Novice

14 One Million Bullets


Notas iniciais
Corrigirei os erros mais tarde os erros de capítulo, posso dizer que foi só emoção, mas para alegrar vocês e pedir desculpas, eu tenho um lemon... agora é só deixar vocês adivinharem de qual casal :v Desculpem os dois capítulos postados direto... só que era muito amo

Poderia existir sensação melhor que aquela? Altair poderia não ter sentindo ou chegado ao nirvana como naquele momento, mas estar ali, sem sentir o frio da chuva que cobria não apenas seu corpo era o suficiente para mostrar o quão real tudo aquilo era. Tão real e ele estava sentindo como mil e uma balas que caiam do céu, mas era apenas a chuva se intensificando e o vento se arrastando, tentando mover aquele momento.

O separar do beijo e o morder de seu lábio inferior fez com que se sentisse em nuvens, sensações lhe arrebatando, mas apenas a imagem borrada de Malik o fazia voltar aos poucos a realidade, a doce e estranha realidade.

Como Altair desejava com todas suas forças para que aquele tivesse sido seu primeiro beijo, seria perfeito, teria um sentido a mais e um significado especial caso visse nos corredores o Al-Sayf, mas pensar nisso o fazia parecer uma garota, mas qual o problema de pensar de tal forma? Não deveria ter problema pensar assim.

Recuam-te, pois não querendo que Malik se afastasse, Altair pousou ternamente a mão na face do mesmo, acariciando e o aproximando de si, colando sua boca com a dele, sentindo pequenas gotas da chuva naquela boca que se atreveu a beija-lo, senti-lo com avidez, como se nunca fosse sentir tal coisa novamente, ousando em deixar a língua de Malik tocar-se com a sua, aprofundando o ato.

O separar foi doloroso, o frio atingiu sua pele com o tecido molhado. Mãos envolviam sua cintura e um sorriso leve contornava o rosto de Malik Al-Sayf, Altair queria desmanchar diante daquele sorriso, queria faze-lo sorrir assim.

— Acho que eu me confundi... Não era um assunto para ser falado e sim demonstrado — Declarou num sussurro, rouco pelo ponto de vista de Altair — Como você pode ser chatinho às vezes, Altair... — Era impressão de Altair ou Malik estava sussurrando tais palavras quase colado em sua boca?

— Malik... — Palavras, onde elas estavam?

— Por que eu sinto isso? Jurei que não sentiria algo assim novamente.. — resmungou, fechando os olhos com força.

— Sabe, quem jura é mentiroso e quem promete não cumpre... — Comentou com um sorriso — Estou com frio, será que podemos... — Deu de ombros, não completando a fala, sentindo o rosto corar por tratar o que ocorreu segundos atrás como algo muito normal.

Com um pouco de presa, ambos se abrigaram em uma loja que deixara a proteção exposta, mas que estava fechada. Mesmo parado, Altair queria correr, pular e tirar as mil sensações que se abrigavam em sua barriga, as malditas sensações que tinha sentido apenas num sonho, sentindo ao sentir o cheiro da camisa de Malik ou quando foi protegido pelo mesmo quando Abbas o insultou.

Queria bater na própria testa de como poderia teimar em se deixar levar apenas uma vez, como poderia achar que o estereótipo de Malik falasse mais alto, que o conceito que cada pessoa tem de uma pessoa tão estressada como Mal.

A chuva se intensificava e os céus ficavam mais escuros, deixando o clima melancólico de lado e trazendo o tormento, um tormento que passava exatamente igual na cabeça de Altair.

— O que você quis dizer com jurar nunca se apaixonar, Malik? — Indagou, olhando já sem receio para o outro e vendo as gotas caindo do seu cabelos escuro e contornando os traços de sua face, seu olhar escuro lhe encarando de forma intensa como a chuva a frente deles.

— É uma história longa... Muito longa — Contou, bagunçando o cabelo e o deixando pouco arrepiado em algumas partes — Mas você não precisa realmente saber...

— Você me beijou... — Gaguejou, mas manteve a postura de quem queria a conversa a sério — Me beijou e disse que jurou não se apaixonar... — Respirou fundo, abaixando a cabeça e voltando a encarar Malik — Malik, você realmente está apaixonado por mim? — Indagou, se decepcionando ao ter o olhar perdido de Malik sobre si.

— Faz apenas um mês que nós nos conhecemos... — Riu sem graça e Altair cruzou os braços — O amor é estranho...

— Digo o mesmo, mas não fique beijando os outros, isso machuca... — Fez uma careta, engolindo a sensação e pensamento de ser apenas mais um.

O medo de Altair sobre Malik dar um soco nele era tanto que Malik já o estava machucando, mas não fisicamente, mas emocionalmente. Nunca era pedir demais, mas no mundo em que viviam, se ambos ficassem junto, era provável que nunca tivessem paz por serem um casal homossexual.

— Eu não fico beijando os outros por diversão — Resmungou, fazendo uma careta — O beijo tem significado e pode ser até saturado quando tratado por outras pessoas, mas o beijo é uma confissão de algo maior, não subestime isso.

Altair estava perdido depois daquela explicação simples de Malik, perdido e caído pelo mesmo.

— Mas, somos ambos homens... — Tentou o último argumento — A cultura de onde você nasceu, sua religião... Malik, as pessoas... O que elas vão pensar de você quando verem você comigo, quando verem você com um homem?

Um arrepio subiu a sua espinha ao sentir a mão de Malik tocar seu rosto, aquilo era perigoso e Altair se negava a se afastar, a sensação era boa demais para tomar distancia, tão boa para acabar, singela demais para abandonar.

— O que importa para você, a sua felicidade ou a opinião alheia dos curiosos? — Perguntou e Altair não conseguiu desviar daquele olhar sobre si, desmanchando cada parte teimosa que existia.

Ato que não correspondia com as atitudes do pequeno Altair, suas mãos puxaram de forma um tanto desengonçada o Al-Sayf pela jaqueta preta, deixando com que a diferença de tamanho não importasse e que seus rostos ficassem próximos, trocando assim um beijo meio brusco, lábios tentando ajustasse a vontade de movimento de ambos.

Mãos tentando se manter em um lugar apenas, indo da jaqueta para a blusa branca molhada, a apertando no sentindo de trazer o corpo do outro para acabar com a distancia ou para sentir um pouco a sensação de toca-lo.

— Mas somos apenas amigos, não? — Altair sussurrou, tendo de parar o beijo e se concentrando pelo fato de ainda estarem protegidos pela chuva — Malik, você deveria estar no trabalho... — Sussurrou, tendo em resposta uma careta do Al-Sayf.

— Posso repor no sábado — Deu de ombros, envolvendo a cintura de Altair e o mesmo o separou de si, com uma face séria — Sério? Você vai brigar comigo por causa do meu trabalho? — Bufou e Altair batia o pé, impaciente — Vou repor no sábado, a chuva é uma boa explicação — Altair franziu o cenho e Malik rolou o olhar — Venha, vamos para minha casa...

— A sua moto deve estar toda molhada... — Reclamou, surpreendendo-se quando a jaqueta preta foi deixada sobre sua cabeça — Mas o quê...?

— Venha, assim você deixar de reclamar, senhor Altair — Puxando Altair pela mão, ambos seguiram pela calçada até um estacionamento próximo.

Malik acabou por voltar para pegar o capacete da moto e por consequência fazer Altair rir do seu desespero. A chuva tinha perdido sua intensidade e com essa vantagem ambos seguiram para a casa de Malik, Altair não entendia o porque não ter contestado com a ideia de Mal sobre ir até sua casa, mas no final das contas não lhe faltou um grande abraço e uma bela de uma toalha sobre si.

— Vocês adolescente de hoje em dia... Qualquer coisa acham que estão no direito de fazerem algo — A senhora Hayat andava de um lado para o outro na sala, dando uma bronca em Altair e Malik — O que vocês tem na cabeça para ficar na chuva? Não ficarei nem um pouco surpresa se você, Malikizinho — Apontou para Mal, o fazendo abaixar a cabeça — Ficar resfriado e como uma alma penada pela casa. Agora você, Alty — O olhar da senhora Al-Sayf era voraz e intimidador — Espero que saiba explicar bem para o seu pai que você vai ficar aqui até que ele venha lhe buscar, vai cair um diluvio — Suspirou por fim, sentando-se na poltrona vermelha.

— Mas está começando a fazer sol... — Argumentou, Altair.

Antes houvesse uma explicação, uma luz atravessou a sala e um barulho ressoou do lado de fora. Altair arregalou os olhos e virou-se para Malik da qual riu.

— A velha tem poderes — Brincou e Hayat fez uma careta — Eu também te amo mamãe.

— Você é um bebezão — Ela resmungou.

Mesmo abrigado de uma toalha, Hayat aconselhou que se banhasse a trocasse de roupa para adquirir mais calor e foi o que Altair fez, mas com receio ao ter em mãos as roupas de Malik. Com receio tomou banho, suspirando com a água quente e preparando-se para secasse, mas a surpresa dele foi notar que a toalha da qual estava com ele ficou na sala.

Choramingou e preferia bater o pé ao ter que chamar alguém.

— Malik? — Altair o chamou, utilizando a toalhinha que tinha ali para se cobrir um pouco — Você poderia pegar uma toalha para mim? Esqueci a que estava comigo...

Como Altair era contraditório.

— Fala sério, Novice — A voz de Malik ecoou pelo corredor e com a porta entreaberta, Altair tomou a toalha e fechou rapidamente a porta — Não sei qual a vergonha, tudo o que você tem eu tenho também — Maldito argumento.

Secando-se e colocando as roupas que lhe foram dadas, Altair não reclamaria que as suas eram folgadas e sorriu por alguns segundos até notar o porque estava sorrindo. Não, Malik tinha apenas o beijado.

Andando pelo corredor, Altair estranhou o quarto de Kadar vazio e andou até o de Malik, o encontrando terminando de vestir uma camiseta do batman.

— O que significam? — Malik notando a presença de Altair e a pergunta direcionada a sua tatuagem.

— Um dia eu lhe conto — Piscou e Altair sentiu o rosto corar.

— Malik, nós somos amigos, certo? — Perguntou, indo em direção a mochila perto da cama do Al-Sayf e engolindo em seco ao ouvi-lo suspirar, colocando seus óculos e enxergando com mais facilidade.

— Você me considera um amigo ainda ou quer algo a mais? Sabe, o essencial é invisível aos olhos, e só se pode ver com o coração — Citou e Altair sorriu — Eu ouvi a citação que você fez ao meu irmão e eu tenho certeza que sou responsável e você também é pelo que cativas — Sorriu, andando até onde Altair estava.

Foi apenas um breve selinho e com apenas isso ambos olharam na direção de algo que tinha caído no chão e a pessoa que o tinha derrubado era nada menos que a senhora Al-Sayf.

— Bata na porta, mãe...

— Ela estava aberta, filhinho querido... — Resmungou — Podem continuar, serei apenas uma sombra, finjam que eu não existo... — Sussurrou, pegando o copo de plástico do chão e se retirando — Eu tenho camisinhas no quarto, se vocês precisarem...

— MÃE! — O rosto de Malik estava vermelho e Altair não sabia se ria da situação ou se enterrava a cabeça — Eu não mereço... — Negou com a cabeça.

— Talvez mereça — O desafiou — Onde está o pequeno Kadar? — Perguntou, recebendo uma careta de Malik como resposta.

— Com aquele francês idiota — Deu de ombros, fingindo não se importar.

— Mal...

— Eu não sei... — Respondeu, mas virando-se para um barulho de porta se abrindo — 'Tá ai, ele chegou, senhor preocupadinho.

Mesmo com a chuva toda que se iniciou novamente do lado de fora, Kadar estava um pouco molhado e com um sorriso enorme na face, deixando bem claro que passara um ótima tarde com Arno. Mas o que chamou mais a atenção de ambos foi a pequena bola de pelos que cabia perfeitamente na mãos de Kadar, um gatinho de olhos azuis como os dele.

A face de Malik foi algo como "sério isso?" E a de Altair foi "duas coisas fofas juntas, eu preciso abraçar". Mas a cara de Malik se alterou quando Kadar falou que aquele era o filho dele e de Arno, depois disso era um Al-Sayf com uma cara torta o resto do dia por saber que o felino foi aceito em casa.

Só quando Altair ligou na pausa que seu pai estava, o avisando onde estava foi que quase sentiu a preocupação dele atravessar o telefone, logo em seguida vieram os sermões e as broncas quando Altair adicionou o nome Malik no meio. Quão fértil era a imaginação de Umar? Será que todos tem que achar que Altair e Malik realmente tem algo? Talvez ambos tivessem.

Espirros vinham de Malik e a teimosia parece ter sido passada para ele, pois cada tentativa de Altair tentar Mal a engolir o remédio na colher foi falho, falho até o momento de Umar ter chegado e ambos não notarem sua presença, só notaram quando Altair estava em cima de Malik, o puxando pelo colarinho da blusa e o forçando a beber o maldito remédio. Poderia ser cômico se não fosse trágico.

No dia seguinte na escola, Abbas pareceu voltar ao seu normal e de maneira estranha chamar Maria no intervalo para conversar. Era estranho, pois até duas semanas atrás ninguém conversava com Maria além de César Borgia e outro alguém da qual Altair não sabia.

— Terra para Altair, alguém na escuta? — Ezio chamara a atenção de Altair, o sorriso fraco do Auditore estava um tanto diferente, quase vazio — Vai me contar o motivo de você estar espirrando e do malvadão do Malik ter faltado?

— Se eu contar, capaz de você siar gritando "eu sabia" — Sorriu, mas preocupado com as feições tristonhas de Ezio.

O sinal do fim das aulas tocou meio tarde, metade dos alunos já tinham saído e no meio do estacionamento uma pessoa se destacou por ter um carro esportivo italiano, afinal de contas, a face de Vieri nunca mudara tanto em anos, mas os olhos azuis do mesmo era tão diferentes de Edward ou de Kadar, eram vazios e perigosos.

— O que você faz aqui? Cadê o meu irmão? — Ezio indagou, cerrando o punho e Vieri apenas bochechou, entediado.

— Abaixe sua raiva que hoje eu não sou seu inimigo, Auditore — Alertou — Vim aqui a pedido do seu irmão, olha, você não se perguntou hoje do porque Leonardo ter faltado? — Franziu o cenho e Altair virou o olhar para Ezio, vendo o pânico estampado em sua face — Isso mesmo, Ezio, reunião em família — Fez um careta.

— Ezio? — A cara assustada de Ezio começou a realmente preocupar Altair, muito — Ezio!

— Não, não, não... — Murmurou — Me leve para casa agora Vieri! — Não foi um pedido, mas Vieri de'Pazzi entendeu do mesmo jeito.

O mundo era estranho para ambos entrarem no carro do inimigo que atualmente era um aliado.

Notas finais
Acabou o momento fluffy! Alguém tem que sofrer! :v Sia - One Million Bullets