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33 The Greatest — Ezio e Leonardo
Notas iniciais
Poderiam durar pouco as férias do semestre e ele teria que voltar a Roma em breve para faculdade, mas ele preferia ficar um tempo em Florença no antigo casarão da família Auditore, mas ficaria em Siena, na vila Monteriggioni, sentia sim saudades da América e dos hambúrgueres gordurosos que o engordava aos poucos, mas ali era onde tinha nascido e só tinha passado pouco da infância, então explorar o antigo lar seria como as explorações que fazia com Claudia e Federico quando pequenos, mas com diferença de que Leonardo o acompanharia.
Carregava nas costas uma mochila um tanto pesada, um mapa em mãos das ruas de Florença e pontos turísticos e na outra mão uma maçã toscana, vermelha em sua poupa e azeda para lhe manter acordado, melhor que um café nova iorquino, afinal, qualquer café era melhor que o nova iorquino.
— Tem certeza que seu tio vai receber a gente? — Leonardo perguntou ao seu lado e Ezio tentava mastigar de forma rápida o pedaço de maçã na boca — Não responda — Falou rapidamente, rolando o olhar e rindo da careta de Ezio, beijando o biquinho que formou nos lábios do outro.
Tinham dispensado o táxi por não terem que pagar mais caro e pelo motorista acharem que eram estrangeiros, pegando caminhos longe e deixando Ezio frustrado e falando de supetão para pararem e pagando a corrida, fazendo uma careta só por seguirem caminho a pé. Andar naquele calor era um inferno e Ezio se perguntava como Leonardo usava aquele echarpe, colete social e blusa de manga comprida, talvez seu namorado sexy deveria ser estudado, por Ezio claro.
Ao chegarem na vila, Ezio já cantava a capela dentro da cabeça por se livrar do peso da mochila, sorrindo e deixando sorrir ao ver estrangeiras olharem Leonardo, esse que estava distraído com o celular e digitava pouco e encarava a tela do aparelho. Ele apenas levantou os óculos escuros e notou que as garotas também começavam a encara-lo, não que aquilo fosse ruim, ele era lindo, mas olharem para Leonardo? Faltava uma dupla delas irem até eles, ele sabia como aquilo funcionava, mas Ezio não era ciumento, nem um pouco.
— Tem um bar ali — Apontou e puxou Leo pela mão, atraindo sua atenção do namorado.
— Amore, têm dois bares... — Leonardo brincou, com o cenho levemente franzido — Você sabe que aqui eles devem cobrar o copo d'água, não é? — Comentou e Ezio negou com a cabeça, sorrindo.
— São três mais aquele restaurante e eu sei que é pago, por isso mesmo vou pagar o copo do meu amor... — Sorriu maroto.
— Puxa saco... — Riu e seguiram para o restaurante.
Foi Ezio que teve de mandar uma mensagem para seu tio Mario avisando que chegaram, recebendo logo uma resposta quando tinham pedido algo para comer, Leonardo com um prato de sopa e Ezio comendo panquecas recheadas, nem parecendo que tinha comido duas maçãs no caminho.
Leonardo até brincou com os modos de Ezio ao comer, respirando fundo e colocando a mão no peito, falando em seguida de forma dramática "eu amo esse homem...". Claro que Ezio quase engasgou com uma risada e atraiu um sorriso de Leonardo, não importava quantas vezes ele notava Leo sorrir, sempre seria como na primeira vez que o viu pela primeira vez. Poderia ser ridículo e clichê, mas um garoto com tinta azul no cabelo e levando um cavalete e um quadro branco chamou a atenção de Ezio, tanto que Cristina riu de sua cara na época.
Ezio ficou se perguntando como aquela atração ou paixonite aconteceu, pelo que ele sabia e que apenas ele sabia era que já tinha sim se atraído por homens, mas ficou frequente na puberdade e na pré-adolescência, mas isso o deixou frustrado consigo mesmo, mas nunca mostrando para os outros, não queria ninguém preocupado com ele, falando que ele estava confuso.
Então ele conversou com seu irmão, Federico já mostrava estar distante de todos da família, menos da mãe de ambos e do caçula Petruccio. Foi estranho contar para o irmão, tendo o olhar de decepção dele por nunca ter contado e tendo a mais constrangedora conversa sobre identidade de gênero e orientação sexual, não foi uma aula que ele explicava onde colocava o quê em tal lugar, Federico o orientou e falou que era normal estar com duvidas do que estava acontecendo.
Foi como uma luz na cabeça de Ezio, foi quando mesmo sabendo sua atração por ambos os sexos, deu visibilidade para si mesmo. Foi quando conversou com Malik quando terminaram a escola e notou não estar sozinho. Ele não se descobriu, ele sempre foi.
Mesmo divagando um pouco, notou a risada de Leonardo e sorriu, sendo alertado por sua boca estar suja e nem limpando a tempo, sentindo a suave mão de Leo tirar o recheio da panqueca e lamber a própria mão, tendo o rosto pigmentado de vermelho por conta da vergonha.
Então seu tio Mario lhe mandou outra mensagem e logo pagando a conta, se retiraram e o encontraram perto da igreja, sorrindo e abraçando Ezio, o levantando como se ainda fosse uma criança e o fazendo rir com isso.
Sendo uma vila voltada para os turistas, seu tio Mario era um dos poucos que conseguiu manter a casa dos Auditore e ainda sim ela tinha seu charme. A mochila de ambos foi deixada na sala enquanto Mario apresentava a casa para Leonardo e Ezio apenas desabou no sofá, a cara na almofada e respirando fundo por nem os ventiladores acabarem com o calor.
— Então você veio passar mesmo uma temporada aqui — Em italiano, a voz de alguém familiar fez Ezio se levantar e coçar os olhos pelo susto.
Giovanni não parecia com raiva ou nojo de Ezio, parecia seu pai antes de explodir com ele. Poderia ter pedido desculpas, perdão e conversado de forma aberta com todos da família, incluindo Vieri e Leonardo, mas depois daquele dia, Ezio ainda sentia certo medo de seu pai, talvez um receio por ter apanhado e visto sua mãe ser afastada de forma bruta, por seu namorado estar abalado e lhe confessar no dia seguinte que se Ezio não ficasse sabendo do ocorrido, terminaria com ele para o bem do Audiotore. Parecia o Giovanni Auditore que ele conhecia desde criança e que não aprendeu a teme-lo.
— Olá, Giovanni — Sussurrou, Ezio.
— Por favor, não me chame assim... — Suspirou cansado, os olhos fechados e massageando a têmpora — Já conversamos sobre isso...
— Irmão! Vejo que aproveitou bem a vila!
O clima não tinha como ficar mais tenso, mesmo com o bom humor de Mario, era apalpável o clima ruim entre todos. Leonardo parecia acuado e sussurrou falando que ficaria lá fora de casa, enquanto Mario concordou e restou apenas os três Auditore's na sala.
— Maria gostaria de voltar para Itália, mas preferiu ficar e cuidar de uma velha amiga na América — Contou e Ezio não precisava de explicação, sabia que sua mãe estava ajudando e auxiliando a mãe de Malik — Claudia e Petruccio preferiram ficar também.
Por que será?
— É uma pena, seria bom novamente ter pelo menos alguém aprontando aqui em casa — Mario sorriu contente — Vim apenas receber os rapazes, logo iremos a Florença — Explicou — Vão querer alguma coisa?
— Mario, por favor, não precisa se preocupar com nada — Era isso o que Giovanni falava, mas era totalmente o contrario, temia que o seu tio saísse pela porta e ficasse lá fora com Leonardo, deixando Ezio sozinho.
— Se você diz — Sorriu sem graça — Se precisarem de algo, apenas gritem — E foi apenas isso para Ezio se ver sozinho com Giovanni.
Socorro, pensou Ezio.
— Como está a faculdade em Roma? — Quebrou o silêncio, sentando no sofá a frente de Ezio.
— Ótima, sinto saudades dos meus amigos, mas os estudos vem primeiro — Respondeu, encarando qualquer lugar que não fosse Giovanni — Mamãe estava bem quando você veio para cá?
— Estava, com saudades de você e de Leonardo — Contou com pesar, respirando fundo e Ezio já previa o outro com seu discurso pronto — Ezio, eu...
— Não precisa se forçar a falar nada... Em breve iremos para Florença e ficaremos em hotel para não incomoda-lo — O interrompeu, se levantando e ignorando o cansaço — Se me der licença...
— Por favor, você poderia parar me tratar assim? — Pediu, o olhar suplicante.
— Poderia ignora-lo como fez com Federico — Rebateu, olhando sem expressão para o Giovanni — Se você não quer palavras vazias, talvez o silêncio resolva.
— Apenas quero o meu filho de volta... Sei que posso ter errado e ter sido um babaca até com a sua mãe, mas só quero o seu perdão, é pedir demais? — Indagou aflito e Ezio sentiu o peso das palavras dele em si, mas as memórias pesavam ainda mais.
— Desculpe, mas você foi um babaca com todo mundo, Giovanni — Falou de forma ansiosa, as mãos suando e seu subconsciente o mandando calar a boca — Com meu irmão, expulsa-lo de casa por ser gay e por não compreender que seu segundo filho não é indeciso, que sua filha Claudia não é uma inútil apenas por ser mulher e que minha mãe tinha e têm o direito de saber o que acontece com os filhos dela.
Em suas últimas palavras acabou por se exaltar ainda mais, falando num tom mais alto do que antes e soltando tudo aquilo que estava preso em sua cabeça, vendo Giovanni com a cabeça abaixada e um soluço escapar por parte dele, as mãos acobertando sua expressão, mas deixando obvio o que se passava. Giovanni Auditore chorava, o mesmo homem que o criou e falou que homens não choravam.
— Desculpas não vão apagar o que aconteceu... — Sussurrou, voltando a se sentar e sentindo uma lágrima descer seu rosto — Porque meu pai falou que eu sou um egoísta e uma vergonha... Meu pai falou que eu não era mais filho dele... Que quando nasci, falou para minha mãe e para mim recém-nascido que não me deixaria, acho que isso não se aplicaria caso ele gostasse de homens no futuro, não é? — Indagou, a voz chorosa e outro soluço veio de Giovanni.
— Eu só quero... Meu filho de volta..
— Desculpas não vão traze-lo de volta, nem palavras bonitas... — Secava o rosto — Se você mudar, mostrar que não sou uma vergonha, se orgulhar de mim do jeito que eu sou, talvez... — Sussurrou, refletindo com suas próximas palavras — Talvez voltemos a ser o que éramos...
— Aqueles dias nunca vão voltar, por isso... Quero que me ensine a entende-lo, a compreende-lo melhor — Pediu, olhando com o rosto molhado pelas lágrimas para Ezio, suplicante — Não é apenas perdão, é por não querer perder mais ninguém importante, você é o meu filho... Eu que deveria sentir vergonha, ainda sinto de mim mesmo...
— Vamos tentar aos poucos, mas não o chamarei de pai tão cedo... — Sussurrou.
Não era isso que Ezio pretendia com as férias do bimestre da faculdade, não pretendia chorar, ficar pensando e refletindo com o que aconteceu a um ano atrás, muito menos ter aquela conversa com Giovanni. Seu tio Mario tinha voltado para sala depois que aquela conversa entre ambos acabou, falando que o almoço estava pronto e perguntando se preferiam comer no restaurante.
Ezio preferiu chamar Leonardo para se servirem, não conseguindo disfarçar a cara de choro e beijando ternamente seus lábios, pedindo para que o namorado não se preocupasse com ele, afinal de contas sempre foi assim, Ezio não queria preocupar ninguém com seus problemas.
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