não era digno de Federico.

Mesmo espirrando ou tossindo, Federico dormiu rapidamente e ainda abraçando Vieri, parecendo não acordar tão cedo novamente até o horário do trabalho. Só bem cedo de manhã Vieri acordou com o corpo dolorido e não era por conta de uma noite inteira e ardente de amor entre ambos e sim pela gripe.

Os braços de Federico não o cercavam mais e aquilo só fez com que Vieri suspirasse, já acostumado com aquilo e resmungando por seu namorado sair cedo. Levantando e fazendo a tarefa mais complicada de tentar deixar tudo arrumado, enrolando o cobertor e o jogando amassado no colchão e sorrindo com o feito e se preparando para um banho quente, talvez tentasse ligar para o escritório falando que não iria comparecer, afinal carregar papeis para cada andar e andando de um lado para outro dando recado e atendendo recados do chefe o deixaria ainda pior com aquela gripe.

Não poderia ter o luxo de usar água quente, mesmo que a vontade fosse gritante e o frio lá fora o deixasse agoniando. Era final de ano e ambos estavam naquele embalo, tinham conseguido um pequeno apartamento em outro estado de onde moravam antes e Federico apenas aceitou a ajuda do pai com a insistência da mãe, claro que para comprar itens básicos Vieri não torceu a cara como Federico fez, aceitando algumas coisas que sua irmã lhe comprou, como a cafeteira elétrica.

Só por sair do banheiro e com o cabelo molhado, sua crise temporária de espirros voltou, talvez ter se dado o luxo não fosse tão ruim. Secando o cabelo e deixando a toalha no ombro, seguindo para a cozinha preparar um café e ignorando o branco das paredes que já lhe davam dor de cabeça por conta também da claridade.

Usando o restante do pó e esperando o café escoar, relembrando quando era bom quando uma xícara de café que era preparada por outra pessoa chegava a ser melhor do que ele mesmo tentava fazer. Bisbilhotando os poucos armários e não encontrando nada de interessante, suspirando com o modo que ele e o namorado economizavam até mesmo em doces.

O barulho da cafeteira avisava que já estava pronto e Vieri pegou a xícara e o pote de açúcar, colocando na pequena mesinha que era apenas o único diferencia dali, mas parando ao ouvir a campainha do apartamento tocar, respirando fundo por alguém o incomodar em uma plena manhã de sexta-feira.

Indo até a porta e a abrindo, revelando uma mulher de estatura baixa e loira, segurando uma xícara e olhando de forma estranha para dentro do apartamento, mas Vieri ignorou por momento.

— Oi, sinto muito em atrapalhar — Falou num tom descontraido e Vieri apenas cruzou os braços, a encarando sério — Eu sou sua vizinha e gostaria de pedir um pouco de açúcar — Explicou e logo ele percebeu o que ela queria, já tinha visto isso em filmes.

O clássico "eu não tenho açúcar, como você é um vizinho bonito e estou solteira, isso seria uma forma de nos conhecermos melhor". Só que esse clássico não se aplicava em Vieri e sim em Federico. Afinal, quem pediria açúcar para alguém de nariz vermelho e ranzinza como Vieri?

— Nunca a vi por aqui — Ainda a encarava sério.

—Oh — Deu uma risada nasal, mostrando estar sem graça pela resposta — É que nunca fico direto em casa, estou sempre na faculdade, por isso não consigo repor o que tenho em casa — Se explicou —Beber café sem açúcar é muito desagradável, sabe?

Aquilo de uma forma o deixou menos armado, mesmo que a garota fosse uma amante nata do café, não faria Vieri deixar de ficar sério por ela estar ali cedo de manhã querendo uma xícara de açúcar, ele ainda desconfiava de qualquer um.

Estendendo a mão e pedindo brevemente a xícara, ela lhe deu e Vieri voltou para dentro do apartamento, a deixando entra e segui-lo até a cozinha. Ignorava o olhar curioso e com duvidas delas por quase não se ter nenhum móvel.

O açúcar como já estava sobre a mesinha, não denorou para encher a xícara e volta para a mulher, mas notando que essa não se encontrava ali e sim na sala, olhando para uma das fotografias da prateleira. Era a foto em que Federico tinha insitido para tirarem em frente a uma cabine azul policial de um evento, uma das poucos fotos que ele sorria com sinceridade e não se incomodava por Federico abraça-lo por trás.

— Sua xícara de açúcar — Falou, parecendo assustar a outra com sua presença, tendo de volta sua carranca e não a face séria.

— Desculpe, é que você tem um sorriso bonito — Apontava para foto, mas voltando a ficar próxima de Vieri —Seu namorado? — Perguntou e Vieri franziu o cenho, desconfiado.

— Marido — Mentiu, mas não se permitia a responder a conclusão dela, deixando uma já concluida que era de Federico ser seu.

— Entendo — Sorriu de forma fraca, não envergonhada pela resposta, deixando Vieri ainda mais desconfiado que o normal — Eu gostaria de saber algo, se permitir tirara minha curiosidade.

Ele sabia! Nunca que ela elogiaria o sorriso de Vieri para se passar de boa moça! Se ela perguntasse se Federico fosse bissexual ou se fosse algo para se aproximar com segundas intenções...

— Outro dia quando voltava da faculdade, vi uma mulher morena e de olhos azuis como os seus, ela era alguma amiga sua? — Perguntou — É que eu a achei atraente e gostaria de saber se ela é solteira.

Espera... O quê? Ela estava perguntando se a irmã dele estava solteira? Ela não perguntou mesmo de Federico? O corpo de Vieri até travou com o que aconteceu e sentindo algo chamado culpa lhe acertar pela primeira vez, mas sumindo ao notar que estava um silêncio estranho entre ambos.

— Ela é minha irmã — Falou simplesmente e então ele viu o olhar de choque da garota — Sinceramente, não sei se deveria falar dela, mas já que você está interessada.

Então suspirou novamente com o silêncio e andou pela sala até a prateleira, pegando uma folha de uma caderneta pequena e usando uma caneta preta que falhou alguns instantes pela falta de uso, anotando o número do aparelho celular dela.

O entregando a mulher e vendo um sorriso agradecido surgir em sua face, mas Vieri sabia que mesmo dando esperanças a ela, sua irmã não daria chance alguma a outra e iria correr para dar uma bronca em Vieri.

A acompahando até a porta, ao fecha-la e se ver sem um olhar de desconhecido sobre si, voltou para a cozinha bebericar seu amado café, esse ainda quente e que foi aproveitado enquanto ele não espirrava ou tossia como um terminal.

Só de arrumar e guardar as coisas pela metade, andou para o quarto a procura de seu celular, discando o número e sendo atendido em seguida por seu colega de trabalho, esse que lançava perguntas e jogava pilha do que estava acontecendo, falando que os atrasos do que o De'Pazzi não fez ali cedo no escritório não passaria despercebido.

Teve que controlar sua boa e pouca vontade com aquilo, pensando em primeiro lugar no trabalho e depois na sua saúde, porque afinal, como ele iria trabalhar se estava ainda com um pouco de febre e espirrando como um condenado? Então pediu que o outro enviasse alguns relatórios para o e-mail de Vieri, assim diminuiria o peso do colega e não precisaria ter que fazer hora extra quando melhorasse.

Só por desligar a ligação, jogou o aparelho nas almofadas que estavam no chão. Bagunçando o cabelo ainda molhado e coçando os olhos, se convencendo que aquela manhã não poderia voltar para o colchão e desdobrar os cobertores.

Indo até o quarto e pegando o notebook velho de Federico junto o carregador, indo até a sala novamente para pegar o celular e andando lentamente a cozinha. Puxando uma cadeira e começando o trabalho, Vieri lamentava um pouco a conexão ruim do prédio ao lado da qual conseguia a senha, mas conseguindo baixar os arquivos e a monta-lo, completando relatórios e resmungando ao ver que seu colega pediu como um favor que ele também completasse uma planilha. Claro que ele não iria fazer, não era pago por aquilo e estava doente para se estender mais por conta de obrigações de outras pessoas.

Só se dando conta ao terminar concluir o trabalho e envia-los para seu colega, notando ser meio dia e suas crises por conta da febre terem diminuído, mas não acabado. Olhou para o relógio do notebook e bufou com o tempo que o namorado demoraria para chegar do trabalho, talvez pelas seis ou sete se seu chefe não pedisse para que mantivesse a lanchonete aberta por alguns minutos a mais.

Sua barriga roncou e seria quase o horário de almoço de Federico e nada melhor do que ligar semum grande incomodo, o que Vieri sabia fazer muito bem. Apenas pegando o celular ao lado do notebook velho e encostando as costas na cadeira, coçando a ponta do nariz vermelho e resmungando pela demora para ser atendido, mas sorrindo ao ouvir a voz de Fed.

— Meu horário de almoço era daqui a dez minutos — Federico reclamou do outro lado da linha e Vieri fingiu estar decepcionado apenas por suspirar com as palavras do outro — Mas você está se sentindo melhor? — Perguntou e Vieri bufou com aquela pergunta.

— Eu pareço melhor para você? — Resmungou e ficou um pouco frustrado com a risada de Federico.

— Está respirando melhor para estar resmungando, é um começo — Brincou e Vieri considerou a chances de desligar na cara de Federico, mas pensou em algo muito melhor.

— Eu queria o meu namorado aqui em casa, hoje é sexta-feira... Era para estarmos aproveitando... — Reclamou e ouviu do outro lado Federico suspirando — Mas se ele não pode estar aqui, acho uma boa ideia aproveitar e fazer uma exigência.

— E que tipo de exigência seria essa? — Indagou e Vieri já cantava vitória com o interesse do outro.

— Seria você não se atrasar para chegar em casa, eu posso ser bem persuasivo quando quero, afinal de contas... A minha febre abaixou e minha crise de espirro quase não está presente... E eu estou quente... — Provocou e teve apenas o silêncio como resposta — Mas ainda faltam dez minutos para o seu horário de almoço e eu ainda tenho alguns relatórios para receber durante a tarde... — Comentou num tom fraco e rouco, o que não foi um esforço tão grande por conta de sua garganta.

— Eu não vou demorar para chegar em casa hoje, juro para você — Falou apressado — Vou ter que desligar.

— Vou esperar acordado.

E então se deu o fim da chamada, mas não o fim da vitória interna de Vieri.

Notas finais
Vieri não é muito educado se vocês notarem, ele é tipo a Duny de "Girls in the house" só que mais... Babaca? :v não sei classificar ao certo, mas eu me senti bem ao fazer esse especial, não que eu seja idiota como ele, é que ele taca um pouco do fod*-se. A mulher loira eu pensei em colocar como a Lucrécia, mas ai me lembrei que para ter uma Lucrécia, teria que ter algo dramática e eu não sei se faria ela como uma chata do jogo. Acho que não tenho nenhum nenhum filme para recomendar, talvez "10 coisas que eu odeio em você" ou "O Segredo de Brokeback Mountain", isso se vocês já não tiverem assistido... Só faltam mais dois casais para eu marcar como concluída a fanfic. Zayn - Pillowtalk